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Zuckerberg, Musk. Enquanto constroem seus bunkers, bilionários estão destruindo o planeta

Enquanto estamos por aqui, esturricando no calor ou perdendo tudo em enchentes, os bilionários constroem bunkers, onde poderão se refugiar em caso de um colapso total do planeta, que, segundo estudos, não está longe de acontecer.

Mas não apenas os bilionários. Seguindo a moda deles, milionários também estão construindo os seus (logo vamos saber de um Zé, que se entocou num poço...), como mostra a imagem que ilustra esta postagem.

Parece um cemitério, mas é um, digamos, condomínio de bunkers, do The Vivos (muito vivos) Group, empresa que constrói bunkers de luxo a partir de antigos abrigos antiaéreos. Nada que chegue perto ao projeto bilionário e secreto que Zuckerberg está construindo no Havaí.

Elon Musk, mais radical, planeja um condomínio em Marte, onde espera levar os primeiros humanos até o final da década. 

Com o preço das viagens espaciais (alguns bilionários pagam algumas dezenas de milhões de dólares para dar um pequeno passeio no espaço), dá para imaginar que uma colonização de Marte servirá apenas como resort espacial de luxo para os ultrabilionários, que assistirão do espaço à destruição do planeta. Causada em sua maioria pelo consumo deles.

É o que mostra pesquisa recente: os ricos estão queimando o planeta. Quanto mais ricos, mais queimam.  

Uma análise da Oxfam em parceria com o Stockholm Environment Institute revelou o seguinte:

  • As emissões per capita de alguém que faz parte do 1% mais rico são 100 vezes maiores do que as de alguém que faz parte dos 50% mais pobres e 35 vezes maiores do que a meta estabelecida para 2030.
  • Desde 1990, os 5% mais ricos foram responsáveis por mais de um terço do crescimento das emissões totais. Os 1% mais ricos foram responsáveis por mais do que toda a metade mais pobre da população.
  • Para cerca de 20% da população humana – principalmente a classe trabalhadora e de baixa renda nos países ricos – as emissões per capita realmente diminuíram de 1990 a 2015.

Ou seja, nós estamos fazendo nossa parte, enquanto eles seguem poluindo e destruindo.

Um estudo que analisou as emissões de vinte dos bilionários mais ricos do mundo descobriu que cada um deles emitiu, em média, oito mil toneladas de dióxido de carbono.

Em comparação, o cidadão médio de um país rico emite cerca de seis toneladas — e a quantidade necessária para atingir a meta de segurança global de 1,5 grau Celsius é um pouco mais de duas toneladas por pessoa. Uma nova análise dos voos em jatos particulares dos super-ricos também revelou que celebridades e bilionários emitem mais carbono em minutos do que pessoas comuns em um ano.


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Por que Zuckerberg e outros bilionários estão construindo bunkers? O que sabem? O que temem?

Não são mais fortalezas sobre a terra, cercadas por muros altos e segurança 24 horas. Bilionários pelo mundo estão construindo bunkers, como aqueles abrigos antiaéreos, alguns com infraestrutura e abastecimento suficiente para anos sem subir à superfície. 

Por quê? O que eles sabem que não sabemos? O que eles temem, o caos climático tornando o ar da Terra irrespirável? Ou uma insurreição popular contra a destruição que estão causando ao planeta?

Mark Zuckerberg, da Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp) constrói para si um complexo bilionário de residências no Havaí.

O relatório da Wired destaca que o "complexo de Zuckerberg é composto por cerca de 12 edifícios, contando com diversas casas para hóspedes e estruturas relacionadas à agricultura e criação de gado. Além disso, uma coleção de 11 casas em árvores conectadas por pontes de corda, uma infraestrutura de segurança extrema e sistemas de abastecimento próprios". Por fim, aquilo que é a nova mania entre bilionários: um bunker com uma porta de metal preenchida com concreto.

São centenas de empregados trabalhando nos empreendimentos, com a obrigatoriedade de sigilo sobre o que fazem lá dentro e o que está sendo construído.

Além dos prédios, estão sendo construídas duas casas principais, com todo o conforto que o dinheiro pode comprar, com uma característica a mais: ambas serão conectadas por túneis a um bunker.

Zuckerberg não está sozinho. No livro Survival of the Richest: Escape Fantasies of the Tech Bilionaires ("Sobrevivência dos Mais Ricos: Fantasias de Fuga dos Bilionários da Tecnologia", em tradução livre), o escritor Douglas Rushkoff narra que foi convidado para uma conversa com cinco bilionários.

"Nesse encontro, os participantes, que não tiveram os nomes revelados, contaram seus planos de construir ou comprar bunkers subterrâneos e evitar o que chamam de 'O Evento'. Esse era o eufemismo deles para o colapso ambiental, agitação social, explosão nuclear, tempestade solar, vírus imparável ou hack malicioso de computador que destrói tudo”, escreveu Rushkoff em seu livro.".  

Como os bilionários criam tendências (já, já veremos classe média adaptando poços...), algumas empresas exploram o nicho. Entre elas a Vivos.

No caso da Vivos, a empresa vende abrigos que são essencialmente apartamentos subterrâneos de luxo, informa o portal Business Insider. Eles são construídos em instalações convertidas da Guerra Fria e silos de mísseis em todo o mundo. A companhia disse à reportagem que os complexos são projetados para permitir que os residentes operem por no mínimo um ano sem ter que retornar ao mundo exterior. 

Bilionários estão destruindo o planeta

Estudo de Lucas Chancel e Thomas Piketty mostram que os maiores responsáveis pelos problemas climáticos do mundo são os bilionários. Quanto mais ricos, mais consomem recursos do planeta.

Um estudo que analisou as emissões de vinte dos bilionários mais ricos do mundo descobriu que cada um deles emitiu, em média, oito mil toneladas de dióxido de carbono. Em comparação, o cidadão médio de um país rico emite cerca de seis toneladas  — e a quantidade necessária para atingir a meta de segurança global de 1,5 grau Celsius é um pouco mais de duas toneladas por pessoa (eles consomem oito mil). Uma nova análise dos voos em jatos particulares dos super-ricos também revelou que celebridades e bilionários emitem mais carbono em minutos do que pessoas comuns em um ano.

Por isso constroem bunkers, ao mesmo tempo em que sonham em colonizar Marte a até a Lua. Para nos darem uma banana, assim que "O Evento" acontecer.

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Americanas: Fraude dos bilionários daria para pagar um salário mínimo por mês a 100 mil brasileiros por 30 anos

Este é o verdadeiro tamanho do rombo das Americanas. Que na verdade não é "das Americanas" é o rombo (roubo?) "dos bilionários donos das Americanas". 

Pelo menos da última vez em que foi noticiado. Porque aos poucos a sujeira vai sendo jogada para baixo do tapete e a notícia vai sumindo da mídia, até desaparecer por completo e ficar tudo por isso mesmo. 

Menos para os trabalhadores, que estão sendo demitidos desde o primeiro dia em que a fraude bilionária foi descoberta. Aliás, descoberta ela já havia sido. Pelos bilionários. Nós é que só ficamos sabendo depois que ela foi revelada, pois o rabo estava maior do que o gato e não dava mais para esconder.

Mas a gente fala em R$47 bilhões, sabe que é muuuuito dinheiro, mas só tem a dimensão real do tamanho que este valor significa, quando ele pode ser comparado com unidades que a gente compreenda. Caso contrário é só uma montanha de dinheiro.

Muita gente já viu a comparação entre milhão e bilhão relacionada a segundos. 1 milhão de segundos equivalem a uma semana, 4 dias e uns quebrados. Agora, 1 bilhão de segundos são 32 anos. De uma semana e meia para 32 anos. Essa é a diferença entre milhão e bilhão.

Os R$ 47 bilhões desviados pelos bilionários na fraude das Americanas dariam para pagar um salário mínimo mensalmente a 100 mil brasileiros durante 30 anos.

100.000 (número de trabalhadores) x 1320 (salário mínimo atual) x 360 (número de meses de 30 anos) = 47 bilhões e 520 milhões de reais.

E, se a gente não ficar lembrando, vai cair no esquecimento e na impunidade.


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Quantos têm que morrer diariamente de fome, frio, doenças curáveis para que se produza um bilionário?

A infame visita do infame bilionário Elon Musk a nosso país, onde foi recebido de cócoras pelo pior governo de nossa história, me fez pensar na frase que dá título a esta postagem: Quantos têm que morrer diariamente de fome, frio, doenças curáveis para que se produza um bilionário? 

A fortuna de Musk é estimada (e só pode ser estimada, pois impossível de contar) em US$ 219 bilhões, o que dá mais de R$ 1 trilhão. 

Se a fortuna de Elon Musk fosse convertida para Produto Interno Bruto (PIB), ela se transformaria na 49ª maior economia do mundo - superaria países como Portugal, Nova Zelândia, Peru e Grécia.  [O Globo]

Tudo o que esses países produzem em um ano vale menos que a fortuna de um homem de 50 anos de idade. Ele é atualmente o símbolo dessa gente tão diferente de nós, que vivemos de contar dinheiro para tudo, e que já teve como número 1 o dono da Amazon, Jeff Bezos.

O Brasil tem alguns bilionários, que conseguiram juntar sua fortuna tornando nosso país um dos mais desiguais do planeta.

Uma fortuna que se automultiplica, tal o poder do dinheiro. Musk, por exemplo, há um tempo comprou uma quantidade incrível de criptomoedas e anunciou ao mundo a aquisição. Logo, as criptomoedas se valorizaram loucamente, e Musk tratou de vender as que tinha, com lucro fabuloso, aumentando ainda mais sua fortuna e, ao mesmo tempo, fazendo despencar o valor das criptomoedas. Sozinhos, por suas ações, fazem balançar as Bolsas.

Isso me lembra nosso ex-bilionário Eike Batista, que chegou ao ser o sexto homem mais rico do mundo e viu sua fortuna virar pó, e, destino que talvez seja único entre os bilionários, puxou uma temporada na cadeia e agora busca sua recuperação. Não me surpreenderia muito se ele em pouco tempo surgir entre os bilionários novamente.

Porque eles, os bilionários, formam uma casta diferente da humanidade. Eles podem mentir, saquear, espoliar, patrocinar golpes de Estado, guerras sangrentas, e a tudo isso se dará na grande imprensa o nome de empreendedorismo. 

Eles são invejados, endeusados, sem que se faça a ligação direta entre a fortuna que acumulam e a miséria que espalham com a financeirização da vida no planeta.

Virou comum hoje na imprensa lermos que o bilionário tal ficou 10, 20, 40 bilhões de dólares mais pobre, ou rico, de um dia para outro. Eles não têm nem a noção do que é isso, porque os valores que possuem são tão altos que não têm como mensurar —inclusive porque são voláteis (como Eike Batista provou).

É como se me avisassem pela imprensa que estou namorando a Scarlett Johansson num dia e alguns dias depois que não estava mais, sem que eu nem ao menos a conhecesse —a não ser das telas. Nada houve entre nós dois, mas no meu currículo estaria lá o namoro.

No entanto, se é volátil o capital dos bilionários. A miséria, as doenças e as mortes causadas por eles são reais, cotidianas e cruéis.

Relatório de 2021 da ONG Oxfam informa que onze pessoas morrem de fome a cada minuto no mundo. São quase 16 mil mortos de fome por dia, num planeta com terras fartas e férteis, que alimentaria nababescamente todo mundo.

Incrível que não se faça a ligação direta entre essas mortes e a fortuna crescente dos bilionários, mesmo em meio à pandemia, que empobreceu a todos —inclusive estados e países—, menos os bilionários, que ficaram mais ricos. 

A financeirização do mundo e a perda de valor das coisas tangíveis faz com que já não sejam necessárias novas fábricas seja do que for, pois o dinheiro se multiplica por dinheiro, e assim eliminam-se postos de trabalho, custos de produção, privatizam-se educação, saúde, tudo em benefício do capital financeiro e seus bilionários.

Não interessa quais sejam os problemas de um país, a solução será sempre a mesma —aumento dos juros, o que aumenta paradoxalmente a miséria dos endividados ou sem renda e a fortuna dos mais ricos.

Até quando essa roda seguirá girando desse modo? Haverá um ponto de ruptura? Certamente. Como isso se dará?

Nosso grande geógrafo Josué de Castro escreveu que "Haverá um dia em que os pobres morrerão de fome e os ricos, de medo". 

Esse dia ainda não chegou e prova isso a arrogância impune de um Elon Musk, que confirmou no Twitter sua participação no golpe de Estado na Bolívia e disse que daria golpes sempre que fosse de seu interesse e que deveríamos nos acostumar com isso.

Escrevi dois livros de ficção sobre o assunto: um, inspirado na frase de Josué de Castro, "A Fome e o Medo" (1999); e outro, onde uma organização decide exterminar todos os bilionários do planeta, "ELA - A todo risco" (2020). Ambos frutos da mesma perplexidade e indignação.



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Pandemia: Enquanto morriam mais de 6 milhões de pessoas —uma por segundo—, a cada 26 horas surgia um novo bilionário no mundo

Os números da pandemia do coronavírus causador da COVID são terríveis. Até o momento desta postagem são 479 milhões de contaminados e 6,12 milhões de mortos pelo mundo —claro, levando-se em conta apenas os notificados. Segundo a OXFAM, Oxford Committe for Famine Relief (Comitê de Oxford para Alívio da Fome), morre um ser humano de COVID a cada segundo. 

Mas se os números são terríveis para a maioria da humanidade, há quem veja a pandemia com bons e lucrativos olhos: neste período da pandemia, surgiu um novo bilionário a cada 26 horas no planeta.

Os 10 homens mais ricos do mundo mais que dobraram suas fortunas, de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão – a uma taxa de US$ 15 mil por segundo, ou US$ 1,3 bilhão por dia – durante os dois primeiros anos da pandemia de Covid-19. Por outro lado, a renda de 99% da humanidade caiu e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza.

É o que revela o novo relatório da Oxfam, A Desigualdade Mata, lançado neste domingo (16/1).

“Os 10 homens mais ricos do mundo têm hoje seis vezes mais riqueza do que os 3,1 bilhões mais pobres do mundo ”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

No Brasil, são 55 bilionários com riqueza total de US$ 176 bilhões. Desde março de 2020, quando a pandemia foi declarada, o país ganhou 10 novos bilionários. O aumento da riqueza dos bilionários durante a pandemia foi de 30% (US$ 39,6 bilhões), enquanto 90% da população teve uma redução de 0,2% entre 2019 e 2021. Os 20 maiores bilionários do país têm mais riqueza (US$ 121 bilhões) do que 128 milhões de brasileiros (60% da população).

“É inadmissível que alguns poucos brasileiros tenham lucrado tanto durante a pandemia quando a esmagadora maioria da população ficou mais pobre”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Milhões de brasileiros sofreram com a perda de emprego e renda, enfrentando uma grave crise sanitária e econômica.”

 Leia reportagem completa aqui.

[Clique aqui e conheça a página de meu livro ELA, que acabei de criar no Facebook. Trata de uma mulher, com incrível habilidade com armas, e uma Organização disposta a assassinar todos os bilionários do planeta.]


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Como o Ocidente vai sobreviver à guerra da Ucrânia —se é que sobreviveremos a ela?

Vou logo avisando que não tenho respostas, apenas perguntas. Porque a guerra da Ucrânia vai terminar, mais dia, menos dia —e não está fora de questão a possibilidade de terminarmos todos com ela, sem sobreviventes no planeta, se explodir uma guerra nuclear.

Mas, quando pergunto como vai sobreviver o Ocidente (em grande parte, os Estados Unidos) ao fim da guerra, eu me refiro à imagem que o Ocidente cultivou de si mesmo ao longo do tempo.

Sempre se apresentaram ao mundo como os paladinos da livre iniciativa, do livre mercado, do fluxo de capitais, do compromisso assumido entre empresas sobrepujar até os interesses restritos dos países (desde que o país não seja os Estados Unidos, é claro!).

Como vai ficar o mundo para eles, já que para punirem a Rússia (como antes já fizeram com Venezuela, por exemplo) estão destruindo todos os seus paradigmas?

Quem vai querer comprar aviões da Boeing, se, a depender do humor do presidente dos Estados Unidos, a companhia aérea vai ficar sem manutenção e peças de substituição para as aeronaves compradas à empresa, como fez agora a Boeing com as empresas russas?

Como bilionários vão comprar iates, mansões e depositar seu rico dinheirinho em bancos do Ocidente, suas barras de ouro, se o humor do presidente dos Estados Unidos pode confiscar tudo de uma hora para outra, como faz agora com os bilionários russos?

Com que moral Facebook e Instagram vão se dizer contrários ao discurso de ódio em suas plataformas, se agora abrem as portas para discursos que defendem a violência contra soldados russos e até a morte dos presidentes da Rússia e da Bielorrússia, Putin e Lukashenko?

China, que deve ser a maior potência mundial em poucos anos, e Rússia já negociam com suas próprias moedas. A Índia também. Será o fim do padrão dólar?

O ataque tão feroz do Ocidente à Rússia, em resposta à invasão da Ucrânia determinada por Putin, pode ser o maior tiro no pé da História. 

Quem sobreviver verá.

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Bilionários vão para o céu?


O jornalista Eugênio Bucci, no Estadão, narra a subida aos céus dos bilionários do planeta. 
Os bilionários vão para o céu 

O americano Jeff Bezos tem 57 anos, US$ 193 bilhões e uns trocados (como o jornal Washington Post). Fundador e proprietário da Amazon, criou uma outra empresa – isso lá atrás, em 2000 –, à qual vem se dedicando cada vez mais. Essa empresa, chamada Blue Origin, é um empreendimento sideral. Seu objetivo é vender viagens turísticas ao espaço e, ao mesmo tempo, “colonizar” o Sistema Solar. Bezos planeja levar pessoas para a Lua em 2024, num veículo que ainda não foi construído, mas já foi batizado: Blue Moon.

Não se sabe se haverá fundo musical durante o pouso.

Nesse projeto nada acanhado, o verbo “colonizar” chama a atenção. Os anéis de Saturno serão “colonizados”. Em seu site, a Blue Origin afirma que, para proteger seu torrão natal, “a humanidade terá de expandir, explorar, encontrar novas energias e recursos materiais e mover as indústrias que estressam a Terra para o espaço”. Bezos fala em transferir “atividades de produção” para os corpos celestes à nossa volta. Em sua imaginação de futuro, talvez o nosso velho planetinha será um Jardim do Éden preservado, habitado por humanos ricos, cercado de sujeira industrial por todos os lados. Enquanto isso não se materializa, a empresa vai faturando com passeios a preços suportáveis para a massa ir virar cambalhotas longe da gravidade. A Disneylândia do amanhã fica a meio caminho entre os Estados Unidos e a Lua.

A publicidade, pelo menos ela, já começou. Na semana passada, no dia 13 (esse número de que os astronautas da Nasa não gostam nem um pouco), a Blue Origin carregou para além da estratosfera o ator William Shatner, de 90 anos de idade. O improvável leitor talvez não ligue o nome à pessoa, mas, décadas atrás, Shatner fez sucesso no uniforme de Capitão Kirk, o protagonista de uma série de televisão chamada Jornada nas Estrelas.

Agora, em 2021, ao subir a bordo de um foguete de Bezos, o ator atraiu a cobertura deslumbrada da imprensa mundial, que hoje é química e financeiramente dependente de celebridades. Envergando um macacão azul da Blue Origin, o exkirk apareceu em telejornais de todos os continentes terráqueos, num golpe de marketing cósmico como nunca se viu, ao menos desde o Big Bang.

Como este ramo de negócios é promissor – o céu é o limite –, outros dois bilionários disputam espaço, quer dizer, disputam o espaço com o ego amazônico de Jeff Bezos: Richard Branson, da Virgin Galactic, e Elon Musk, CEO da Tesla e criador da Spacex. São três, portanto, os endinheirados na briga interestelar, com seus telescópios apontados para um mercado que, na próxima década, deve chegar a US$ 1,4 trilhão.

Todos eles, e vários outros atrás deles, darão um jeito de ir para o céu. Vivos ou mortos. Não nos espantemos se, em breve, uma dessas empresas lançar uma funerária cosmonáutica para despachar cadáveres ilustres, devidamente congelados, rumo a fronteiras nunca dantes trespassadas. Lá irão o defunto, suas memórias digitalizadas e uma pontinha de esperança de que, em outras dobraduras do espaço-tempo, surja um anjo alienígena capaz de operar ressurreições.

No Egito antigo, os faraós erguiam pirâmides dentro das quais seus corpos dormiriam até que seres do além viessem resgatá-los. Agora, sarcófagos nucleares partirão daqui em busca dos deuses que nunca se dignaram a visitar os nossos cemitérios. Os faraós queriam que os céus descessem ao deserto. Os bilionários, batalhadores que são, não ficarão na expectativa – subirão eles mesmos aos céus.

Mas nem tudo é funéreo nesta vertiginosa vertente economia mais-que-global. Há muito mais do que féretros interestelares nas estratégias destes senhores. A nova ocupação capitalista do espaço – esta, sim, a nova fronteira – também se abre em cenários menos funestos. Ninguém precisa ser adivinho para perceber que se aproxima a chegada das estações orbitais particulares. A especulação imobiliária vai entrar em órbita. Os bilionários, estes que vestem paletós que valem o preço de um automóvel e pilotam automóveis que custam mais do que um avião, terão casas de fim de semana muito acima do andar de cima. A estética da coisa será meio Las Vegas. Os abastados passarão temporadas tomando banho de neutrinos, lendo mensagens pornográficas em telas holográficas e namorando seres sintéticos. Haverá vinhos, caríssimos, que só alcançarão o estado da arte quando conservados em câmaras de gravidade zero. Haverá cosméticos que só farão efeito quando aplicados em corpos que flutuam. A distância entre ricos e pobres terá aumentado ainda mais e uns e outros não mais se olharão, quando por acaso se cruzarem, como pertencentes à mesma espécie. Isso tudo na parte boa da história.

Ao que você pergunta: mas serão os bilionários astronautas? Ora, ora, sem a menor dúvida. Bezos e seus competidores, que hoje parecem aqueles moguls que a gente só via em filmes de James Bond, serão os senhores do céu azul. Em tempo: o céu só é azul para quem olha para ele aqui, da Terra; quando visto lá de cima, o céu é escuro, só a Terra é que fica azul. E pálida. Pálida origem.






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Enquanto Oxfam afirma que até 12 mil pessoas podem morrer de fome por dia no mundo, Bezos e Musk ficam US$ 106 bi mais ricos na pandemia


Publiquei aqui outro dia (12 mil pessoas podem morrer de fome por dia até o final do ano) que o último relatório da Oxfam International divulgava que até 12 mil pessoas podem morrer por dia de fome no mundo.

Leio agora na Bloomberg que o dono da Amazon, Jeff Bezos, e o da Tesla e do SpaceX, Elon Musk, ficaram mais ricos durante a pandemia, respectivamente, US$ 63.6 e US$ 42.1, o que dá mais de R$ 530 bilhões.

Além de todas as monstruosidades que nós brasileiros estamos vivendo, com um governo genocida, antipovo, que toma medidas apenas para beneficiar o capital, a COVID-A19 está escancarando o mundo de desigualdades, de que a incrível acumulação dos bilionários do planeta (onde reinam alguns brasileiros) é apenas um exemplo eloquente.

Como se pode permitir que o mesmo planeta repasse essa fortuna aos bilionários, enquanto vá deixar morrer 12 mil pessoas por dia de fome no mundo?

Segundo a mesma Bloomberg, Jeff Bezos, que é o homem mais rico do mundo está agora à beira de outro recorde: uma fortuna superior a US$ 200 bilhões. Grande parte dela, como aqui no Brasil, livre de impostos, que, se pagos, garantiriam, com sobra, ao menos alimentos para que não morram 12 mil por dia.

A COVID-19 mostra que o capitalismo financeiro é um veneno que está matando o planeta.



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'Temos que votar uma Contribuição Coronavírus de 20% para os bilionários e de 10% para os milionários' - por Jean Marc von der Weid

Forbes, bilionários brasileiros

Ex-presidente da UNE na época da ditadura comenta a pandemia e soluções para o Brasil


Recebi do meu amigo Jaimão, de quem publiquei um texto aqui outro dia, este texto que reproduzo a seguir, escrito por Jean Marc von der Weid, que foi presidente da UNE em pleno AI-5, em 1969. Preso, acabou trocado pelo embaixador suíço, como outros, inclusive Jaimão.

Ele comenta o problema da pandemia e toca num tema fundamental: quem deve ajudar a pagar pela crise são os bilionários e milionários brasileiros, naquilo que chama de Contribuição Coronavírus.
O vídeo do médico de Sorocaba apontando para a inconsciência ou a inconsequência "dos brasileiros", com ruas cheias em muitas cidades ou parques e praias pede uma explicação. Um outro vídeo mostrando um supermercado com multidões se aglomerando dentro e fora para comprar álcool em gel dá uma parte da resposta. 

É claro que para muita gente a questão do "isolamento" é para os outros. A pesquisa do Ibope indica apoio a uma série de medidas para limitar o contato individual mas não as restrições ao comércio. Não caiu a ficha de que vai ser necessário não botar o pé na rua por um bom tempo mas rigorosamente nestes 15 dias iniciados na última sexta-feira. 

Esta desconexão tem a ver com as mensagens contraditórias das "autoridades". Bolsonazi e mesmo Mandetta minimizam ou contrariam a necessidade de quarentena e atacam governadores e prefeitos que as propõem. Por outro lado, há um choque entre a orientação de ficar em casa e a exigência da grande maioria dos patrões pela presença de seus empregados. Na maré brutal de desemprego o trabalhador vai se contaminando no transporte abarrotado, nas filas e no emprego preferindo um risco desconhecido do que um conhecido há cinco anos. 

Para funcionar a quarentena vai ser preciso não só garantir a renda básica para todos mas, pelo menos na fase mais aguda da epidemia, que os produtos essenciais sejam levados até os confinados. Será uma imensa operação logística. 

Por outro lado, será preciso construir centenas de hospitais de campanha, em estádios, praças, hotéis, navios, ... vai ser preciso mobilizar todos os médicos e enfermeiros do país independente de sua especialidade para ajudar os especializados nas infecções pulmonares. Que venham os cubanos e chineses, vamos precisar. 

Vai ser preciso reorientar a indústria para produzir tudo quer for necessário para tratar os doentes e combater a contaminação. Pensem, como exemplo no volume de desinfetante necessário para aplicar em prédios, ruas, carros, etc. e nos equipamentos e roupas para os desinfetadores. 

E quem vai pagar para salvar o país do caos? Pelas contas do presidente do Sindifisco os 206 bilionários do Brasil detêm uma fortuna (a parte conhecida) de 1,2 trilhão de reais. Já os milionários são 500 mil e detêm 6,8 trilhões de reais. Estes dois grupos, juntos, detêm a metade de toda a renda do povo brasileiro. Considerando que a família média no Brasil tem quatro membros, o grupo dos nababos chega a pouco mais de 2 milhões de pessoas ou menos de 1% da população. 

Temos que votar uma Contribuição Coronavírus de 20% para os bilionários e de 10% para os milionários. Chegaremos a 920 bilhões para cobrir os diferentes gastos emergenciais. As taxas de contribuição dos nababos seria única e deixaríamos para depois a reforma tributária onde lutaremos por impostos progressivos ao estilo dos países escandinavos. 

Mas tudo isto vai exigir uma troca de comando no país. Está mais do que demonstrado que Bolsonazi não tem a mínima condição de liderar o país nesta crise e se isto ainda não chegou à sua base de fiéis irredutíveis ainda estabilizada em 33% de apoio em breve chegará. 

Por outro lado os atores políticos e empresariais da "elite" estão se dando conta da cagada. Há uma busca de saídas alternativas, mas o problema maior é que as forças ditas populares e de esquerda parecem preferir esperar para ganhar eleições no fim deste ano e em 2022. É uma tremenda capitulação que vai nos deixar sem direção nem liderança no momento mais dramático da nossa história.

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