quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Nova Vaza Jato mostra que medo de crise no sistema e de perder a boquinha das palestras barrou investigação contra grandes bancos



Vaza Jato revela por que a Lava Jato nunca investigou os grandes bancos


Nova reportagem da Vaza Jato, desta vez numa parceria entre o Intercept e o El País, mostra que Deltan Dallagnol faturou, e muito, com palestras para grandes bancos.

Mostra também que os procuradores, tão valentes em destruir a reputação do melhor presidente da história do Brasil, segundo pesquisa popular, e em destruir nossas gigantes empreiteiras, em benefícios das estadunidenses, tinham medo do tamanho dos bancos, do risco de uma grande crise.

Como poderiam ter medo de crise, se eles provocaram com medidas espetaculares, prisões de cinema, a paralisação e a comoção no país?
Nada disso, o medo que eles tinham é de que o poder dos bancos, que são quem no fim e no fundo mandam no Brasil e no mundo (o Mercado), desse um basta na Lava Jato. E também o medo de perder umas palestras bem remuneradas para chegar aos 400k, não é, Dallagnol?
“O Banco, na verdade os bancos, faturaram muuuuuuito com as movimentações bilionárias dele”. A frase é do procurador Roberson Pozzobon, da força-tarefa de Curitiba da Operação Lava Jato, escrita numa troca de mensagens com seus colegas em 16 de outubro do ano passado. Pozzobon se refere às movimentações financeiras do empresário e lobista Adir Assad, condenado por lavagem de dinheiro, acusado de envolvimento em diversos escândalos de corrupção, incluindo o da Petrobras. Em conversas pelo Telegram, obtidas pelo The Intercept e analisadas em conjunto com o EL PAÍS, os procuradores debatiam o caso de Assad. Eles sabiam que o doleiro havia aberto uma conta no Bradesco nas Bahamas para lavar dinheiro “a rodo”. E que, em 2011, o Compliance Officer, setor responsável por fazer o banco cumprir normas legais, teria alertado o Bradesco de que havia algo errado com essa conta. “E o que o Bradesco fez?”, perguntou Pozzobon. “Nada”, ele mesmo responde.
Antes das negociações com Palocci, porém, os procuradores já levantavam a tese de que os bancos lucraram com a corrupção, preferindo o silêncio ao escrutínio de movimentações suspeitas, como mostra o diálogo no início deste texto. Embora a hipótese parecesse plausível, a força-tarefa estabeleceu como estratégia fazer acordos com essas instituições, em vez de investigá-las esmiuçando seu modus operandi, a exemplo do que foi feito com as empreiteiras. É o que se constata no documento “Ideias e Metas FTLJ 2017_2018” [imagem acima], enviado em um dos chats em 2016, que trazia um resumo das ações futuras para cercar as empreiteiras, bancos, doleiros e políticos. Nessa lista, constavam nomes, como o da ex-presidenta Dilma Rousseff e o de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da estatal Dersa e acusado de ser o operador financeiro do PSDB. Para empreiteiras, a meta era apresentar ações penais já que era “necessário responsabilizar todas as empresas”. No caso dos bancos, no entanto, descreve-se o objetivo de fazer acordos “a título de indenização por lavagem de dinheiro e falhas de compliance”. Essa opção, segundo conversa entre os procuradores, levava em conta o chamado "risco sistêmico", conceito financeiro que supõe um possível efeito dominó para a economia. [Leia a reportagem completa no El País]
Em maio de 2017, publiquei aqui no Blog este vídeo, onde estranhava o silêncio da Lava Jato sobre os bancos. Agora sabemos o porquê.






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