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7 de setembro: Dia da liberdade de informação. Ou de o mundo se curvar aos EUA e extraditar Assange. Documentário na íntegra


No dia 7 de setembro agora vai ocorrer uma audiência em Londres que pode definir o futuro do Julian Assange e o poder de os Estados Unidos interferirem nos países ao redor do mundo para imporem sua vontade.

Ali, será decidido se Assange, o fundador do Wikileaks, será deportado para os Estados Unidos, onde deve ser condenado a 170 anos de prisão por divulgar documentos que os Estados Unidos não queriam que o mundo ficasse sabendo.

Juan Passarelli fez um documentário, A Guerra Contra O Jornalismo: O Caso de Julian Assange, sobre o fundador do site WikiLeaks.
“O que pretendo fazer com o filme é simplesmente que as pessoas, que por alguma razão pensam que Assange não é uma boa pessoa ou que não merece seu tempo, tenham um documento fácil de compreender sobre o que realmente está acontecendo e o que aconteceu.”
Em cerca de 38 minutos, o longa - disponível de graça no YouTube - aborda desde a série de reportagens do WikiLeaks com informações contra os Estados Unidos, como crimes de guerra, espionagem, abusos de poder e pressões diplomáticas, publicada em 2010, até a situação em que Assange se encontra atualmente: preso na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, desde abril de 2019, à espera de um julgamento de extradição solicitada pelos EUA.
No dia 7 de setembro será realizada uma audiência, no Tribunal Criminal Central de Londres, sobre o processo de extradição do jornalista, “um dos julgamentos mais importantes atualmente”. Caso seja extraditado, Assange será julgado na Corte do Eastern District de Virgínia, conhecida “Corte da Espionagem” e famosa pela tradição de condenações. No total, o governo dos EUA apresentou 18 acusações referentes às publicações de 2010 e embasadas no argumento de que Assange violou segredos de segurança nacional com o objetivo de prejudicar a política externa dos EUA.
Na visão de Passarelli, Assange foi preso por fazer seu trabalho como jornalista. “O que está em risco aqui é o direito do mundo e das pessoas poderem ser informadas. Esse direito que todos temos de receber informações sobre o que fazem as pessoas que elegemos com nossos votos, com nossos impostos. Isso é o que Julian Assange revelou, o que estava acontecendo e por isso que está preso hoje em dia”, afirma Passarelli.
Entre as revelações, o site WikiLeaks publicou um manual de tortura do Exército dos EUA utilizado no centro de detenção Guantánamo. Também tornou público o registro de vítimas dos EUA na Guerra do Iraque, no qual os EUA reconhecem que 60% dos mortos foram civis. Um dos vazamentos que mais chocou o mundo foi a publicação de um vídeo no qual iraquianos são atacados com armas de fogo por um helicóptero americano, no dia 12 de julho de 2007 [vídeo a seguir. Aviso: as imagens são fortes]. 


Para Passarelli, os jornalistas têm o dever de revelar o que e como os governantes utilizam os recursos públicos, bem como o que decidem fazer com o voto do eleitorado. A perseguição contra jornalistas “é uma crescente que tem que parar com o caso de Julian Assange, porque se não podemos revelar, como jornalistas, o que os nossos governos fazem com nosso direito e voto, não temos democracia”.
Em um paralelo com a situação do jornalista Glenn Greenwald, após a publicação das reportagens no âmbito da Vaza Jato, o diretor afirma que é uma “cópia exata do caso de Julian Assange”.
“O perigo para os jornalistas é latente no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no resto do mundo quando querem fazer jornalismo que prejudica os interesses dos poderosos”, afirma Passarelli.
Segundo a defesa de Assange, uma eventual extradição para os EUA violaria o artigo 14 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que proíbe a medida se não há a garantia de que a pessoa receberá as garantias mínimas no processo penal. Para a defesa, tais garantias são inexistentes nos Estados Unidos. [Brasil de Fato]
Leia também:

» Bush defende a tortura. Bush defende a tortura.[com imagens divulgadas pelo Wikileaks]

A seguir, assista ao documentário de Passarelli. Informe-se sobre quem é Assange, qual a sua importância e a necessidade de impedir sua extradição.

DICA PARA ASSISTIR VÍDEO NO YOUTUBE EM QUALQUER IDIOMA

O vídeo está em inglês, mas se você não domina o idioma pode muito bem quebrar o galho com a tradução simultânea. Basta fazer o seguinte.

Dê uma olhada na imagem lá acima, que é um print da transmissão do YouTube. Repare que há um círculo azul em volta de uma engrenagem, no canto inferior direito.

Agora procure a mesma engrenagem no vídeo abaixo. Clique na engrenagem. Clique em Legendas. Clique em Inglês (gerada automaticamente). Clique de novo em inglês.  Clique em Traduzir Automaticamente. Escolha Português.

Isso vale para todos os vídeos do YouTube, e para a maioria dos idiomas.





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Não é de hoje que Glenn revela verdades inconvenientes. Em 2013, denunciou espionagem dos EUA: 'Brasil é o grande alvo dos EUA'

Glenn com a frase de que Brasil é grande alvo dos EUA

Muitos por má fé, outros por desinformação mesmo, acham que Glenn Greenwald caiu de paraquedas no meio da Lava Jato denunciando as sujeiras internas dos bastidores da Operação que, em nome do combate à corrupção, visava antes de mais nada prender Lula e colocar no poder alguém que desse uma guinada no país, que se insinuava independente, trazendo-o de volta ao colo dos Estados Unidos, o que fica evidente com o governo safadamente entreguista de Bolsonaro.

Glenn foi o jornalista escolhido por Edward Snowden para desmascarar e mostrar ao mundo a face oculta do governo dos EUA, que espionava não apenas adversários políticos, mas países amigos, entre eles o Brasil.

Reportagem de Guilherme Balza do UOL em 2013, mostra que o Brasil era o grande alvo da espionagem do Estados Unidos. Não só o governo Dilma, como a Petrobras.

Curiosamente, coincidentemente, muito convenientemente, a Lava Jato começou um ano depois, em cima da Petrobras, e em parceria com os Estados Unidos. É só ligar os pontos.
O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que revelou os documentos secretos obtidos por Edward Snowden, disse em entrevista por telefone ao UOL que o Brasil é o maior alvo das tentativas de espionagem dos Estados Unidos. "Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos", disse o jornalista, que promete trazer novas denúncias. "Vou publicar todos os documentos até o último documento que deva ser publicado. Estou trabalhando todo dia."
Greenwald revelou esta semana, em reportagem em conjunto com o programa "Fantástico", da TV Globo, que o governo americano espionou inclusive os e-mails da presidente Dilma Rousseff e de seus assessores próximos.
Snowden era técnico da NSA, a agência de segurança americana, e revelou ao jornal britânico "The Guardian", onde Greenwald é colunista, o escândalo de espionagem norte-americano.

Na época, Glenn também sofreu pressão do governo dos EUA, como sofre agora. Ele contou na reportagem de 2013:
Tem muitos políticos que estão ameaçando, pedindo para que me prendam, falando que sou criminoso. Há debates na televisão sobre se eu sou jornalista ou criminoso. Meu advogado recomenda que eu ainda não volte para os Estados Unidos até que eles possam resolver tudo. Acontece com meu companheiro na Inglaterra, que ficou detido por nove horas. Quando você faz jornalismo contra facções mais poderosas eles vão te atacar. Eu sabia que iria acontecer, mas não vou parar nem um pouco por causa disso.
Glenn recebeu o Pulitzer por suas reportagens sobre Snowden.


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Preso no aeroporto em Londres companheiro de jornalista britânico que divulgou informações de Snowden

David Miranda, companheiro do jornalista do “The Guardian” Glenn Greenwald, que escreveu a série de reportagens revelando a vigilância de civis pela Agência de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês), ficou por quase nove horas detido no aeroporto de Heathrow, em Londres.

David mora com o jornalista britânico no Rio e foi detido em Londres, com base no artigo 7 da lei de terrorismo, de 2000. Ele ficou preso por nove horas - tempo máximo permitido. Não havia acusação alguma contra ele. Ainda assim, teve confiscados "equipamentos eletrônicos, incluindo telefone celular, laptop, câmera, cartões de memória, DVDs e jogos".

A medida do governo britânico está sendo vista como uma tentativa de intimidação.

No seu blog, no "Guardian", Glenn diz que tratou-se de um ataque à liberdade de imprensa e uma mensagem de intimidação pela divulgação da espionagem.

"Mas a última coisa que este ato vai provocar é nos intimidar ou nos deter de fazer nosso trabalho como jornalistas. Pelo contrário: irá nos encorajar mais para continuar denunciando", afirmou no blog.

[Fonte da matéria é o Extra, das Organizações Globo, que têm o hábito de sonegar não apenas impostos mas links dos blogs que não sejam deles. Aqui está o link do Blog do Glenn Greenwald no The Guardian, e, em protesto, dou o crédito ao Extra mas não o link. Leia Detaining my partner: a failed attempt at intimidation, postagem  de Greenwald sobre o caso].


Madame Flaubert, de Antonio Mello

Snowden recebe asilo e já está em território russo. Livre. Extradição aos EUA sai da pauta


Documento de asilo de Snowden


Após 30 dias no aeroporto de Sheremétievo, finalmente Edward Snowden está livre e em território russo. Ele recebeu asilo temporário por um ano (imagem do documento de asilo acima), o que garante sua não extradição aos EUA. Lei russa não permite extradição a país que aplique a pena de morte, o que é o caso dos Estados Unidos, que a aplica não somente em seu território, mas se julga no direito de fazê-lo em outro, como no caso Bin Laden, assassinado por tropas dos EUA no Paquistão, a mando de Barack Obama.

Assista a uma reportagem da Rússia (calma, está em espanhol), onde é possível ver imagens de Snowden