O cantor e compositor Zeca Pagodinho é um dos brasileiros mais famosos e com maior identificação popular. Não apenas pelas músicas que compõe e as que canta, mas pelo jeito simples e solidário de viver a vida.
Zeca deu uma entrevista à Folha sobre o "perrengue" por que passou no Sambódromo paulista, onde foi proibido de descer à avenida, saudar e ser saudado pelo público graças à guerra das cervejas.
Pagodinho voltou a ser patrocinado por uma marca de cerveja e o Carnaval de São Paulo é patrocinado por outra. Na guerra das cervejas, o cantor e o público que é louco por ele não puderam se saudar mutuamente, o que entristeceu o cantor.
"Todo ano eu vou na avenida e agora, por causa de briga de cerveja, eu não pude. Eu não vivo de cerveja, vivo do povo", afirmou o sambista. "Isso me machuca e machuca o povo."
Zeca presidente?
Como o tema do Camarote Brahma neste ano é "República do Pagodinho", o cantor foi provocado pelo repórter sobre o que faria se fosse o presidente desta República e Zeca não hesitou em declarar a meta de seu governo, quase que repetindo palavras do atual presidente da República:
Acabaria com a fome e a miséria como prioridade absoluta. "Primeira coisa era isso. Não dá pra aceitar" — declarou Zeca.
Lula e Zeca
Em seu discurso de posse de seu primeiro mandato, em 1º de janeiro de 2003, o presidente Lula falou:
Este é um país extraordinário. Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, em meio a populações praieiras, sertanejas e ribeirinhas, o que vejo em todo lugar é um povo maduro, calejado e otimista. Um povo que não deixa nunca de ser novo e jovem, um povo que sabe o que é sofrer, mas sabe também o que é alegria, que confia em si mesmo, em suas próprias forças. Creio num futuro grandioso para o Brasil, porque a nossa alegria é maior do que a nossa dor, a nossa força é maior do que a nossa miséria, a nossa esperança é maior do que o nosso medo.
O povo brasileiro, tanto em sua história mais antiga, quanto na mais recente, tem dado provas incontestáveis de sua grandeza e generosidade; provas de sua capacidade de mobilizar a energia nacional em grandes momentos cívicos; e eu desejo, antes de qualquer outra coisa, convocar o meu povo, justamente para um grande mutirão cívico, para um mutirão nacional contra a fome.
Num país que conta com tantas terras férteis e com tanta gente que quer trabalhar, não deveria haver razão alguma para se falar em fome. No entanto, milhões de brasileiros, no campo e na cidade, nas zonas rurais mais desamparadas e nas periferias urbanas, estão, neste momento, sem ter o que comer. Sobrevivem milagrosamente abaixo da linha da pobreza, quando não morrem de miséria, mendigando um pedaço de pão.
Essa é uma história antiga. O Brasil conheceu a riqueza dos engenhos e das plantações de cana de açúcar nos primeiros tempos coloniais, mas não venceu a fome; proclamou a independência nacional e aboliu a escravidão, mas não venceu a fome; conheceu a riqueza das jazidas de ouro, em Minas Gerais, e da produção de café, no Vale do Paraíba, mas não venceu a fome; industrializou-se e forjou um notável e diversificado parque produtivo, mas não venceu a fome. Isso não pode continuar assim.
Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando fome, teremos motivo de sobra para nos cobrirmos de vergonha.
Por isso, defini entre as prioridades de meu Governo um programa de segurança alimentar que leva o nome de Fome Zero. Como disse em meu primeiro pronunciamento após a eleição, se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.
É por isso que hoje conclamo: vamos acabar com a fome em nosso país. Transformemos o fim da fome em uma grande causa nacional, como foram no passado a criação da Petrobras e a memorável luta pela redemocratização do país. Essa é uma causa que pode e deve ser de todos, sem distinção de classe, partido, ideologia. Em face do clamor dos que padecem o flagelo da fome, deve prevalecer o imperativo ético de somar forças, capacidades e instrumentos para defender o que é mais sagrado: a dignidade humana.
O Brasil estava neste rumo quando houve o golpe contra Dilma e os governos da destruição de Temer e Bolsonaro, que deixaram o país em escombros e levaram o Brasil vergonhosamente de volta ao "Mapa da Fome" da ONU, de onde havia saído em 2014 e foi tirado novamente pelo terceiro governo de Lula, em 2025.
Lula e a luta contra a fome
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