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50 anos de Woodstock. O sonho acabou?

Casal abraçado na famosa foto de Woodstock


O que restou, ou quantos restaram, dos dias de paz&amor e Woodstock?


Este ano o Festival de Woodstock comemora 50 anos. Mas, quando se comemora essa data, cada um comemora sua visão do festival.

Para muitos, um bando de drogados, hippies sujos fazendo sexo loucamente e curtindo "maior som" (como se dizia) e a natureza como se não houvesse amanhã. Oba!

O que restou?

Bom, o casal aí da imagem, que foi capa do disco com as músicas do festival, está junto até hoje, casados há 50 anos.

Para muitos, o casal simbolizou aqueles dias. Quem não sonhou encontrar o amor de sua vida num festival de música com Santana, Jimi Hendrix, Janis Joplin, com uma galera que estava "curtindo a mesma onda" e que esses dias durariam para sempre?

Isso significa que o sonho prossegue ou que o próprio "casamento de 50 anos" é uma contradição em termos em relação aos ideais do amor livre?

 Blog do Mello, há 14 anos direto do Rio remando contra a maré. Leia mais...
O que restou de nossos sonhos, o que restou de nós mesmos, o que nos fizemos e o que fizemos com o que nos fizeram?

A verdade é que o ideal hippie prossegue por aí em comunidades afastadas ou circulando pelas ruas das cidades vendendo pulseiras, colares, brincos e dormindo um dia aqui e outro ali, sem porto - ou em todos os portos, mas sem parada definitiva.

Ou apenas na mente, no sonho.

O sonho acabou?, como disse Lennon?

Prefiro Gil: Foi pesado o sono pra quem não sonhou.





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Acabou o PAN, começou o tiroteio

reprodução de chamada de O Globo

Chamada de primeira página de O Globo de hoje (reproduzida aqui ao lado) mostra que nem bem terminou o PAN e já recomeçaram os confrontos entre PMs e traficantes, e com um morto.

O recomeço tão imediato do tiroteio me deixou com várias pulgas atrás da orelha, e as divido com você, leitor:

Os dados divulgados pela policia sobre a segurança durante o período do PAN não mostram uma queda tão significativa assim dos índices, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando não havia PAN nem todo o aparato de segurança que o acompanhou.

O índice de homicídios foi apenas 5% inferior. O de assaltos, 16%. O de roubo de carros, sim, 32% menor, o que mostra que a simples presença da polícia inibe esse tipo de delito.

Mas isso é muito pouco frente à tranqüilidade, à sensação de segurança que tomou conta da cidade. Apenas a diminuição desses índices justificaria essa sensação?

Não é crível que durante todo o período do PAN, imbuída pelo espírito saudável da competição dos Jogos, a galera tenha deixado de cheirar seus papelotes ou de fumar seus baseados. E, evidentemente, os traficantes estavam ali para atender à demanda.

O que teria havido então? Uma trégua da polícia, um liberou geral? Ou durante o PAN – e apenas durante ele – a polícia efetuou as prisões com o uso da inteligência, sem que fosse necessário disparar um único tiro, sem que houvesse um morto sequer? Ou, ainda, será que aconteceram confrontos, sim, e muitos morreram, sim, e isso apenas não foi divulgado para manter aceso o “espírito do PAN”?

Todas as hipóteses merecem comentários.

1. Se a polícia usou a inteligência e assim conseguiu prender traficantes e coibir o tráfico, sem a perda de vidas, por que a volta dos confrontos agora?

2. Se a polícia deixou o tráfico correr solto e isso evitou os confrontos e as mortes, e ainda de quebra nos deu a sensação de vivermos em uma cidade segura, não seria a hora de discutirmos seriamente um assunto já levantado até pelo governador do estado, Sérgio Cabral, a descriminalização das drogas?

3. Mas, se, ao contrário, tudo estava acontecendo exatamente como dantes no quartel de Abrantes, os crimes, os confrontos e os mortos continuaram durante o PAN, isso nos leva a outras perguntas:

. Por que a imprensa ficou caladinha? Ela tem o direito de nos omitir informação em benefício da boa imagem da cidade durante os Jogos?

. Não será a divulgação sensacionalista dos crimes um fator decisivo para o aumento da sensação de insegurança?

. Nossa sensação de insegurança não alimenta ainda mais a violência?

O que você acha?

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Cabral e o jogo do bicho

O governador Sérgio Cabral, que tem tido a coragem de levantar temas polêmicos como a legalização do aborto e a descriminalização das drogas, chutou uma bola fora quando defendeu a legalização do jogo do bicho, a pretexto de liberar os policiais para ações mais importantes.

Nada contra a legalização do jogo do bicho, mas o motivo alegado tem que ser outro. O bicho não é reprimido em lugar algum do Rio, onde é possível fazer sua fezinha praticamente em qualquer esquina. Portanto, os policiais já estão liberados há muito tempo. Se não cuidam de outras coisas mais importantes o motivo não é este.

E a legalização do jogo vai trazer alguns problemas. Em primeiro lugar, vai tornar possível a lavagem de dinheiro – que é a principal razão da existência da jogatina legalizada, para todos os que conseguem dinheiro ilicitamente. Em segundo lugar, vai jogar no desemprego os apontadores, que serão trocados por jovens de boa aparência, que correrão atrás da carteira assinada. Os apontadores atuais, muitos deles idosos, com passagens pela polícia (efeito colateral da profissão), são geralmente pessoas que não conseguem emprego formal. E, por último, legalizado, tendo que pagar impostos, assinar carteira, o diabo, o jogo do bicho sobrevive?

Cresce o número de acidentes de carro nas estradas durante o carnaval

Quem já não leu essa manchete? Está mais uma vez hoje na Folha afirmando que aumentou o número de acidentes nas estradas de São Paulo. Entra ano, sai ano, é a mesma história. Imprudência, estradas mal conservadas, carros idem, mas, principalmente, álcool na cabeça do motorista.

Já não é mais caso de campanhas educativas, apenas. O motorista sabe que álcool não combina com o volante. No entanto, todos pensam que acidentes só acontecem com os outros. Muitos até acreditam que dirigem melhor quando estão bêbados. Quem não conhece pelo menos um idiota que afirma isso?

Quando é que as autoridades vão tomar a medida que já se faz urgente para poupar a vida dos que não têm nada a ver com as escolhas individuais criminosas desses idiotas? É preciso dar um fim à impunidade. Garanto que uns diazinhos na cadeia para meditação teriam um poderoso efeito profilático.

- Bebum no volante, perigo constante.

A morte do menino João e outras mortes

Carta de um leitor de O Globo:
A sociedade, com seu comportamento permissivo, vem sendo conivente com o crime, com o jogo do bicho, tráfico, corrupção policial e está pagando um preço por isso.
Fico pensando se agora as pessoas ficaram realmente indignadas e vão começar a reagir.
Será que vão deixar de comprar cocaína, maconha, mercadorias roubadas nos camelôs, peças de carro roubadas nos ferros-velhos? Será que, para fortalecer as leis, vão começar a respeitar as pequenas leis que já existem, vão deixar de levar cachorro à praia, deixar de jogar lixo nas ruas, parar de estacionar nas calçadas? Será que os pais vão começar a educar seus filhos, ensinando que ser é mais importante que ter? Exercer cidadania dá trabalho. Fico com medo de pensar que, para muitos, é mais fácil dizer que a culpa é apenas do governo, vestir branco nas passeatas e falar que a imprensa exagera. Quem vai ser o próximo João?
Edson Quadros, Brasília, DF

Este foi exatamente o tema de um artigo que escrevi para o Jornal do Brasil e foi publicado em dezembro de 2oo4. Chamou-se Obesidade e Segurança Pública.