Não bastassem as famigeradas Estátuas da Liberdade fakes das lojas Havan do catarinense Luciano Hang espalhadas pelo Brasil, agora parece que o estado de Santa Catarina quer ser uma réplica dos Estados Unidos sob Trump, com perseguição aos "estrangeiros" e uma policia violenta e intimidatória, ao estilo do ICE — a violenta e assassina patrulha nazista de Trump que prende e expulsa imigrantes.
O prefeito da capital do estado, Florianópolis, Topázio Neto (PSD), é um que expulsa migrantes na entrada da cidade, com um posto de controle na Rodoviária.
No vídeo divulgado em suas redes sociais, Topázio anuncia que agora a rodoviária de Florianópolis possui uma estação de controle das pessoas que chegam à cidade e que aquelas que não tiverem vínculo com a região são barradas e “devolvidas” para seu local de origem.
“Para garantir o controle de quem chega, instalamos aqui um posto avançado da nossa assistência social. Se chegou sem emprego e local para morar, a gente dá a passagem de volta”, anuncia o prefeito.
“Mais de 500 pessoas já foram devolvidas pelo trabalho dessa equipe e devemos reforçar ainda mais no verão. Não podemos impedir ninguém de tentar uma vida melhor em Florianópolis, mas precisamos manter a ordem e as regras. Quem aqui desembarcar deve respeitar as nossas regras e a nossa cultura. Simples assim”.
O prefeito é apoiado pelo "Véio da Havan", o empresário Luciano Hang, que apoia prefeitos de Santa Catarina que estão expulsando pessoas em situação de rua de seus municípios, o que é ilegal.
“Quero compartilhar com vocês algumas verdades que a Globo não mostrou no Fantástico de ontem. Aproveito e deixo a minha solidariedade aos municípios catarinenses que foram expostos de forma sensacionalista em rede nacional.
Santa Catarina mostra que fazer o certo, dá certo. Somos o estado mais seguro do Brasil, temos o menor índice de desemprego do MUNDO. Quem quer trabalhar e mudar de vida será bem-vindo. Quem não pensa assim… nem precisa vir pra cá.
Precisamos, sim, de medidas duras e firmes para coibir a criminalidade e levar oportunidades verdadeiras para mudar de vida. Se nada for feito, logo iremos virar o Rio de Janeiro, sede da Rede Globo e onde mora o “especialista” da UERJ, entrevistado na matéria. Lá, o crime toma conta e nada pode ser feito para combater” — escreveu o dono das lojas Havan.
"Patriota" que se veste de verde e amarelo, mas ostenta em suas lojas réplicas gigantes da Estátua da Liberdade, Hang se esquece que o público de suas lojas não é exatamente a classe A. Esquece-se mais, que o estado de Santa Catarina foi formado com a ajuda do governo brasileiro, que deu terras e recebeu de braços abertos imigrantes de vários países europeus, que hoje formam essa branquitude racista, que defende uma meritocracia subsidiada e ensaia aqui e ali um movimento separatista.
Colonização do Sul do Brasil
O “povoamento” do Sul foi feito por imigrantes principalmente do que hoje é a Alemanha e a Itália, mas também são relevantes as comunidades de origem polonesa, ucraniana e russa.
“A questão não é quem colonizou, mas o modo de colonização que foi feito”, diz à BBC News Brasil o historiador Sergio Ribeiro Santos, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Autor do livro A Política de Colonização do Império, o historiador Paulo Pinheiro Machado, professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca que os imigrantes europeus ganharam terras cedidas pelos governos — primeiro durante o Império e depois na República.
Além disso, as autoridades forneceram auxílio e subsídios para a instalação desses colonos nos primeiros meses de chegada, aponta o historiador.
Foram produzidos ainda manuais para que esses europeus entendessem que lavrar a terra brasileira significava trabalhar em outras condições.
O próprio Machado, por exemplo, encontrou um material escrito por um engenheiro francês que dizia: “Esqueça tudo o que você sabe sobre agricultura europeia”.
O professor explica que os imigrantes europeus se apropriaram de técnicas dos povos nativos do Brasil e também de descendentes de levas migratórias anteriores.
“Ao invés de insistir [em teses que se baseiam] no supremacismo, a pesquisa atual vem notando que [o sucesso dessa imigração é porque] houve um aprendizado mútuo entre imigrantes europeus e a população nacional”, comenta o historiador.
A PM estilo ICE
Acontecimentos recentes mostram que até na violência policial Santa Catarina quer imitar os Estados Unidos de Trump.
Um tapa no rosto de uma mulher imobilizada no chão. Um joelho pressionado contra o pescoço de um jovem algemado. Em um intervalo de menos de 24 horas, Santa Catarina foi palco de duas cenas de barbárie policial que expõem, de forma crua, o que especialistas em segurança pública vêm alertando há meses: a sensação de “liberou geral” nas abordagens da Polícia Militar do estado de Santa Catarina.
Os casos ocorreram neste sábado (7) em Florianópolis e em Braço do Norte, no sul do estado. Ambos foram registrados em vídeo por testemunhas, furando o bloqueio das versões oficiais que, invariavelmente, alegam “desacato” ou “hostilidade”. As imagens, que circulam com força nas redes sociais, mostram o uso desproporcional da força não contra criminosos armados em confronto, mas contra civis em situações de convívio social e abordagens de rotina.
Esses episódios não são casos isolados, mas sintomas de uma política de segurança pública que removeu seus principais mecanismos de controle. Vale lembrar que Santa Catarina, sob a gestão do governador Jorginho Mello (PL), protagonizou o desmonte do programa de câmeras corporais da Polícia Militar no final de 2024.
Desde a suspensão dos equipamentos, justificada por supostos “problemas técnicos” e custos, mas politicamente alinhada à ideologia que vê a transparência como “entrave”, a letalidade policial disparou. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que 2025 fechou com 96 mortes em ações policiais, um recorde que dobrou os índices de quatro anos atrás. Em Florianópolis, mortes em confrontos cresceram mais de 160% após a retirada das câmeras.
Sem o “olho digital” para inibir excessos ou proteger o bom policial, o que sobra é a palavra da farda contra a do cidadão e vídeos tremidos feitos por celulares de quem tem coragem de filmar.
Assista à covardia estilo ICE da polícia de Jorginho Melo.
Na comunidade do Monte Cristo, área continental de Florianópolis, mulher já está rendida, mas é deitada no asfalto, com o rosto pressionado contra o chão por um policial e recebe tapa violento no rosto. pic.twitter.com/lt1PYfFzDd
— Revista Fórum (@revistaforum) February 8, 2026
https://whatsapp.com/channel/0029VbBsQ5SLI8YSFXsdg92o
Apoie








