quarta-feira, 2 de setembro de 2020

7 de setembro: Dia da liberdade de informação. Ou de o mundo se curvar aos EUA e extraditar Assange. Documentário na íntegra


No dia 7 de setembro agora vai ocorrer uma audiência em Londres que pode definir o futuro do Julian Assange e o poder de os Estados Unidos interferirem nos países ao redor do mundo para imporem sua vontade.

Ali, será decidido se Assange, o fundador do Wikileaks, será deportado para os Estados Unidos, onde deve ser condenado a 170 anos de prisão por divulgar documentos que os Estados Unidos não queriam que o mundo ficasse sabendo.

Juan Passarelli fez um documentário, A Guerra Contra O Jornalismo: O Caso de Julian Assange, sobre o fundador do site WikiLeaks.
“O que pretendo fazer com o filme é simplesmente que as pessoas, que por alguma razão pensam que Assange não é uma boa pessoa ou que não merece seu tempo, tenham um documento fácil de compreender sobre o que realmente está acontecendo e o que aconteceu.”
Em cerca de 38 minutos, o longa - disponível de graça no YouTube - aborda desde a série de reportagens do WikiLeaks com informações contra os Estados Unidos, como crimes de guerra, espionagem, abusos de poder e pressões diplomáticas, publicada em 2010, até a situação em que Assange se encontra atualmente: preso na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, desde abril de 2019, à espera de um julgamento de extradição solicitada pelos EUA.
No dia 7 de setembro será realizada uma audiência, no Tribunal Criminal Central de Londres, sobre o processo de extradição do jornalista, “um dos julgamentos mais importantes atualmente”. Caso seja extraditado, Assange será julgado na Corte do Eastern District de Virgínia, conhecida “Corte da Espionagem” e famosa pela tradição de condenações. No total, o governo dos EUA apresentou 18 acusações referentes às publicações de 2010 e embasadas no argumento de que Assange violou segredos de segurança nacional com o objetivo de prejudicar a política externa dos EUA.
Na visão de Passarelli, Assange foi preso por fazer seu trabalho como jornalista. “O que está em risco aqui é o direito do mundo e das pessoas poderem ser informadas. Esse direito que todos temos de receber informações sobre o que fazem as pessoas que elegemos com nossos votos, com nossos impostos. Isso é o que Julian Assange revelou, o que estava acontecendo e por isso que está preso hoje em dia”, afirma Passarelli.
Entre as revelações, o site WikiLeaks publicou um manual de tortura do Exército dos EUA utilizado no centro de detenção Guantánamo. Também tornou público o registro de vítimas dos EUA na Guerra do Iraque, no qual os EUA reconhecem que 60% dos mortos foram civis. Um dos vazamentos que mais chocou o mundo foi a publicação de um vídeo no qual iraquianos são atacados com armas de fogo por um helicóptero americano, no dia 12 de julho de 2007 [vídeo a seguir. Aviso: as imagens são fortes]. 


Para Passarelli, os jornalistas têm o dever de revelar o que e como os governantes utilizam os recursos públicos, bem como o que decidem fazer com o voto do eleitorado. A perseguição contra jornalistas “é uma crescente que tem que parar com o caso de Julian Assange, porque se não podemos revelar, como jornalistas, o que os nossos governos fazem com nosso direito e voto, não temos democracia”.
Em um paralelo com a situação do jornalista Glenn Greenwald, após a publicação das reportagens no âmbito da Vaza Jato, o diretor afirma que é uma “cópia exata do caso de Julian Assange”.
“O perigo para os jornalistas é latente no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no resto do mundo quando querem fazer jornalismo que prejudica os interesses dos poderosos”, afirma Passarelli.
Segundo a defesa de Assange, uma eventual extradição para os EUA violaria o artigo 14 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que proíbe a medida se não há a garantia de que a pessoa receberá as garantias mínimas no processo penal. Para a defesa, tais garantias são inexistentes nos Estados Unidos. [Brasil de Fato]
Leia também:

» Bush defende a tortura. Bush defende a tortura.[com imagens divulgadas pelo Wikileaks]

A seguir, assista ao documentário de Passarelli. Informe-se sobre quem é Assange, qual a sua importância e a necessidade de impedir sua extradição.

DICA PARA ASSISTIR VÍDEO NO YOUTUBE EM QUALQUER IDIOMA

O vídeo está em inglês, mas se você não domina o idioma pode muito bem quebrar o galho com a tradução simultânea. Basta fazer o seguinte.

Dê uma olhada na imagem lá acima, que é um print da transmissão do YouTube. Repare que há um círculo azul em volta de uma engrenagem, no canto inferior direito.

Agora procure a mesma engrenagem no vídeo abaixo. Clique na engrenagem. Clique em Legendas. Clique em Inglês (gerada automaticamente). Clique de novo em inglês.  Clique em Traduzir Automaticamente. Escolha Português.

Isso vale para todos os vídeos do YouTube, e para a maioria dos idiomas.





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