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'Bolsonaro se desfaz como pessoa, pelas mentiras desavergonhadas, pela covardia, rasteja em fuga como um inseto repugnante'


Do gigante jornalista Janio de Freitas, em sua coluna na Folha deste domingo:
Uma verdade nos põe ao lado de Bolsonaro: estamos todos na beira do abismo
 
Uma intervenção insuspeitada levou Bolsonaro a modificar, quase de última hora, o pronunciamento destinado a incitar a multidão da av. Paulista, no 7 de Setembro, com insinuações para insurgência.

A exibição na manhã de Brasília, com cerimonial de posse em novo poder presidencial, e, já à tarde, a visão da massa que se aglomerava na avenida agravaram preocupações militares com o ato paulistano.

Se a exaltação degenerasse, a PM não bastaria para conter a multidão desatinada e as Forças Armadas seriam chamadas a agir, com decorrências muito graves para todos os lados.

Um exemplo de situação dramática, se a manifestação degenerasse, poderia ser a insurgência violenta com a condição, para desmobilizar-se, da renúncia de Alexandre de Moraes no Supremo. Como desejado por Bolsonaro.

Na fala em São Paulo, evaporaram as ameaças do "creio que chegou a hora, no dia 7, de nós nos tornarmos independentes pra valer", "nunca outra oportunidade para o povo brasileiro foi tão importante quanto esse nosso 7 de setembro", "agora o povo vai ter liberdade pra valer".

O povo foi devolvido à exclusão histórica. E Bolsonaro mal conseguiu repetir frases esparsas, com acréscimo só de citações pessoais. Ao que se seguiu o encerramento abrupto, com a fisionomia aflita por não encontrar outras frases. Houve até certa demora para a percepção geral do encerramento.

O recuo primordial de Bolsonaro não foram as negações do que disse, tantas vezes, contra o Supremo, contra o Tribunal Superior Eleitoral, contra os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, com a sobra de um ultimato para Luiz Fux. O recuo surgiu na fala em São Paulo.

O que está considerado como o (segundo) recuo é, na verdade, uma saída traiçoeira do desastre, sob a forma de carta ao país. Michel Temer e o marqueteiro Elsinho Mouco, seus autores, ou foram perversos ou se comprovaram no limite intelectual de Bolsonaro.

Antes que se questionasse a validade da moderação escrita, já no início a carta ofereceu a resposta: "nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha (...)". A mentira é enriquecida pelo mau texto que confessa a repulsa à harmonia entre os Poderes.

No mais, a carta não é de moderação, vista na sempre precipitada interpretação midiática. É de humilhação.

Bolsonaro se desfaz como pessoa, pelas mentiras desavergonhadas, pela covardia, rasteja em fuga como um inseto repugnante. Michel Temer levou Bolsonaro para a beira do abismo, chamado agora de traidor e frustrante por apoiadores de todos os momentos até então.

E, com a ideia do telefonema ao ministro Alexandre de Moraes, Temer não atenuou a indignação no Supremo com os ataques de Bolsonaro. Tornou ainda mais insultuosa a agressão ao tribunal e seus integrantes. O telefonema foi de pedido de desculpas a um ministro, mas os ataques, como disse a ministra Cármen Lúcia, foram a todos. Até por isso, além do protocolo, o telefonema providenciado por Temer deveria ser a Luiz Fux, presidente do tribunal.

Mas, traidor por traidor, Bolsonaro-Temer fazem boa dupla. Tal como Rodrigo Pacheco-Arthur Lira, que usam as cadeiras de presidentes do Senado e da Câmara. Não viram nem ouviram nenhuma transgressão de Bolsonaro, limitando-se a notas perfumadas, com corações pressentíveis nas entrelinhas. Faltam mulheres no Congresso. E faltam homens também.

Mas nenhuma pusilanimidade excederá a de Augusto Aras. Viu, e o disse ao lado de Luiz Fux no plenário do Supremo, uma "festa cívica" nos pedidos de fechamento dos tribunais superiores e do Congresso, de intervenção militar, de prisão de magistrados e impulsionadores da CPI da Covid, de volta ao sistema eleitoral fraudulento. Augusto Aras, procurador dos piores meios de alcançar objetivos pessoais. Como um lugar no Supremo a que também agride com sua festa cínica.

É preciso registrar que Luiz Fux fez um pronunciamento enfim firme, em defesa da Constituição e do Judiciário. Mas Luis Roberto Barroso, que brinda as ideias com um estilo valioso, deu ainda mais do que o devido.

Na loucura trágica do país, uma verdade nos põe ao lado de Bolsonaro. Falta de governo, golpismo, aumento da pobreza, corrupção, pandemia, violência: estamos todos na beira do abismo.





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7 de setembro não acabou. Bolsonaro chamou apoiadores às ruas e agora eles não querem voltar pra casa sem golpe


Bolsonaro está numa sinuca de bico. E quem o colocou nessa posição foi ele mesmo, quando convocou seus apoiadores a irem a Brasília enquadrar o STF.
 
O cantor Sergio Reis e um suposto líder caminhoneiro (não reconhecido pela classe) deram declarações de que chegariam a Brasília e de lá só sairiam quando depusessem os 11 ministros do STF.
 
Só que o 7 de setembro chegou e não aconteceu nada. O STF continua lá com seus ministros. Pior: com o sempre melífluo Fux engrossando a voz e ameaçando Bolsonaro com crime de responsabilidade, caso insista na bravata.
 
No entanto, para a multidão fanatizada por Bolsonaro o 7 de setembro não acabou. Muitos deles saíram de suas casas, vindo de lugares distantes, abandonaram suas famílias, na expectativa de que seu líder varresse o STF e os "comunistas" que o "impedem de governar". [veja um vídeo ao final sobre isso].
 
Além de permanecerem na Esplanada dos ministérios em confronto com a polícia que os quer desalojar, caminhoneiros resolveram bloquear estradas pelo país. Segundo boletim do ministério da Infraestrutura, há barreiras em estradas federais de 15 estados.
 
Covarde, Bolsonaro não deu as caras. Mandou um áudio em que pedia por favor para que desbloqueassem as estradas para não prejudicar o abastecimento do Brasil.
 
Mas seus apoiadores não aceitam recuar. Não aceitam, inclusive, que o áudio seja de Bolsonaro. 
 
O presidente está nessa sinuca: se vier a público e pedir para os caminhoneiros e manifestantes da Esplanada que voltem a suas casas, será visto como traidor e frouxo como aliás já está sendo tratado em grupos bolsonaristas no Telegram. Confira:

Se, ao contrário, endossar os movimentos, estará configurado o crime de responsabilidade que levará a seu impeachment.
 
Preso à própria teia, Bolsonaro vai ter que tomar uma decisão. No jogo do perde-perde, ele irá radicalizar e ser destituído como mito para seus apoiadores? Ou vai se acovardar e os mandar para casa sem nada, desfazendo assim o mito e traindo seus apoiadores radicais?
 
Veja o depoimento deste bolsonarista totalmente desnorteado.







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Resposta institucional ao 7 de setembro é que vai dizer se Bolsonaro ganhou ou perdeu nas manifestações de ontem

Que elas não foram o que Bolsonaro esperava todo mundo sabe. Para quem sonhava com dois milhões na avenida Paulista ontem, teve tempo de preparo e muito dinheiro na organização e comunicação, juntar em torno de 150 mil pessoas é uma mixaria.
 
Mas eles foram barulhentos. E foram muitos. Ainda mais se levarmos em conta que o presidente é um inepto, que temos quase 600 mil mortos por COVID, que as vacinas andam trôpegas, que há 15 milhões de desempregados, 60% da população em situação de insegurança alimentar e em torno de 40 milhões na pobreza, com fome. É muita gente apoiando uma situação dessas.
 
Apenas a reação das instituições à subida de tom de Bolsonaro dará a medida do que foram as manifestações de ontem. Caso não seja aberto um processo de impeachment contra Bolsonaro, ele venceu e vai continuar subindo o tom até alcançar seu objetivo: o golpe que lhe dará os poderes de um ditador.
 
Notas de repúdio, declarações de que Bolsonaro passou dos limites etc. não resolvem o problema nem mudam a situação do país.
 
A decisão do presidente do Senado Rodrigo Pacheco de suspender as sessões da semana, inclusive a CPI, sinalizam aparente vitória de Bolsonaro.
 
Alguém aí está aguardando algo além de um ai, ai, ai do presidente do STF Luis Fux no pronunciamento prometido para hoje?
 
Presidentes de grandes partidos da direita e de centro deram declarações em favor da possibilidade de um impeachment. Levarão adiante?
 
Aí está a chave para entender se Bolsonaro ganhou ou perdeu com as manifestações de ontem.





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'Se você é analista político e diz que não compreende essa diferença, eu até gostaria de mudar sua opinião, mas estou meio sem grana'

O sociólogo Celso Rocha de Barros, em sua coluna na Folha, produz a frase do ano, que usei como título da postagem, a respeito da falsa confusão que alguns fazem entre liberdade de expressão, liberdade de imprensa e direito de agredir a Constituição e ameaçar de morte ministros do STF e quem se oponha a Bolsonaro.

Em geral, estão em cargos milionários no governo ou tem páginas no Facebook, Instagram, YouTube, monetizadas pela Secom bolsonara.

A coluna:
Vai ter golpe?
 
Nesta terça-feira (7) os golpistas de Bolsonaro farão uma manifestação para tentar convencer os quartéis de que um golpe seria popular.

É quase impossível que as manifestações não encham. É, de longe, a manifestação fascista que passou mais tempo sendo planejada. Prefeitos bolsonaristas, pastores bolsonaristas, líderes bolsonaristas do agronegócio, todos estão trabalhando pela manifestação fascista com muito mais empenho do que nos Ustrapaloozas anteriores.

A contabilidade do bolsonarismo é sempre clandestina e ilegal, mas não há dúvida de que será uma manifestação cara.

Não será, nem de longe, uma manifestação como as outras, um análogo das Diretas Já, das marchas dos sem-terra, da Marcha para Zumbi, dos protestos de 2013, dos atos pró-impeachment de 2016, dos protestos recentes contra Bolsonaro.

Todas essas foram manifestações típicas de regime democrático, convocadas para protestar contra o centro do poder ou para apresentar-lhe reivindicações.

Sempre pode haver militantes violentos em manifestações democráticas. Mas há uma diferença radical entre um maluco com um coquetel molotov feito em casa e o presidente da República convocando as Forças Armadas e os policiais à deserção, pedindo-lhes que usem as armas do Estado brasileiro em favor de um dos lados da disputa política.

Por isso é ridículo analisar as ações do Supremo Tribunal Federal contra os extremistas como repressão à liberdade de expressão. A prisão de Roberto Jefferson não é o Estado reprimindo um indivíduo, é a Suprema Corte se defendendo, e defendendo a democracia brasileira, de uma tentativa de destruição pelo Palácio do Planalto.

Roberto Jefferson não é a parte mais fraca diante do poder. Joga como vanguarda de uma conspiração armada que envolve os mais altos escalões do Poder Executivo e começa pelo presidente da República.

Se você é analista político e diz que não compreende essa diferença, eu até gostaria de mudar sua opinião, mas estou meio sem grana.

Vai dar certo? É difícil dizer, pois não está claro se as Forças Armadas teriam que ser convencidas pelas massas a dar um golpe (nesse caso, não vai ter golpe) ou se só querem uma desculpa vagabunda qualquer para fazê-lo (nesse caso, vai).

Os militares sabem ler pesquisa de opinião. Sabem que mesmo uma manifestação enorme não adianta muita coisa se não estiver em sintonia com o que a maioria da população pensa. A grande maioria dos brasileiros acha o governo Bolsonaro uma porcaria.

A passeata não vai fazer a comida, a gasolina ou a energia elétrica ficarem mais baratas, não vai ressuscitar as centenas de milhares de mortos da pandemia, não vai fazer as commodities subirem de novo pra gente ver se dessa vez o Guedes aproveita.

Os problemas e os escândalos que destruíram a popularidade de Bolsonaro ainda existirão no dia seguinte. E, ao contrário de 1964, os militares já são vidraça.

Nesta terça haverá um festival de reacionarismo e de tudo que faz do Brasil um país atrasado, mas, como argumento para justificar golpe de Estado, mesmo uma manifestação grande será uma desculpa bem vagabunda. Se isso for suficiente para convencer as Forças Armadas, então já teve golpe.






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No 7 de setembro, Lula fala ao Brasil e se coloca à disposição para lutar ao lado do povo brasileiro


O presidente Lula fez um pronunciamento hoje à tarde, no Dia da Independência do Brasil.

Lula falou como estadista que é, abordando o quadro terrível em que se encontra o país nas mãos de um desgoverno entreguista, submisso aos financistas e ao governo dos Estados Unidos.

Denunciou a entrega do nosso pré-sal, a anunciada privatização da Eletrobrás e o tratamento dado à pandemia por Bolsonaro.

Falou da crise que afeta desigualmente os brasileiros. Denunciou o enriquecimento dos bilionários na pandemia em contraste com o empobrecimento e a morte dos mais pobres.

Criticou o aumento da violência, que afeta principalmente os mais pobres, os pretos e as mulheres.

E também o desrespeito do governo à Amazônia e aos nossos indígenas.

Lula se colocou à disposição para retomar a luta ao lado dos brasileiros por um Brasil mais justo, que olhe primeiramente pelos menos favorecidos.

O pronunciamento de Lula pode ser lido na íntegra no site do ex-presidente, aqui. E assistido no vídeo a seguir.




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Jornalismo não é crime. Não à extradição de Assange para os Estados Unidos


Quando há dez anos Julian Assange e o WikiLeaks, de que ele foi criador e editor, divulgaram ao mundo os primeiros crimes de guerra dos Estados Unidos foi uma comoção e uma verdadeira corrida dos principais jornais do mundo pela publicação.

Dez anos depois, numa tremenda inversão de pauta, o governo dos Estados Unidos conseguiu tirar seus crimes do noticiário e agora o foco é Assange, que teria cometido o "crime" (na verdade, o trabalho jornalístico) de divulgar seus crimes.

Amanhã, dia 7, Assange vai a um julgamento de cartas marcadas em Londres, quando deve ser concedida sua extradição aos EUA, onde será julgado por outro tribunal de cartas marcadas e condenado a 175 anos de prisão.

Quando não cometeu crime algum, a não ser divulgar os crimes de guerra dos Estados Unidos.

A mídia comercial pelo mundo e a brasileira em particular ignoram o fato, com honrosas exceções, como o jornalista Nelson de Sá, que publicou esta excelente coluna na Folha na sexta, que republico a seguir.

Após dez anos, poucos se batem por Assange ou o jornalismo


Acaba de estrear em diferentes plataformas o documentário “The War on Journalism”, a guerra contra o jornalismo, sobre Julian Assange, do WikiLeaks, cuja extradição aos EUA começa a ser decidida nesta segunda (7) em Londres.
Visa mobilizar apoio, com entrevistas sobre a década de confinamento de Assange em prisões e na embaixada do Equador. Stella Morris, mãe de dois filhos dele no período, chora: “Passaram dez anos quebrando uma pessoa”.
O que impressiona, de novo, são cenas que revelou em 2010. A começar do histórico vídeo do helicóptero americano em Bagdá, gravando a própria operação que matou 11, inclusive dois jornalistas da Reuters. Outra, reduzida na edição, denuncia criança sob tortura.
A estreia no YouTube foi comentada ao final pelo cineasta britânico Ken Loach (a partir de 43 minutos [vídeo republicado abaixo]), de “Eu, Daniel Blake”, Palma de Ouro em Cannes, chocado com o “horror absoluto” das duas cenas. “Não consigo tirar da cabeça a criança de seis anos torturada com uma broca. Isso é impossível. Um crime de guerra. Nós precisamos saber dessas coisas.”
É por elas e pelos documentos militares e diplomáticos que o WikiLeaks publicou então que os EUA o querem, para que seja julgado com base na Lei de Espionagem de 1917.
“Todo mundo sabe a história real: que não é espionagem, é jornalismo”, diz Loach, para em seguida se voltar ao que mais o revolta. “O Guardian, que pegou as matérias dele e o deserdou, sabe. A BBC sabe, todo editor sério de jornal nacional sabe a verdade. Mas eles estão em silêncio.”
Loach e outros que combatem a extradição o fazem quase sempre como vozes isoladas, não institucionais. Jornais anglo-americanos como o New York Times se afastaram de vez em 2016 —quando a divulgação via WikiLeaks de emails da campanha democrata teria levado, segundo a própria, à vitória de Trump.
Mas não se trata dessa controvérsia posterior. O trabalho que realizou em 2010 e que pode terminar condenado como espionagem foi jornalístico.
Daí o risco de se estabelecer precedente para perseguição não somente nos EUA, mas global, Brasil inclusive. O alarme disparou em várias partes, nas últimas semanas, embora não nos veículos maiores.
Peter Oborne, que foi por décadas um dos principais nomes dos conservadores Telegraph e Spectator, escreveu no Press Gazette sob o título “As futuras gerações de jornalistas não nos perdoarão se não lutarmos contra a extradição”.
Diz que a reação seria diferente se o pedido de extradição, por “cometer o crime de jornalismo”, viesse de outro país. “Se a Grã-Bretanha capitular diante dos EUA de Trump, o direito de publicar material vazado, por interesse público, pode sofrer golpe devastador.”
Também no Press Gazette, Alan Rusbridger, editor do Guardian por 20 anos, inclusive do material de 2010, considerou “surpreendente que mais pessoas não vejam como o processo tem implicações para todos os jornalistas”.
Governos pelo mundo “estão ansiosos para proibir reportagens sobre segurança nacional”. E o farão, a partir deste caso, “tornando ilegal até o recebimento de documentos, quanto mais publicá-los”.
Outros jornalistas históricos, como Patrick Cockburn, ex-Financial Times, escrevendo na London Review of Books, defendem Assange. Nos Estados Unidos, uma das poucas é Margaret Sullivan, do Washington Post, falando ao Intercept.
“Cultivar suas fontes e usar criptografia não são só práticas comuns, mas as melhores práticas”, diz ela, listando as ações de Assange que Washington vem tentando definir como espionagem, ou seja, que “o jornalismo é crime”.




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Sob silêncio da mídia comercial brasileira, o jornalista Julian Assange, do WikiLeaks, vai a julgamento nesta segunda por fazer jornalismo


Nesta próxima segunda, dia 7, o jornalista e editor do WikiLeaks, Julian Assange, vai a julgamento e deve ser extraditado para os Estados Unidos pelo crime de... fazer jornalismo.

Assange recebeu da militar dos EUA Chelsea Manning imensa quantidade de material a que o governo dos Estados Unidos não queria que o mundo tivesse acesso.

A partir da divulgação de parte do material pelo WikiLeaks, jornais pelo mundo, inclusive brasileiros, reproduziram as revelações. Nenhum foi punido ou está ameaçado pelo governo dos EUA. Apenas Assange, que, caso seja extraditado, deverá ser condenado a 175 anos de prisão em isolamento.

Entre as revelações de Assange, estão a prova do assassinato de civis pelas tropas estadunidenses na guerra do Iraque, como a famosa execução via helicóptero Apache, que já publiquei aqui (confira aqui em "EUA querem que Assange pague por denunciar seu jogo sujo no Iraque e com aliados, inclusive o Brasil").

Nessa execução, foi morto o fotógrafo da agência Reuters Namir Noor-Eldeen, que tirou esta foto em Bagdá de um menino saindo da escola, desviando da poça de sangue sobre folhas de cadernos, após ataque das tropas dos EUA que mataram quatro estudantes.


O Julgamento desta segunda poderia ter um desfecho diferente, caso a mídia comercial fosse mais solidária com o colega jornalista que submissa aos interesses dos Estados Unidos.

Porque é um jogo de cartas marcadas. A juíza do caso tem familiares que fazem parte do serviço secreto do Reino Unido, principal aliado dos EUA.

Ela deveria se dizer impedida de julgar o caso. Mas não o fez, nem é cobrada por isso.

Os Estados Unidos querem a cabeça de Assange para que cada um fique sabendo que, caso publique alguma coisa que vá contra os interesses dos EUA, poderá ter o mesmo destino dele, ser perseguido, condenado e confinado numa cela para o resto da vida.

Por isso a liberdade de Assange deveria ser uma luta do jornalismo global e de todos os jornalistas.

#FreeAssange



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EUA querem que Assange pague por denunciar seu jogo sujo no Iraque e com aliados, inclusive o Brasil


Não é pouco o que vai estar em julgamento no próximo dia 7 de setembro.

Enquanto por aqui algumas pessoas, ignorando a pandemia, estão programando seu feriadão de Dia da Independência (qual?), em Londres será julgado não apenas o destino de Julian Assange, mas se os Estados Unidos têm o direito de levar suas leis a qualquer país do mundo.

Assange é criador do WikiLeaks, site que divulgou documentos secretos do governo dos Estados Unidos, conseguidos através de Chelsea Manning.

Nesses documentos fica-se sabendo de atrocidades cometidas pelos Estados Unidos, como o assassinato de civis e crianças por um helicóptero Apache no Iraque, e a tortura a prisioneiros em Guantánamo.

Também há a divulgação de que os Estados Unidos espionaram países, inclusive aliados, como o Brasil.

Vou fazer uma postagem sobre algumas das denúncias de Assange que se referem ao Brasil, e que mostram o quanto importante é a defesa de que ele seja libertado e não enviado aos Estados Unidos, onde pode pegar 175 anos de cadeia.

E até o dia do julgamento pelo menos uma postagem diária em defesa da liberdade de Assange, do jornalismo e da autodeterminação dos países.

Divulguem em suas redes a hashtag #FreeAssange.

Abaixo reproduzo mais uma vez a imagem do assassinato de civis no Iraque por um helicóptero Apache, com os pilotos atirando friamente como se estivessem brincando de videogame. Aviso: são imagens fortes, que mostram o porquê da perseguição dos EUA a Assange.




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7 de setembro: Dia da liberdade de informação. Ou de o mundo se curvar aos EUA e extraditar Assange. Documentário na íntegra


No dia 7 de setembro agora vai ocorrer uma audiência em Londres que pode definir o futuro do Julian Assange e o poder de os Estados Unidos interferirem nos países ao redor do mundo para imporem sua vontade.

Ali, será decidido se Assange, o fundador do Wikileaks, será deportado para os Estados Unidos, onde deve ser condenado a 170 anos de prisão por divulgar documentos que os Estados Unidos não queriam que o mundo ficasse sabendo.

Juan Passarelli fez um documentário, A Guerra Contra O Jornalismo: O Caso de Julian Assange, sobre o fundador do site WikiLeaks.
“O que pretendo fazer com o filme é simplesmente que as pessoas, que por alguma razão pensam que Assange não é uma boa pessoa ou que não merece seu tempo, tenham um documento fácil de compreender sobre o que realmente está acontecendo e o que aconteceu.”
Em cerca de 38 minutos, o longa - disponível de graça no YouTube - aborda desde a série de reportagens do WikiLeaks com informações contra os Estados Unidos, como crimes de guerra, espionagem, abusos de poder e pressões diplomáticas, publicada em 2010, até a situação em que Assange se encontra atualmente: preso na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, desde abril de 2019, à espera de um julgamento de extradição solicitada pelos EUA.
No dia 7 de setembro será realizada uma audiência, no Tribunal Criminal Central de Londres, sobre o processo de extradição do jornalista, “um dos julgamentos mais importantes atualmente”. Caso seja extraditado, Assange será julgado na Corte do Eastern District de Virgínia, conhecida “Corte da Espionagem” e famosa pela tradição de condenações. No total, o governo dos EUA apresentou 18 acusações referentes às publicações de 2010 e embasadas no argumento de que Assange violou segredos de segurança nacional com o objetivo de prejudicar a política externa dos EUA.
Na visão de Passarelli, Assange foi preso por fazer seu trabalho como jornalista. “O que está em risco aqui é o direito do mundo e das pessoas poderem ser informadas. Esse direito que todos temos de receber informações sobre o que fazem as pessoas que elegemos com nossos votos, com nossos impostos. Isso é o que Julian Assange revelou, o que estava acontecendo e por isso que está preso hoje em dia”, afirma Passarelli.
Entre as revelações, o site WikiLeaks publicou um manual de tortura do Exército dos EUA utilizado no centro de detenção Guantánamo. Também tornou público o registro de vítimas dos EUA na Guerra do Iraque, no qual os EUA reconhecem que 60% dos mortos foram civis. Um dos vazamentos que mais chocou o mundo foi a publicação de um vídeo no qual iraquianos são atacados com armas de fogo por um helicóptero americano, no dia 12 de julho de 2007 [vídeo a seguir. Aviso: as imagens são fortes]. 


Para Passarelli, os jornalistas têm o dever de revelar o que e como os governantes utilizam os recursos públicos, bem como o que decidem fazer com o voto do eleitorado. A perseguição contra jornalistas “é uma crescente que tem que parar com o caso de Julian Assange, porque se não podemos revelar, como jornalistas, o que os nossos governos fazem com nosso direito e voto, não temos democracia”.
Em um paralelo com a situação do jornalista Glenn Greenwald, após a publicação das reportagens no âmbito da Vaza Jato, o diretor afirma que é uma “cópia exata do caso de Julian Assange”.
“O perigo para os jornalistas é latente no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no resto do mundo quando querem fazer jornalismo que prejudica os interesses dos poderosos”, afirma Passarelli.
Segundo a defesa de Assange, uma eventual extradição para os EUA violaria o artigo 14 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que proíbe a medida se não há a garantia de que a pessoa receberá as garantias mínimas no processo penal. Para a defesa, tais garantias são inexistentes nos Estados Unidos. [Brasil de Fato]
Leia também:

» Bush defende a tortura. Bush defende a tortura.[com imagens divulgadas pelo Wikileaks]

A seguir, assista ao documentário de Passarelli. Informe-se sobre quem é Assange, qual a sua importância e a necessidade de impedir sua extradição.

DICA PARA ASSISTIR VÍDEO NO YOUTUBE EM QUALQUER IDIOMA

O vídeo está em inglês, mas se você não domina o idioma pode muito bem quebrar o galho com a tradução simultânea. Basta fazer o seguinte.

Dê uma olhada na imagem lá acima, que é um print da transmissão do YouTube. Repare que há um círculo azul em volta de uma engrenagem, no canto inferior direito.

Agora procure a mesma engrenagem no vídeo abaixo. Clique na engrenagem. Clique em Legendas. Clique em Inglês (gerada automaticamente). Clique de novo em inglês.  Clique em Traduzir Automaticamente. Escolha Português.

Isso vale para todos os vídeos do YouTube, e para a maioria dos idiomas.





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Neste 7 de setembro, patriota veste preto em protesto contra governo que queima nossa mata (verde) e entrega nosso ouro (amarelo)

Camiseta preta com escrita Luto Pelo Brasil sobre queimada na Amazônia

O brasileiro que ama o país não está de acordo com um governo que incentiva as queimadas, a devastação da Amazônia e a abertura de áreas de mineração a empresas dos EUA


O presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro bate continência para a bandeira dos Estados Unidos, importa milhões de dólares de etanol dos EUA livres de impostos para os produtores daquele país; concede a eles a base de Alcântara e novas áreas de mineração da Amazônia e depois quer convocar a população a vestir verde e amarelo e comemorar o Dia de Independência neste sábado, 7 de setembro.

Os verdadeiros brasileiros, que amam nosso país, já decidiram usar preto em protesto contra este governo entreguista
Um governo que quer entregar todas as nossas estatais, nosso petróleo, um presidente que disse no exterior que quer "desconstruir tudo antes de construir alguma coisa", acabar com as reservas ambientais, indígenas, quilombolas, com nossa cultura... Cujo ministro Paulo Guedes, seu posto Ipiranga, declarou lá nos EUA, que quer vender tudo, "até o Palácio do Planalto"...

Aprendemos na escola que o verde simboliza nossas matas e o amarelo, o ouro. Exatamente o que o governo Bolsonaro está destruindo ou entregando.

Contra um governo que quer aplicar no Brasil o slogan do presidente dos Estados Unidos (Make America great again), vamos protestar de preto para podermos usar o verde e o amarelo novamente com um governo que respeite nossas cores.

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Twitter do Globo é invadido por manifestantes que pedem 'democratização da mídia que participou do golpe de 64 e apoiou a ditadura'

Abaixo, reprodução da imagem da página crackeada do jornal O Globo no Twitter:


Jornal O Globo crackeado

Aqui, nova crítica dos manifestantes contra a manipulação da mídia, de que O Globo é símbolo:

Crítica à informação manipulada pela mídia corporativa

Na página crackeada há uma referência ao Anonymous Brazil (@AnonManifest), com crítica à proibição do uso de máscaras em manifestações no Rio de Janeiro.

Página do Twitter de um perfil citado na página invadida do jornal O Globo

As manifestações marcadas para amanhã, 7 de setembro, por todo o Brasil vão da extrema esquerda à extrema direita - onde, em alguns aspectos, como o lacerdismo, se encontram.

Em boa parte, é encorajada pela mídia corporativa, que quer por o governo de joelhos para implantar sua agenda, que é coincidentemente a daquele país que espiona nosso governo e apoiou fartamente o golpe de 1964.

Também é pelo poderio dessa mídia que os demais brasileiros serão informados sobre o que se passará amanhã. A agenda-setting continua a ser determinada por ela.

E continuará assim, caso o governo não compreenda a importância da democratização da mídia e de uma maior e democrática participação popular no governo.

Uma atualização da página da pessoa que se diz do Anonimous traz uma imagem do ex-presidente João Goulart defendendo manifestações populares:

Ex-presidente João Goulart, derrubado pelo golpe civil-militar de 1964


Madame Flaubert, de Antonio Mello