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Quando Joaquim Barbosa atira em Dilma e Lewandowski, está de olho nos que o querem no Planalto, ou golpe

Não bastasse a grosseria feita com a presidenta Dilma diante do Papa, quando Barbosa lhe negou cumprimento e passou por ela como se não existisse, o presidente do STF voltou a dar seu showzinho diante das câmeras (e é bom frisar "diante das câmeras"), agindo de modo grosseiro e ofensivo com seu colega de STF, ministro Ricardo Lewandowski, acusando-o de promover chicana no Supremo.

Já escrevi aqui, e esta postagem é prolongamento de outra, que a grosseria, o ar imperial do ressentido Barbosa, não são apenas fruto de seus dramas internos. Ele sabe que boa parte dos brasileiros aprova sua arrogância, sua falta de educação e civilidade, quer por identificação, quer por projeção.

Joaquim Barbosa foi picado pela mosquinha azul do poder, o que ficou evidenciado na viagem à Costa Rica, quando levou a tiracolo (e às custas do Estado) repórter de O Globo (a Folha não aceitou o convite) para repercutir seu brilhareco.

Barbosa age com intenção de representar aquele público, que pode ser definido como o leitor típico de Veja, segundo Roberto Civita, em texto que publiquei aqui, na postagem Nem Civita lê a Veja:


Roberto Civita: “... Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."

Quando age com aquela indesculpável grosseria, além de alimentar seu ressentimento, ele se coloca como o opositor perfeito de Dilma, ante os olhares desses ressentidos citados por Civita.

É um eleitorado nada desprezível, se olharmos a última pesquisa do Ibope, com relação aos votos espontâneos, aqueles que são declarados pelo pesquisado sem que nenhum nome de candidato lhe seja apresentado.  Barbosa está empatado com Serra e à frente de Eduardo Campos e Alckmin.

Em números: Dilma teria 16% das intenções de voto; Lula, 12%; Aécio, 5%; Marina, 4%; Joaquim Barbosa, 3%; José Serra (PSDB), 3%; Eduardo Campos, 1%; e Geraldo Alckmin (PSDB), 1%. [Fonte desses números do Ibope: G1]



Madame Flaubert, de Antonio Mello

Grupo Abril passa a controlar distribuição em bancas

Do Blog do Rovai:

Acabo de receber um telefonema da Revista Imprensa com o objetivo de repercutir a aquisição da Fernando Chinaglia pela Dinap, empresa de distribuição de revistas da Editora Abril. Quase caí da cadeira.

Isso foi divulgado na quinta-feira, 11, em circular interna da Chinaglia segundo a Revista Imprensa. No mesmo dia 11, a Abril soltou nota sobre o tema. Classifico essa notícia como a pior para o mercado editorial nos últimos anos. É ruim para todos os outros editores que disputam as bancas com a empresa dos Civita e péssima para a liberdade de informação.

Querem um exemplo? Fórum sempre criticou Veja. Vai continuar a fazê-lo, porque Veja não vai deixar de fazer o jornalismo golpista que a caracteriza. O que você acha que vai acontecer com a Fórum com a compra da Chinaglia pela Dinap? Fórum corre risco de não ser mais distribuída em bancas de todo o Brasil. Outras publicações passam pelo mesmo tipo de situação.

Algo precisa ser feito urgentemente. As bancas de jornais não podem virar um monopólio de uma única editora. Ainda mais da Abril, comprometida até a alma com a concentração midiática e o golpismo.

Já entramos em contato com a assessoria de imprensa do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que nos disse que o processo passa primeiro pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. E aí ministro Tarso Genro, isso pode? Uma única empresa tem o direito de controlar a distribuição de informação em pontos de venda?

Convoco a todos a repassar essa noticia para o maior número possível de colegas e militantes da democratização das comunicações. É preciso iniciar um movimento contra essa ameaça de monopólio já, antes que se torne um fato consumado.

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O que a Veja não diz: Venda da TVA faz de Civita ‘laranja’ da Telefônica

O que a Veja diz: A venda da TVA foi aprovada pela Anatel.

O que a Veja esconde: A venda foi aprovada por três votos a dois, mas "com ressalva relacionada aos serviços da TVA em São Paulo".

E qual é essa ressalva? O relatório do conselheiro da Anatel Plínio de Aguiar Júnior explica. Plínio votou contra a negociação por considerá-la ilegal e pediu que seu voto fosse tornado público pelo site da Anatel (Clique aqui para ler o relatório do conselheiro).

Em seu relatório, Plínio afirma que a transação viola a Lei do Cabo (Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995).

Resumidamente, o relatório afirma o seguinte: na fachada, o controle ficaria nas mãos de Civita (Grupo Abril), mas as decisões tomadas (segundo o contrato) deveriam apenas confirmar o que ficasse estabelecido em uma “Reunião Prévia”, em que todos teriam direito a voto – o que tornaria, na prática, Civita um laranja da Telefônica, que tem 86,7% do capital total da Comercial Cabo e 91,5% da TVA Sul.

Por isso, o conselheiro da Anatel Plínio de Aguiar Júnior votou contra a aprovação da transação:

"O artigo 7º da Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995 (Lei do Serviço de TV a cabo) não estaria sendo observado, uma vez que o seu objeto é assegurar que as decisões em concessionárias de TV a Cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros, o que não ocorrerá no presente caso”.

É isso que a CPI da TVA quer investigar. E a Abril, através da Veja, não quer que seja investigado.

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Ali Kamel e o ‘jornalismo independente’ da ‘grande imprensa’

Em artigo publicado no jornal O Globo, o diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, defende a chamada grande imprensa de ataques que estaria sofrendo, a seu modo de ver, injustos.

Em defesa de seu ponto de vista, Kamel afirma que os que atacam a “grande imprensa” são, em geral, financiados por empresas e fundos de pensão ligados ao governo, enquanto a “grande imprensa”, graças à imensa gama de anunciantes, teria independência para noticiar os fatos, sem que tivesse que agradar ao governo de plantão.

“É uma tautologia, mas, na atual conjuntura, vale dizer: o jornalismo só é livre e independente quando não depende de nenhuma fonte exclusiva de financiamento.”

Por esse raciocínio, apenas os milionários e os ascetas – porque estes nem dos anunciantes necessitariam - poderiam praticar o verdadeiro jornalismo.

Mas, como não é disso que se trata, convém que olhemos com mais profundidade essa tal pluralidade de anunciantes que gerariam uma maior independência da “grande imprensa”.

Ela é tão plural assim? Quem são os anunciantes da Rede Globo e de O Globo, por exemplo? Em geral, além das empresas e fundos de pensão do governo, as grandes e médias empresas, além das “vagabundas” (em quem o diretor do BBB, Boninho, adora atirar ovos podres), que, anunciando seus corpos nos classificados de O Globo, por exemplo, contribuem para que seu jornalismo se mantenha “independente”.

E o que querem esses anunciantes que pagam caro por suas mensagens? É outra tautologia, mas eles querem, obviamente, que consumam seus produtos. Portanto, querem atingir aqueles que podem pagar os produtos que eles anunciam, ou sonham em fazê-lo – e assim se endividam nos cartões de crédito (grandes anunciantes) e procuram bancos e financeiras (outros grandes) para pagar suas dívidas, mediante empréstimos.

Portanto, não é qualquer audiência. Se fosse assim, até hoje estaria no ar o programa Aqui e Agora – lembram-se dele? Ia ao ar pelo SBT e dava uma surra na Globo todos os dias. Tinha uma audiência fantástica. Seu diretor – Amaury Soares – veio a ser, posteriormente, diretor do Jornal Nacional. No entanto, o programa saiu do ar. Por quê? Por falta de anunciantes, que não se interessaram por seu público.

Desse modo, o público a quem o tal “jornalismo independente” da “grande imprensa” que atingir é – e isso também é uma tautologia – o público que pode comprar os produtos de seus anunciantes. E como atingi-lo?

A resposta foi dada por um grande empresário do “jornalismo independente” da “grande imprensa”, Roberto Civita, dono da Abril e da Veja. Em entrevista ao Jornalistas&Cia, ele afirmou:

“...Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."

É em busca desse público indignado (que descarrega essa indignação na ostentação e no consumo – às vezes também jogando ovos em “vagabundas”, agredindo domésticas e queimando índios), que se movem o “jornalismo independente” e os anunciantes. Um deles - a Peugeot - chegou ao cúmulo de se aproveitar da tragédia com o avião da TAM para informar que estaria retirando um comercial do ar, em memória das vítimas, quando o anúncio da retirada já havia sido feito na semana anterior, e por outros motivos (uma suposta censura do governo federal).

Termino citando literalmente o último parágrafo do artigo de Kamel:

“Já aqui, temos de conviver com essas bazófias. Porque aqui, ao contrário de lá, há quem queira que a informação esteja a reboque de projetos de poder.”

Pois é, Kamel, quando vamos parar com essas bazófias? Quem tem projetos de poder é quem não está no poder. É uma tautologia, mas, na atual conjuntura vale dizer.

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