Comentário de Antonio Mello no Fórum Mídias, da TV Fórum.
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Na tentativa de tirar o corpo fora do recorde de feminicídio batido por São Paulo em 2025 de sua inteira responsabilidade, o governador Tarcísio de Freitas inventou uma nova doença que estaria causando o que ele chamou de "epidemia de feminicídios".
Epidemia, na definição do dicionário, "é uma doença infecciosa e contagiosa que se espalha ou ataca com rapidez um grande número de pessoas, numa determinada região".
Epidemias são causadas por vírus ou bactérias. No entanto, não há vírus ou bactéria no assassinato de mulheres pelo motivo de serem mulheres, que é a definição clássica de feminicídio. O que há é machismo estrutural na sociedade e um desinteresse completo do governador de São Paulo em proporcionar uma defesa às mulheres dos crimes, que só se avolumam desde que Tarcísio chegou ao governo de São Paulo. Ano a ano cresce o feminicídio e em 2025 ele foi recorde nacional.
Levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que o número de estupros, feminicídios e letalidade policial aumentou já no primeiro ano do governo Tarcísio de Freitas.
Como se isso não bastasse, uma declaração de Tarcísio preocupa ainda mais as mulheres. Segundo Tarcísio, “Imagino que tenhamos crescimento na estatística porque as mulheres devem procurar mais ajuda. Precisamos tomar todas as providências para mitigar esse problema".
Só agora no último ano de governo? As mulheres não procuraram ajuda antes? Quais as "providências para mitigar esse problema" foram tomadas por Tarcísio, já que o número de feminicídios cresceu ano a ano?
Pior é que não há saída à vista com Tarcísio, já que a solução que aponta para o problema não é da alçada dele nem evita o feminicídio:
"Uma coisa fundamental é a punição severa e dura para quem comete esses crimes, para que sirva de exemplo.”
Pena dura tem que ser estabelecida pelo Congresso. Com isso, mais uma vez Tarcísio lava as mãos. Além do mais, pena dura é para o feminicida, ou seja, não evita o ato, apenas pune quem já o cometeu.
Jogar a culpa do aumento ano a ano do feminicídio em São Paulo na existência de uma inventada "epidemia de feminicídios" ou de uma penalização branda do ato é só jogar para a plateia e se eximir de fazer o que a sociedade espera de um governante: a diminuição até a extinção do hediondo crime de feminicídio. Coisa que Tarcísio não fez; pelo contrário. O resto é discutir que flores cobrirão os cadáveres.
Quando trata como epidemia uma coisa que não é doença, Tarcísio erra no diagnóstico, primeira razão de seu fracasso em conseguir uma solução para o problema.
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O cantor e compositor Zeca Pagodinho é um dos brasileiros mais famosos e com maior identificação popular. Não apenas pelas músicas que compõe e as que canta, mas pelo jeito simples e solidário de viver a vida.
Zeca deu uma entrevista à Folha sobre o "perrengue" por que passou no Sambódromo paulista, onde foi proibido de descer à avenida, saudar e ser saudado pelo público graças à guerra das cervejas.
Pagodinho voltou a ser patrocinado por uma marca de cerveja e o Carnaval de São Paulo é patrocinado por outra. Na guerra das cervejas, o cantor e o público que é louco por ele não puderam se saudar mutuamente, o que entristeceu o cantor.
"Todo ano eu vou na avenida e agora, por causa de briga de cerveja, eu não pude. Eu não vivo de cerveja, vivo do povo", afirmou o sambista. "Isso me machuca e machuca o povo."
Como o tema do Camarote Brahma neste ano é "República do Pagodinho", o cantor foi provocado pelo repórter sobre o que faria se fosse o presidente desta República e Zeca não hesitou em declarar a meta de seu governo, quase que repetindo palavras do atual presidente da República:
Acabaria com a fome e a miséria como prioridade absoluta. "Primeira coisa era isso. Não dá pra aceitar" — declarou Zeca.
Em seu discurso de posse de seu primeiro mandato, em 1º de janeiro de 2003, o presidente Lula falou:
Este é um país extraordinário. Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, em meio a populações praieiras, sertanejas e ribeirinhas, o que vejo em todo lugar é um povo maduro, calejado e otimista. Um povo que não deixa nunca de ser novo e jovem, um povo que sabe o que é sofrer, mas sabe também o que é alegria, que confia em si mesmo, em suas próprias forças. Creio num futuro grandioso para o Brasil, porque a nossa alegria é maior do que a nossa dor, a nossa força é maior do que a nossa miséria, a nossa esperança é maior do que o nosso medo.
O povo brasileiro, tanto em sua história mais antiga, quanto na mais recente, tem dado provas incontestáveis de sua grandeza e generosidade; provas de sua capacidade de mobilizar a energia nacional em grandes momentos cívicos; e eu desejo, antes de qualquer outra coisa, convocar o meu povo, justamente para um grande mutirão cívico, para um mutirão nacional contra a fome.
Num país que conta com tantas terras férteis e com tanta gente que quer trabalhar, não deveria haver razão alguma para se falar em fome. No entanto, milhões de brasileiros, no campo e na cidade, nas zonas rurais mais desamparadas e nas periferias urbanas, estão, neste momento, sem ter o que comer. Sobrevivem milagrosamente abaixo da linha da pobreza, quando não morrem de miséria, mendigando um pedaço de pão.
Essa é uma história antiga. O Brasil conheceu a riqueza dos engenhos e das plantações de cana de açúcar nos primeiros tempos coloniais, mas não venceu a fome; proclamou a independência nacional e aboliu a escravidão, mas não venceu a fome; conheceu a riqueza das jazidas de ouro, em Minas Gerais, e da produção de café, no Vale do Paraíba, mas não venceu a fome; industrializou-se e forjou um notável e diversificado parque produtivo, mas não venceu a fome. Isso não pode continuar assim.
Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando fome, teremos motivo de sobra para nos cobrirmos de vergonha.
Por isso, defini entre as prioridades de meu Governo um programa de segurança alimentar que leva o nome de Fome Zero. Como disse em meu primeiro pronunciamento após a eleição, se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.
É por isso que hoje conclamo: vamos acabar com a fome em nosso país. Transformemos o fim da fome em uma grande causa nacional, como foram no passado a criação da Petrobras e a memorável luta pela redemocratização do país. Essa é uma causa que pode e deve ser de todos, sem distinção de classe, partido, ideologia. Em face do clamor dos que padecem o flagelo da fome, deve prevalecer o imperativo ético de somar forças, capacidades e instrumentos para defender o que é mais sagrado: a dignidade humana.
O Brasil estava neste rumo quando houve o golpe contra Dilma e os governos da destruição de Temer e Bolsonaro, que deixaram o país em escombros e levaram o Brasil vergonhosamente de volta ao "Mapa da Fome" da ONU, de onde havia saído em 2014 e foi tirado novamente pelo terceiro governo de Lula, em 2025.
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Viralizou o vídeo [publicado ao final] em que um militar de uma Escola Cívico-militar de São Paulo do governador Tarcísio de Freitas cometeu dois erros de ortografia em sala de aula. O problema mais grave é que ele havia escrito apenas quatro palavras e errou duas.
Bem, sempre vai haver alguém que defenda essa aberração imposta pela extrema direita a algumas cidades e estados brasileiros que dirá que ele não foi tão mal, afinal acertou 50%...
O mais grave ali não está nos erros de ortografia — quem não os comete? —, que são graves por serem cometidos num ambiente educacional. Mas a ideia de militares ensinando alunos a baterem continência (eles devem ensinar que o certo é "prestar continência"), coisa que os jovens terão oportunidade de aprender aos 18 anos, quando servirem obrigatoriamente às Forças Armadas, onde aprenderão a prestar continência, obedecer à "ordem unida" — o que estava sendo ensinado em classe —, e até pintar meios-fios, caiar árvores e cuidar dos jardins dos oficiais superiores.
Os militares, além de atropelarem a gramática, descumpriram o Art. 11 do regulamento das ECIM, que diz:
A Dimensão cívico-militar deve atuar na difusão de valores humanos e cívicos para estimular o desenvolvimento de bons comportamentos e atitudes do aluno e a sua formação integral como cidadão, em ambiente escolar externo à sala de aula.
Se aquele ambiente com carteiras, alunos, mesa de professor, um quadro onde foram cometidos os erros não é uma sala de aula, o que é então?
Que tipo de ensinamento é prestado a esses alunos por oficiais de uma polícia que vem batendo ano a ano recordes de letalidade policial?
A série histórica mostra uma escalada nos últimos anos. Em 2022, foram 421 registros. Em 2023 — primeiro ano do governo Tarcísio —, o número subiu para 504, alta de 19,7%. Já em 2024, houve um salto para 813 casos, aumento de 61,3% em relação ao ano anterior. Em 2025, foram 834 casos, novamente mais de dois por dia.
O modelo de cidadão das Escolas Cívico-Militares é o ex-secretário de Segurança "Capitão Derrite", como gosta de ser chamado, um policial que foi expulso da Rota por excesso de letalidade? Derrite que afirmou que:
“Porque pro camarada trabalhar cinco anos na rua e não ter ma… três ocorrências, na minha opinião, é vergonhoso, né. Mas é a minha opinião, né”
É isso, ou o militar modelo é o atual presidiário chorão da Papudinha, o ex-presidente Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes?
Ou seriam os generais quatro estrelas Braga Netto, Heleno e Paulo Sergio e o almirante Garnier, condenados pelos mesmos crimes, inclusive o de formação de quadrilha?
Ou ainda o general Pazuello, que quando ministro da Saúde do governo Bolsonaro não encomendou as vacinas oferecidas pela Pfizer, que teriam evitado centenas de milhares de mortes, com a seguinte e cínica justificativa:
"Senhores, é simples assim: Um [Bolsonaro] manda, o outro [ele] obedece".
O mesmo Pazuello, especialista em Logística (sic) do Exército, que enviou oxigênio para o Amapá em vez de Amazonas, causando a morte de várias pessoas por falta de oxigênio na pandemia.
É melhor seguir os ensinamentos de um brasileiro que é um dos três teóricos mais citados no mundo, o educador Paulo Freire:
“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor.”Educação é para a liberdade, com liberdade, e que não combina com a formação militar rígida, hierarquizada e defensora do status quo.
Educação é Galileu Galilei, que foi forçado pela Inquisição Romana em 1633 a renegar a teoria heliocêntrica (de que a Terra se move ao redor do Sol) para escapar da condenação à morte
.
No entanto, logo após assinar a sua abjuração, Galileu teria murmurado a célebre frase:
"Eppur si muove"
(E, no entanto, ela se move)
O vídeo:
Escola cívico-militar que é boa. Aula com erro de português na escola cívico-militar. pic.twitter.com/adGQTdjPNr
— Pedro Ronchi (@PedroRonchi2) February 3, 2026
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"O Itaú Unibanco entende que a conduta do vereador Ricardo Nunes, que divulgou publicamente a existência de autuação fiscal, pode constituir violação de sigilo fiscal do banco. Dessa forma, o Itaú representou o fato às autoridades competentes para que façam as apurações necessárias", disse o banco, por meio da assessoria de imprensa. [Folha]Já o Blog do Mello refresca sua memória e dá os links do que publicou sobre o assunto aqui:
A Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo informou em documento endereçado à CPI da Sonegação Tributária, da Câmara municipal da capital paulista, que o Banco Itaucard e o Banco Itauleasing simularam estabelecimento em Poá – município da região Leste da Grande São Paulo – e, assim, sonegaram o Imposto Sobre Serviços (ISS).O relatório da CPI mostra que o Itaú afirma ter realizado várias Assembleias em Poá, com diretores que confessaram à CPI nunca ter posto os pés naquele município.
O valor da autuação que os bancos devem aos cofres municipais é de R$ 3,798 bilhões, e representa o imposto devido entre janeiro de 2014 a dezembro de 2018, acrescido de multa. A operação fiscal com relação às duas instituições está em fase de conclusão. [Estadão]
P –Onde fica a Itaucard?Depoimento de Gilberto Frussa, retirado do relatório final da CPI:
R -A Itaucard? Fica em Poá.
P –Em Poá?
R -Eu entendo que sim.
P -A senhora sabe o endereço?
R –Não, eu não tenho essa informação.
P –Porque a senhora, inclusive, consta como responsável do CNPJ, do quadro de sócios e administradores, a senhora consta como sócia ou administradora desse banco. E a senhora não sabe o endereço, aonde fica?
R –Não, eu não tenho essa informação.
P -Ah, tá. A senhora sabe me dizer quantos funcionários tem o Itauleasing?
R -Não.
P -Também não? A senhora saberia me dizer quantos funcionários tem no Itaucard?
R –Não, não tenho essa informação também.
P –A senhora já foi lá em Poá?
R –Nunca.
P -Nunca foi?
R –Nem profissionalmente nem em outras situações, eu não conheço.
Bom, meu nome é Gilberto Frussa, eu sou administrador de várias empresas do grupo Itaú. Minha responsabilidade básica é por questões envolvendo interface com reguladores. Então, minha área é ponto focal para a interface com o Banco Central, CBM, Susep, e também parte disso suitability, que é enfim adequação dos produtos que o banco oferece para seus clientes para o perfil específico daquele cliente, e por fim, também sou responsável por política de relacionamento com clientes que é uma regrarelativamente recente, que surgiu no Banco Central, onde o banco tem queter padrões específicos de como interagir com seus clientes. Então, tudo visando mais qualidade, transparência do banco com seus clientes. Essas três atividades demandam, por exigência do Banco Central, que qualquer instituição financeira, assim como explicação que a Vanessa deu no início da sessão, você tem de ter nas instituições financeiras do grupo pessoas responsáveis por determinadas atividades e eu sou o responsável por essas três atividades em, hoje, 20 instituições financeiras do grupo. Dentre elas, o Banco Itaucard. Mas, já adiantando, enfim, trabalho em São Paulo, moro em São Paulo, trabalho no Jabaquara. Não visitei Poá, assim como não visitei, acho que grande parte ou a quase totalidade das quatro mil agências que o banco tem. O Banco é muito grande, têm vários polos administrativos, têm polos, têm agências, enfim, vários prédios pelo Brasil todo. Então, só para dar um pouco do contexto de que faço essa atividade transversal, mas não sou o responsável pela operação de leasing que euu entendo ser o objeto da Comissão Parlamentar de Inquérito aqui.
P –Okay, então o senhor nunca esteve lá em Poá?
R -Nunca estive em Poá.
— Eu sempre sonhei em libertar o Brasil da ideologia nefasta de esquerda (...). O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz”, afirmou Bolsonaro num jantar com empresários em março último. [O Globo].Nisto, desconstruir, destruir e desfazer, ele e seu pupilo em São Paulo, João Doria, são craques. Basta ver o estrago que suas políticas causaram apenas nos primeiros cinco meses de governo em São Paulo e no Brasil:
O Estado de São Paulo, maior polo industrial do País, registrou o fechamento de 2.325 indústrias de transformação e extrativas nos primeiros cinco meses do ano. O número é o mais alto para o período na última década e 12% maior que o do ano passado, segundo a Junta Comercial.Com a recessão técnica já anunciada, PIB negativo em dois trimestres consecutivos e expectativa de crescimento mais uma vez rebaixada e a caminho de zero, o governo Bolsonaro se desmancha em números a olhos vistos, enquanto o presidente fala para convertidos, os da mamadeira de piroca e jesus na goiabeira.
(...) A situação da indústria paulista se repete em todo o País. Além do encerramento das atividades de empresas de pequeno porte, grandes grupos fecharam unidades consideradas menos produtivas e concentraram a produção em outras mais modernas, quase sempre sem levar a mão de obra.
A fabricante de pneus Pirelli anunciou em maio o fechamento da unidade de Gravataí (RS) e a demissão dos 900 funcionários. A produção de pneus de motos será unificada à de pneus para carros em Campinas (SP) onde serão geradas 300 vagas ao longo de três anos. A empresa alega necessidade de reestruturação “tendo em vista o cenário conjuntural difícil do País”.
Entre as empresas que fecharam fábricas este ano estão PepsiCo/Quaker (RS), PepsiCo/Mabel (MS), Kimberly-Clark (RS), Nestlé (RS), Malwee (SC), Britânia (BA) e Paquetá (BA). No ABC paulista, a autopeça Dura informou em janeiro que fecharia a fábrica em maio e demitiria 250 funcionários. Após greve e negociações envolvendo a prefeitura de Rio Grande da Serra e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a medida foi adiada. [Estadão]
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| Ronilson Bezerra Rodrigues Ele acusa Serra, Kassab e Mauro Ricardo de saberem de tudo |
O auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues, preso sob acusação de liderar o grupo que cobrava propina para reduzir o ISS (Imposto sobre Serviços) de imóveis, diz num telefonema que o "secretário" e o "prefeito" com que trabalhou "tinham ciência de tudo", revela gravação da conversa obtida pela Folha.