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Trump pode ser preso e ainda assim ser eleito? Pode governar da prisão?

A maior democracia que o dinheiro pode comprar, os EUA, tem suas peculiaridades. Lá, o cidadão pode ser votado, mesmo condenado e preso. Em alguns estados ele pode até votar, em outros não. Mas votado ele pode ser em todos eles e até ser eleito presidente.

Em 1920, o socialista Eugene Dubs concorreu da prisão. Ele havia sido condenado por ser contra o alistamento militar para a Primeira Guerra. Teve 3,41% dos votos.

O fato pode acontecer este ano com o ex-presidente Trump. Ele está respondendo a um processo no momento, acusado de ter comprado o silêncio de uma ex-atriz pornô com quem teria tido relações sexuais. 

O problema não foi a relação sexual com a ex-atriz, Stormy Daniels, mas a série de fraudes contábeis que sua equipe de campanha teve que fazer para encobrir o pagamento de suborno a Daniels e impedir que o escândalo sexual afetasse a imagem de Trump na campanha contra a democrata Hillary Clinton em 2016. 

Durante esta semana e por mais três, Trump tem que comparecer a um tribunal em Nova York todos os dias, menos quarta, para responder sobre as acusações. O advogado que ele usou para pagar o suborno à ex-atriz assumiu o pagamento e testemunha contra Trump.

Por essas acusações Trump pode ser:

  • absolvido;
  • condenado a penas alternativas à prisão;
  • condenado à prisão;
  • ainda julgado, caso o julgamento não termine até as eleições presidenciais em 5 de novembro;

Ser absolvido ou condenado a penas alternativas trará apenas reflexos na campanha de Trump. Se o julgamento ainda não tiver chegado a uma sentença no dia das eleições, também.

Mas, e caso Trump seja rapidamente condenado e acabe tendo que fazer campanha da prisão e ainda assim acabar eleito presidente dos Estados Unidos?

Possível é, porque nada parece "colar" em Trump, mais ou menos como acontece no Brasil com os apoiadores de Bolsonaro. Por mais provas que existam contra os dois, seus seguidores seguem fieis e acham que ambos são "vítimas de perseguição da Justiça".

Trump preso e eleito presidente dos EUA, como fica?

Na verdade ninguém sabe ao certo. As leis são liberais e jamais pensadas para uma situação estranha como essa de um condenado preso concorrer e vencer as eleições.

O que pode acontecer:

  • Trump poderia ser destituído de sua autoridade de acordo com a 25ª Emenda, que prevê um processo de transferência de autoridade para o vice-presidente se o presidente for "incapaz de exercer os poderes e deveres de seu cargo". Mas isso exigiria que o vice-presidente e a maioria do Gabinete declarassem Trump incapaz de cumprir seus deveres, uma perspectiva remota. 
  • Trump poderia entrar com um processo alegando que sua prisão o estava impedindo de cumprir suas obrigações constitucionais como presidente.
  • Trump também poderia tentar se perdoar — ou comutar sua sentença, deixando a condenação em vigor, mas encerrando sua prisão. Qualquer uma dessas ações seria uma afirmação extraordinária do poder presidencial, e a Suprema Corte seria o árbitro final para decidir se um "autoperdão" era constitucional.
  • O presidente Joe Biden, ao sair derrotado na eleição, poderia perdoar Trump com base no fato de que "o povo se manifestou e eu preciso perdoá-lo para que ele possa governar". Mas isso não se aplicaria aos casos de Nova York ou da Geórgia, porque o presidente não tem poder de perdão para acusações estaduais. O caso com a ex-atriz está sendo julgado em Nova York.

Caso o julgamento ainda não tenha sido concluído até as eleições, o mais provável é que o processo fique suspenso até o fim do novo mandato.

Seja como for, tudo isso favorece Trump. Ele, como Bolsonaro aqui, precisa desse clima convulsionado, que desperte paixões e leve as pessoas a um julgamento emocional e não racional. É tudo o que eles querem, por isso vivem incitado as massas e mantêm seus seguidores em constante agitação.

Com informações de O Globo.



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Aqui, TSE, empresário confessa em vídeo que botou dinheiro na campanha de Bolsonaro. E o Jair sabia

Print de Tweet de Bolsonaro com vídeo dos empreários afirmando que botaram dinheiro na campanha


Empresário confessa que botou dinheiro em Bolsonaro e quer definição no 1º turno pra não ter de botar mais


Se o TSE quisesse e a PF também, a eleição de Bolsonaro seria anulada ainda antes da posse. Porque os disparos de milhões de mensagens pelo WhatsApp concentradas em poucos dias foram confirmadas pelo próprio aplicativo, que andou punindo alguns.

E se falta prova de que empresários botaram dinheiro na campanha (o que é ilegal), não precisava ir longe para buscá-la.

Se a PF fosse ao Twitter de Bolsonaro no dia 28 de agosto de 2018 veria a mensagem do Jair orgulhoso do apoio ilegal dos empresários à sua campanha [imagem]:
Dois Gigantes do Varejo - Havan e Gazin, juntos com Jair Bolsonaro (17)
E o crime está aqui, no vídeo, quando o empresário Gazin pede que a vitória seja decidida no primeiro turno, "pá nóis não tê que gastá mais dinhero". Confira:






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A uma semana das eleições, Moro divulgou delação fake de Pallocci. Um mês depois virou Ministro

Print primeira página da Folha

A uma semana da eleição, Moro jogou para ajudar oposição e prejudicar PT

Nova reportagem do Intercept, desta vez em parceria com a Folha, sobre as mensagens dos bastidores da Lava Jato mostra que o ex-juiz (e, breve, ex-ministro) Sergio Moro usou a Lava Jato para prejudicar a campanha do PT, divulgando um depoimento do ex-ministro Palocci, que considerava (e os procuradores da Lava Jato também) fraco.

No depoimento, Palocci acusava Lula, Dilma e o PT de receberem dinheiro por fora da Odebrecht, tudo sem uma única prova, ou, como chegou a dizer o procurador de deus Dallagnol, numa das mensagens reveladas, "Deve ter mta notícia do goolge (sic) lá rs".

Os diálogos, obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados pela Folha junto com o site, indicam que Moro tinha dúvidas sobre as provas apresentadas por Palocci.
"Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omerta petista", disse o procurador Paulo Roberto Galvão a seus colegas num grupo de mensagens do aplicativo Telegram em 25 de setembro, tratando Moro pelo apelido que eles usavam e associando os petistas à Omertà, o código de honra dos mafiosos italianos.
Outros membros do grupo também expressaram ceticismo. "Não só é difícil provar, como é impossível extrair algo da delação dele", afirmou a procuradora Laura Tessler. "O melhor é que [Palocci] fala até daquilo que ele acha que pode ser que talvez seja", acrescentou Antônio Carlos Welter. [Folha]
A influência sobre as eleições foi reforçada por intensa canpanha da mídia corporativa, como também destaca a reportagem.
No dia 1º, o assunto ocupou quase nove minutos do Jornal Nacional, da TV Globo. A reportagem citou duas vezes a ligação do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli com a campanha do então candidato presidencial do PT, Fernando Haddad, que aparecia em segundo lugar na corrida eleitoral, bem atrás do favorito, Jair Bolsonaro (PSL).  
Nos dias seguintes, a delação de Palocci foi noticiada com destaque pela Folha e por outros jornais e ganhou visibilidade na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Os dois últimos programas da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) mencionaram as acusações do ex-ministro, dizendo que ele havia mostrado por que era preciso impedir a volta do PT ao poder.
Um mês depois do uso político da delação, Moro foi anunciado como novo ministro da Justiça de Bolsonaro, com a primeira vaga no STF prometida, conforme confessou Bolsonaro descaradamente.





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O dia mais importante do mundo da falta de notícias importantes

Finalmente é hoje o dia tão esperado. Dia daquele acontecimento que rendeu capas e páginas principais. Que consumiu análises e mais análises de especialistas os mais variados. O dia da eleição para a presidência da Câmara. No Brasil, só se fala em outra coisa.

Durante boa parte do tempo, os analistas dos jornalões tentaram vender a história de que o grande derrotado dessas eleições seria o presidente Lula, seja lá quem fosse o vencedor. Bobagem. Nesse tempo o presidente tirou férias, pescou, discursou, viajou, e viu a oposição se dividir. Viu, principalmente, o PSDB se dividir. Num racha tão grande quanto a cratera do metrô paulista. Mas sobre esse racha os jornalões passaram batidos.

O negócio deles é procurar divisões na base governista. Depois das eleições para a presidência da Câmara, talvez descubram que a base de Lula está dividida. Quando começar o Brasileirão 2007. Há os gremistas, os atleticanos, os santistas, os botafoguenses, e até os flamenguistas - porque ninguém é perfeito.

Mas projetar futuras votações a partir de análises da eleição de hoje é forçar demais a barra. Essa eleição tem uma importância interna. Ali se negociam vagas na garagem, mordomias de todo tipo, viagens internacionais, representações, o escambau. Na hora de votar projetos do Congresso e medidas do governo, a história é outra.

O que se tentou foi confundir o u com as alças. O centro e seu entorno, se é que me entendem.