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Em vez de paz banqueiros pedem arrego diante de ameaças do presidente da Caixa de perderem negócios com governo Bolsonaro

Ontem, publiquei aqui que os banqueiros, que lucram como nunca, mesmo com (ou graças) a morte de quase 600 mil brasileiros e a miséria de 40 milhões, iriam lançar um manifesto hoje, ao lado de outros bilionários, pregando a pacificação do país, mas sem citar o ponto nevrálgico e razão primeira para que isso aconteça  o afastamento imediato de Jair Bolsonaro da presidência.

No entanto, tudo mudou. Bastou uma ameaça do presidente da Caixa para os bilionários mudarem de ideia e o manifesto miou.
O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ameaçou romper contratos do governo com as empresas que pensaram em assinar o manifesto em favor da democracia capitaneado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O texto pedia a pacificação da República e respeito entre os poderes. [IG]
A "valentia" dos bancos foi como aquela flor da canção que mal desabrochou e logo morreu... Ou, o que é mais provável, apenas mais uma chantagem em troca de novas vantagens.





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Nova Vaza Jato mostra que medo de crise no sistema e de perder a boquinha das palestras barrou investigação contra grandes bancos



Vaza Jato revela por que a Lava Jato nunca investigou os grandes bancos


Nova reportagem da Vaza Jato, desta vez numa parceria entre o Intercept e o El País, mostra que Deltan Dallagnol faturou, e muito, com palestras para grandes bancos.

Mostra também que os procuradores, tão valentes em destruir a reputação do melhor presidente da história do Brasil, segundo pesquisa popular, e em destruir nossas gigantes empreiteiras, em benefícios das estadunidenses, tinham medo do tamanho dos bancos, do risco de uma grande crise.

Como poderiam ter medo de crise, se eles provocaram com medidas espetaculares, prisões de cinema, a paralisação e a comoção no país?
Nada disso, o medo que eles tinham é de que o poder dos bancos, que são quem no fim e no fundo mandam no Brasil e no mundo (o Mercado), desse um basta na Lava Jato. E também o medo de perder umas palestras bem remuneradas para chegar aos 400k, não é, Dallagnol?
“O Banco, na verdade os bancos, faturaram muuuuuuito com as movimentações bilionárias dele”. A frase é do procurador Roberson Pozzobon, da força-tarefa de Curitiba da Operação Lava Jato, escrita numa troca de mensagens com seus colegas em 16 de outubro do ano passado. Pozzobon se refere às movimentações financeiras do empresário e lobista Adir Assad, condenado por lavagem de dinheiro, acusado de envolvimento em diversos escândalos de corrupção, incluindo o da Petrobras. Em conversas pelo Telegram, obtidas pelo The Intercept e analisadas em conjunto com o EL PAÍS, os procuradores debatiam o caso de Assad. Eles sabiam que o doleiro havia aberto uma conta no Bradesco nas Bahamas para lavar dinheiro “a rodo”. E que, em 2011, o Compliance Officer, setor responsável por fazer o banco cumprir normas legais, teria alertado o Bradesco de que havia algo errado com essa conta. “E o que o Bradesco fez?”, perguntou Pozzobon. “Nada”, ele mesmo responde.
Antes das negociações com Palocci, porém, os procuradores já levantavam a tese de que os bancos lucraram com a corrupção, preferindo o silêncio ao escrutínio de movimentações suspeitas, como mostra o diálogo no início deste texto. Embora a hipótese parecesse plausível, a força-tarefa estabeleceu como estratégia fazer acordos com essas instituições, em vez de investigá-las esmiuçando seu modus operandi, a exemplo do que foi feito com as empreiteiras. É o que se constata no documento “Ideias e Metas FTLJ 2017_2018” [imagem acima], enviado em um dos chats em 2016, que trazia um resumo das ações futuras para cercar as empreiteiras, bancos, doleiros e políticos. Nessa lista, constavam nomes, como o da ex-presidenta Dilma Rousseff e o de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da estatal Dersa e acusado de ser o operador financeiro do PSDB. Para empreiteiras, a meta era apresentar ações penais já que era “necessário responsabilizar todas as empresas”. No caso dos bancos, no entanto, descreve-se o objetivo de fazer acordos “a título de indenização por lavagem de dinheiro e falhas de compliance”. Essa opção, segundo conversa entre os procuradores, levava em conta o chamado "risco sistêmico", conceito financeiro que supõe um possível efeito dominó para a economia. [Leia a reportagem completa no El País]
Em maio de 2017, publiquei aqui no Blog este vídeo, onde estranhava o silêncio da Lava Jato sobre os bancos. Agora sabemos o porquê.






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Na contramão do Brasil e a serviço dos bancos, O Globo fabrica crise entre Febraban e governo. Pior para os bancos

Reprodução de capa de O Globo com suposta reação de bancos a Dilma
Mantendo sua tradicional postura a favor do mercado e contra qualquer política de governo em favor dos mais pobres, O Globo ontem lançou manchete tentando criar uma crise entre governo e bancos. Sua manchete, reproduzida ao lado, foi "Bancos reagem a Dilma e não garantem crédito maior".

Houve alguma declaração da Febraban ou dos bancos ou mesmo de algum banco nesse sentido? Não. A reportagem do jornal feita a partir da manchete retrata isso. Tudo se baseou num relatório produzido pelo economista-chefe da federação:


Intitulado "Informativo Semanal de Economia Bancária", o relatório é o resultado de uma consulta feita pela própria Febraban junto aos bancos sobre as principais estimativas dos bancos. No texto divulgado ontem, não há menção sobre a pressão do governo. O texto de Sardenberg diz que "a mudança nas regras da poupança funcionou como estímulo adicional para o mercado trabalhar com a expectativa de novos cortes na Selic". Mas, em seguida, pondera que a "questão que se coloca agora é até que ponto essas reduções (de juros e da remuneração da poupança) vão estimular a ampliação da oferta de crédito". Para a Febraban, o país vive hoje um paradoxo econômico, que funciona como obstáculo para os objetivos do Planalto. "A piora dos indicadores, especialmente os externos, abre espaço para quedas adicionais dos juros básicos, mas ao mesmo tempo parece impor uma cautela adicional aos agentes econômicos" [íntegra aqui].


Como se vê, não há reação alguma feita pelos bancos. Tudo ficaria por aí se O Globo não tivesse puxado o relatório para sua capa com uma manchete agressiva, dizendo que os bancos estavam reagindo ao governo.

Pior para os bancos. A presidenta, segundo contam, não teria ficado nem um pouco satisfeita e exigiu uma retratação da Febraban. E que fosse feita por escrito. A Febraban concordou e a nota foi emitida na tarde de ontem. Trecho (o destaque em negrito é meu):


A Diretoria de Economia da FEBRABAN produz o Informativo Semanal de Economia Bancária-Iseb há quatro anos. A edição de nº 140, divulgada na segunda-feira dia 7 de maio, trouxe uma análise da conjuntura do mercado de crédito baseada em dados e estatísticas públicos e na pesquisa sobre expectativas e projeções e opiniões dos analistas, que não podem ser interpretados como um posicionamento oficial da entidade ou de seus associados. [íntegra aqui]

Reprodução de capa de O Globo, com retratação da Febraban
Hoje, com o rabo entre as pernas, olha onde foi parar a manchete de ontem. Num cantinho envergonhado, com a retratação dos bancos, que, na verdade, deveria ser a retração de O Globo, que, na ânsia de agradar seus patrocinadores, quis ser mais realista que o rei e quebrou a cara.

O Brasil segue em frente, apesar das cascas de banana das Organizações Globo.