Mídia e mercado já escolheram com quem vão enfrentar Lula. E não é com Flávio Bolsonaro

Embora diga que foi ungido pelo pai e tenha razoável desempenho nas pesquisas recentes, após assumir a pré-candidatura à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro não empolga a direita —  exceto a bolsonarista —  e parece fazer a alegria da esquerda, que o vê como o candidato mais fácil de ser derrotado por Lula.

Parece que é o que pensam aqueles que pensam — todos os que não estão enquadrados na bolha bolsonarista...

Se Flávio não consegue animar nem o pastor Malafaia, como pretende vencer Lula?

É o que pensam mercado e mídia, que desde sempre têm um candidato preferido — o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas — e agora parecem convencidos de que a chapa para ser vencedora deve ter a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.

Michelle soma na chapa com Tarcísio por ser mulher — embora o estado governado por Tarcísio seja o líder em feminicídios — , por ser evangélica, mas, principalmente, por ser Bolsonaro.

Não é que mídia e mercado achem que Tarcísio de Freitas é grande coisa. Ele faz um péssimo governo em São Paulo, e só não é mais mal avaliado porque a mídia passa pano para sua incompetência e arrogância e seu servilismo a Bolsonaro e a Trump.

Já imaginaram o Brasil sob Tarcísio quando houve o tarifaço de Trump? Ele entregaria até as calças, imagine terras raras e Amazônia. Tudo apenas para ouvir de Trump que ele é um "nice guy"...

O que mercado e mídia querem de Tarcísio

O que mercado e mídia querem de Tarcísio é aquilo que ele pode performar melhor: privatizações. Como ele vibrou ao bater o martelo da venda da Sabesp! Uma, duas, três...várias vezes, até quase quebrar o martelo.

Não importa que a conta de água tenha subido, São Paulo tenha ficado sem água durante as festas de Natal e Ano Novo, e muitas pessoas recebam apenas água suja quando a recebem. Para mídia e mercado isso não é problema (Telejornal da Globo chegou a dizer que o aumento na conta de água em São Paulo poderia ser benéfico, já que diminuiria o consumo e sobraria mais água nos reservatórios quase secos).

O que importa é que Tarcísio privatizou com gozo. E terá maior prazer ainda em fazer o que mercado e — seu porta-voz — mídia mais querem: privatizar Banco do Brasil, Caixa Econômica e a joia da coroa — Petrobras.

Não importa que isso venha incendiar o país. Tarcísio vai fazer valer sua formação de militar e experiência no massacre de Cité Soleil no Haiti para mandar baixar o sarrafo nos manifestantes e fazer viger até uma GLO, ou um estado de sítio, ou mesmo um golpe de Estado, que Bolsonaro tentou, mas não concluiu.

Para isso eles confiam no Tarcísio.

Mídia, mercado e Flávio Bolsonaro...

Como mídia — Rede Globo, O Globo, Estadão, Folha — vão defender um candidato, que eles mesmos denunciaram em suas páginas e edições como o Flávio Rachadinha, associado a milicianos e assassinos, com repercussão internacional?

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MP denuncia Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz por esquema da ‘rachadinha’ na Alerj 

O Ministério Público do Rio acusa Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outros 15 investigados de participar do esquema de corrupção conhecido como ‘rachadinha’, em que o parlamentar fica com parte dos salários dos funcionários.

O jornal O Globo revelou nesta quarta-feira (4) que uma antiga assessora de Flávio confessou aos promotores a prática da ‘rachadinha’.

A reportagem revelou o depoimento que Luiza Sousa Paes deu ao Ministério Público em setembro. Ela admitiu que nunca atuou como funcionária de Flávio Bolsonaro e contou que era obrigada a devolver mais de 90% do salário. 

As investigações começaram em 2018 depois que um relatório do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, identificou movimentações suspeitas na conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, quando Flávio era deputado estadual. Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.  [Jornal Nacional, 4/11/2020]

'Rachadinha' aumentou patrimônio de Flávio Bolsonaro em R$ 1 milhão, diz Promotoria

O patrimônio ilícito acumulado pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entre 2010 e 2014 por meio da "rachadinha" somou quase R$ 1 milhão, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro.

O valor consta na denúncia apresentada na última semana ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio contra o filho do presidente Jair Bolsonaro e se refere à diferença entre as despesas da família do senador e a renda declarada pelo casal no período.

O MP-RJ identificou que o casal não teria como explicar gastos que somam R$ 977,6 mil no intervalo de cinco anos. Boa parte deles foi feito por meio de pagamento em dinheiro vivo ou a partir das contas do casal após serem abastecidas por depósitos em espécie. [Folha, 8/11/2020]

Organização criminosa, peculato por 1.803 vezes e 263 atos de lavagem: veja todas as imputações a Flávio Bolsonaro, Queiroz e mais 15 pelas 'rachadinhas' na Alerj

Após dois anos de apurações marcados por quebras de sigilo, diversas diligências e uma prisão emblemática, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro, o assessor parlamentar Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas, descrevendo 1.803 crimes de peculato e 263 atos de lavagem de dinheiro envolvendo o esquema de 'rachadinha' instalado no ex-gabinete do filho '01' do presidente na Assembleia Legislativa fluminense. A promotoria detalha a estrutura da organização criminosa que Flávio é acusado de liderar e frisa que as investigações não cessaram, podendo chegar a outros crimes e envolvidos.

Na peça de 290 páginas apresentada ao desembargador Milton Fernandes de Souza - que se tornou relator do caso Queiroz no órgão especial do Tribunal de Justiça fluminense após uma série de recursos apresentados pela defesa do senador para prorrogar o direito ao foro privilegiado - a Procuradoria aponta que a organização criminosa comandada por Flávio Bolsonaro, desviou R$ 6.100.091,52 dos cofres da Assembleia Legislativa do Rio, mediante desvio de pagamentos em favor de doze 'funcionários fantasmas'.

Dos valores desviados, ainda segundo o MPRJ, R$ 2.079.149,52 foram comprovadamente repassados' para a conta bancária de Fabrício Queiroz, o faz-tudo da família Bolsonaro e apontado como operador financeiro do esquema das 'rachadinhas'. Já R$ 2.154.413,45 foram disponibilizados à organização criminosa mediante saques elevados de dinheiro em espécie 'na boca do caixa'.

A participação dos denunciados, por sua vez, é dividida em três núcleos na acusação: político, operacional e executivo. O primeiro tem como figura única Flávio Bolsonaro, suposto líder da organização criminosa com poderes para nomear e manter pessoas em cargos de comissão em troca do repasse de parte dos salários dos mesmos. [Estadão, 11/11/2020]

Denúncia contra Flávio Bolsonaro aponta que miliciano Adriano era parte do esquema de 'rachadinha'

A denúncia do Ministério Público contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) afirma que o miliciano Adriano da Nóbrega também era parte do esquema da "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), como mostrou o Jornal Nacional nesta sexta-feira (6).

Segundo a investigação, em 2007, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro nomeou Danielle Mendonça da Costa, mulher do ex-policial militar Adriano, assessora parlamentar. Naquele mesmo ano, Flávio contratou – também como assessor parlamentar – Fabrício Queiroz, que está em prisão domiciliar e é apontado como o operador do esquema.

Acusado de comandar um grupo de extermínio e de ter ligação com a milícia no Rio, Adriano foi morto na Bahia em fevereiro deste ano, em troca de tiros com a polícia. [G1, Globo, 6/11/2020]




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Fontes de Malu Gaspar implicam diretor do BC no caso Master. Ele nega

A Denúncia de Malu Gaspar: O elo Banco Central, Master e BRB

As fontes transbordantes da jornalista de O Globo Malu Gaspar, que foram secando nos ataques ao ministro Alexandre de Moraes, agora partem para cima de um diretor do Banco Central. A informação é categórica, direta e fulminante já no título:

"Diretor do BC pediu a presidente do BRB que comprasse carteiras fraudadas do Master"

Segundo a jornalista, três fontes (contra Moraes foram seis), não apenas informaram, viram o diretor do Banco Central Ailton Aquino pedir ao Banco de Brasília que comprasse carteiras furadas do Master.

De acordo com fontes e documentos obtidos pela equipe da coluna, Aquino enviou mensagens ao então presidente do banco estatal de Brasília, Paulo Henrique Costa, pedindo que adquirisse os créditos para ajudar o Master a resolver seus problemas de liquidez.

Em pelo menos uma vez, as mensagens de Aquino a Ailton foram apresentadas aos conselheiros do BRB. Foi durante a reunião do conselho de 25 de março de 2025, que também aprovou a oferta de compra de 58% das ações do Master por R$ 2 bilhões.

Na reunião, os conselheiros sugeriam suspender as compras de Master que vinham fazendo, quando teriam sido interrompidos pelo presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que teria mostrado aos presentes mensagens de WhatsApp em que o diretor do BC Ailton Aquino "pedia a Costa para comprar mais R$ 300 milhões de créditos do Master. O presidente do BRB, porém, disse que só teria R$ 270 milhões disponíveis". 

Diretor do BC contesta Malu Gaspar

O diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, negou veementemente o que está afirmado na coluna de Malu Gaspar e mais, colocou à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) as suas informações bancárias, fiscais e os registros de conversas que realizou com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. 

O Banco Central emitiu uma nota, também em resposta à coluna da jornalista, onde afirma que Aquino foi "responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras".

Também a área de Aquino que informou ao Ministério Público das inconsistências descobertas. Por fim, a nota confirma a abertura do sigilo do diretor Ailton Aquino.

Confira a íntegra da nota do BC:

Nota do Banco Central

A propósito de notícias relacionadas a cessões de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB, o Banco Central informa que, sob o comando do Diretor Ailton de Aquino Santos, a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras.

Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas. Na sequência, com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB, a área de Supervisão, sob orientação do mesmo Diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB, sendo do próprio Diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados.

Portanto, o Diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas.

O Banco Central tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando a assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores. No exercício desse mandato, a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.

Compete a cada instituição financeira, conforme a legislação em vigor, a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios.

Por fim, imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o Diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente.



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Gilmar e o aviso na estrada de Minas a Brasília



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Puxado por São Paulo de Tarcísio, feminicídio bate recorde no Brasil em 2025

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas parece te alguma coisa contra as mulheres. Primeiro, nomeou para a Secretaria da Mulher a vereadora bolsonarista raiz Sonaira Fernandes. Seu cartão de visitas pode ser resumido nessa postagem do X, onde escreveu: 

"O feminismo é a sucursal do inferno. Quem se diz feminista e cristã está servindo ao Satanás e seus demônios."


 

Com três meses à frente da Secretaria, os feminicídios no estado aumentaram 24% e os estupros tiveram alta de 5%.

O orçamento total da pasta aparecia com um total de quase R$ 800 milhões, mas o valor estava atrelado ao Departamento Hidroviário, ao Departamento de Estradas de Rodagem e à Companhia Docas de São Sebastião, todas da antiga Secretaria de Transporte e Logística.

A única ação que tinha alguma relação com a Secretaria da Mulher, educação em direitos humanos e cidadania, tinha um orçamento previsto de R$ 10.

Em 2023, a pasta utilizou apenas 3% do previsto para investir em delegacias da mulher 24 horas, que passaram a ter atendimento apenas online. O orçamento disponibilizava R$ 24 milhões para a rubrica, mas apenas R$ 675,5 mil foram empenhados durante todo o ano passado.[G1]
Com esse perfil, conseguiu ficar à frente da Secretaria até abril de 2024, quando, reclamando de falta de verbas, voltou à Câmara Municipal.

Tarcísio a substituiu pela deputada estadual Valéria Bolsonaro. O nome diz tudo. Valéria é casada com um primo do ex-presidente machista, misógino e condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes conexos.

Como legítima Bolsonaro, em seus seis anos de atuação na Assembleia Legislativa de Sao Paulo não apresentou um projeto sequer em defesa das mulheres e se diz contra a tal "ideologia de gênero", ficção bolsonarista desenvolvida junto ao kit gay e a mamadeira de piroca.

Não bastassem as nomeações, Tarcísio vem cortando sistematicamente verbas da Secretaria da Mulher, de saída sempre insignificantes.

A deputada Erika Hilton, em seu perfil na Rede X, traça um retrato do modo Tarcísio de governar para (ou contra?) as mulheres:

O estado de SP bateu recorde de violência contra a mulher e de FEMINICÍDIOS neste ano.

E isso não é por acaso.

Tarcísio de Freitas corta ou congela, todo ano, o investimento em proteção às mulheres.

Já a Lei das Delegacias da Mulher 24 horas está sendo completamente IGNORADA.

Das 141 Delegacias da Mulher de São Paulo, apenas 18 cumprem a Lei e funcionam ininterruptamente.

Em 2024, Tarcísio de Freitas congelou >96%< da verba de combate à violência contra a mulher.

Neste ano, 2025, após Tarcísio propor um orçamento apenas R$ 10 milhões para a Secretaria da Mulher, ser derrotado na ALESP e ser aprovado um novo orçamento de R$ 36 milhões, Tarcísio congelou R$ 20 MILHÕES desse novo orçamento.

Para o ano que vem, 2026, Tarcísio aprovou uma orçamento no qual metade do congelamento deste ano vira um corte definitivo, o que fez a Secretaria da Mulher perder mais R$ 10 MILHÕES.

O crescimento da violência contra a mulher no Estado de São Paulo não é apenas uma tragédia. É resultado do PROJETO POLÍTICO do governador Tarcísio de Freitas.

Tarcísio e as nomeações de Derrite e Bolsonaro

Quando o governador Tarcísio escolheu para seu Secretário de Segurança Gustavo Derrite, um policial que foi expulso da Rota, tida como a polícia mais mortal do Brasil, por excesso de letalidade, deu um sinal à tropa.

Derrite ficou conhecido por afirmar que um policial que estiver na rua durante três anos e não tiver matado pelo menos três é "vergonhoso".

Tarcísio e o aumento da violência policial

Resultado: a tropa entendeu que tinha licença para matar e São Paulo, cujos índices de violência policial vinham em queda, aumentaram ano a ano após a chegada da dupla Tarcísio-Derrite ao poder e bateu recorde de letalidade policial nos último anos, com um resultado 64% maior ano passado que no anterior.

Tarcísio e o aumento do feminicídio

O mesmo acontece com a nomeação da bolsonarista Valeria Bolsonaro e a falta de verbas: São Paulo puxou a fila no recorde de feminicídios no Brasil com 233 mulheres assassinadas, quase o dobro da segunda colocada. E ainda faltam os números de dezembro do estado, que ainda não foram computados.

gráfico com os números

Portanto, com os números de dezembro, São Paulo pode vir a ter o dobro de feminicídios do Rio de Janeiro, o segundo colocado.

Tarcísio vira alvo do MP

Diante desse cenário, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) do MPF instaurou inquérito para apurar se houve omissão do poder público estadual. Entre os pontos investigados estão a redução de verbas para a Secretaria de Políticas para a Mulher e para as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), além da baixa execução orçamentária.

Levantamentos indicam que, em 2025, o governo Tarcísio executou apenas 28% do orçamento previsto para a Secretaria de Políticas para a Mulher até setembro. Dos R$ 38,2 milhões disponíveis, apenas R$ 10 milhões foram efetivamente liquidados. A pasta começou o ano, inclusive, com um orçamento mais de 50% menor do que o de 2024.

Dados apresentados pela deputada federal Erika Hilton ao Tribunal de Contas do Estado apontam ainda cortes de R$ 5,2 milhões nas DDMs e uma proposta orçamentária para 2026 54,4% menor do que a de 2025.

A promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, classifica o cenário como desperdício.

“É um grande desperdício ter orçamento e não utilizá-lo quando há possibilidade de criar programas importantes. Se a pasta tiver orçamento, ele precisa ser executado”, afirma.

Prioridades do governo e contraste com outros órgãos

Enquanto áreas como Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça e Tribunal de Contas tiveram 100% de seus recursos liberados, a Secretaria de Políticas para a Mulher enfrentou contingenciamentos, cortes e execução mínima. Programas centrais, como Empreenda Mulher e Emprega Mulher, tiveram seus recursos reduzidos pela metade e nenhum valor foi efetivamente investido até agora.

Áreas estratégicas também mostram execução irrisória: materiais de consumo tiveram apenas R$ 34 mil liquidados de R$ 10 milhões previstos, e auxílios e investimentos ficaram praticamente paralisados.

Impacto direto nas vítimas

A consequência dessa política se reflete na vida de mulheres como Joana, de 26 anos, vítima de violência doméstica. Proibida de trabalhar e agredida pelo ex-companheiro, ela afirma que não conseguiu acessar programas estaduais e só rompeu o ciclo de violência com apoio de uma ONG.

“Sabia que existiam programas, mas não conseguia acessar. Foi uma instituição não governamental que me acolheu”, relata.

Governo se defende

Em nota, o governo de São Paulo afirmou que foi notificado pelo MPF e diz que adotou uma política intersecretarial inédita, destacando investimentos, ampliação das DDMs, uso de tornozeleiras eletrônicas, o aplicativo SP Mulher Segura e a criação das Casas da Mulher Paulista. A gestão também sustenta que a maior parte da execução orçamentária ocorre no segundo semestre.

O MPF, no entanto, segue analisando os dados já que as medidas não foram suficientes para conter a escalada da violência.

Lei mais dura, políticas frágeis

Em âmbito federal, o presidente Lula (PT) sancionou em 2024 a lei que aumentou a pena do feminicídio para 20 a 40 anos de prisão, além de endurecer punições para ameaça, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. Especialistas, porém, alertam que penas mais altas não substituem políticas preventivas, investimento contínuo e presença efetiva do Estado.

 

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Aroeira e Trump com uma nova versão de um clássico da comédia



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Caco Barcellos: Quem mata mais? O bandido, a polícia ou o "cidadão de bem"?

Numa entrevista ao podcast "Papo Desprogramado", o jornalista Caco Barcellos, um dos mais importantes e respeitados repórteres do país, fez uma surpreendente afirmação sobre os assassinatos no Brasil.

Mas, antes de ler o resto da matéria, faça a si mesmo a pergunta do título: Quem mata mais?

  1. O bandido
  2. A polícia
  3. O chamado cidadão de bem

E, já que está refletindo, em que proporção entre o total de crimes?

Caco Barcellos afirma que que os ditos bandidos, os assaltantes, traficantes são responsáveis, por exemplo no Rio de Janeiro, por 4% das mortes. Apenas 4%.

Em segundo lugar, segundo o repórter, vêm os policiais. No Rio de Janeiro, tradicionalmente era 20%. Mas desde a intervenção federal, comandada pelo general criminoso, hoje condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, Walter Braga Neto, o número de mortes por policiais passou a ser de 30%. E não baixou mais de lá para cá.

Logo, 4% mais 30%= 34%. E os outros 66%?

Isso mesmo. Os maiores assassinos são os "cidadãos de bem", que respondem por 66% de todas as mortes no Rio de Janeiro. 

E o que é pior, segundo Caco Barcellos, é constatar que "os idealistas da violência, os que propagam a violência, a chamada bancada da bala, por exemplo, eles descobriram, é muito triste falar isso, acho profundamente triste, que matar ganha voto".

Exemplo disso é o caso do governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, que estava com a popularidade no chão e decolou com a chacina no Complexo da Penha-Alemão, com 125 mortes.

Assista à entrevista completa de Caco Barcellos:

 



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Trump. Quando o mundo vai dizer que o rei está nu e louco e reagir a seus disparates?

 

Trump está nu. E essa é uma visão horrível

Passou da hora de o mundo reagir a um homem visivelmente desequilibrado mentalmente soltar seus disparates e agir como se fosse o imperador do mundo.

É visível que o Cenourão, ou Cheetos, como  chamam pejorativamente por aqui o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, não está com a cabeça em dia.

O crime cometido contra a Venezuela, com invasão, bombardeio — que matou mais de 100 pessoas — e sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa Cilia Flores numa ação espetacular, lhe subiu à cabeça e seus delírios de grandeza se intensificaram e intensificam dia a dia, já que não encontra resistência.

Trump já foi diagnosticado como narcisista maligno, antes de ser eleito pela primeira vez presidente dos Estados Unidos, em 2016. Foi uma catástrofe. Teve atuação similar à de Jair Bolsonaro — o que é ofensa para ninguém botar defeito — na resposta à pandemia da Covid 19, que teve como resultado ambos os países serem os campeões mundiais de mortes pela Covid.

Enquanto o narcisista comum é apenas apaixonado pela própria imagem, como o mito que o inspira, o narcisista maligno quer que os outros o reconheçam como o todo-poderoso, o mais lindo, mais inteligente, mais forte, mais tudo, "de um jeito ou de outro", como Trump diz a respeito da Groenlândia vir a ser parte dos EUA.

Trump expôs correspondência particular do presidente da França, Macron, ridicularizando-o. Humilhou Zelensky e representantes da África do Sul na Casa Branca.

Impôs tarifas ao mundo, inclusive ao Brasil, por motivos totalmente fora da realidade, de ¨vozes de sua própria cabeça", como os paranoicos, apenas para mostrar poder, que impõe tarifas porque pode, é poderoso.

O narcisista maligno também é perverso, gosta de infligir dor aos outros, de impor sofrimento aos que não o bajulem. Aliás, gosta de ser bajulado, mas odeia os bajuladores com a mesma força.

Agora está ameaçando uma guerra mundial apenas porque cismou que a Groenlândia tem que pertencer aos Estados Unidos. Mesmo que a Groenlândia seja contra. Que a Dinamarca seja contra. A Europa seja contra.  A OTAN seja contra. Não importa. Ele diz que vai ser nem que seja preciso usar de força e romper de vez o equilíbrio meia boca do mundo.

Ameaça o Irã, a China, a Rússia, e até o gato da piada do bêbado e seu ratinho —  que outro dia eu conto.

Não vai haver um líder mundial para propor a interdição de Trump ou um boicote mundial aos Estados Unidos?

Que tal um "Não vai ter Copa" nos EUA? Não compraremos nem venderemos nada aos Estados Unidos enquanto Trump for presidente ou, ao menos, entrar no modo 'suspenso", com alguém intervindo para seu afastamento?

Que os Estados Unidos voltem a ser o país escroto que sempre foram, mas pelo menos que voltem a usar de hipocrisia, que como dizem, "é a homenagem que o vício presta à virtude", citação famosa do pensador francês François de La Rochefoucauld.

O que não dá é para esperar que ele cause uma catástrofe mundial para, aí sim, apeá-lo do poder.

Pode ser tarde demais.

Pode não ter ninguém por aqui para fazê-lo.


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Céllus e a leitura de Bolsonaro na Papudinha



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