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'Quantas mortes anônimas aconteceram até que um empresário falido pela crise decidisse meter uma bala na cabeça?'

Manchete com suicídio de empresário

Artigo contundente de Gilberto Maringoni:

A tragédia da austeridade

Quantos mortos produz uma recessão econômica? Quantos casos fatais produz uma depressão planejada? Quem são os responsáveis por afundar o país desde pelo menos 2015 e que se escondem por trás de discursos racionais, de loas ao “maior ajuste fiscal da História”, das economias de “um trilhão”, da “contração para crescer”, dos estelionatos eleitorais e das planilhas de cortes de gastos?
Quantas mortes anônimas aconteceram até que um empresário falido pela crise feita para congelar gastos e garantir a conta de juros abrisse as portas do inferno em nosso país? Quantos pobres e esquecidos não aguentaram o desemprego, o desespero e a falta de futuro até que num salão confortável um “dos nossos”, branco, de boa posição social decidisse meter uma bala na cabeça?
Os responsáveis não são apenas os que assinam decretos e portarias, que decidem as variações da Selic, que legislam sobre reformas e deformas e que têm poder sobre o Diário Oficial. Eles estão também na mídia, nos comentários de especialistas e consultores nos talk shows esclarecidos e na ideia de que Economia é coisa técnica.
Quem manda nisso tudo? Quem definiu ser este o melhor e único caminho para um país que multiplicou por cem seu PIB em um século e é um caso de absoluto sucesso e não de fracasso ao longo do século XX? Um país que em 1930 era uma fazenda de café e cinquenta anos depois era o único da periferia capitalista a internalizar toda a cadeia produtiva da indústria. Nós não merecemos o destino imposto por capitães do lumpesinato castrense, por militares entreguistas e por milicianos do capital financeiro!

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Sub-prime? Fundos congelados? Hipotecas? Entenda a queda mundial nas bolsas de valores

Da BBCBrasil:

As bolsas de valores na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia vêm registrando quedas tão vertiginosas nos últimos dias que vários bancos centrais tiveram que intervir e injetar liquidez no mercado.

Abaixo, você encontra as respostas às principais dúvidas sobre o nervosismo do mercado registrado nos últimos dias, calcado em temores de uma crise no mercado imobiliário americano, principalmente por causa dos chamados empréstimo de risco ou sub-prime.

Várias empresas importantes no mercado global perderam capital com as quedas nas bolsas nos últimos dias – apenas mais uma das registradas nos últimos tempos.

No entanto, quando o banco francês BNP Paribas decidiu congelar três fundos de investimento por não ter mais certeza do valor deles, cresceram os temores de que outros fundos lastreados por maus devedores viessem à tona.

O que é um empréstimo sub-prime?

Em termos simples, não passa de um empréstimo concedido a pessoas que têm histórico de crédito duvidoso ou não têm como comprovar a renda.

Esse tipo de empréstimo ganhou popularidade na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos nos últimos anos, sob diferentes formas.

Na sua forma mais simples, ele pode ser um empréstimo de baixos valores em dinheiro para pessoas de baixa renda, e cobrado na própria casa do endividado.

Há também as hipotecas sub-prime, ou seja, empréstimos tomados contra a valorização das casas hipotecadas, muitas vezes simplesmente para cobrir despesas com outros empréstimos.

A expressão também pode se referir a hipotecas concedidas a pessoas que seriam rejeitadas por grandes credores por causa de seu histórico de crédito ou situação profissional.

Como isso pode afetar o mercado mundial?

Nos últimos cinco anos, taxas de juros extraordinariamente baixas nos Estados Unidos levaram bancos e outras instituições financeiras a conceder muitos empréstimos sub-prime.

A explicação para isso é que, mesmo que as pessoas não tivessem como saldar as suas dívidas, os bancos recuperariam o seu dinheiro tomando e vendendo imóveis.

Os aumentos de preço no mercado imobiliário amortizariam o impacto para os credores.

Agora, no entanto, os juros subiram e as tomadas de imóveis aumentaram. Com isso, o mercado imobiliário americano entrou em baixa, e vários bancos se encontram em dificuldades por causa dos maus devedores.

Como conseqüência da globalização dos mercados, essas dívidas hipotecárias foram "fatiadas", batizadas de títulos lastreados por hipoteca, e vendidos a instituições financeiras e investidores em todo o mundo.

Agora, ninguém, nem mesmo os bancos centrais, sabem com certeza quanto desses títulos estão lastreados por maus devedores.

Que outras conseqüências essa crise pode ter?

Mesmo que os bancos centrais consigam controlar o pânico no mercado financeiro, parece já ter acontecido uma mudança na percepção de risco no mercado.

Geralmente, quanto mais arriscado o investimento, mais altas as taxas de juros, mas agora, taxas adicionais de "risco" devem ganhar cada vez mais espaço.

Quando potenciais credores ficam com medo de emprestar dinheiro, o movimento natural é uma fuga para investimentos de baixo risco, logo, houve uma corrida para investimentos em títulos do governo americano e em câmbios seguros, como o iene japonês.

Por outro lado, as taxas de juros para empresas menores e governos de países de Terceiro Mundo subiram consideravelmente.

Ao mesmo tempo, praticamente não há mais mercado para as dívidas associadas a hipotecas sub-prime ou a aquisição de empresas financiada principalmente pela compra de grandes dívidas, em vez de dinheiro ou ações.

Isso pode significar que venham a acontecer muito menos compras de empresas do que nos últimos anos, quando grande parte das aquisições foram financiadas por ações de outras empresas privadas que emprestavam dinheiro facilmente.

Isso também pode derrubar o mercado de ações no curto prazo.

Por quanto tempo isso deve se arrastar?

Flutuações nas bolsas são ocorrências normais e não há como prever o grau da queda ou mesmo a duração.

Os mercados registraram altas acentuadas nos últimos 18 meses, e as atuais quedas podem simplesmente levá-los de volta aos níveis anteriores.

Em geral, os lucros das empresas têm sido grandes, e a economia mundial parece estar vivendo um renascimento, principalmente na Europa e no Japão.

No entanto, as bolsas de valores se preocupam com tendências futuras, e o nervosismo atual pode indicar uma suspeita de que os lucros das empresas já tenham atingido o seu auge.

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Repórteres nos aeroportos para provocar notícia

Vamos falar sério. Já está ridícula a cobertura da imprensa nos aeroportos. Chuva, nevoeiro, mau tempo sempre causaram atrasos em vôos – e não somente no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo.

No entanto, para nossas emissoras de TV parece que não. Repórteres espalhados pelos principais aeroportos estão à procura de um fato espetacular, de preferência com vítimas. E ele certamente virá, mais dia, menos dia.

Há alguns meses, um covarde-valentão (ou valentão-covarde, se preferirem) agrediu a funcionária de uma companhia aérea. Na ocasião, pessoas intervieram e o tumulto parou por ali – ainda mais, porque o valentão ficou calminho quando confrontado por outro homem.

Mas as reportagens a todo momento, os Ao Vivo a toda hora funcionam como isca, parecem dizer “quem quer aparecer na TV?”, “quem quer ser notícia no Jornal Nacional?”. E há quem seja capaz de tudo para aparecer na telinha.

Mas o que a gente quer saber, ninguém responde: por que esses estranhos problemas sintomaticamente passaram a aparecer nos aeroportos brasileiros imediatamente após a colisão do Boeing da Gol com o jatinho pilotado por dois americanos e que causou a morte de 154 brasileiros?

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A Imprensa pede socorro

Não é só a grande imprensa que está sendo afetada pelas novas mídias, especialmente pelos sites e blogs de notícias na internet. A imprensa de esquerda, alternativa, sofre ainda mais. É o que afirma o diretor do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, em artigo publicado em sua edição mais recente.

Nele, Ramonet elogia a pluralidade de ofertas que a internet coloca à disposição da população mundial, mas critica a concentração que já está acontecendo, com blogs e sites sendo adquiridos pelos grupos de comunicação mais poderosos.

A situação está tão difícil para o Diplô, que Ramonet termina seu artigo conclamando os leitores a assinarem o jornal para garantirem a continuidade de sua publicação.

"Assinar o jornal, no momento em que denunciamos uma guerra midiática assimétrica frente aos gigantes da comunicação, constitui ao mesmo tempo um ato de resistência e a melhor maneira de nos manifestar apoio. É também um compromisso em prol da imprensa livre, da pluralidade de idéias e do jornalismo realmente independente. É, enfim, a resposta mais eficaz contra a ameaça da informação única."