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Bolsonaro se ajoelha e entrega governo ao Centrão para não sofrer impeachment


Da jornalista Helena Chagas, nos Divergentes.
Quando o rabo abana o cachorro
 
Não é preciso mais do que uma conta tosca de padaria para desmontar a narrativa do governo de que o teto de gastos foi furado para beneficiar os pobres com um aumento maior do sucedâneo do Bolsa Família, o Auxílio Brasil. Não é verdade. Os pouco mais de R$ 30 bilhões da ampliação do auxílio poderiam, por exemplo, sair dos recursos destinados às emendas parlamentares – só este ano, foram R$ 37 bilhões, sendo R$ 16 bi sob o duvidoso mecanismo das emendas de relator.

Mas Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, que agora parece ter se juntado de corpo e alma à equipe  eleitoral do chefe, precisam dessa versão para não expor o que já está óbvio: sua escravidão total ao Centrão, inclusive e sobretudo na condução da política econômica. Alem de manter intactos seus recursos para emendas, os parlamentares governistas ainda terão muito mais, pois o espaço aberto no Orçamento com as gambiarras feitas vai ultrapassar os R$ 80 bilhões, turbinando emendas e obras em redutos eleitorais.

Será uma festa para a turma do Centrão. Daqui para frente, tudo será permitido para ganhar votos no ano que vem, mas não só isso.

Acima de tudo, o Planalto tenta esconder o fato de que, no estica-e-puxa que arrebentou o teto, que prevê um semi-calote nos precatórios e que quer fazer o país engolir uma reforma do Imposto de Renda considerada ruim por dez entre dez tributaristas, está a redução do presidente da República e de seu ex-czar da Economia à sua mínima expressão. Bolsonaro e Guedes são hoje pigmeus na terra de gigantes do Centrão.

O processo que vinha se desenvolvendo desde o acordo com esse grupo parlamentar que livrou Bolsonaro do impeachment, chefiado por Arthur Lira e Ciro Nogueira, acaba de se completar. O Executivo, que muitas vezes, em governos passados, cortou emendas parlamentares para tapar buracos mais importantes do orçamento, e manejou suas verbas para governar – como lhe garante a Constituição – perdeu a prerrogativa fundamental de comandar a execução orçamentária.

É simples assim: governo que não comanda a execução do orçamento – que vem aprovado do Congresso – não governa. É uma inversão no sistema presidencialista, uma mudança institucional provocada pela fraqueza política de um presidente da República que não tem liderança, projeto nem competência para administrar o país. No popular, é mais ou menos como se o cachorro deixasse de abanar o rabo e o rabo passasse a abanar o cachorro.





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O que falta ao governo é explicar o papel de Bolsonaro nessa história enrolada da Covaxin. Se não fez nada, cometeu crime de prevaricação


De outra de nossas experientes jornalistas políticas, Helena Chagas, no Jornalistas pela Democracia.
Bolsonaro tem que se explicar

De todas as histórias mal-contadas do governo Bolsonaro, a cena montada ontem no Planalto pelo ministro Onyx Lorenzoni para tentar defender  Jair Bolsonaro  no caso das irregularidades apontadas na operação de compra da vacina Covaxin parece ter sido a pior. E olha que são muitas. Mas essa nos fez lembrar – nós, jornalistas de meia idade – da Operação Uruguai, montada na tentativa de explicar com empréstimo mandrake no exterior os rendimentos do então presidente Fernando Collor. Deu no que deu: impeachment.

Com versículos da bíblia e ameaças ao estilo mafioso aos irmãos Miranda, o deputado Luiz (DEM-DF) e o servidor do Ministério da Saúde Luiz Antônio, o ministro tentou encenar indignação. Mas não deve ter convencido nem a própria família. Agravou a situação ao trair o nervosismo, quase desespero, que tomou conta do Planalto.

Em vez de dizer que iria mandar investigar as denúncias – que, até segunda ordem, podem ou não ser verdadeiras – , o ministro jogou as instituições e orgãos de apuração sob o controle do Executivo contra os denunciantes… É um claro abuso de poder, que a CPI da Covid já apontou e resolveu também investigar. Agora pela manhã, o senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou requerimento convocando o próprio Onyx para depor.

Espetáculos à parte – já que a CPI também é especialista neles – , o que falta concretamente ao governo é explicar o papel de Bolsonaro nessa história enrolada. Independentemente de as denúncias envolvendo o favorecimento a empresas na compra da Covaxin virem ou não a ser comprovadas, o presidente tem que dizer se tomou alguma providência para sua apuração.

O Planalto começa a montar uma nova versão de que o presidente teria acionado seu então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello – aquele que nunca desmente o chefe. E o que ele fez? Ouviu a denúncia e ficou quieto? Ou acionou a PF ou o MP para investigar o caso? E o presidente, nunca mais perguntou nada? É simples assim: se não fez nada, cometeu crime de prevaricação.






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'Joaquim Barbosa pode renunciar', é o que informa o jornalista Carlos Chagas, pai de Helena Chagas, ministra da Secom

Só agora caiu na rede uma coluna escrita pelo veterano jornalista Carlos Chagas, pai da ministra Helena Chagas, com a bombástica informação de que o ministro e atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, poderia renunciar não somente à presidência do Supremo, como também ao cargo de ministro, caso o resultado do julgamento do mensalão não seja o desejado por ele.

Recebi vários e-mails, que estão correndo a rede, pedindo confirmação da matéria. Sim, a coluna existe e foi escrita em 4 de maio deste ano. Portanto, há mais de três meses. Mas, agora, com a retomada do julgamento do chamado mensalão, ela corre a rede, como um buscapé.

Eis a íntegra do que escreveu Carlos Chagas sobre o assunto, em sua coluna regular na Tribuna da Imprensa:

A conspiração dos derrotados (ou Joaquim Barbosa pode renunciar)


Carlos Chagas       
Serão desastrosas as consequências, se  os mensaleiros conseguirem convencer a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal a iniciar o segundo tempo do julgamento do maior escândalo político nacional, dando o dito pelo não dito e o julgado por não julgado, na  apreciação dos embargos apresentados até quinta-feira.
Primeiro porque será a desmoralização  do Poder Judiciário, tendo em vista que os réus já foram condenados em última instância, em seguida a exaustivas investigações e amplas condições de  defesa.
Depois, porque como reação a tamanha violência jurídica,  Joaquim Barbosa poderá renunciar não apenas à presidência do Supremo, mas ao próprio exercício da função de ministro. Esse rumor tomou conta de Brasília, ontem, na esteira de uma viagem que o magistrado faz a Costa Rica, de onde retornará amanhã. Se verdadeiro ou especulativo, saberemos na próxima semana, mas a verdade é que Joaquim Barbosa não parece capaz de aceitar humilhações sem reagir. Depois de anos de trabalho  como relator do processo, enfrentando até colegas de tribunal, conseguiu fazer prevalecer a Justiça, nesse  emblemático caso  em condições de  desmentir o mote de que no Brasil só os ladrões de galinha vão para a cadeia. Assistir de braços cruzados a negação de todo o esforço que ia redimindo as instituições democráticas,  de jeito nenhum.
Em termos jurídicos, seria a falência da Justiça, como,  aliás,  todo mundo pensava antes da instauração do processo do mensalão. Em termos políticos, pior ainda: será a demonstração de que o PT  pode tudo,  a um passo de tornar-se  partido único num regime onde   prevalecem interesses de grupos encastelados no poder. Afinal, a condenação de companheiros de alto quilate, por corrupção, ia revelando as entranhas da legenda que um dia dispôs-se a recuperar o país, mas cedeu às imposições do fisiologismo.
Teria a mais alta corte nacional mecanismos para impedir esse vexame? Rejeitar liminarmente os embargos não dá, mas apreciá-los em conjunto pela simples reafirmação de sentenças exaustivamente exaradas, quem sabe? Declaratórios ou infringentes, os recursos compõem  a conspiração dos derrotados. [Fonte]
A mim não me surpreenderá nada, se Joaquim Barbosa tomar essas atitudes, porque Joaquim Barbosa age como o palhaço do dito popular cuja a alegria é ver o circo pegar fogo.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

Tucano é quem distribui R$ 1,8 bi de verbas da Secom da Helena Chagas, e ainda quer Pizzolato na cadeia

De galho em galho, o tucano Roberto Messias vem subindo na árvore burocrática do poder em Brasília, desde o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Hoje, Messias é secretário-executivo da Secom, sentado em cima de uma verba de R$ 1,8 bilhão, que ele distribui como folhas de malmequer para Globo, Folha, Veja, Estadão etc.

É o que mostra reportagem da excelente Conceição Lemes, de onde retirei o trecho a seguir:

Em 2011, com a posse da presidenta Dilma Rousseff, houve nova dança de cadeiras na Secretaria de Comunicação Social da Presidência República.
Helena Chagas assumiu o posto de ministra-chefe em substituição a Franklin Martins.
Yole de Mendonça, até então secretária de Comunicação Integrada, tornou-se secretária-executiva, no lugar de Ottoni Fernandes Filho, que deixou a Secom junto com Franklin, no final do governo Lula.
Roberto Messias passou a ser secretário de Comunicação Integrada.
Em julho de 2012, Yole aposentou-se, deixando a Secom-PR. Desde abril de 2013, é diretora vice-presidente de Gestão e Relacionamento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A EBC é a gestora dos canais TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Radioagência Nacional e do sistema público de Rádio – composto por oito emissoras.
Messias era o preferido da ministra Helena Chagas para o posto de Yole [secretário-executivo]. Concorreu com um petista, que teria sido preterido por “ser petista demais”.

Prevaleceu a solução técnica, tão a gosto de Dilma. Só que essa função, vendida como técnica, é, na verdade, política.
Assim, possivelmente sem saber, a presidenta colocou em mãos de gente “herdada” do governo do PSDB a distribuição de R$ 1,8 bilhão de verbas publicitárias do governo federal. [Não deixe de ler a reportagem completa no Viomundo]
Madame Flaubert, de Antonio Mello