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Pegadinha misteriosa com Bolsonaro e Netanyahu na Paulista, explicada

O escritor Marcelo Rubens Paiva mostrou duas imagens em seu perfil no X, antigo Twitter, que formam a pegadinha que alguém montou ontem na manifestação em apoio ao ex-presidente, e hoje deve estar emoldurando fundos de bolsonaristas nas redes.

Num mural na Avenida Paulista, quase esquina com a Consolação, colaram um cartaz com as imagens de Bolsonaro e Netanyahu, um em cada lateral, com uma inscrição em hebraico no centro, sobre fundo branco com bordas azuis, como na bandeira de Israel.


Só quem sabe hebraico entende o que está escrito entre os dois líderes da extrema direita. Esta foi a segunda imagem postada por Marcelo: um print do Google tradutor.


A mensagem entre Bolsonaro e Netanyahu estava escrita em hebraico e significa "genocida".

O recado de que se trata de dois genocidas foi colocado ali de propósito, como denúncia do que os dois são e ao mesmo tempo denúncia da ignorância de bolsonaristas, que se dizem fanáticos por Israel "por ser uma nação cristã", quando judeus não acreditam em Jesus Cristo como filho de Deus, e os cristãos são minoria das minorias naquele país: apenas 1,92% da população.


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'Bolsonaro e genocida viraram palavras grudadas, pão e manteiga'

Ótimo artigo do escritor Sérgio Rodrigues, na Folha.
Por que Bolsonaro é genocida

É curioso o debate sobre adequação vocabular da semana, com impacto direto no saldo da CPI da Covid e, imagina-se, no futuro do governo: está certo chamar Jair Bolsonaro de genocida?

À primeira vista, trata-se de um daqueles cismas vocabulares de fundo político-ideológico que, volta e meia, dividem a esfera pública em dois times inconciliáveis. Em 1964, houve golpe ou movimento? Em 2016, impeachment ou golpe?

Nesses casos, a tomada de posição costuma organizar toda uma visão de mundo, com sua justificação moral e suas estratégias de ataque e defesa.

O debate sobre o Bolsonaro genocida é um pouco diferente. Apenas apoiadores de crachá, muitos na folha de pagamento do governo, diriam que o presidente não pode ser chamado de genocida porque é um grande defensor da vida.

Nesse caso, só rindo. Mas faz tempo que bolsonaristas andam sem crédito para participar de conversas sérias.

Em geral, mesmo quem defende a impropriedade de aplicar a palavra genocida a Bolsonaro reconhece que sua conduta na pandemia produziu montanhas de cadáveres.

O que se busca então –por razões mais ou menos confessáveis, ligadas ao xadrez político que se joga de olho em 2022– é só uma atenuante para crimes incontestáveis.

O editorial do Globo de terça (19), sob o título “É um abuso acusar Bolsonaro de genocídio”, abusa até da lógica interna ao citar os crimes cometidos pelo governo contra os indígenas e acrescentar que “nenhum deles foi cometido especificamente contra os indígenas”.

Isso logo após reconhecer que, nas comunidades indígenas, “a omissão criminosa do governo (...) foi responsável por centenas de mortes, resultantes da falta de vacinas, da insistência em tratamentos ineficazes, da resistência a combater as invasões e o desmatamento que introduziram o vírus em suas comunidades”.

Argumentação ruim à parte, o que está declaradamente em debate é uma questão de sintonia fina, coisa de razoável sofisticação semântica, alimentada por discussões jurídicas cascudas.

Que perfil étnico-social precisam ter as vítimas de um assassinato em massa para que se caracterize genocídio? Matar aleatoriamente pode? O número de cadáveres –gigantesco, muito grande ou apenas grande– faz diferença? A partir de que número o alarme dispara? Qual é a jurisprudência internacional?

Deixo essas questões para quem entende delas. Me limito a apontar uma dimensão, a meu ver bastante relevante, em que tudo isso soa a pura desconversa. Estou falando da linguagem comum.

A linguagem comum merece todo o respeito, nem que seja só por ser aquela que as pessoas de fato falam –em outras palavras, a régua e o compasso que milhões usam para mapear o mundo.

Fascinados por seus sentidos restritos, manipulados em laboratório, nem sempre os especialistas se dão conta disto: é na linguagem comum que a vida pulsa, palavras prosperam ou definham, sentidos se reinventam.

Nesse âmbito, já era –Bolsonaro é genocida, ponto. A acepção de genocídio como assassinato em massa, sem mais qualificações, parece ter amadurecido junto com a consciência de que nunca, nem de longe, houve um brasileiro que carregasse tantas mortes nas costas.

Bolsonaro e genocida viraram palavras grudadas, pão e manteiga. Ah, o sentido é juridicamente controverso? E daí? Depois de uma vida vendo chefes de quadrilha serem chamados de próceres da República, o povo aprende a ser flexível com as palavras.




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'Quem perde a capacidade de se indignar é por que antes perdeu a dignidade'


Do amigo jornalista Fernando Brito, em seu imprescindível Tijolaço
Ninguém é genocida sozinho

Quem perde a capacidade de se indignar é por que antes perdeu a dignidade.

O Brasil está cheio de gente que, infelizmente, parece estar nesta situação.

“Vamos fazer um estudo”, “abrimos uma apuração rigorosa”, “tomamos as providencias cabíveis”, “vamos criar uma comissão de especialistas”…

Quantas vezes o distinto leitor vê estas platitudes sendo ditas como se fossem reações adequadas diante de monstruosidades, que ceifam a vida de pessoas?

E, com a pandemia, não de “pessoas”, assim, vago. Não, de milhares de pessoas a cada dia, de dezenas de milhares a cada mês, de centenas de milhares de pessoas em menos da metade de um ano?

Vejo, na televisão, comentaristas dizerem que a decisão de Bolsonaro de forçar o Ministério da Saúde, o do “um tal Queiroga”, é “uma temeridade”, “um perigo”.

Não, não é, é um assassinato em massa.

Será que farão um estudo para saber quantos dos obnubilados pelo fanatismo estarão, amanhã, nas ruas, deixando de usar máscara, porque o energúmeno que nos preside assim recomendou? E quantos, em função disso, contrairão a doença e morrerão?

Ainda que seja um só, é um homicídio, porque assume-se o risco de provocar a morte.

Cada um que permanecer tolerante aos boçais que empalmaram o poder terá que pagar pelo que está fazendo.

Há uma conspiração da morte com finalidades políticas em curso em nosso país e não mais se pode aceitar que se alegue que “eu sou técnico” para isentar-se de responsabilidade, porque estamos diante da aniquilação em massa de brasileiros e de brasileiras.

Estar no Governo é estar no projeto genocida de Bolsonaro, porque ele não governa, faz apenas a sua política de radicalismo e de extermínio. E se foi, com isso, a legitimidade de sua eleição: não lhe deram um voto para provocar o morticínio de meio milhão de brasileiros.

Por onde se olhe, de Queiroga a Paulo Guedes, dos generais da ativa e da reserva que estão no governo, todos estão apenas para gozar de postos e benesses para si, sem nenhum projeto para o país e, ainda pior, aceitando que ele seja desmantelado, inclusive pelo ceifar de vidas.

Quem tergiversar, não espere que o país, amanhã, não o trate como um traidor da Pátria e um assassino de brasileiros.







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Fundador da Anvisa: Brasil teria vacinado com as duas doses todos os maiores de 18 anos até o meio do ano, se Bolsonaro tivesse comprado vacinas


O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP),foi fundador e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), criada em 1999.
 
Em reportagem à BBC Brasil, o médico mostra o mal que faz ao país ter um governo como o de Bolsonaro, ainda mais durante uma pandemia.
Vecina Neto calcula que o SUS tem condições de administrar 3,04 milhões de vacinas contra a covid-19 por dia, o que daria cerca de 60 milhões de vacinados por mês, considerando 20 dias úteis.

Como existem 159,1 milhões de brasileiros com mais de 18 anos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, seria possível concluir as duas doses, diz Vecina Neto, em meados de julho. Por enquanto, as vacinas contra covid-19 não são administradas em crianças e adolescentes, por isso o cálculo só considera adultos.[BBC]


Mais uma prova da estupidez e incompetência do governo do genocida Bolsonaro. Quantos ainda morrerão por culpa dele?




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Apoiadora do golpe, Folha cansa de Bolsonaro: 'Basta do descaso homicida de Bolsonaro!'


A Folha, da ficha falsa contra Dilma, da campanha pelo impeachment da presidenta e perseguição política a Lula, somente agora, após dois anos de crimes do presidente, perdeu a paciência com Bolsonaro.
 
Em editorial cheio de adjetivos negativos contra Bolsonaro e seus asseclas, a Folha neste domingo parte para o ataque ao genocida na presidência. 
 
A força do editorial é proporcional ao descaso do jornal, um dos responsáveis pelo golpe de 2016, da perseguição sem trégua ao PT, especialmente ao presidente Lula.
 
A Folha age agora como se surpreendida com a completa incompetência e mesmo a maldade de Bolsonaro, ao zombar de mais de 180 mil mortos, com exposição de trajes da posse e piadinhas sobre injeções de ozônio.
 
Não basta, Folha, apontar o dedo contra Bolsonaro. Tem que fazer o mea culpa que cobram tanto do PT e de Lula.

Como nas antigas quermesses, o Blog do Mello dedica ao jornal trecho de um samba de Cartola:
Basta de clamares inocência
Eu sei todo o mal que a mim você fez
Você desconhece consciência
Só deseja o mal a quem o bem te fez
Basta, não ajoelhes, vá embora
Se estás arrependida, vê se chora.
O editorial:
Vacinação já 
 
Passou de todos os limites a estupidez assassina do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia de coronavírus. É hora de deixar de lado a irresponsabilidade delinquente, de ao menos fingir capacidade e maturidade para liderar a nação de 212 milhões de habitantes num momento dramático da sua trajetória coletiva. Chega de molecagens com a vacina!

Mais de 180 mil pessoas morreram de Covid-19 no Brasil pela contagem dos estados, subestimada. A epidemia voltou a sair do controle, a pressionar os serviços de saúde e a enlutar cada vez mais famílias. Trabalhadores e consumidores doentes ou temerosos de contrair o mal com razão se recolhem, o que deprime a atividade econômica. Cego por sua ambição política e com olhos apenas em 2022, Bolsonaro não percebe que o ciclo vicioso da economia prejudica inclusive seus próprios planos eleitorais.

O presidente da República, sabotador de primeira hora das medidas sanitárias exigidas e principal responsável por esse conjunto de desgraças, foi além. Sua cruzada irresponsável contra o governador João Doria esbulhou a confiança dos brasileiros na vacina. Nunca tão poucos se dispuseram a tomar o imunizante, segundo o Datafolha.

Com a ajuda do fantoche apalermado posto no Ministério da Saúde, Bolsonaro produziu curto-circuito numa máquina acostumada a planejar e executar algumas das maiores campanhas de vacinação do planeta. Como se fosse pouco, abarrotou a diretoria da Anvisa com serviçais do obscurantismo e destroçou a credibilidade do órgão técnico.

Abandonada pelo governo federal, a população brasileira assiste aflita ao início da imunização em nações cujos líderes se comportam à altura do desafio. Não faltarão meios jurídicos e políticos de obrigar Bolsonaro e seu círculo de patifes a adquirir, produzir e distribuir a máxima quantidade de vacinas eficazes no menor lapso temporal.

O caminho da coerção, no entanto, é mais acidentado e longo que o da cooperação entre as autoridades federais, estaduais e municipais. Perder tempo, neste caso, é desperdiçar vidas brasileiras, o bem mais precioso da comunidade nacional.

Basta de descaso homicida! Quase nada mais importa do que vacinas já —e para todos os cidadãos.

 



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