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Jeanine Añez, o fantasma que apavora Jair Bolsonaro

Na votação na Câmara em favor do impeachment de Dilma, o então deputado Jair Bolsonaro deu seu voto infame, soprado em seu ouvido pelo filho Eduardo, "pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff".
 
Deveria ter saído preso dali e perdido seu mandato, por elogiar um torturador reconhecido pela Justiça brasileira como tal. Um ser ignominioso, que levou crianças pequenas para assistirem ao martírio da mãe.
 
Agora, um fantasma apavora Jair Bolsonaro, o da ex-presidente da Bolívia Jeanine Añez. Senadora, ela foi alavancada à presidência daquele país por um golpe de Estado, praticado contra o desejo das urnas e do povo boliviano.
 
Hoje, Jeanine está presa. E presos estão os comandantes militares envolvidos no golpe.
 
É o destino que espera Jair Bolsonaro, filhos e militares e apoiadores de seu governo, que agem contra o país como Ustra agiu com os prisioneiros que lhe caíam às mãos.
 
Por isso, o fantasma de Jeanine Añez apavora Bolsonaro: seu destino deve ser igual ao dela.





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EUA e Brasil: os pilantras de lá e os de cá

Prefeitos, deputados e rabinos presos nos EUA

Ontem, O Globo publicou em sua primeira página esta foto aí de cima. São fraudadores indo em cana. Dois prefeitos, deputados e vários rabinos, num total de 44 presos. Todos devidamente algemados.

Estranhei não ler nenhuma crítica do jornal sobre o uso abusivo das algemas e a exposição “humilhante” dos “supostos” (sempre supostos, até que morra o último juiz da última turma do STF) pilantras.

Mas fui até a matéria e entendi o motivo da omissão: os 44 fraudaram “apenas” US$ 3 milhões. Coisa pouca. Aqui no Brasil, somem centenas de milhões, às vezes alguns bi de dólares, e todos passeiam suas gravatas cor de rosa, livres das algemas e das prisões. Tudo isso foi decidido logo após a prisão (e posterior libertação) de Daniel Dantas.

Definitivamente, o que é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil.

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É no Brasil todo: - ‘Presa tem que dar’

O que estou vendo de surpresas, de ohs e ahs com o caso da menina no Pará... Por que o espanto? É uma barbaridade? Sem dúvida. Mas essa barbaridade é defendida diariamente nos editoriais, nos pitblogs, na imprensa indecente, nas seções de Cartas dos Leitores dos principais jornais e revistas do país.

É claro que ninguém diz com todas as letras que quer ver presas menores de idade trancadas com marmanjões em cadeias imundas no interior do Pará. O que se diz é “Não me falem em direitos humanos de presos, isso é papo de intelectual. Bandido tem que pagar”.

Não dizem como, mas imaginam. Ou melhor, nem imaginam, porque nem querem pensar nisso. Afinal, cadeia no Brasil, ainda em sua maior parte, é feita apenas para os PPP, pretos, putas e pobres. Então, pra que pensar numa melhoria de condições de vida nas prisões e presídios, se nós não iremos pra lá?

Tenho uma má notícia para quem pensa assim. É bom começar a se preocupar. Cada vez mais jovens de classe média, e até de “alta classe”, estão sendo presos. Só aí os pais desses jovens começam a ter contato com a realidade que nunca quiseram ver.

As revistas são feitas por homens, não importa o sexo do preso. Você, leitor amigo, já imaginou sua filha sendo revistada pelo policial ou carcereiro?

Mas não é apenas isso, caro leitor. Seus problemas não acabaram. Já imaginou “sua patroa” ou sua mãe sendo revistada por um deles também? Pois imagine, porque se uma delas quiser visitar o pimpolho ou a pimpolha na delegacia ou no presídio terá que passar por essa mesma revista.

É como diz o delegado titular da Divisão de Capturas da Polícia Civil do Rio (Polinter), Herald Paquete (sic) Espínola Filho:

- A lei não diz que a revista tem que ser feita apenas por mulheres. Não vou perder meu tempo comentando isso.

Na mesma reportagem de O Globo em que há a declaração do delegado sem tempo, Vera Lúcia Tostes, que é coordenadora da Pastoral Carcerária do estado do Rio e presidente do Conselho da Comunidade relata outros casos de maus-tratos, como a falta de absorventes, o que leva presas a usar até miolo de pão. Para obterem material higiênico ou ter proteção, presas têm relações sexuais com funcionários e funcionárias ou com outras presas.

É comum que jovens detidos para cumprir medidas sócio-educativas (na maioria das vezes, apenas presos mesmo) implorem para que suas mães não os visitem para que não sejam submetidas à revista degradante (preciso descrever?). Se alguém defende um tratamento mais digno para esses jovens e suas mães, pronto, lá vêm as matérias editorializadas, as Cartas dos Leitores descendo o pau “nesse pessoal que defende os direitos humanos dos presos”.

Depois se espantam com notícias como as do Pará. E com a tranqüilidade com que delegados tratam do assunto. No Pará, disseram apenas que não havia cadeia separada...

Se querem continuar como os três macaquinhos, com as mãos, os olhos e os ouvidos fechados, que o façam. Mas nos poupem do espanto hipócrita.

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