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No Japão, em meio às palhaçadas de Zelensky, que é manipulado pelos EUA, o presidente Lula declarou que a guerra dele é contra a fome no país. [Vídeo abaixo].
Já Zelensky foi desmascarado por documentos vazados no Washington Post há 10 dias, que, no entanto, a mídia corporativa mundial finge ignorar. Neles, fica claro que Zelensky quer continuar seu show, porque como escrevi aqui em março do ano passado Presidente da Ucrânia dá razão ao ditado que diz que alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo.
Dos documentos vazados pelo Post:
Mas a portas fechadas, o líder da Ucrânia propôs ir em uma direção mais audaciosa - ocupando aldeias russas para ganhar vantagem sobre Moscou, bombardeando um oleoduto que transfere petróleo russo para a Hungria, um membro da OTAN, e ansiando em particular por mísseis de longo alcance para atingir alvos dentro das fronteiras da Rússia, de acordo com documentos secretos da inteligência dos EUA detalhando suas comunicações internas com os principais assessores e líderes militares.
(...) Em uma reunião em meados de fevereiro com a vice-primeira-ministra Yuliya Svrydenko, Zelensky sugeriu que a Ucrânia “explodisse” o oleoduto Druzhba, construído pelos soviéticos, que fornece petróleo à Hungria. “Zelensky destacou que … a Ucrânia deveria simplesmente explodir o oleoduto e destruir a provável indústria húngara do [primeiro-ministro] Viktor Orban, que é fortemente baseada no petróleo russo”, diz o documento. [Washington Post]
Lula é político experiente, sabe o jogo que está sendo jogado, por isso mandou seu recado, quando defendeu a paz, e agora quando diz que sua guerra é contra a fome de 33 milhões de brasileiros.
A gente já começa a semana fazendo o L.
— Helder Salomão (@heldersalomao) May 22, 2023
"A minha guerra é contra a fome no meu país". Presidente Lula no #G7HiroshimaSummit pic.twitter.com/KuYOHViLcx
Não adianta emitir notas nem cartinhas ou declarações de protesto. De boas intenções o inferno está cheio. Para atingir o fascismo — 0 racismo é só uma das manifestações desse movimento da direita mundial — é preciso cortar seu financiamento.
O nazismo só floresceu com Hitler pelo apoio que recebeu de Volks, BMW, Mercedes, o Deutsche Bank, que embolsou através de um confisco dinheiro dos judeus e vendeu ouro das vítimas do Holocausto.
O Santander é o patrocinador oficial de La Liga. Como o racismo contra Vini Jr. é constante e reincidente, sem punição para os envolvidos e com o presidente de La Liga passando pano, a única solução é o Santander romper o contrato de patrocínio.
Ou o Santander patrocina o racismo como aquelas empresas patrocinaram o nazismo?
A Musica Segundo Tom Jobim from Boss Press on Vimeo.
Não satisfeita em não ter um único de seus dirigentes preso pelas tragédias de Mariana e Brumadinho, a Vale ainda contou com o auxílio luxuoso do governo Bolsonaro: uma insenção de impostos de R$20 bilhões.
A Receita Federal publicou em seu site a 1ª leva de informações sobre as isenções tributárias concedidas a empresas brasileiras. Portaria do órgão publicada na 3ª feira (16.mai) determinou que em 15 dias fossem listadas as empresas que recebem benefícios fiscais.
Os primeiros arquivos mostram R$ 51 bilhões de isenções a 15.691 empresas. Se referem a 2021. A mineradora Vale, por enquanto, aparece na dianteira com R$ 20 bilhões de incentivos tributários (R$ 19 bilhões referentes à Vale e R$ 1,2 bilhão referente à Salobo Metais, subsidiária da Vale).
Nesses dados parciais, os incentivos concedidos à Vale são muito superiores ao de qualquer outra empresa que consta na lista da Receita até agora. [Poder360]
A Vale deveria estar ainda ajoelhada no milho, se desculpando por assassinar centenas de pessoas, devastar cidades e destruir o rio que lhe dava o nome original, Vale do Rio Doce. O nome agora é só Vale porque o rio Doce morreu assassinado pela própria Vale.
Íntegra do discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lido na sessão de trabalho do G7 e países convidados realizada em Hiroshima (Japão), na manhã deste domingo (21/5 - noite de sábado no Brasil)
Hiroshima é o cenário propício para uma reflexão sobre as catastróficas consequências de todos os tipos de conflito. Essa reflexão é urgente e necessária. Hoje, o risco de uma guerra nuclear está no nível mais alto desde o auge da Guerra Fria.
Em 1945, a ONU foi fundada para evitar uma nova Guerra Mundial. Mas os mecanismos multilaterais de prevenção e resolução de conflitos já não funcionam.
O mundo já não é o mesmo. Guerras nos moldes tradicionais continuam eclodindo, e vemos retrocessos preocupantes no regime de não-proliferação nuclear, que necessariamente terá que incluir a dimensão do desarmamento.
As armas nucleares não são fonte de segurança, mas instrumento de extermínio em massa que nega nossa humanidade e ameaça a continuidade da vida na Terra.
Enquanto existirem armas nucleares, sempre haverá a possibilidade de seu uso.
Foi por essa razão que o Brasil se engajou ativamente nas negociações do Tratado para a Proibição de Armas Nucleares, que esperamos poder ratificar em breve.
Em linha com a Carta das Nações Unidas, repudiamos veementemente o uso da força como meio de resolver disputas. Condenamos a violação da integridade territorial da Ucrânia.
Ao mesmo tempo, a cada dia em que os combates prosseguem, aumentam o sofrimento humano, a perda de vidas e a destruição de lares.
Tenho repetido quase à exaustão que é preciso falar da paz. Nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo. Precisamos trabalhar para criar o espaço para negociações.
Também não podemos perder de vista que os desafios à paz e à segurança que atualmente afligem o mundo vão muito além da Europa.
Israelenses e palestinos, armênios e azéris, cossovares e sérvios precisam de paz. Yemenitas, sírios, líbios e sudaneses, todos merecem viver em paz. Esses conflitos deveriam receber o mesmo grau de mobilização internacional.
No Haiti, precisamos agir com rapidez para aliviar o sofrimento de uma população dilacerada pela tragédia. O flagelo a que está submetido o povo haitiano é consequência de décadas de indiferença quanto às reais necessidades do país. Há anos o Brasil vem dizendo que o problema do Haiti não é só de segurança, mas, sobretudo, de desenvolvimento.
O hiato entre esses desafios e a governança global que temos continua crescendo. A falta de reforma do Conselho de Segurança é o componente incontornável do problema.
O Conselho encontra-se mais paralisado do que nunca. Membros permanentes continuam a longa tradição de travar guerras não autorizadas pelo órgão, seja em busca de expansão territorial, seja em busca de mudança de regime.
Mesmo sem conseguir prevenir ou resolver conflitos através do órgão, alguns países insistem em ampliar a agenda do Conselho cada vez mais, trazendo novos temas que deveriam ser tratados em outros espaços do sistema ONU.
O resultado é que hoje temos um Conselho que não dá conta nem dos problemas antigos, nem dos atuais, muito menos dos futuros.
O Brasil vive em paz com seus vizinhos há mais de 150 anos. Fizemos da América Latina uma região sem armas nucleares. Também nos orgulhamos de ter construído, junto com vizinhos africanos, uma zona de paz e não proliferação nuclear no Atlântico Sul.
Testemunhamos a emergência de uma ordem multipolar que, se for bem recebida e cultivada, pode beneficiar a todos.
A multipolaridade que o Brasil almeja é baseada na primazia do direito internacional e na promoção do multilateralismo.
Reeditar a Guerra Fria seria uma insensatez.
Dividir o mundo entre Leste e Oeste ou Norte e Sul seria tão anacrônico quanto inócuo.
É preciso romper com a lógica de alianças excludentes e de falsos conflitos entre civilizações.
É inadiável reforçar a ideia de que a cooperação, que respeite as diferenças, é o caminho correto a seguir.
Muito obrigado.
Ela abriu a carta entre curiosa e preocupada. Era a primeira vez que recebia uma. E ainda por cima cheirosa. Geralmente na caixa de correspondência havia só boletos e cobranças. Quem ainda mandava cartas, meu Deus?
Ela leu: Amaro. Somente, sem sobrenome. Estranhou. Achei esquisito, disse depois à amiga Sheila. E o endereço era Praça dos Garis, bairro Encantado. Não havia número também. Mas a amiga só disse:
— Cada louco com sua mania.
O importante era a carta e o conteúdo. Amaro dizia ser apaixonado por ela, mas tinha receio em se declarar pessoalmente.
— Tão romântico!... E você não vai responder?
Ela estava em dúvida. Pensou: será que ele tem vergonha por ser gari? Mas os garis são as pessoas mais simpáticas do Rio. Além do mais, pro padrão dela (cheia de dívidas), ganham bem. Será que tem algum problema de saúde?
— Ou é muito feio! Ou velho — completa Sheila.
Ela só pensou: me deixa sonhar...
Mas, passado um tempo nessa dúvida, chegou nova carta. Cheirosa como a primeira. E novamente só "Amaro", sem sobrenome. Mas o endereço era outro: Praça Jardim Vista Alegre, no bairro de Vista Alegre.
Amaro lamentava que ela não houvesse respondido sua carta anterior. Mas dizia que havia visto a nova foto de perfil dela no Instagram. Que estava linda no vestido vermelho.
Então ele olhava o Instagram dela... Por que não escrevia por lá? Procurou entre seus amigos um com o nome de Amaro. Não havia.
Mas na carta ele comentava que a havia visto com aquele vestido outro dia no shopping. Que passou pertinho dela, mas ela nem o percebeu.
Aquilo a deixou ainda mais curiosa. Passou pertinho dela... Sheila disse pra ela comentar no Instagram, já que ele a acompanhava por lá. Uma selfie com a carta...
Mas ela achava que não. Não tinha direito de compartilhar a carta dele. E estava curtindo receber cartas. Ia escrever uma em resposta, estava decidida.
Mas, antes disso, tinha o trabalho de operadora de telemarketing. E até um novo passeio no shopping, com uma saia curtinha e uma blusa nova, que ela ganhara no Natal mas ainda não tinha usado.
Ela nem havia tido tempo de escrever a carta, quando chegou uma nova. Amaro já havia se mudado mais uma vez. Agora para a Rua da Capela, no bairro da Piedade. Ele dizia estar muito triste, porque ela não respondia suas cartas e se sentia desprezado. Que a viu novamente no shopping, estava muito linda e com uma blusa que caiu muito bem nela, mas que ele não conhecia. E que passou outra vez bem pertinho dela...
— Acho que esse cara não bate bem — disse Sheila. Vive te seguindo, mudando de endereço. Aliás, esses endereços parecem pistas de algum mistério. Encantado, Vista Alegre, Piedade.
Ela resolveu responder a Amaro e dizer que ele fosse até a casa dela, que ele sabia muito bem o endereço, ou então que escrevesse com nome completo, um endereço que não mudasse a toda hora e uma foto. Mas não sabia se ele receberia a carta, porque poderia ter mudado mais uma vez.
Foi aos Correios, enfrentou uma fila que a fez pensar em desistir algumas vezes, mas, enfim, postou a carta. O endereço era o último, o da Piedade.
Mas nada de Amaro aparecer.
Em vez dele, chegou nova carta. Também cheirosa, mas o perfume cheirava a incenso, lembrava igreja. Ela se assustou quando leu o endereço: Rua Monsenhor Manuel Gomes, 155 - Caju, Rio de Janeiro - RJ. Até CEP tinha!
Ela entendeu que ele queria que ela fosse à casa dele. Pediu à amiga Sheila que a acompanhasse.
Pegam um ônibus. Quando chegam à rua, veem que é a do Cemitério de São Francisco Xavier, conhecido como Cemitério do Caju. Só tem ele daquele lado da rua. Do outro lado eram números pares.
Andam até a porta do cemitério e verificam o número. 155, como na carta. Era mesmo o número do cemitério, confirma um funcionário. Mas ele lhe diz mais: aquele número que ela pensou que se tratasse do CEP é na verdade a indicação de uma quadra e uma sepultura. E, pelo número, era sepultamento recente, de alguns dias.
Ela olha atônita para a amiga, que responde a seu olhar na hora, adivinhando seu pensamento:
— Nem pensar! Só entro em cemitério morta.
Ela pede a Sheila que a espere e segue nervosa as orientações do funcionário. É uma daquelas tardes de calor infernal, e a quadra aonde se dirige não tem uma bendita árvore pelo caminho.
Temerosa e intrigada, vai andando e olhando para os lados. Às vezes havia um grupo acompanhando um caixão para o sepultamento.
Até que chega à quadra e começa a procurar pelo número, o coração na boca. Por que Amaro teria feito aquilo? Bem que Sheila havia lhe dito que ele não batia bem.
Quando chega ao número indicado, o nome do morto não é Amaro. Ela olha a carta para conferir. Olha de novo o nome na sepultura. Não é Amaro.
— O Amaro não está aí. Estou aqui — apresenta-se Amaro, de surpresa, bem às suas costas.
O amor tem dessas coisas.
*Crônica publicada em parceria com a Revista Fórum
Novo filme do diretor Kleber Mendonça Filho "Retratos Fantasmas" foi apresentado na sexta à noite na 76ª edição do Festival de Cinema de Cannes e foi aplaudido de pé por uma sala lotada.
Kleber dirigiu Aquarius, com Sonia Braga, e Bacurau, que venceu o prêmio do Júri em Cannes, 2019.
Foi numa sexta-feira chuvosa e tristonha que o festival deu vazão ao clima igualmente melancólico de "Retratos Fantasmas", que além da première com a participação do diretor, que teve fila de ao menos 50 pessoas em busca de assentos de última hora, tem outras duas sessões programadas -uma para a imprensa e outra aberta ao público, já esgotada.
Um documentário, o longa combina com Cannes justamente por fazer uma ode ao cinema, juntando pedaços da história do Recife para falar das salas de rua que já foram tão abundantes na capital pernambucana e que hoje, como em qualquer grande cidade, ou definham, ou sumiram de vez.
A première foi apresentada por Thierry Frémaux, diretor do festival, e foi precedida por um breve discurso do cineasta, em que destacou a presença de Joelma Oliveira Gonzaga, secretário do audiovisual do Ministério da Cultura. "É normal ter uma pessoa do governo apoiando [o cinema] e nós não tivemos isso por sete anos", disse em referência aos governos Temer e Bolsonaro. [Leonardo Sanchez, Folhapress]
A première mundial da produção do cineasta pernambucano ocorreu em Sessão Especial da Seleção Oficial, fora do circuito de competição.
"Retratos Fantasmas" estreia nos cinemas brasileiros no segundo semestre, ainda sem data exata definida.