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Veja e Grupo Abril usam a mesma tática: o silêncio


Não é só a Veja quem deve explicações ao público leitor, mas, no entanto, continua caladinha sobre a reportagem em que Luis Nassif denuncia como são fabricadas suas notícias, e com que interesses. O Grupo Abril, proprietário da revista, também não explicou até hoje a nebulosa transação denunciada por esta reportagem da Bandeirantes, reproduzida acima. E olha que são acusações gravíssimas.

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Nem Civita lê a Veja

Pelo menos é a conclusão a que se chega ao ler o artigo publicado pelo editor da revista e presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, no último número da Veja de 2007, e que foi reproduzido no Blog do Nassif.

Com elogios ao governo do presidente Lula, Civita mostra que ou bem não lê a revista ou o faz, mas não acredita numa única linha do que é publicado ali. Sabe que o que a Veja e seus pitblogueiros fazem não é jornalismo, é apenas colocar lenha na fogueira dos indignados úteis para vender revista.

Pelo menos foi o que ele confessou em entrevista à newsletter eletrônica Jornalistas & Cia, em julho do ano passado, que comentei aqui.

Roberto Civita: “... Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."

Que o presidente do Grupo Abril e editor de Veja não leia a revista que edita ou não acredite no que ela publica é notícia para ter uma repercussão maior do que a que teve. O que só prova o nível de descrédito a que chegou a outrora respeitável publicação.

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No Brasil, a maioria é pautada pela minoria

Porque tem a mídia a seu lado, a oposição - que é minoria no Brasil - consegue pautar a maioria. Discutimos tudo o que lhes interessa e nada do que não lhes interessa. Embora tenham levado duas surras nas urnas.

A renovação das concessões de rádio e TV, por exemplo, que deveria ser exaustivamente debatida pela sociedade, não o foi. Perdeu-se a oportunidade, enquanto se discutia o caso Renan.

A direita está sempre unida e pró-ativa. Enquanto isso, a esquerda mal conseguiu juntar 1300 assinaturas (confira) num abaixo-assinado em favor da instalação da CPI da TVA. Imagine você o número de assinaturas que a direita conseguiria, caso a CPI da TVA interessasse a ela. Taí a diferença.

Agora temos aí a possibilidade do escandaloso monopólio do Grupo Abril na distribuição de revistas. E um silêncio sepulcral sobre o assunto.

Perdemos tempo discutindo articulistas da direita, e isso só se reflete no aumento do salário deles. O que havia para ser dito sobre Ali Kamel, por exemplo, já o foi. Sinceramente, alguém acredita que alguma coisa mudará na Globo caso ele saia da direção de jornalismo? É exatamente o oposto. Se alguma coisa mudar no jornalismo da Globo, ele sai. Assim como já aconteceu com Armando Nogueira e, em outras instâncias, Walter Clark e Boni. Gente muito, mas muito mais importante que Kamel na história da Globo. Kamel não é o cabeça, é o laquê.

Ganhamos a eleição por ampla maioria. Todas as pesquisas indicam uma grande aprovação do governo Lula. No entanto, estamos sempre na defensiva, reagindo às pautas da direita.

A história do terceiro mandato de Lula

Estamos sempre sendo pautados pela oposição, como agora com a história do terceiro mandato de Lula. O responsável pela emenda da reeleição indefinida, ressuscitada agora, era tucano na época, o hoje ex-deputado Inaldo Leitão. A emenda foi apresentada em 1999, durante o governo FHC, e serviria possivelmente para seu terceiro mandato, caso o segundo não fosse o desastre que foi. Sobre isso nada se fala. Nem sobre a declaração do ex-ministro Sérgio Mota de que o PSDB tinha um projeto de poder de 30 anos.

No entanto, mesmo com as negativas de Lula, eles ficam nos empurrando goela abaixo o assunto, a tal ponto que FHC "exige" que Lula se declare, formal e peremptoriamente, contra a possibilidade. E aí corre o presidente, corre o PT, corremos muitos de nós a fazer o que querem, a dizer que não se deve mexer no jogo, que nada de terceiro mandato.

Por quê? Se a maioria do Congresso decidir, se a medida for levada a um referendo popular e o povo concordar com a possibilidade de um terceiro mandato, por que Lula não pode concorrer?

Esse assunto é completamente extemporâneo. Lula está no primeiro ano de seu segundo mandato. Temos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas, se, mais adiante, o governo continuar com o trabalho que vem fazendo, a aprovação continuar lá em cima, aí sim o assunto pode voltar.

Sou do Rio de Janeiro. Vi o projeto dos CIEPs ser desmontado, porque à época não havia a possibilidade de reeleição. Brizola não pôde concorrer e Moreira Franco, que o sucedeu, começou o desmonte do projeto. Vamos deixar que o mesmo ocorra, por exemplo, com o Bolsa Família? Ou alguém tem alguma dúvida de que ele será desmontado na primeira bicada tucana?

Quem quiser outra história, que não deixe os congressistas aprovarem a emenda que torna possível o terceiro mandato; se esta possibilidade for aprovada, que busquem a reprovação do povo no referendo; se isso também passar, busquem derrotar Lula nas urnas. Simples assim.

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Grupo Abril passa a controlar distribuição em bancas

Do Blog do Rovai:

Acabo de receber um telefonema da Revista Imprensa com o objetivo de repercutir a aquisição da Fernando Chinaglia pela Dinap, empresa de distribuição de revistas da Editora Abril. Quase caí da cadeira.

Isso foi divulgado na quinta-feira, 11, em circular interna da Chinaglia segundo a Revista Imprensa. No mesmo dia 11, a Abril soltou nota sobre o tema. Classifico essa notícia como a pior para o mercado editorial nos últimos anos. É ruim para todos os outros editores que disputam as bancas com a empresa dos Civita e péssima para a liberdade de informação.

Querem um exemplo? Fórum sempre criticou Veja. Vai continuar a fazê-lo, porque Veja não vai deixar de fazer o jornalismo golpista que a caracteriza. O que você acha que vai acontecer com a Fórum com a compra da Chinaglia pela Dinap? Fórum corre risco de não ser mais distribuída em bancas de todo o Brasil. Outras publicações passam pelo mesmo tipo de situação.

Algo precisa ser feito urgentemente. As bancas de jornais não podem virar um monopólio de uma única editora. Ainda mais da Abril, comprometida até a alma com a concentração midiática e o golpismo.

Já entramos em contato com a assessoria de imprensa do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que nos disse que o processo passa primeiro pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. E aí ministro Tarso Genro, isso pode? Uma única empresa tem o direito de controlar a distribuição de informação em pontos de venda?

Convoco a todos a repassar essa noticia para o maior número possível de colegas e militantes da democratização das comunicações. É preciso iniciar um movimento contra essa ameaça de monopólio já, antes que se torne um fato consumado.

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A ‘grande imprensa’ e sua ‘verdade seletiva’

Senadores que investigam Renan Calheiros dizem que sofrem pressões. A “grande imprensa” acredita neles e os apóia.

Um ministro do STF diz que ele e seus pares votaram com a faca no pescoço. A “grande imprensa” o desclassifica e um pitblogueiro exige sua renúncia.

Roberto Jefferson confessa que recebeu e enfiou R$ 4 milhões em local incerto e não sabido, acusa o governo de praticar o mensalão e a “grande imprensa” dá a ele todo o crédito.

Renan denuncia negócio entre o Grupo Abril e a Telefônica. A Veja tenta desacreditá-lo, acusa-o de agir assim por vingança, pois está sendo acusado por ela de negócios escusos.

É uma lógica particular para defender seus interesses particulares.

Acredita quem quer. Ou quem, desinformado por ela, só consegue enxergar a realidade pelos olhos da mídia. Os teleguiados.

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