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Segunda parte da entrevista de David Beriain com líder das FARC


Neste trecho, de pouco mais de oito minutos, o líder guerrilheiro conhecido como Pastor Alape conversa com o repórter David Beriain sobre outros movimentos guerrilheiros no mundo, sobre a presença ou não das FARC na Venezuela e no Equador, sobre o dinheiro que afirmam que esses países fornecem à guerrilha e sobre a possibilidade de as FARC abandonarem a luta armada.

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Bush e Uribe levam a Colômbia de volta ao Velho Oeste

Uma polêmica está dividindo a opinião pública colombiana. O governo Uribush oferece recompensa a quem dê pistas ou colabore para a prisão de membros das FARC. A recompensa para a captura de Ivan Rios, que participava da cúpula da organização, estava estipulada em US$ 2,6 milhões.

Pedro Pablo Montoya, que fazia parte das FARC, resolveu mudar de lado e receber a recompensa. Mas adotou um método radical para isso. Assassinou Ivan Rios e esposa, decepou a mão direita do líder, pegou seus documentos e laptop, entregou-se ao exército colombiano e agora reclama a recompensa, ao estilo Velho Oeste. Quer receber US$ 2,6 milhões por duplo assassinato, roubo e violação de cadáver.

Pagar ou não pagar, é o hamletiano dilema de Uribush, que já declarou que está “à espera do resultado das investigações sobre a morte de Rios”, para verificar o direito de Montoya à recompensa.

Pelo menos nos jornais, as opiniões estão divididas. Alguns acham que na oferta da recompensa não estava especificado se a entrega da encomenda exigia que o guerrilheiro estivesse vivo. Outros afirmam que na Colômbia não existe pena de morte (oficialmente, na letra da Lei – entenda-se), portanto, a recompensa não deve ser paga.

É um exemplo de onde a política “olho por olho, dente por dente” pode levar um país. Se os guerrilheiros das FARC agem de forma covarde e desumana, quando seqüestram e mantém prisioneiros em situação degradante, o governo não pode responder com mais irracionalidade e violência.

Qualquer que seja a solução do dilema uribushiano, a Colômbia perde, perdem os colombianos, quando um assassino se acha com direito a recompensa por seu gesto covarde.

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Venezuela e Equador colaboram com as FARC?


Os analistas de nossa mídia corporativa vivem falando que Venezuela e Equador colaboram com as FARC, pois deixam que seus guerrilheiros acampem em seus países.

Para não dizer que agem de má-fé, suponho que seja por ignorância. Eles não sabem o tamanho e a geografia das fronteiras entre os três países: Equador, Colômbia e Venezuela. E acreditam que seus leitores são iguais a eles e não terão a mínima curiosidade de pesquisar.

Para esclarecer o assunto, fui ao Google Earth e gravei essas imagens.

Equador, Colômbia, Venezuela.

As fronteiras entre eles.

O quanto há de selva ali.

E, finalmente, o local exato onde estavam os guerrilheiros das FARC, que foram assassinados, enquanto dormiam. É no meio da selva (reparem na linha amarela que marca a fronteira), a ponto de um oficial do exército equatoriano ter declarado que a área, após o bombardeio, era um buraco branco no meio de um prato de brócolis.

Agora, não vai poder alegar ignorância quem continuar a dizer que os governos do Equador e da Venezuela só não repelem as FARC porque não querem.

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» O terrorismo de Bush, das FARC e da mídia corporativa

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A farsa dos US$ 300 mi que Chávez teria dado às FARC

Quem desmonta a farsa montada por Álvaro Uribe é um dos maiores jornalisdtas investigativos do mundo, Greg Palast, da BBC e do The Observer.

Em sua página pessoal, Palast mostra o conteúdo do que estaria no computador apreendido de Raúl Reyes, assassinado pelas forças colombianas na selva do Equador.

Veja o trecho de onde Uribe criou os US$ 300 milhões, e também de onde ele disse que o codinome de Chávez na operação seria Ángel.

Camaradas secretariado. Cordial saludo. Por dos días nos reunimos con
Rodríguez. Conclusiones principales:
1- Con relación a 300, que en adelante llamaremos ossierya hay
gestiones adelantadas por instrucciones del jefe del cojo, las cuales
comentaré en nota aparte. Al jefe lo llamaremos Ángel, y al cojo Ernesto.
2- Para recibir a los tres liberados, Chávez plantea tres opciones: Plan A…[O documento está reproduzido aqui, na íntegra.]

Como se vê, o número 300 está relacionado à gestão para liberação de reféns. Provavelmente, segundo Palast, seria o número de reféns a serem libertos. E Chávez é citado como Chávez e não como Ángel.

A reportagem está na página de Palast desde 7 de março. No entanto, nossa grande imprensa não deu uma mísera notinha sobre a farsa.

OBS 1: Quem conseguiu esse furo por aqui foi o Abundacanalha, e em seguida o Argemiro Ferreira, na Tribuna da Imprensa.
OBS 2: Sempre dou os créditos e links de minhas fontes, o que, infelizmente, não tem acontecido com algumas postagens minhas, que são distribuídas sem o devido crédito. Por isso, a partir de agora, todas as minhas postagens terão o antipático aviso abaixo:

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O terrorismo de Bush, das FARC e da mídia corporativa

Em um pronunciamento pela rádio neste sábado, o presidente americano George W. Bush confirmou que vetou a lei, aprovada pelo Congresso, que proibia a prática de tortura (eles chamam de métodos não-ortodoxos de interrogatório, mas é tortura mesmo) por agentes da CIA. Entre as práticas condenadas no projeto vetado por Bush está o waterboarding, que simula o afogamento do interrogado.

Segundo o Consultor Jurídico, Bush disse que a medida "tiraria uma das mais valiosas ferramentas na guerra contra o terror".

Este é Bush, o “democrata” que quer espalhar sua particular democracia pelo mundo, com o efeito que assistimos no Iraque e no Afeganistão, por exemplo...

A tortura, sob qualquer forma ou pretexto, é inadmissível, hedionda, mas, quando praticada pelo Estado, é mais ignominiosa ainda.

Com isso, Bush se iguala àqueles que diz combater, com os fanáticos da Al-Qaeda e os guerrilheiros das FARC. Estes também, para reivindicarem um reconhecimento mundial, deveriam libertar todos os seqüestrados que têm em seu poder.

Porque o seqüestro é outra ignomínia, que não pode ser admitida em hipótese alguma. Não apenas o seqüestro, como o praticado pelas FARC, mas também o praticado pela mídia corporativa, a mando dos grandes grupos, que seqüestram não a pessoa da realidade, mas a realidade das pessoas, que passam a viver um mundo virtual, alienado e alienante.

Esse tipo de seqüestro da realidade, ainda outro dia pregou um susto no ex-presidente português Mario Soares, como contei aqui. Chegou ao Brasil, leu alguns jornais, assistiu alguns telejornais e bateu longo papo com dois tucanos de alta-plumagem: FHC e Serra. Ficou horrorizado com a situação do Brasil e com o péssimo governo Lula. No outro dia, acordou e levou um susto. Saiu a pesquisa CNT / Sensus indicando uma aprovação de quase 70% do governo do presidente Lula...

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Por que as FARC não abandonam a luta armada, fundam um partido e disputam eleições democráticas?

Guerrilheira das FARC

Porque elas já tentaram isso. Em 1984 firmaram uma trégua com o então presidente da Colômbia Belisario Betancourt. As FARC abandonaram as armas e se transformaram num partido político, União Patriótica (UP).

Resultado: o governo da Colômbia se aproveitou do fato e matou três mil militantes, oito congressistas, dois candidatos presidenciais, 11 prefeitos e 13 deputados regionais.

Você, meu arguto leitor, minha sagaz leitora, havia lido essas informações na nossa “grande imprensa democrática”?

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Uribe mentiu: Clara e Consuelo afirmam que movimentação de tropas do exército da Colômbia foi o que não permitiu libertação no final do ano

Clara e Consuelo na entrevista coletiva

Você leu isso em algum lugar? Não. Nossa “grande imprensa” continua a dizer que Chávez se expôs ao ridículo no final do ano, quando não houve a libertação acordada com os guerrilheiros das FARC. Somam a isso o mico verdadeiro do caso Emanuel, para tentar diminuir a importância do presidente venezuelano na negociação que culminou com a libertação de Clara Rojas e Consuelo Gonzáles.

Mas essa é a verdade cristalina, confirmada pelas duas reféns libertadas, que desmentem o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Elas afirmaram em entrevista coletiva que só não estão livres desde o final do ano passado porque tropas do exército colombiano realizaram operações na área onde estava acertada a libertação.

"Yo no sabia que estaban allí, pero asumo por la actitud de las FARC", dijo [Clara Rojas]. "Asumo que la presencia militar en el punto" era lo que impedía el operativo. "Nuestra vida corría peligro".

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Jornal Nacional joga Chávez contra guerrilheiros das FARC

Ontem, em reportagem do Jornal Nacional, o repórter Vinícius Dônola disse o seguinte:

Ainda na floresta, as duas conversaram por telefone com Chávez. Consuelo González agradeceu por voltar a viver. Mas fez um apelo, em nome das centenas de reféns que ainda estão na floresta, para que Chávez não baixe a guarda com os guerrilheiros. Clara Rojas disse que a libertação as fez renascer.

De onde Dônola tirou isso? Reparem no vídeo acima, com a íntegra das conversas de Clara e Consuelo com Chávez ao telefone, que ela pede que Chávez não baixe a guarda, mas em momento algum diz que é com os guerrilheiros.

Aliás, por que ela falaria isso, se os guerrilheiros elegeram o presidente venezuelano como seu principal negociador? O recado – é claro – era para outros, para os que querem afastar Chávez das negociações: os presidentes colombiano, Álvaro Uribe, e americano, George Bush.

Além de desinformar, o repórter desviou o foco da conversa das duas, que era o agradecimento comovido ao presidente venezuelano, que se pode ver na íntegra das gravações reproduzidas aqui.

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As FARC confirmam que menino é mesmo Emanuel

Podem parar as pesquisas de DNA e as especulações. Em comunicado, datado de 2 de janeiro, mas só divulgado agora à noite na Venezuela, as FARC confirmam que o menino “encontrado” num orfanato é mesmo Emanuel. E afirmam que ele foi seqüestrado pelo presidente colombiano Álvaro Uribe. No item 3 do comunicado está escrito:

A opinião pública nacional e internacional entende muito bem que Emanuel não podia estar no meio das operações bélicas do Plano Patriota, dos bombardeios e combates, a mobilidade permanente e as contingências da selva. Por isso este menino, de pai guerrilheiro, tinha sido deixado em Bogotá sob o cuidado de pessoas honradas, enquanto se assinava o acordo humanitário. Uribe, que já seqüestrou na capital as provas de vida [dos reféns] que se destinavam ao Presidente Chávez, seqüestra agora Emanuel. Assim como capturou e encarcerou os correios humanitários, agora procede do mesmo modo com as pessoas encarregadas de cuidar do menino. Emanuel ia ser entregue, junto com sua mãe, ao Presidente Chávez de Venezuela. (clique aqui para ler a íntegra do comunicado das FARC, em espanhol).

Seqüestrado ou não por Uribe, o fato é que o presidente da Colômbia está com Emanuel e as FARC - que afirmavam que iriam entregar o menino a Chávez - não.

Agora só resta às FARC liberarem rapidamente os dois outros reféns, conforme haviam prometido, para tentar conter a avalanche da mídia internacional, que vai desacreditar a guerrilha e deitar e rolar na sopa de Chávez.

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TV Venezuelana mostra entrevista com refém das FARC

A emissora de TV "Telesur" exibiu na noite deste domingo uma entrevista com o capitão da Polícia Guillermo Solórzano, em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde junho.

A entrevista, incluída em uma reportagem intitulada "Vozes da Floresta", foi feita há um mês e meio, segundo um comunicado da "Telesur", que tem sede na Venezuela.(Portal Terra)

Na entrevista, o capitão fala na esperança da mediação de Chávez “para conseguir um consenso”.

Só que a esperança do capitão, e também dos demais reféns, já era. Uribe cortou a intermediação de Chávez, um dia após o presidente venezuelano ter-se comprometido com o presidente francês Nicolas Sarkozy a apresentar provas de que está viva a ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada desde 2002.

Como afirmei aqui, a Colômbia, que está sob intervenção branca dos Estados Unidos, teme que Chávez consiga das FARC o que pretende e assim firme ainda mais sua liderança e desmoralize de vez o governo colombiano, que vive num impasse com as guerrilhas, sem solução à vista.

Com a decisão de Uribe, volta tudo à estaca zero. Os 45 reféns que estão nas mãos das FARC que se danem. Na queda de braço geopolítica, eles são como o gol no futebol para o Parreira – apenas um detalhe.

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Uribe dispensa ajuda de Chávez

Com um simples comunicado, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pôs fim à intermediação do presidente venezuelano Hugo Chávez com os guerrilheiros da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Segundo o comunicado, Chávez teria rompido um acordo em que se comprometia a não falar diretamente com o alto comando colombiano.

Mas é curioso que a dispensa da ajuda de Chávez, que iria até o final do ano, ocorra um dia após o presidente venezuelano ter afirmado na França ao presidente Sarkosy que a FARC ofereceria provas de que está viva a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada desde 2002.

Na verdade, a Colômbia, que está sob intervenção branca dos Estados Unidos, teme que Chávez consiga da FARC o que pretende e assim firme ainda mais sua liderança e desmoralize de vez o governo colombiano, que vive num impasse com as guerrilhas, sem solução à vista.

Com a decisão de Uribe, volta tudo à estaca zero. Os 45 reféns que estão nas mãos da FARC que se danem. Na queda de braço geopolítica, eles são como o gol no futebol para o Parreira – apenas um detalhe.

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