O que aconteceu no camarote da prefeitura é metáfora perfeita dos governos Nunes e Tarcísio

Sexta-feira 13. Para os supersticiosos é melhor nem sair de casa nesse dia. Se apegar aos santos, ao terço, aos orixás e amuletos, porque dizem que é o dia de azar. Ainda mais se cruzar com um gato preto pelo caminho.

No entanto, a vida segue normal para a maioria das pessoas, ainda mais na mordomia do camarote da prefeitura de São Paulo, como acontecia na última sexta-feira, 13,  dia de Desfile das Escolas de Samba, uma boca livre para políticos e empresários amigos do prefeito Ricardo Nunes.

Tudo estava correndo às mil maravilhas, quando, na virada da noite, exatamente a uma da madrugada, a maldição da sexta-feira 13 se fez presente: um cano de esgoto da Sabesp "colapsou", esse verbo da moda, lançando aquilo que você pode imaginar sobre o camarote. 

O cheiro nauseabundo se espalhou pelo ambiente, estragando o perfume dos pratos e salgados servidos e tirando o bouquet de vinhos e champanhes.

Mas há metáfora mais reveladora da situação de São Paulo do que esse vazamento de merda da Sabesp no camarote das autoridades?

Um vazamento que durou dois dias, porque no sábado o fedor ainda estava presente.

Como a lembrar das promessas furadas do prefeito Ricardo Nunes de preparar São Paulo para as enchentes, mas pessoas continuam morrendo, árvores desabam, falta luz por dias, até semanas. E as pessoas perdem móveis, eletrodomésticos, esperança.

E o governo de Tarcísio? Estourar uma tubulação de esgoto da Sabesp privatizada mostra apenas que toda a conversa fiada de Tarcísio sobre os benefícios da privatização era apenas conversa fiada mesmo.

Ele dizia que não iria faltar água, e água faltou. Muitas pessoas passaram Natal e Réveillon na seca, tendo que comprar caminhão pipa.

Ah, e a conta aumentou, como sempre. 

Diferente mesmo é que a maior empresa de saneamento da América Latina foi privatizada tendo apenas um concorrente com oferta, logicamente a vencedora, a Equatorial, uma empresa de energia elétrica que NUNCA cuidou de água e saneamento na vida. Mas dizem que tem sempre uma primeira vez na vida, né, povo de São Paulo?

O fedor também lembra o recorde de feminicídios do governo Tarcísio, que nomeou como sua primeira secretária da Mulher uma vereadora contra o feminismo (sic), depois substituída por uma Bolsonaro — casada com primo, mas Bolsonaro. Além do mais, com corte de verbas ano a ano e contingenciamento do que restou. O aumento de feminicídio não é consequência, mas projeto.

Lembra também o aumento da letalidade policial, que dobrou, desde que Tarcísio escolheu para seu Secretário de Segurança um capitão PM expulso da Rota por excesso de letalidade. Só podia dar no que deu, um salto de 415 para 834, mais que o dobro.

O vazamento fedorento da Sabesp no camarote do prefeito também é metáfora para o escandaloso caso de corrupção na Secretaria de Fazenda de Tarcísio, onde apenas um servidor abocanhou R$ 1 bilhão em propina.

E os 800 ônibus apedrejados, os 3 mil trens atacados, as bebidas batizadas com metanol, a Operação Carbono Oculto, que revelou ao país o embricamento de parte da polícia de São Paulo com o PCC e a Faria Lima?

Existe metáfora mais reveladora que este vazamento de esgoto ou é só coisa de um dia de azar, coincidentemente uma sexta-feira, 13?

Assista ao vídeo e agradeça pelas imagens ainda não terem cheiro.

https://www.instagram.com/reels/DUut6uJkRyd/

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No Carnaval, Tarcísio rasga fantasia de candidato à reeleição em SP e joga no lixo 

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas não resistiu ao desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula. Tarcísio reagiu como se o desfile, que não o cita em momento algum, fosse uma ofensa pessoal a ele. Ele não se conteve, rasgou a fantasia de candidato à reeleição ao governo de São Paulo e jogou no lixo. Com isso, mostra que seu sonho é ser presidente do Brasil e não o prêmio de consolação que seria continuar à frente do governo de São Paulo.

Em vez de falar de seus planos para os próximos 4 anos em São Paulo, o que fará para conter o recorde de feminicídios, o aumento da letalidade policial — que dobrou em relação ao governo anterior —, a corrupção em sua Secretaria de Fazenda, onde apenas um auditor levou um bilhão em propina, Tarcísio resolveu agir como sommelier de desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e criticar a Acadêmicos de Niterói. 

De quebra, o governador de São Paulo fez ataques ao governo do presidente Lula oferecendo alternativas para o país e não para São Paulo, estado onde ele ainda é governador e pelo menos até outro dia, candidato à reeleição. 

O problema para Tarcísio é que os bolsonaristas já têm candidato a presidente — o distribuidor de medalhas a milicianos Flávio Rachadinha Bolsonaro —, não querem Tarcísio, escolheram Flávio a partir da indicação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, recolhido na Papudinha para cumprir 27 anos e 3 meses de prisão.

Tarcísio parece agora se rebelar contra a decisão de Jair e insistir em sua candidatura a Presidente da República provocando novo racha na direita tão Rachadinha...

Logo ele, que piorou todos os índices de São Paulo, a ponto da "locomotiva" do país ter uma retração na indústria de 2,2%.

Talvez seja por isso que Tarcísio tenha mudado de assunto e mirado a Acadêmicos de Niterói e Lula. Ele não tem nada de bom para falar de São Paulo. 

Confira:




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Aroeira e uma história de grampo no STF que está só no inicio



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Enredo sobre a vida de Lula e o ministério do Vai dar Merda, de Chico Buarque

O presidente Lula veio ao Rio com Janja neste domingo, 15, para assistirem ao desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente narrando a história de sua vida de menino pobre a presidente do Brasil.

Mas antes de irem para o Sambódromo, Lula e Janja se encontraram com o casal Chico Buarque e Carol Proner. Não sabemos se no encontro Chico lembrou ao presidente de uma sugestão que lhe deu em seu primeiro mandato, de criação do Ministério do Vai Dar Merda (MVDM).

O objetivo do Ministério seria analisar os projetos à luz do potencial de Merda que poderiam causar ao governo, a Lula ou membros do governo.

Por exemplo, o desfile da Acadêmicos de Niterói deste ano. O ministério, se acionado, quase certamente daria o veredicto fétido, porque o potencial de dar merda é altíssimo e num grau impensável, pondo em risco até a candidatura presidencial de Lula.

É certo que Lula foi homenageado. O presidente não encomendou a homenagem, apenas a recebeu. Mas, se devidamente assessorado pelo MVDM, agradeceria à escola e pediria que adiasse a homenagem para o ano que vem, quando ele poderia estar reeleito mais uma vez e a homenagem seria ainda mais grandiosa, explicando à Escola os problemas que o desfile em ano eleitoral trariam e estão trazendo.

Pode não dar em nada — o que é mais provável, tudo se resumindo ao eterno chororô dos bolsonaristas —, mas pode dar merda, diria o Ministério, e isso é tudo de que não precisa o presidente Lula em ano de reeleição, com o bolsonarismo ainda vivo e mercado financeiro, militares e mídias, incluindo as redes sociais sem regulação, todos unidos contra o presidente. 

Sem esquecer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diagnosticado com narcisismo maligno, um tipo vingativo que só aceita relacionamento baseado na subordinação do interlocutor, que tem Lula atravessado na garganta pelo comportamento altivo do presidente diante do tarifaço.

Lula não se rendeu, Trump teve que ceder, e isso certamente está guardado no pote de mágoas trumpista, que virá em cima das eleições presidenciais brasileiras "agarrado no ódio", louco para entregar o Brasil nas mãos do Flávio Rachadinha Bolsonaro, que certamente completará a obra do pai e entregará o Brasil de mão beijada aos Estados Unidos.

O noticiário pós desfile não fala em outra coisa. São pedidos de penalização vindos da tropa bolsonarista, ainda mais após a "fraquejada" da atual presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, que disse que o caso do desfile e da homenagem é uma "areia movediça", o que definitivamente não é coisa boa e botou gasolina na fogueira bolsonarista.

Que a homenagem ao presidente Lula e sua trajetória de vida é justíssima, talvez só bolsonaristas e assemelhados, que odeiam Lula e o PT por serem o que são, discordem. Mas, em ano eleitoral, certamente o MVDM vetaria.

Que não há crime na homenagem, a maioria dos juristas concorda. Mas maioria não significa totalidade, e alguns, incentivados por uma intensa campanha das mídias, pode encontrar uma "pedalada carnavalesca", que será julgada pelos futuros presidente e vice do TSE, que assumem os cargos em setembro: ministros Nunes Marques e André Mendonça, ambos bolsonaristas, comandantes do TSE durante as eleições.

Definitivamente um caso para o Ministério do Vai Dar Merda de Chico Buarque, infelizmente ainda não criado por Lula.

 



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Gilmar e o enjaulado vencedor do Troféu Carnaval 2026



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Professor viraliza ao comparar sua vida com a de Bolsonaro na Papudinha

O professor e artista que usa o perfil @doantidoto no Instagram reage com indignação ao mimimi da família Bolsonaro, que chega ao absurdo de comparar a prisão do criminoso ex-presidente a tortura, e a postagem viraliza, com mais de 650 mil views.

Todo dia é Michelle de um lado, Flávio de outro, o traidor foragido Eduardo lá fora e principalmente Carluxo, que chora o dia todo, todo dia no X para manter o nome da família em evidência até as eleições, onde esperam se eleger e continuar a viver às custas do dinheiro público, como viveram e vivem a vida inteira. 

Flávio Rachadinha Bolsonaro, escolhido pelo pai para enfrentar Lula, chegou a estranhar e denunciar como absurdo o fato do pai estar trancado à chave na cela, como se não entendesse o sentido de prisão.

 



Em seu perfil no Instagram, o educador propõe um olhar diferente, que se faça comparação não com a vida de Bolsonaro com a de outros prisioneiros, porque seria até covardia, com presos se amontoando em triliches, onde dormem dois em cada andar, enquanto outros ainda dormem no chão, em celas superlotadas.  

Em vez disso, o educador compara as acomodações de Bolsonaro na Papudinha a seu apartamento e as mordomias de que desfruta o criminoso condenado a 27 anos e três meses de prisão às dificuldades do seu dia a dia.

"A área da prisão dele é de 65 metros quadrados. Só para ele, eu divido um apartamento de menos da metade desse espaço com mais uma pessoa e dois cachorros.

Ele recebe cinco refeições por dia. Eu como um pouco aqui, um pouco ali, porque é o que dá tempo de fazer. Ele tem um posto de saúde com dois médicos, três enfermeiros, dois dentistas, um assistente social, dois psicólogos, um fisioterapeuta, três técnicos em enfermagem, um psiquiatra e um farmacêutico.

Eu tenho uma caixinha de remédios e outra com chá de camomila, hortelã e boldo. Ele tem 10 metros quadrados de área externa privativa, eu não tenho nenhum. Ele não precisa trabalhar para ficar lá, eu preciso me matar trabalhando para ficar aqui."

Confira a íntegra:

 

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Como o poeta Drummond curtiu o Carnaval entre uma baiana e uma egípcia


Nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, passou pela vida com a imagem de homem silencioso, funcionário público exemplar, que guardava farras e libações para a poesia.

Somente após sua morte ficamos sabendo que o poeta teve um chamado caso extra conjugal por décadas com uma bibliotecária, revelando assim até onde ia seu amor pela literatura e pelos livros.

Drummond também escreveu uns poemas eróticos, lançados, a pedido dele, apenas após sua morte. Foram reunidos em livro, O Amor Natural. Dele, dois poemas:

Poemas eróticos de Drummond

Amor - pois que é palavra essencial 

Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.


A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Drummond em Copacabana

Hoje o poeta está imortalizado numa estátua, de costas para o mar de Copacabana, onde observa a passagem do tempo e serve de motivo para inúmeras fotos de um povo que homenageia seu poeta e até de outros que buscam consolo no colo frio da estátua, agasalhando-se no volo do poera, como na imagem acima.

Drummond também se viu metido num Carnaval, pelo menos em poesia, entre uma baiana e uma egípcia que o deixaram perdido:

 

Um Homem E Seu Carnaval
 

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito,
mas ninguém percebe.

Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

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