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Fake news aterrorizante sobre mortos no RS tem quase 3 milhões de views

Não bastassem as chuvas torrenciais que castigam o estado há quase um mês, a incompetência dos governos estadual e municipais, especialmente o de Sebastião Melo em Porto Alegre, o gaúcho ainda tem que enfrentar a enxurrada de fake news, que buscam surfar na tragédia para alimentar a extrema direita bolsonarista.

Um perfil no X, antigo Twitter, divulga uma imagem do que seria um print que ela teria recebido, onde é dito que são mais de dois mil mortos nas enchentes. A postagem teve até o momento mais de 2,8 milhões de visualizações, 19 mil likes e 3 mil RT, que são pessoas ajudando a propagar a publicação.


No entanto, a publicação é mentirosa. É fake. E o desmentido já havia sido feito cinco dias antes, coisa que o perfil, que se diz jornalista, deveria saber:

Circula nas redes sociais um vídeo afirmando que mais de dois mil corpos ainda não identificados estariam sendo congelados em câmeras frigoríficas, guardados no bairro Mathias Velho, em Canoas, uma das cidades mais atingidas pelos temporais que atingem o Rio Grande do Sul desde o mês passado. Essa informação é #FAKE

As imagens nem seriam de Canoas, mas de Lajeado. E o número oficial de mortos divulgado ontem, sábado, dia 25, e de 165. Bem longe dos 2 mil apregoados pela notícia fraudulenta. [Extra]

Alguém consegue imaginar que seria possível abafar a existência de dois mil mortos?  Os parentes não estariam se manifestando já que a cobertura das enchentes é total,24 horas por dia, desde o inicio da tragédia?

O terraplanismo mental desobriga as pessoas de pensar e elas seguem, como as mais de 3 mil na postagem mentirosa, passando adiante uma fake news e alimentando a desinformação.

Este mesmo perfil divulga outra Fake News:

Hospital de Mathias Velho no primeiro dia da inundação. Muitos foram resgatados, outros foram deixados pra trás. A água subiu rápido demais e não tiveram tempo em salvar todos os pacientes que ali estavam.
O próprio vídeo embutido na postagem desmente o texto. Ele mostra apenas dois pacientes ainda no hospital, que estavam sendo assistidos por dois profissionais do corpo médico, que certamente aguardavam transporte para tirá-los dali.

Não "foram deixados pra trás", como a mensagem afirma e o vídeo desmente. Confira.

No dia em que houver regulação das redes sociais, o X de Elon Musk terá de responder criminalmente pela divulgação impune de fake news como essas, que, no entanto, seguem no ar, criminosamente.

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Jornalista e indigenista provavelmente foram mortos numa emboscada, denuncia indígena da região

Com a condição ter preservada sua identidade, um indígena revelou ao site Amazônia Legal que o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram vítimas de uma emboscada. A testemunha faz parte de uma equipe de 13 vigilantes indígenas que circulavam com o jornalista e o indigenista pela região do Vale do Javari, em Atalaia do Norte, no Estado do Amazonas, na fronteira com o Peru.

Indigenista e jornalista estão desaparecidos desde a manhã de domingo, 5, e até o momento não se tem notícia deles nem da embarcação em que viajavam.

Pelo relato, por volta das 4 horas do domingo (5), o indigenista e o jornalista avisaram que iriam conversar com o ribeirinho “Churrasco”, presidente da comunidade São Rafael. Dias antes, eles já haviam cruzado com um outro grupo em uma embarcação de 60 HP, motor considerado incomum para navegar em cursos d’água (furos e igarapés) mais estreitos. Este grupo que cruzou com os indígenas fez questão de mostrar que estava armado e fez intimidações. Alertados e preocupados com a situação, os indígenas chegaram a pedir que Bruno, que já foi chefe da Coordenação Regional Vale do Javari e coordenador geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai, não prosseguisse sem segurança. “Aí ele disse: ‘Não, eu vou baixar só, vou baixar cedo, vou pegar eles de surpresa’.” 

Segundo o indígena, Bruno e Dom foram recebidos apenas pela mulher de “Churrasco”, que ofereceu a eles “um gole de café e um pão”. Depois, seguiram viagem em um barco da Funai com motor de 40 HP. Nessa comunidade, haveria uma embarcação de 60 HP, fornecida por narcotraficantes para os ribeirinhos. Com um motor dessa potência, seria muito fácil alcançar o barco do jornalista e do indigenista pelo rio. A suspeita, segundo essa fonte, é que “um traficante mandou o 60 (HP do motor) para lá exatamente esperando a vinda do Bruno, porque com certeza existe informante na cidade (de Atalaia do Norte) e tinha a informação de que o Bruno ia chegar na região”.

Confirmadas as mortes, mais dia, menos dia (ainda que demore milhares de dias, como no caso Marielle), os executores serão apanhados. Mas eles são apenas a ponta criminosa de um esquema, que começa na presidência da República, que defende a Amazônia para os garimpeiros e o agronegócio e para quem indígenas e seus defensores são apenas um estorvo, que deve ser aculturado ou eliminado.

Leia a reportagem completa no Amazônia Legal.


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Recentes:


Acabou o PAN, começou o tiroteio

reprodução de chamada de O Globo

Chamada de primeira página de O Globo de hoje (reproduzida aqui ao lado) mostra que nem bem terminou o PAN e já recomeçaram os confrontos entre PMs e traficantes, e com um morto.

O recomeço tão imediato do tiroteio me deixou com várias pulgas atrás da orelha, e as divido com você, leitor:

Os dados divulgados pela policia sobre a segurança durante o período do PAN não mostram uma queda tão significativa assim dos índices, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando não havia PAN nem todo o aparato de segurança que o acompanhou.

O índice de homicídios foi apenas 5% inferior. O de assaltos, 16%. O de roubo de carros, sim, 32% menor, o que mostra que a simples presença da polícia inibe esse tipo de delito.

Mas isso é muito pouco frente à tranqüilidade, à sensação de segurança que tomou conta da cidade. Apenas a diminuição desses índices justificaria essa sensação?

Não é crível que durante todo o período do PAN, imbuída pelo espírito saudável da competição dos Jogos, a galera tenha deixado de cheirar seus papelotes ou de fumar seus baseados. E, evidentemente, os traficantes estavam ali para atender à demanda.

O que teria havido então? Uma trégua da polícia, um liberou geral? Ou durante o PAN – e apenas durante ele – a polícia efetuou as prisões com o uso da inteligência, sem que fosse necessário disparar um único tiro, sem que houvesse um morto sequer? Ou, ainda, será que aconteceram confrontos, sim, e muitos morreram, sim, e isso apenas não foi divulgado para manter aceso o “espírito do PAN”?

Todas as hipóteses merecem comentários.

1. Se a polícia usou a inteligência e assim conseguiu prender traficantes e coibir o tráfico, sem a perda de vidas, por que a volta dos confrontos agora?

2. Se a polícia deixou o tráfico correr solto e isso evitou os confrontos e as mortes, e ainda de quebra nos deu a sensação de vivermos em uma cidade segura, não seria a hora de discutirmos seriamente um assunto já levantado até pelo governador do estado, Sérgio Cabral, a descriminalização das drogas?

3. Mas, se, ao contrário, tudo estava acontecendo exatamente como dantes no quartel de Abrantes, os crimes, os confrontos e os mortos continuaram durante o PAN, isso nos leva a outras perguntas:

. Por que a imprensa ficou caladinha? Ela tem o direito de nos omitir informação em benefício da boa imagem da cidade durante os Jogos?

. Não será a divulgação sensacionalista dos crimes um fator decisivo para o aumento da sensação de insegurança?

. Nossa sensação de insegurança não alimenta ainda mais a violência?

O que você acha?

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11 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás

Ano passado fiz uma postagem sobre o assunto, que continua atual. Troquei apenas as datas.

Os mortos de Eldorado dos Carajás. Revista IstoÉ. Foto de Dida Sampaio/AE
O massacre de Eldorado dos Carajás completa hoje 11 anos. Punidos apenas os 19 agricultores que morreram e seus familiares.

O coronel Pantoja, comandante do massacre, aguarda em liberdade seu último recurso - agora ao STF. Ele já foi condenado a 228 anos de prisão. Chegou a estar preso, mas foi solto pelo ministro do STF Cezar Peluso. Na época, publiquei um comentário aqui no blog, que reproduzo agora:

O Supremo liberou geral

O ministro do Supremo Tribunal Federal Cezar Peluso mandou soltar o coronel Pantoja, comandante daquilo que ficou conhecido como “massacre de Eldorado dos Carajás”. Em abril de 1996, o coronel comandou a tropa da PM que executou 19 agricultores.

Embora o coronel Pantoja tenha sido condenado a 228 anos de cadeia em ação que havia sido julgada até pelo Superior Tribunal de Justiça, o ministro Peluso determinou a liberdade do réu até que se esgotem todas as possibilidades de recurso.

Com esta decisão, o ministro liberou geral: só fica preso quem não pode constituir advogado, quem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal ou quem prefere a cadeia ao chamado “mundo livre”.

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