Mostrando postagens com marcador tráfico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tráfico. Mostrar todas as postagens

Pablo Escobar sobre Uribe: 'Se não fosse por esse rapaz bendito, ainda estaria trazendo pasta de cocaína em porta-malas de carros'


A frase completa é:

Pablo Escobar sobre Uribe: 'Se não fosse por esse rapaz bendito, ainda estaria trazendo pasta de cocaína em porta-malas de carros e nadando até Miami para levar cocaína aos gringos’

A afirmação do maior traficante de drogas de todos os tempos não deixa dúvidas sobre o caráter do atual presidente da Colômbia.

Quem revelou essa ligação tão íntima e lucrativa entre Escobar e Uribe foi Virginia Vallejo, amante do traficante colombiano.

Vallejo disse que, como amigo íntimo de Escobar, Uribe dirigia o Departamento de Aviação Civil da Colômbia e liberava a construção de pistas e os vôos carregados de drogas sem investigação policial, para que Escobar pudesse enviar sua mercadoria para os EUA. Daí o traficante ter feito a afirmação que dá título a esta postagem.

Diante disso, pensa você, meu leitor perspicaz, indaga-me você, minha sagaz leitora, como é que os americanos foram fazer o Plano Colômbia de combate às drogas logo com o homem que foi responsável pela grande alavancada do negócio ilegal?

Porque o negócio dos americanos é fazer negócios. Eles estão na Colômbia, como no Iraque, no Afeganistão e em qualquer lugar do mundo para vender armas, munição, veículos bélicos, desfolhantes e controlar o lucrativo negócio do tráfico – não só de drogas, como de armas.

O incrível é que governantes brasileiros vivem em romaria à Colômbia para ouvir Uribe, que chegou a aconselhar o governador de Minas Aécio Neves a assumir como tarefa de segurança nacional o combate ao narcotráfico. Dá pra levar a sério?

E, perguntaria um direitista aflito, um pitblogueiro convicto, um “indignado útil” perdido, onde está essa informação? Em algum veículo esquerdista? Algum panfleto das Farc? Foi divulgada pelo ditador venezuelano Hugo Chávez?

Nada disso, é uma reportagem do Fantástico, em parte reproduzida acima, que pode ser assistida na íntegra no site da Globo. E mesmo assim a Globo apóia Uribe.

Leia também:

» Por que Chávez chama Uribe de peão do império americano?

» Chávez ou Uribe, quem colabora com os narcotraficantes?

» Bush defende a tortura

imagem RSSimagem e-mail

Acabou o PAN, começou o tiroteio

reprodução de chamada de O Globo

Chamada de primeira página de O Globo de hoje (reproduzida aqui ao lado) mostra que nem bem terminou o PAN e já recomeçaram os confrontos entre PMs e traficantes, e com um morto.

O recomeço tão imediato do tiroteio me deixou com várias pulgas atrás da orelha, e as divido com você, leitor:

Os dados divulgados pela policia sobre a segurança durante o período do PAN não mostram uma queda tão significativa assim dos índices, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando não havia PAN nem todo o aparato de segurança que o acompanhou.

O índice de homicídios foi apenas 5% inferior. O de assaltos, 16%. O de roubo de carros, sim, 32% menor, o que mostra que a simples presença da polícia inibe esse tipo de delito.

Mas isso é muito pouco frente à tranqüilidade, à sensação de segurança que tomou conta da cidade. Apenas a diminuição desses índices justificaria essa sensação?

Não é crível que durante todo o período do PAN, imbuída pelo espírito saudável da competição dos Jogos, a galera tenha deixado de cheirar seus papelotes ou de fumar seus baseados. E, evidentemente, os traficantes estavam ali para atender à demanda.

O que teria havido então? Uma trégua da polícia, um liberou geral? Ou durante o PAN – e apenas durante ele – a polícia efetuou as prisões com o uso da inteligência, sem que fosse necessário disparar um único tiro, sem que houvesse um morto sequer? Ou, ainda, será que aconteceram confrontos, sim, e muitos morreram, sim, e isso apenas não foi divulgado para manter aceso o “espírito do PAN”?

Todas as hipóteses merecem comentários.

1. Se a polícia usou a inteligência e assim conseguiu prender traficantes e coibir o tráfico, sem a perda de vidas, por que a volta dos confrontos agora?

2. Se a polícia deixou o tráfico correr solto e isso evitou os confrontos e as mortes, e ainda de quebra nos deu a sensação de vivermos em uma cidade segura, não seria a hora de discutirmos seriamente um assunto já levantado até pelo governador do estado, Sérgio Cabral, a descriminalização das drogas?

3. Mas, se, ao contrário, tudo estava acontecendo exatamente como dantes no quartel de Abrantes, os crimes, os confrontos e os mortos continuaram durante o PAN, isso nos leva a outras perguntas:

. Por que a imprensa ficou caladinha? Ela tem o direito de nos omitir informação em benefício da boa imagem da cidade durante os Jogos?

. Não será a divulgação sensacionalista dos crimes um fator decisivo para o aumento da sensação de insegurança?

. Nossa sensação de insegurança não alimenta ainda mais a violência?

O que você acha?

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Manual de guerrilha de O Globo ensina a matar sem fazer barulho

Um absurdo a primeira página de O Globo no domingo. Ilustrando a matéria “Alemão usa manual de guerrilha feito por militar”, o jornal publica informações contidas no tal manual, dando dicas, por exemplo, de como “matar sem fazer barulho” e “matar na mão”.

Se anteriormente essas informações estavam restritas às forças armadas e aos traficantes do complexo do Alemão, agora ficaram ao alcance de todos.

A Nota da Redação do jornal publicada hoje, em resposta a cartas de leitores indignados, é um primor de cinismo (vejam na reprodução).

Dizer que o jornal está contribuindo para a solução do problema, quando apresenta técnicas de assassinato “na mão” e “sem fazer barulho” é uma mistificação sem limites. No máximo pode estar contribuindo para diminuir a poluição sonora.

O caso é, no mínimo, de um Erramos bem grande na primeira página, com um pedido de desculpas (alô, advogados de plantão, alô, OAB, não seria o caso de um processo contra o jornal?). Só não peço a demissão do irresponsável, porque o mercado de trabalho não está fácil. Mas que ele merece uma temporada como piloto de provas de lutadores de jiu-jitsu, como forma de treinamento na aplicação das técnicas divulgadas por ele, ah, isso ele merece...

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

A morte do menino João e outras mortes

Carta de um leitor de O Globo:
A sociedade, com seu comportamento permissivo, vem sendo conivente com o crime, com o jogo do bicho, tráfico, corrupção policial e está pagando um preço por isso.
Fico pensando se agora as pessoas ficaram realmente indignadas e vão começar a reagir.
Será que vão deixar de comprar cocaína, maconha, mercadorias roubadas nos camelôs, peças de carro roubadas nos ferros-velhos? Será que, para fortalecer as leis, vão começar a respeitar as pequenas leis que já existem, vão deixar de levar cachorro à praia, deixar de jogar lixo nas ruas, parar de estacionar nas calçadas? Será que os pais vão começar a educar seus filhos, ensinando que ser é mais importante que ter? Exercer cidadania dá trabalho. Fico com medo de pensar que, para muitos, é mais fácil dizer que a culpa é apenas do governo, vestir branco nas passeatas e falar que a imprensa exagera. Quem vai ser o próximo João?
Edson Quadros, Brasília, DF

Este foi exatamente o tema de um artigo que escrevi para o Jornal do Brasil e foi publicado em dezembro de 2oo4. Chamou-se Obesidade e Segurança Pública.