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Onde estão os 2 mil mortos das fake news do RS agora que a água baixou?

Uma fake news postada na rede X, de Elon Musk, no dia 24 de maio, endossava outra que falava que havia mais de dois mil mortos na UTI do hospital de Mathias Velho, em Canoas, no Rio Grande do Sul.

Os mortos seriam pacientes da UTI que teriam sido amarrados em suas macas para que não saíssem boiando pela cidade inundada. 



Será possível que o hospital de Canoas tivesse dois mil leitos de UTIs? 

O maior hospital do Brasil, o da Beneficência Portuguesa em São Paulo, tem muitíssimo menos que isso: 256 leitos de UTI...

Uma visita ao site do Hospital de Canoas mostra a realidade:

 


20 leitos de UTI apenas. Onde estariam os outros 1980?

E alguém consegue imaginar as águas subindo e o chefe da enfermagem dando ordem para amarrarem dois mil pacientes nas camas, antes que as águas inundassem a UTI? Quantos enfermeiros seriam necessários para isso em tempo hábil?

No entanto, essa notícia simplesmente absurda tem mais de 2,9 milhões de visualizações. Mais de três mil pessoas a compartilharam... Quando seria tão simples apenas usar o cérebro e pensar se os números não estariam um tanto, digamos, exagerados...

 

Corpos congelados


Outra versão da fake news afirmava que os corpos dos mortos estariam congelados em câmaras frigoríficas em caminhões. 

O desmentido dessa fake news havia sido publicado cinco dias antes da postagem no X, coisa que o perfil, que se diz jornalista, deveria saber:

"É #FAKE que Canoas tem mais de dois mil corpos de vítimas dos temporais no RS sem identificação em caminhões", diz matéria do Extra.

Circula nas redes sociais um vídeo afirmando que mais de dois mil corpos ainda não identificados estariam sendo congelados em câmeras frigoríficas, guardados no bairro Mathias Velho, em Canoas, uma das cidades mais atingidas pelos temporais que atingem o Rio Grande do Sul desde o mês passado. Essa informação é #FAKE

As imagens nem seriam de Canoas, mas de Lajeado. E o número oficial de mortos divulgado ontem, sábado, dia 25, e de 165. Bem longe dos 2 mil apregoados pela notícia fraudulenta. [Extra]

Quantos caminhões seriam necessários para armazenar dois mil corpos congelados? Como esses caminhões chegariam a Canoas em meio às enchentes? 

Alguém consegue imaginar que seria possível abafar a existência de dois mil mortos?  Os parentes não estariam se manifestando já que a cobertura das enchentes é total, 24 horas por dia, desde o inicio da tragédia?

Agora que as águas felizmente baixaram, os corpos deveriam aparecer. Onde estão os dois mil mortos?

Nunca existiram. Faziam parte de uma campanha articulada da direita e da extrema direita para criticarem o governo e espalharem pânico na população.

Pior, a notícia fraudulenta ainda continua no ar. Mesmo com todas as denúncias feitas desde 24 de maio a rede X mantém a mentira, porque gera fluxo, gera views, gera dinheiro para Elon Musk.

Por isso é mais do que necessária a regulação das redes. Os que dizem que isso seria censura são exatamente os que defendem e produzem fake news.


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Fake news aterrorizante sobre mortos no RS tem quase 3 milhões de views

Não bastassem as chuvas torrenciais que castigam o estado há quase um mês, a incompetência dos governos estadual e municipais, especialmente o de Sebastião Melo em Porto Alegre, o gaúcho ainda tem que enfrentar a enxurrada de fake news, que buscam surfar na tragédia para alimentar a extrema direita bolsonarista.

Um perfil no X, antigo Twitter, divulga uma imagem do que seria um print que ela teria recebido, onde é dito que são mais de dois mil mortos nas enchentes. A postagem teve até o momento mais de 2,8 milhões de visualizações, 19 mil likes e 3 mil RT, que são pessoas ajudando a propagar a publicação.


No entanto, a publicação é mentirosa. É fake. E o desmentido já havia sido feito cinco dias antes, coisa que o perfil, que se diz jornalista, deveria saber:

Circula nas redes sociais um vídeo afirmando que mais de dois mil corpos ainda não identificados estariam sendo congelados em câmeras frigoríficas, guardados no bairro Mathias Velho, em Canoas, uma das cidades mais atingidas pelos temporais que atingem o Rio Grande do Sul desde o mês passado. Essa informação é #FAKE

As imagens nem seriam de Canoas, mas de Lajeado. E o número oficial de mortos divulgado ontem, sábado, dia 25, e de 165. Bem longe dos 2 mil apregoados pela notícia fraudulenta. [Extra]

Alguém consegue imaginar que seria possível abafar a existência de dois mil mortos?  Os parentes não estariam se manifestando já que a cobertura das enchentes é total,24 horas por dia, desde o inicio da tragédia?

O terraplanismo mental desobriga as pessoas de pensar e elas seguem, como as mais de 3 mil na postagem mentirosa, passando adiante uma fake news e alimentando a desinformação.

Este mesmo perfil divulga outra Fake News:

Hospital de Mathias Velho no primeiro dia da inundação. Muitos foram resgatados, outros foram deixados pra trás. A água subiu rápido demais e não tiveram tempo em salvar todos os pacientes que ali estavam.
O próprio vídeo embutido na postagem desmente o texto. Ele mostra apenas dois pacientes ainda no hospital, que estavam sendo assistidos por dois profissionais do corpo médico, que certamente aguardavam transporte para tirá-los dali.

Não "foram deixados pra trás", como a mensagem afirma e o vídeo desmente. Confira.

No dia em que houver regulação das redes sociais, o X de Elon Musk terá de responder criminalmente pela divulgação impune de fake news como essas, que, no entanto, seguem no ar, criminosamente.

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Olha como está cidade gaúcha que prefeito decretou em calamidade pública

As enchentes no Rio Grande do Sul são o assunto dominante no Brasil há quase uma semana. E as chuvas não param.

Para administrar os estragos, os prefeitos estão declarando estado de calamidade pública para terem acesso descomplicado e urgente a verbas para socorrer suas cidades.

A grande maioria dos municípios gaúchos foi afetada de forma intensa pela catástrofe. Mas maioria não significa totalidade. Nem todos os municípios foram castigados pelas chuvas intensas.

E pelo menos um desses municípios declarou estado de calamidade sem precisar.

Basta comparar as imagens que vemos de cidades inteiras debaixo de lama com estas do município de Imbé, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Um perfil no X, antigo Twitter, ironizou a absurda decisão do prefeito.


 

O prefeito de Imbé, Luis Henrique Vedovato (MDB), decretou estado de calamidade na quarta-feira, 8, à noite.

A iniciativa além de absurda é burra, porque bastava um morador de Imbé abrir a janela para ver que tudo estava Ok na cidade.

Pior: muitos gaúchos que estavam pensando em fugir de seus municípios para Imbé, que é cidade turística, desistiram da ideia ao tomarem conhecimento do estado de calamidade.

A grita foi geral e o prefeito voltou atrás e anulou o decreto com a desculpa de que apenas o decretou para poder ter acesso às verbas (o que ele não precisava dizer...). E alegou ignorância:

“Sobreveio informação técnica da Defesa Civil de que o instrumento legal para garantia do auxílio assistencial no caso do nosso município não seria a decretação de calamidade, bem como que estaria em curso a revisão de decretos de outras cidades não afetadas diretamente, e por mais que a situação de anormalidade e da necessidade de auxílio do governo do Estado e do governo federal se mantenha, entendemos que se faz necessária a revogação do decreto editado.”


Pelo visto a lama das enchentes em Imbé estava concentrada na prefeitura.

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Em investigação sobre atual diretor-geral da PF, cega não consegue fazer reconhecimento visual de agressores

Reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital conta a história da empregada doméstica Ivone da Cruz, que teria sido torturada pelo atual diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, à época superintendente da PF no Rio Grande do Sul.

Corrêa foi acusado de deter ilegalmente e torturar, à base de chutes, pauladas, socos e eletrochoques, a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 21 de março de 2001, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ivone, então com 39 anos, trabalhava na casa de uma mulher identificada apenas como Ocacilda, também conhecida pelo apelido de “Vó Chininha”, avó da mulher do delegado, Rejane Bergonsi. Presente durante um assalto à casa da patroa, Ivone acabou apontada como suspeita de cumplicidade com os criminosos, embora nenhuma prova ou evidência tenha sido levantada contra ela até hoje. Corrêa era, então, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF em terras gaúchas.

(...) Ivone foi encaminhada ao Departamento Médico Legal (DML) do Rio Grande do Sul. Um laudo, assinado, em 23 de março, pelos médicos Jorge Modjen da Silveira e Jorge Lazlo, constatou diversas escoriações na região lombar da empregada, segundo eles, provocados por “instrumentos contundentes”. O documento do DML forçou a Polícia Civil a abrir um procedimento de investigação interna, apesar de as supostas torturas terem sido realizadas nas dependências da Polícia Federal.

O caso foi de contradição em contradição, o delegado Corrêa alegando uma coisa que era logo contestada pela realidade, até que, cinco anos depois, uma investigação da própria PF chamou Ivone para que ela reconhecesse seus agressores.

Por determinação do Ministério Público Federal, Ivone da Cruz foi reinquirida em 17 de agosto de 2006 para fazer o reconhecimento visual dos diversos agentes federais lotados na DRE da Superintendência da PF, quando da denúncia de tortura. Inútil, porque a empregada, àquela altura, estava completamente cega. “Meu Deus, como é que eu, sem enxergar, poderia reconhecer alguém?”, pergunta Ivone, os olhos opacos virados para o teto, ao se lembrar do episódio. [leia a reportagem completa aqui]

Luiz Fernando Corrêa é um desafeto do delegado Protógenes e de seu antecessor à frente da PF, o delegado Paulo Lacerda. Portanto, um aliado da grande mídia, que não deu nada sobre a reportagem.

Mesmo silêncio que ainda cerca a censura ao programa Comitê de Imprensa, de que participaram o mesmo Leandro Fortes desta reportagem e Jailton de Carvalho, de O Globo, pedida pelo ministro Gilmar Mendes e acolhida pelo presidente da Câmara, Michel Temer – que pelo visto não se chama Temer à toa.

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