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Incrível erro dos EUA livra Assange da extradição. Ao menos por enquanto

No julgamento pela extradição de Julian Assange em fevereiro, a Justiça britânica enviou um pedido à Justiça dos EUA com três garantias para aprovar a extradição do australiano fundador do WikiLeaks, que denunciou ao mundo crimes de guerra do governos dos EUA:

  1. Que o Sr. Assange teria permissão para confiar na primeira emenda da constituição dos EUA (que protege a liberdade de expressão)
  2. Que o Sr. Assange não seria prejudicado no julgamento ou na sentença por causa da sua nacionalidade
  3. Que a pena de morte não seria imposta caso o Sr. Assange fosse condenado

Uma nota diplomática enviada pela embaixada dos EUA em Londres, com a costumeira arrogância dos Estados Unidos, afirmou que Assange deveria "procurar confiar" nas disposições da Constituição dos EUA para a liberdade de expressão, mas "uma decisão quanto à aplicabilidade da primeira emenda está exclusivamente dentro do competência dos tribunais dos EUA". Ou seja, é com a gente, não se metam.

Foi um erro incrível dos Estados Unidos. Como os britânicos perdem tudo, menos a pose, o Tribunal hoje decidiu que as garantias não foram suficientes e que a defesa de Assange poderia, portanto, recorrer ao Supremo Tribunal da Inglaterra e País de Gales.

O caso Assange segue sem solução e com ele preso na cela individual do Presídio de Segurança Máxima de Belmarsh, na Inglaterra. A imagem abaixo mostra o desgaste com os 14 anos de perseguição dos EUA a Assange lhe causaram.

 


O caso Assange e a perseguição dos EUA

 

Ao receber centenas de milhares de arquivos secretos dos Estados Unidos da soldado Chelsea Manning, Assange viu que pelo tamanho do material não teria como dar conta dele sozinho (mais ou menos como aconteceu aqui com os arquivos da Vaza Jato). Chamou jornalistas de alguns dos principais jornais do mundo para ajudá-lo com o material.

Um pool de jornais pelo mundo participou do furo, que revelou o lado oculto da guerra, com assassinato de inocentes e tortura, cometidos pelos soldados dos países que esses mesmos meios de comunicação tratavam como combatentes pela liberdade e democracia.

Os documentos estavam guardados com uma chave secreta, de que apenas Assange e esses jornalistas parceiros tinham conhecimento. Todos são unânimes em afirmar da intensa preocupação de Assange com a divulgação de nomes, que pudessem colocar a vida de pessoas inocentes em risco.

No entanto, dois jornalistas do britânico Guardian —David Leigh e Luke Harding— revelaram a senha em um livro que publicaram sobre o Wikileaks (Wikileaks: Inside Julian Assange's War on Secrecy). [imagem abaixo].

 


Temeroso de que, por exemplo, o governo dos Estados Unidos, diante da senha, acessasse o material, trocasse a senha por outra e bloqueasse o acesso ao material inédito, Assange e o WikiLeaks decidiram liberar o acesso para todos.

Isso foi feito no dia 22 de outubro de 2010. A partir daí começou o inferno de Julian Assange, que dura até hoje.

O material abriu espaço para denúncias sobre torturas cometidas pelos Estados Unidos.









Além das imagens de torturas, um vídeo chocou o mundo pela frieza e aparente trivialidade com que soldados dos EUA, em um helicóptero Apache, exterminam um grupo de pessoas, que eles dizem portar fuzis AK-47 (o que não é confirmado pelo vídeo), como se estivessem brincando num vídeo game. Um dos atingidos era funcionários da agência de Notícias Reuters.


Daí se entende o motivo dos EUA perseguirem Assange. É para que nenhum jornalista se atreva novamente a divulgar crimes de guerra cometidos por eles.



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CIA planejou sequestrar e assassinar Assange. Extradição é o caminho jurídico para os mesmos fins

Reportagem de Zach Dorfman, Sean D. Naylor and Michael Isikoff no Yahoo News revela que a CIA tinha planos e estudos para sequestrar e até assassinar o líder do WikiLeaks Julian Assange.
 
O ano foi 2017, quando Assange já estava há cinco anos asilado na embaixada do Equador e ilegalmente era espionado por câmeras e captadores de áudio infiltrados pelo governo dos Estados Unidos.
 
A ideia do sequestro e até do assassinato surgiu em função de novos pacotes de dados revelados pelo WikiLeaks, que atingiam o coração de operações de hackers da CIA, conhecidas coletivamente como "Vault 7".
 
A reportagem publicada no Yahoo é extensa e vale a conferida [em inglês]. Mas, de prático, o que se vê é que os Estados Unidos acabaram por optar usar contra Assange o mesmo que fizeram com Lula e o PT no Brasil: ação judicial. Sequestro e assassinato jurídico.
 
Na prática, com o pedido de extradição Assange está sequestrado pelo governo dos EUA na prisão do Reino Unido em que se encontra, numa solitária e quase incomunicável.
 
Seu assassinato acontecerá caso a extradição venha a ser concedida agora em outubro, quando o pedido vier a julgamento. Laudos médicos são categóricos em afirmar que Assange tem altíssima possibilidade de se suicidar. Ou, caso não consiga, ser um zumbi na solitária, apagado das páginas dos jornais e da história.
 
O crime de Assange? Divulgar os crimes de guerra dos Estados Unidos e aliados. Assassinatos de civis, tortura, espionagem de governos — até de pretensos "aliados", como o Brasil.
 
Só que divulgar crimes não é crime, é jornalismo. Crime é cometer crimes de guerra, como o fazem Estados Unidos e aliados, impunemente. Basta ver o genocídio do povo palestino por Israel, que o mundo acompanha com exclamações ("que absurdo!", "crueldade!", "são crianças!") de braços cruzados.
 
Por isso é tão fundamental que todos lutemos pela liberdade de Assange e sua não extradição aos Estados Unidos.





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Há 10 anos, Assange e WikiLeaks divulgavam ao mundo crimes de guerra dos Estados Unidos e aliados


No dia 22 de outubro de 2010, Julian Assange e o WikiLeaks liberaram o material que lhes foi entregue pela soldado dos EUA Chelsea Manning denunciando crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Iraque.
 
Um pool de jornais pelo mundo participou do furo, que revelou o lado oculto da guerra, com assassinato de inocentes e tortura, cometidos pelos soldados dos países que esses mesmos meios de comunicação tratavam como combatentes pela liberdade e democracia.
Os registros da guerra do Iraque foram um exemplo brilhante do que as organizações de mídia podem realizar ao colaborar. The Guardian (UK), Der Spiegel (Alemanha), Sveriges Television (Suécia), Le Monde (França), Al Jazeera, Channel 4 e BBC Radio relataram o material.
 
Os registros da Guerra do Iraque publicados pelo WikiLeaks revelaram 15.000 mortes de civis que eram desconhecidas. Eles também expuseram tortura que os militares dos Estados Unidos instruíram os oficiais a ignorar.

“Em nosso lançamento desses 400.000 documentos sobre a Guerra do Iraque, os detalhes íntimos dessa guerra da perspectiva dos EUA”, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, esperava corrigir alguns dos ataques à verdade que ocorreram “antes da guerra, durante a guerra, e que [tinha] continuado desde que a guerra foi oficialmente concluída. ”

“Os objetivos declarados para entrar nessa guerra, de melhorar a situação dos direitos humanos, melhorar o estado de direito, não se concretizaram”, acrescentou Assange. “Em termos de número bruto de pessoas mortas arbitrariamente, [isso] piorou a situação no Iraque.”
 
John Sloboda, o cofundador do Iraq Body Count, colaborou com o WikiLeaks e analisou os mais de 400.000 relatórios de incidentes militares dos EUA revelados a eles pelo denunciante do Exército dos EUA, Chelsea Manning. 
 
“Ao tornar essas informações públicas”, sugeriu Sloboda, “Manning e Assange estavam cumprindo um dever em nome das vítimas e do público que o governo dos Estados Unidos não estava cumprindo”.
Dez anos após essa denúncia ao mundo, Assange está na prisão de Belmarsh, em Londres, e enfrenta um pedido de extradição do governo dos EUA sob a acusação de violar a Lei de Espionagem quando na verdade fazia jornalismo.
Ao apresentar evidências de que o governo dos Estados Unidos está visando Assange por suas opiniões políticas, Paul Rodgers, professor emérito da Universidade de Bradford, na Inglaterra, destacou um discurso que Assange proferiu em um Comício da Coalizão Stop the War em Trafalgar Square em 8 de agosto de 2011.

Assange referiu-se à “informação [WikiLeaks] revelada mostrando a miséria e a barbárie cotidiana da guerra, informações como as mortes individuais de mais de 130.000 pessoas no Iraque, mortes individuais que foram mantidas em segredo pelos militares dos EUA, que negaram ter contado o mortes de civis. ”

“Quero dizer-lhes o que penso ser a forma como as guerras acontecem e podem ser desfeitas”, proclamou Assange. “Se as guerras podem ser iniciadas por mentiras, a paz pode ser iniciada pela verdade.”
Fonte: Kevin Gosztola [The Dissenter]




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Punir Assange é um meio para alcançar um fim: punir toda a mídia crítica aos governos



Seguindo nossa série de publicações sobre o julgamento para a extradição de Julian Assange, um texto do jornalista e escritor canadense Cory Doctorow.
As audiências de extradição de Julian Assange são francamente aterrorizantes, e se você se preocupa com a liberdade de imprensa, deve se preocupar, independentemente de gostar de Assange ou do WikiLeaks. Como diz o velho ditado, "Casos difíceis geram leis ruins."

A acusação do Departamento de Justiça de Trump vai a algum lugar que nenhum outro presidente ousou ir: acusar criminalmente um editor por seu papel na publicação de documentos classificados, algo que os meios de comunicação fazem regularmente.

Assange foi acusado de acordo com a Lei de Espionagem - mais uma vez, a primeira vez para um editor - porque ele fez algo rotineiro: aconselhou uma fonte sobre como se proteger de retaliação. Isso é algo que eu fiz.

Se você é um jornalista investigativo que trabalha com denunciantes, você também já fez isso. Por exemplo, uma fonte me contatou sobre corrupção dentro de uma empresa de tecnologia na qual trabalhava.

Expliquei a eles como mudar para o Signal, ativar mensagens que desaparecem, obter um gravador e como encontrar um advogado trabalhista para ajudá-los a entender seus direitos (imagino que o conselho do advogado os assustou, porque logo após fazerem contato, eles desapareceram )

Este é realmente o mínimo dever de cuidado que nós jornalistas devemos às nossas fontes e está no cerne do caso do Departamento de Justiça de Trump contra Assange - que não enfrenta acusações por nada relacionado com a eleição de 2016 ou "Russiagate".

Esta é, mais uma vez, uma inovação única de Trump: argumentar que o editor, e não a fonte, deve ser acusado criminalmente por seu papel em revelar segredos de estado.

As fontes há muito enfrentam retaliação (é por isso que os jornalistas procuram protegê-las), mas os editores estavam fora desse alcance.

Mesmo o governo Obama, que usou a Lei de Espionagem contra mais vazamentos do que todos os presidentes da história somados, não foi atrás dos editores.

Isso é uma coisa de Trump, e ele está usando Wikileaks e Assange para abrir o precedente. Trump - e seus aliados políticos mais astutos e táticos - sabem que seus adversários não gostam de Assange e não vão defendê-lo, então Assange é um meio para seu fim.

Esse fim: permitir que futuras administrações cobrem criminalmente as editoras que publiquem vazamentos de que não gostem. Fechar meios de comunicação e colocar seu pessoal-chave na prisão por longas sentenças.

A indiferença pública ao tratamento absolutamente medonho de Assange encorajou aqueles no Reino Unido e nos EUA que querem usar esta oportunidade para tomar o máximo de poder para punir a imprensa. [original em inglês, aqui]




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Acusação usa jornalistas do Guardian contra Assange e eles não se manifestam




Em seu perfil no Twitter, Craig Murray lança dura crítica a dois jornalistas do The Guardian, que têm sido usados pela acusação contra Assange e não têm se prontificado a vir a público testemunhar em seu favor.

O Guardian e outros grandes jornais da mídia comercial pelo mundo, inclusive do Brasil, publicaram material do WikiLeaks de Assange e agora estão acompanhando à distância, ou nem isso, o julgamento que pode levar à extradição do jornalista, editor e publisher do WikiLeaks, fazendo a egípcia.
Dois indivíduos - David Leigh e Luke Harding do The Guardian foram citados pelo Ministério Público que atacou Assange, como justificativa para sua extradição, em todos os dias da audiência. Ambos têm mantido um silêncio vergonhoso e covarde.
Muitas testemunhas a esse respeito disseram que Julian Assange era extremamente cuidadoso em proteger identidades - mesmo "obcecado" por isso - no material do Wikileaks e cuidando da redação antes da publicação. O advogado do governo dos EUA cita apenas os dois, Leigh e Harding, dizendo o contrário.
A promotoria os cita várias vezes, mas eles não têm coragem de ficar no banco das testemunhas e ser interrogados sobre essas declarações. Talvez pelo fato de ter sido a publicação DELES da senha do cache em seu livro que levou ao vazamento do material não editado.
Por que esses jornalistas agem assim? Para se protegerem ou protegerem o The Guardian?

Por que a mídia comercial se mantém praticamente ausente do julgamento? Não percebem que estão permitindo um precedente que poderá ser usado contra eles no futuro?

A acusação já disse que nenhum jornalista estará a salvo de vir a ser julgado pela lei dos EUA, caso publique material confidencial daquele país.

Vamos ver se com a provocação de Murray, que os citou com as arrobas do Twitter que possuem [eu também fiz o mesmo, em seus perfis] eles continuam em silêncio.



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Diretor da prisão nos EUA para onde Assange pode ser enviado diz que ela é 'muito pior do que a morte'


Segundo Robert Hood, diretor da prisão federal supermax ADX Florence, no Colorado, para onde Assange pode ser enviado, caso seja extraditado, disse que ela "é muito pior do que a morte" [vídeo abaixo].

Reportagem do Intercept dos EUA dá uma ideia do inferno para onde querem enviar Assange, simplesmente por fazer jornalismo, sob silêncio cúmplice de vários de seus colegas e da mídia comercial mundial, que em grande parte reproduziu vários de suas revelações.
Um prisioneiro proibido de falar com sua família por quatro meses após proferir as palavras "As-Salaam-Alaikum". Livros que precisam ser destruídos depois que um prisioneiro os lê, para que ele não use as páginas para passar notas secretas. Cartas para familiares que precisam ser copiadas e analisadas por oficiais de inteligência antes de serem enviadas, o que significa que podem levar meses e meses para chegar.

Esses são os tipos de restrições enfrentados por um pequeno número de prisioneiros presos nos Estados Unidos, incluindo algumas pessoas que nunca foram condenadas por um crime. As regras, chamadas de Medidas Administrativas Especiais, ou SAMs, são o assunto de um relatório divulgado recentemente pelo Centro de Direitos Constitucionais e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos de Allard K. Lowenstein da Yale Law School. O estudo, um empreendimento incomum, argumenta que os SAMs violam as leis dos EUA e internacional, ameaçam proteções constitucionais básicas e podem até constituir tortura.

Os prisioneiros que já foram submetidos a este tipo de detenção descrevem a experiência como se estivessem em um mundo próprio, no qual não têm contato humano com ninguém além de seus advogados e comunicação muito ocasional e altamente restrita com parentes próximos. Muitos daqueles em SAMs desenvolveram problemas de saúde mental como resultado do isolamento, o que pode impedi-los de contribuir para sua própria defesa. Além disso, as pessoas sob SAMs estão proibidas de contatar a mídia, e seus advogados e familiares podem ser processados ​​por revelar qualquer coisa que o prisioneiro tenha dito - o que significa que o mundo altamente restritivo dos SAMs também é altamente secreto.

“Eu não posso repetir publicamente nada que um cliente SAMs pudesse ter me dito, seja sobre sua saúde, suas condições, seu tratamento pelos guardas, o clima, o que ela comeu no almoço”, disse Pardiss Kebriaei, um advogado sênior da equipe no Centro de Direitos Constitucionais, que representou clientes em SAMs no passado. “Cada declaração está proibida, mesmo que não seja de forma razoável ligada à segurança e proteção.”

“Os SAMs são o canto mais escuro do sistema penitenciário federal dos EUA, combinando a brutalidade e o isolamento das unidades de segurança máxima com restrições adicionais que negam aos indivíduos quase qualquer conexão com o mundo humano”, diz o relatório. “Essas restrições incluem ordens de silêncio contra prisioneiros, seus familiares e seus advogados, protegendo efetivamente esse uso extremo do poder do governo da vista do público.”

Pessoas colocadas em SAMs são quase completamente isoladas do mundo fora das paredes de suas celas. Eles são proibidos de entrar em contato com qualquer pessoa que não seja seus advogados e familiares imediatos, e até mesmo as comunicações familiares são estritamente limitadas. São limitados a fazer uma ligação telefônica de 15 minutos por mês e a enviar uma carta dupla-face de três páginas a um membro da família previamente autorizado a cada semana.

E enquanto a maioria dos presos sabe que suas cartas e telefonemas podem ser monitorados, os presos SAMs nem mesmo têm a pretensão de privacidade, uma vez que as medidas especiais realmente exigem que toda a comunicação familiar (e em alguns casos, contato legal) seja vigiada e armazenada pelo FBI. Como suas ligações devem ser monitoradas e gravadas simultaneamente, os presos SAMs não têm permissão nem para fazer ligações para parentes em outros idiomas além do inglês, a menos que um tradutor aprovado pelo governo esteja disponível.

Visitantes que tiveram contato com um prisioneiro SAMs podem e foram processados ​​criminalmente por repetir o que o indivíduo encarcerado lhes disse. Em 2005, a advogada de defesa Lynne Stewart foi condenada por apoio material a terrorismo e sentenciada a décadas de prisão por transmitir uma declaração de um cliente à imprensa, em violação de seus SAMs.

Um funcionário da ONU disse que os SAMs podem muito bem violar o direito internacional. Em 2012, Juan Méndez, então relator especial da ONU sobre tortura, foi questionado sobre o plano do governo britânico de extraditar uma série de suspeitos de terrorismo para os Estados Unidos. “Eu acho que [há] argumentos muito fortes de que confinamento solitário e SAMs constituiriam tortura e impedir que o Reino Unido extradite esses homens ”, disse ele ao The Independent.

Os advogados que representaram clientes em SAMs dizem que as condições extremas de isolamento prejudicam sua capacidade de estabelecer uma relação de confiança e prejudicam a capacidade de seus clientes de contribuir para sua própria defesa. Joshua Dratel, que representou vários suspeitos de terrorismo de alto perfil em tribunais civis dos EUA e em Guantánamo, disse aos autores do relatório que os SAMs “desumanizam os réus e criam uma situação em que eles não podem existir em uma postura desafiadora [para] lutar contra o caso , ”Que“ os eliminam como participantes em sua defesa ”.

Apesar do imenso impacto que os SAMs podem ter na vida de um prisioneiro, há poucas proteções procedimentais em vigor para pessoas encarceradas contestarem as medidas. Os presos não podem contestar uma designação SAM antes de serem colocados sob as medidas. “Mesmo quando os prisioneiros podem desafiar, os tribunais rotineiramente decidem contra eles, aceitando as vagas justificativas de segurança nacional do governo”, afirma o relatório da CCR e da Lei de Yale.

“Basicamente, agora construímos em nosso sistema jurídico uma forma de o governo infligir o que a comunidade internacional considerou tortura antes do julgamento, quase sem recurso para contestar”, disse Jeanne Theoharis, professora de ciência política do Brooklyn College que escreveu extensivamente sobre questões de liberdades civis relacionadas a processos por terrorismo, incluindo a imposição de SAMs antes do julgamento.
SAMs amordaçam todos: prisioneiros, advogados, amigos, familiares, jornalistas. Impedem nção apenas a palavra do prisioneiro, mas dos que poderiam vir a seu seus porta-vozes. Não podem denunciar as condições da prisão, nem ninguém pode fazê-lo em seu nome.

Sem internet, sem telefone (a não ser aquele com as restrições absurdas), rádio, TV, jornais, livros só raramente, com apenas uma hora diária fora da cela e solitário, é esse o lugar aonde querem mandar Assange pelo resto de seus dias, por ter denunciado os crimes de guerra dos Estados Unidos em conluio com a mídia comercial e seus aliados.



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'Assange expôs a fraude das guerras promovidas pela mídia e o caráter homicida das guerras dos Estados Unidos' - Pilger


John Pilger, histórico jornalista, documentarista, correspondente de guerra, é astrauliano como Julian Assange e como Assange defensor de um jornalismo que busque mostrar o que nos tentam esconder ou iludir.

Ele está cobrindo o processo de extradição de Assange e este é o depoimento dele sobre o que está em julgamento junto com Assange lá em Londres.

Quando conheci Julian Assange, há mais de dez anos, perguntei por que ele havia iniciado o WikiLeaks. Ele respondeu: "Transparência e responsabilidade são questões morais que devem ser a essência da vida pública e do jornalismo."

Nunca tinha ouvido um editor invocar a moralidade dessa forma. Assange acredita que os jornalistas são os agentes das pessoas, não do poder: que nós, as pessoas, temos o direito de saber os segredos mais sombrios daqueles que afirmam agir em nosso nome.

Se os poderosos mentem para nós, temos o direito de saber. Se eles dizem uma coisa em privado e o contrário em público, temos o direito de saber. Se eles conspiram contra nós, como Bush e Blair fizeram sobre o Iraque, fingindo ser ser democratas, temos o direito de saber.

É essa moralidade que ameaça o conluio das potências que querem mergulhar grande parte do mundo na guerra e enterrar Julian vivo na América fascista de Trump.

Em 2008, um relatório ultrassecreto do Departamento de Estado dos EUA descreveu em detalhes como os Estados Unidos combateriam essa nova ameaça moral. Uma campanha de difamação pessoal dirigida secretamente contra Julian Assange levaria à sua "exposição [e] processo criminal".

O objetivo era silenciar e criminalizar o WikiLeaks e seu fundador. Página após página revelou-se uma guerra iminente contra um único ser humano e pelo próprio princípio da liberdade de expressão e de pensamento e da democracia.

As tropas de choque imperiais seriam aquelas que se autodenominam jornalistas: os grandes rebatedores do chamado mainstream, especialmente os "liberais" que marcam e patrulham os perímetros da dissidência.

E foi isso que aconteceu. Sou repórter há mais de 50 anos e nunca conheci uma campanha de difamação como essa: o assassinato forjado de um homem que se recusou a entrar para o clube: que acreditava que o jornalismo era um serviço ao público, nunca aos de cima.

Assange envergonhou seus perseguidores. Ele produziu furo após furo. Ele expôs a fraude das guerras promovidas pela mídia e o caráter homicida das guerras dos Estados Unidos, a corrupção dos ditadores, os males de Guantánamo.

Ele nos forçou o Ocidente a olhar-se no espelho. Ele expôs os contadores das verdade oficiais na mídia como colaboradores: aqueles que eu chamaria de jornalistas de Vichy. Nenhum desses impostores acreditou em Assange quando ele advertiu que sua vida estava em perigo: que o "escândalo sexual" na Suécia era armado e um inferno americano era seu destino final. E ele estava certo, e repetidamente certo.

A audiência de extradição em Londres nesta semana é o ato final de uma campanha anglo-americana para enterrar Julian Assange. Não é o devido processo. É uma vingança devida. A acusação americana é claramente fraudada, uma farsa demonstrável. Até agora, as audiências lembraram seus equivalentes stalinistas durante a Guerra Fria.

Hoje, a terra que nos deu a Carta Magna, a Grã-Bretanha, se distingue pelo abandono de sua própria soberania ao permitir que uma potência estrangeira maligna manipule a justiça e pela viciosa tortura psicológica de Julian - uma forma de tortura, como Nils Melzer, especialista da ONU destacou, refinado pelos nazistas porque era mais eficaz em quebrar suas vítimas.

Todas as vezes que visitei Assange na prisão de Belmarsh, vi os efeitos dessa tortura. Quando o vi pela última vez, ele havia perdido mais de 10 quilos de peso; seus braços não tinham músculos. Incrivelmente, seu perverso senso de humor estava intacto.

Quanto à pátria de Assange, a Austrália demonstrou apenas uma covardia assustadora, já que seu governo conspirou secretamente contra seu próprio cidadão, que deveria ser celebrado como um herói nacional. Não foi à toa que George W. Bush ungiu o primeiro-ministro australiano seu "vice-xerife".

Diz-se que o que quer que aconteça com Julian Assange nas próximas três semanas diminuirá se não destruir a liberdade de imprensa no Ocidente. Mas qual imprensa? The Guardian? A BBC, o New York Times, o Jeff Bezos Washington Post?

Não, os jornalistas dessas organizações podem respirar livremente. Os Judas do The Guardian que flertaram com Julian, exploraram seu trabalho marcante, fizeram sua pilha e o traíram, não têm nada a temer. Eles estão seguros porque são necessários.

A liberdade de imprensa agora depende de uns poucos honrados: as exceções, os dissidentes na internet que não pertencem a nenhum clube, que não são ricos nem carregados de Pulitzers, mas produzem jornalismo moral e desobediente - aqueles como Julian Assange.

Enquanto isso, é nossa responsabilidade apoiar um verdadeiro jornalista cuja coragem absoluta deve servir de inspiração para todos nós que ainda acreditamos que a liberdade é possível. Eu o saúdo.




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Lula: 'Assange deveria ser tratado como herói por ter denunciado ao mundo as falcatruas do Departamento de Estado americano'


Em entrevista ao canal russo RT, o presidente Lula denunciou o julgamento político de Julian Assange em Londres e disse que quem deveria estar em julgamento são os Estados Unidos.
Todas as pessoas que acreditam na democracia, nos direitos humanos, na justiça não podem permitir que Assange seja extraditado.
Para Lula, Assange denunciou ao planeta as falcatruas da CIA, as falcatruas do Departamento de Estado dos EUA fiscalizando o mundo, fiscalizando governos, vigiando a Petrobras, vigiando o Brasil.

Lula ressaltou que Assange teve a coragem de fazer a denúncia e por isso todos nós temos a obrigação de dizer que quem deveria estar em julgamento eram os Estados Unidos, a CIA, que vigiaram países para tirar proveito político e econômico.

Assista ao vídeo. #FreeAssange




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Diretor de 'Eu, Daniel Blake', denuncia silêncio da mídia comercial no caso Assange



Aos 84 anos, o cineasta Ken Loach, um dos maiores na história do cinema, mantém acesa sua indignação e participação nos grandes acontecimentos sociais.

Diretor de "Eu, Daniel Blake", do recente "Você não estava Aqui", imprescindível denuncia sobre a uberização das condições de trabalho, Ken Loach não se conforma com o silêncio servil da mídia comercial sobre o caso Assange.

A mesma mídia que divulgou o material do WikiLeaks, com fartas denúncias sobre crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos, e hoje assiste silenciosamente a seu julgamento em Londres, que pode levá-lo à extradição e subsequente prisão nos Estados Unidos pelo crime de fazer jornalismo, de expor ao mundo o material que recebeu de vazamento interno da soldado Chelsea Manning.

Os Estados Unidos e seu principal aliado, o Reino Unido, usaram de todo o seu poder para realizar uma verdadeira inversão de pauta e assim, em vez de responder e pagar por seus crimes, prender, julgar e condenar quem os revelou ao mundo.

Isso Ken Loach denuncia:
“Todo mundo conhece a história real, todo mundo pode ver, não podemos acreditar que alguém foi enganado. Não é espionagem, isso é jornalismo! Quando você tem um político de direita como David Davis dizendo que Julian Assange é um prisioneiro político é porque todo mundo sabe disso. O Guardian sabe que publicou suas histórias e depois o deserdou, a BBC sabe disso, o Channel 4, todos os editores sérios dos programas de notícias 'sabem que esta é a verdade' e ainda assim eles se calam, o jornalista se cala, os advogados se calam ”.
Assista ao vídeo a seguir com o depoimento do cineasta.




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É possível falar em 'imprensa livre', quando a provável extradição de Assange é silenciada ou escondida em páginas interiores?



A pergunta recebe uma resposta do ex-diplomata britânico, humanista e ativista político Craig Murray em sua página, de onde retirei o trecho a seguir.

Com certeza já é tempo de pararmos de falar em “imprensa livre”, como se fosse Thomas Paine ou William Cobbett distribuindo panfletos. A mídia impressa é agora objeto de fenomenal concentração de propriedade. Ele transmite a propaganda de alguns bilionários desagradáveis ​​para uma audiência cada vez menor, composta principalmente de idosos. É claro que as mesmas propriedades foram transferidas para a TV e o rádio e cada vez mais para as novas mídias, e têm um domínio político sobre aqueles que controlam a mídia estatal. Ao mesmo tempo, os guardiões corporativos do Facebook e do Twitter estrangulam propositalmente o fluxo de leitores para a mídia online independente. A ideia de uma “imprensa livre” como um mercado aberto de ideias democráticas não tem nenhum significado real na sociedade moderna, até que uma ação antimonopólio seja tomada. Qual é a última coisa que os que estão no poder farão.

Muito pelo contrário, eles buscam ativamente eliminar a dissidência até mesmo na Internet.

(...) Julian Assange foi uma luz nesta escuridão. O Wikileaks abriu uma janela para o mundo secreto do crime de guerra, assassinato e corrupção que está por trás de grande parte do governo sob o qual vivemos em todo o mundo “livre”. Vindo na esteira da percepção pública de que havíamos mentido descaradamente sobre a destruição do Iraque, houve um tempo em que parecia que Assange nos levaria a uma nova era em que denunciantes, jornalistas cidadãos e uma internet democrática revolucionariam a informação pública, quebrando o estrangulamento bilionário.

Isso parece menos promissor hoje, à medida que o próprio mundo da Internet se corporatizou. Julian está na prisão e hoje começa uma audiência de extradição que tem sido um longo processo de abuso. As terríveis condições de confinamento solitário em que foi mantido na prisão de alta segurança de Belmarsh, sem acesso à sua equipe jurídica ou a um computador de trabalho, aos seus papéis ou à sua correspondência, afetaram enormemente sua saúde física e mental . O Representante Especial da ONU declarou que ele está sujeito a tortura. A reação da mídia diante da vítima de tortura do Estado Assange é desprezo.

Constantemente apoiadores de Julian questionam por que a mídia não vê o ataque a um editor e jornalista como Assange como uma ameaça a si mesmos. A resposta é que o estado e a mídia corporativa estão confiantes em sua aliança firme com os poderes constituídos. Eles não têm intenção de desafiar o status quo; sua proteção contra aqueles que chutam Assange está em se juntar ao chute. [Leia a íntegra do texto aqui]



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Jornalismo não é crime. Não à extradição de Assange para os Estados Unidos


Quando há dez anos Julian Assange e o WikiLeaks, de que ele foi criador e editor, divulgaram ao mundo os primeiros crimes de guerra dos Estados Unidos foi uma comoção e uma verdadeira corrida dos principais jornais do mundo pela publicação.

Dez anos depois, numa tremenda inversão de pauta, o governo dos Estados Unidos conseguiu tirar seus crimes do noticiário e agora o foco é Assange, que teria cometido o "crime" (na verdade, o trabalho jornalístico) de divulgar seus crimes.

Amanhã, dia 7, Assange vai a um julgamento de cartas marcadas em Londres, quando deve ser concedida sua extradição aos EUA, onde será julgado por outro tribunal de cartas marcadas e condenado a 175 anos de prisão.

Quando não cometeu crime algum, a não ser divulgar os crimes de guerra dos Estados Unidos.

A mídia comercial pelo mundo e a brasileira em particular ignoram o fato, com honrosas exceções, como o jornalista Nelson de Sá, que publicou esta excelente coluna na Folha na sexta, que republico a seguir.

Após dez anos, poucos se batem por Assange ou o jornalismo


Acaba de estrear em diferentes plataformas o documentário “The War on Journalism”, a guerra contra o jornalismo, sobre Julian Assange, do WikiLeaks, cuja extradição aos EUA começa a ser decidida nesta segunda (7) em Londres.
Visa mobilizar apoio, com entrevistas sobre a década de confinamento de Assange em prisões e na embaixada do Equador. Stella Morris, mãe de dois filhos dele no período, chora: “Passaram dez anos quebrando uma pessoa”.
O que impressiona, de novo, são cenas que revelou em 2010. A começar do histórico vídeo do helicóptero americano em Bagdá, gravando a própria operação que matou 11, inclusive dois jornalistas da Reuters. Outra, reduzida na edição, denuncia criança sob tortura.
A estreia no YouTube foi comentada ao final pelo cineasta britânico Ken Loach (a partir de 43 minutos [vídeo republicado abaixo]), de “Eu, Daniel Blake”, Palma de Ouro em Cannes, chocado com o “horror absoluto” das duas cenas. “Não consigo tirar da cabeça a criança de seis anos torturada com uma broca. Isso é impossível. Um crime de guerra. Nós precisamos saber dessas coisas.”
É por elas e pelos documentos militares e diplomáticos que o WikiLeaks publicou então que os EUA o querem, para que seja julgado com base na Lei de Espionagem de 1917.
“Todo mundo sabe a história real: que não é espionagem, é jornalismo”, diz Loach, para em seguida se voltar ao que mais o revolta. “O Guardian, que pegou as matérias dele e o deserdou, sabe. A BBC sabe, todo editor sério de jornal nacional sabe a verdade. Mas eles estão em silêncio.”
Loach e outros que combatem a extradição o fazem quase sempre como vozes isoladas, não institucionais. Jornais anglo-americanos como o New York Times se afastaram de vez em 2016 —quando a divulgação via WikiLeaks de emails da campanha democrata teria levado, segundo a própria, à vitória de Trump.
Mas não se trata dessa controvérsia posterior. O trabalho que realizou em 2010 e que pode terminar condenado como espionagem foi jornalístico.
Daí o risco de se estabelecer precedente para perseguição não somente nos EUA, mas global, Brasil inclusive. O alarme disparou em várias partes, nas últimas semanas, embora não nos veículos maiores.
Peter Oborne, que foi por décadas um dos principais nomes dos conservadores Telegraph e Spectator, escreveu no Press Gazette sob o título “As futuras gerações de jornalistas não nos perdoarão se não lutarmos contra a extradição”.
Diz que a reação seria diferente se o pedido de extradição, por “cometer o crime de jornalismo”, viesse de outro país. “Se a Grã-Bretanha capitular diante dos EUA de Trump, o direito de publicar material vazado, por interesse público, pode sofrer golpe devastador.”
Também no Press Gazette, Alan Rusbridger, editor do Guardian por 20 anos, inclusive do material de 2010, considerou “surpreendente que mais pessoas não vejam como o processo tem implicações para todos os jornalistas”.
Governos pelo mundo “estão ansiosos para proibir reportagens sobre segurança nacional”. E o farão, a partir deste caso, “tornando ilegal até o recebimento de documentos, quanto mais publicá-los”.
Outros jornalistas históricos, como Patrick Cockburn, ex-Financial Times, escrevendo na London Review of Books, defendem Assange. Nos Estados Unidos, uma das poucas é Margaret Sullivan, do Washington Post, falando ao Intercept.
“Cultivar suas fontes e usar criptografia não são só práticas comuns, mas as melhores práticas”, diz ela, listando as ações de Assange que Washington vem tentando definir como espionagem, ou seja, que “o jornalismo é crime”.




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Sob silêncio da mídia comercial brasileira, o jornalista Julian Assange, do WikiLeaks, vai a julgamento nesta segunda por fazer jornalismo


Nesta próxima segunda, dia 7, o jornalista e editor do WikiLeaks, Julian Assange, vai a julgamento e deve ser extraditado para os Estados Unidos pelo crime de... fazer jornalismo.

Assange recebeu da militar dos EUA Chelsea Manning imensa quantidade de material a que o governo dos Estados Unidos não queria que o mundo tivesse acesso.

A partir da divulgação de parte do material pelo WikiLeaks, jornais pelo mundo, inclusive brasileiros, reproduziram as revelações. Nenhum foi punido ou está ameaçado pelo governo dos EUA. Apenas Assange, que, caso seja extraditado, deverá ser condenado a 175 anos de prisão em isolamento.

Entre as revelações de Assange, estão a prova do assassinato de civis pelas tropas estadunidenses na guerra do Iraque, como a famosa execução via helicóptero Apache, que já publiquei aqui (confira aqui em "EUA querem que Assange pague por denunciar seu jogo sujo no Iraque e com aliados, inclusive o Brasil").

Nessa execução, foi morto o fotógrafo da agência Reuters Namir Noor-Eldeen, que tirou esta foto em Bagdá de um menino saindo da escola, desviando da poça de sangue sobre folhas de cadernos, após ataque das tropas dos EUA que mataram quatro estudantes.


O Julgamento desta segunda poderia ter um desfecho diferente, caso a mídia comercial fosse mais solidária com o colega jornalista que submissa aos interesses dos Estados Unidos.

Porque é um jogo de cartas marcadas. A juíza do caso tem familiares que fazem parte do serviço secreto do Reino Unido, principal aliado dos EUA.

Ela deveria se dizer impedida de julgar o caso. Mas não o fez, nem é cobrada por isso.

Os Estados Unidos querem a cabeça de Assange para que cada um fique sabendo que, caso publique alguma coisa que vá contra os interesses dos EUA, poderá ter o mesmo destino dele, ser perseguido, condenado e confinado numa cela para o resto da vida.

Por isso a liberdade de Assange deveria ser uma luta do jornalismo global e de todos os jornalistas.

#FreeAssange



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7 de setembro: Dia da liberdade de informação. Ou de o mundo se curvar aos EUA e extraditar Assange. Documentário na íntegra


No dia 7 de setembro agora vai ocorrer uma audiência em Londres que pode definir o futuro do Julian Assange e o poder de os Estados Unidos interferirem nos países ao redor do mundo para imporem sua vontade.

Ali, será decidido se Assange, o fundador do Wikileaks, será deportado para os Estados Unidos, onde deve ser condenado a 170 anos de prisão por divulgar documentos que os Estados Unidos não queriam que o mundo ficasse sabendo.

Juan Passarelli fez um documentário, A Guerra Contra O Jornalismo: O Caso de Julian Assange, sobre o fundador do site WikiLeaks.
“O que pretendo fazer com o filme é simplesmente que as pessoas, que por alguma razão pensam que Assange não é uma boa pessoa ou que não merece seu tempo, tenham um documento fácil de compreender sobre o que realmente está acontecendo e o que aconteceu.”
Em cerca de 38 minutos, o longa - disponível de graça no YouTube - aborda desde a série de reportagens do WikiLeaks com informações contra os Estados Unidos, como crimes de guerra, espionagem, abusos de poder e pressões diplomáticas, publicada em 2010, até a situação em que Assange se encontra atualmente: preso na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, desde abril de 2019, à espera de um julgamento de extradição solicitada pelos EUA.
No dia 7 de setembro será realizada uma audiência, no Tribunal Criminal Central de Londres, sobre o processo de extradição do jornalista, “um dos julgamentos mais importantes atualmente”. Caso seja extraditado, Assange será julgado na Corte do Eastern District de Virgínia, conhecida “Corte da Espionagem” e famosa pela tradição de condenações. No total, o governo dos EUA apresentou 18 acusações referentes às publicações de 2010 e embasadas no argumento de que Assange violou segredos de segurança nacional com o objetivo de prejudicar a política externa dos EUA.
Na visão de Passarelli, Assange foi preso por fazer seu trabalho como jornalista. “O que está em risco aqui é o direito do mundo e das pessoas poderem ser informadas. Esse direito que todos temos de receber informações sobre o que fazem as pessoas que elegemos com nossos votos, com nossos impostos. Isso é o que Julian Assange revelou, o que estava acontecendo e por isso que está preso hoje em dia”, afirma Passarelli.
Entre as revelações, o site WikiLeaks publicou um manual de tortura do Exército dos EUA utilizado no centro de detenção Guantánamo. Também tornou público o registro de vítimas dos EUA na Guerra do Iraque, no qual os EUA reconhecem que 60% dos mortos foram civis. Um dos vazamentos que mais chocou o mundo foi a publicação de um vídeo no qual iraquianos são atacados com armas de fogo por um helicóptero americano, no dia 12 de julho de 2007 [vídeo a seguir. Aviso: as imagens são fortes]. 


Para Passarelli, os jornalistas têm o dever de revelar o que e como os governantes utilizam os recursos públicos, bem como o que decidem fazer com o voto do eleitorado. A perseguição contra jornalistas “é uma crescente que tem que parar com o caso de Julian Assange, porque se não podemos revelar, como jornalistas, o que os nossos governos fazem com nosso direito e voto, não temos democracia”.
Em um paralelo com a situação do jornalista Glenn Greenwald, após a publicação das reportagens no âmbito da Vaza Jato, o diretor afirma que é uma “cópia exata do caso de Julian Assange”.
“O perigo para os jornalistas é latente no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no resto do mundo quando querem fazer jornalismo que prejudica os interesses dos poderosos”, afirma Passarelli.
Segundo a defesa de Assange, uma eventual extradição para os EUA violaria o artigo 14 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que proíbe a medida se não há a garantia de que a pessoa receberá as garantias mínimas no processo penal. Para a defesa, tais garantias são inexistentes nos Estados Unidos. [Brasil de Fato]
Leia também:

» Bush defende a tortura. Bush defende a tortura.[com imagens divulgadas pelo Wikileaks]

A seguir, assista ao documentário de Passarelli. Informe-se sobre quem é Assange, qual a sua importância e a necessidade de impedir sua extradição.

DICA PARA ASSISTIR VÍDEO NO YOUTUBE EM QUALQUER IDIOMA

O vídeo está em inglês, mas se você não domina o idioma pode muito bem quebrar o galho com a tradução simultânea. Basta fazer o seguinte.

Dê uma olhada na imagem lá acima, que é um print da transmissão do YouTube. Repare que há um círculo azul em volta de uma engrenagem, no canto inferior direito.

Agora procure a mesma engrenagem no vídeo abaixo. Clique na engrenagem. Clique em Legendas. Clique em Inglês (gerada automaticamente). Clique de novo em inglês.  Clique em Traduzir Automaticamente. Escolha Português.

Isso vale para todos os vídeos do YouTube, e para a maioria dos idiomas.





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Bradley Manning condenado a 35 anos de prisão por revelar ao mundo, entre outras coisas, imagens como estas

As imagens são fortes. Mas para os pilotos, soldados do Exército dos EUA, parece apenas mais um videogame. Por isso eu separei em dois vídeos: o primeiro, editado por mim. O segundo, mais completo, onde se vê crianças sendo metralhadas pelo helicóptero estadunidense Apache, em 2007, Bagdá, Iraque.

O responsável por essas imagens terem chegado ao público é o soldado Bradley Manning, que repassou estas e outras imagens, além de relatórios confidenciais do governo dos EUA ,ao WikiLeaks, de Julian Assange. Por isso, Manning foi condenado ontem a 35 anos de prisão.

O vídeo foi divulgado pelo WikiLeaks em abril de 2010, e horrorizou o mundo. A verdadeira face dos EUA, por tanto tempo encoberta, ganhou as primeiras páginas dos jornais do mundo.

Por isso Assange está sendo perseguido e acusado de estupro, quando na verdade praticou sexo consensual com duas mulheres, em menos de 10 dias, sem o uso de preservativo. Na Suécia. Lá, ambas as coisas são proibidas: sexo sem preservativo e com duas mulheres diferentes em prazo inferior a 10 dias. Para o governo dos USA e a mídia porcorativa mundial virou estupro. O que seria então o assassinato destas pessoas?

Vídeo 1:


Vídeo 2:


[Atualização de uma postagem de dezembro de 2010] 


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Madame Flaubert, de Antonio Mello