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Polêmica: Bilionário indiano quer que o povo trabalhe 70 horas por semana

Na Índia, o bilionário NR Narayana, fundador da Infosys, levantou uma polêmica ao sugerir que os indianos deveriam trabalhar 70 horas por semana "para ajudar no desenvolvimento do pais". Os trabalhadores, é claro, são contra.

"Não há tempo para socializar, não há tempo para conversar com a família, não há tempo para fazer exercícios, não há tempo para recreação. Sem mencionar que as empresas esperam que as pessoas respondam e-mails e ligações também depois do horário de trabalho. Então você se pergunta por que os jovens estão tendo ataques cardíacos?" Dr. Deepak Krishnamurthy, um cardiologista baseado em Bengaluru, escreveu no X (no ex- Twitter).

Narayana Murthy, que é sogro do primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, disse que a produtividade da Índia é uma das mais baixas do mundo.

"A menos que melhoremos a nossa produtividade no trabalho... não seremos capazes de competir com os países que fizeram enormes progressos. Portanto, o meu pedido é que os nossos jovens digam: 'Este é o meu país. Gostaria de trabalhar 70 horas por semana'", acrescentou.

Parece absurdo, mas não na Índia. Ano passado o CEO de uma empresa indiana sugeriu que jovens em início de carreira trabalhassem inacreditáveis 18 horas por dia.

Até a semana de cinco dias de trabalho é criticada por lá:

“Uma cultura de semana de cinco dias não é o que uma nação em rápido desenvolvimento do nosso tamanho precisa”, disse Sajjan Jindal, presidente do Grupo de empresas JSW.
O que deveria ser perguntado aos empresários é se eles topariam essas jornadas de trabalho se recebessem o salário que pagam...

Só quem não está entrando nessa polêmica por lá são as mulheres, e por um motivo simples: para elas a jornada de trabalho de 70 horas é o normal, juntando as horas de trabalho fora e em casa.

Com informações da BBC.

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Vacina indiana Covaxin comprada por Bolsonaro por R$1,6 bi de empresa investigada pode ter testes anulados na Índia por irregularidades


Reportagem da CNN internacional mostra que a fase 3 de testes da Covaxin na Índia pode ser toda anulada por irregularidades nos procedimentos. A Covaxin foi comprada pelo governo Bolsonaro por R$1,6 bilhão, mesmo ainda estando em fase de testes.
 
"Voluntários" foram a público dizer que não sabiam que participavam de um teste, que achavam que estavam sendo vacinados.
 
As denúncias surgiram a partir do aparecimento de casos em hospitais de pessoas com algumas reclamações de saúde e que diziam haver tomado a "vacina".
 
O que acontece, e pode levar à anulação da fase 3 de testes, e, repito, segundo as denúncias, é que os testes não seguiram as diretrizes científicas da Anvisa indiana.
 
Uma van teria percorrido um vilarejo miserável da Índia anunciado que pagaria 750 rúpias a quem quisesse receber a vacina. O valor é maior do que o salário de um dia de trabalho e, além disso, a pessoa receberia a vacina.
 
Só que não se tratava de vacina, mas de teste, algumas pessoas receberam a Covaxin e outras não, apenas placebo. E não teriam sido informadas disso, o que é irregular.
 
Como geralmente acontece, o laboratório fabricante da Covaxin nega tudo e afirma ter obedecido a todos os protocolos.
 
Alguns cientistas salientam também que o local escolhido para testes seria problemático porque lá teria ocorrido um desastre ambiental provocado por uma nuvem de gás tóxico da Union Carbide na década de 1980, que matou dezenas de milhares de pessoas, atingiu mais de 500 mil delas e provoca danos na saúde dos moradores de Bhopal até hoje.
 
Há também relato de uma morte nessa fase de testes, mas que o laboratório nega relação com a vacina.
 
Tudo, evidentemente tem que ser investigado. Inclusive porque o mercado de vacinas é multibilionário e as grandes empresas não querem perder espaço para uma indiana.
 
Mas também precisa ser investigado por que o governo brasileiro, que se nega a comprar a vacina da Pfizer aprovada pela Anvisa, resolveu jogar R$1,6 bilhão na Covaxin que ainda não foi aprovada nem na Índia.
 
Assista ao vídeo da reportagem da CNN, em inglês.





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Gangue cor-de-rosa dá surra em homens na Índia

Gulag Gang, foto BBC

Cansadas de maus-tratos, mulheres se uniram, formaram a Gulag Gang (Gangue cor-de-rosa) e resolveram partir para o braço. Elas são as vingadoras da cidade de Banda, no norte da Índia.

Segundo a BBC, o grupo existe há dois anos e surgiu em reação às surras e maus-tratos cometidos por homens, além de combater a corrupção na distribuição de comida para os pobres.

Armadas com varas e machados (!!!), elas não querem mudar o status quo, apenas serem tratadas com um pouco mais de dignidade.

O grupo também não se considera feminista. As mulheres dizem que já devolveram 11 meninas que foram expulsas de casa aos maridos porque "mulheres precisam de homens para viver junto". (leia reportagem completa da BBC Brasil aqui)

Mas se o homem não se comportar, a Gulag Gang veste seu sári cor-de-rosa e parte para o ataque.

A música-tema delas deveria ser aquela da Rita Lee:

Por isso, não provoque,
é cor-de-rosa choque!

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Coca-Cola com coca, e o problema da água

Agora, após a divulgação do relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), quando problemas do clima e da água voltam à pauta, vou trazer mais uma vez um assunto que abordei numa postagem aqui há quase um ano e que até agora não teve conseqüência.

Coca-Cola com coca?

Laudo do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal concluiu: a Coca-Cola do Brasil usa folhas de coca como matéria-prima na fabricação do extrato vegetal (também chamado de mercadoria nº 05) utilizado como um dos componentes na fabricação do seu refrigerante de cola.

Segundo a legislação de entorpecentes em vigor (DL 891, de 25/11/1938, itens 13 e 14), o uso de folhas de coca e suas preparações é terminantemente proibido no país, assim como a utilização de cocaína, seus sais e preparações. A lei faz distinção clara e cita todas as formas proibidas, tanto quanto ao uso, cultivo, transporte e comercialização. O item 13 abrange a folha de coca e suas preparações; o item 14 veta a utilização de cocaína, seus sais e preparações.
Ou seja: em estrito respeito à lei, a Coca-Cola não poderia ser comercializada no país.

Você arguto leitor, leu sobre o assunto em algum lugar?

A Coca limitou-se a um comunicado curto em que afirmava que há muito tempo não usava folha de coca em seu preparo.

No entanto, a agência peruana antidrogas, DEVIDA, disse que a companhia compra 115 toneladas de folha de coca do Peru e 105 toneladas da Bolívia por ano.

Evo Morales: Coca só para a Coca-Cola?

Em reportagem da BBC Brasil, publicada dia 22/12/2005 presidente boliviano Evo Morales (à época eleito, mas ainda não empossado) insistiu que a empresa compra a coca, apesar das informações de que o produto saiu da fórmula do refrigerante em 1929.

- "Se já retiraram esse ingrediente da Coca-Cola, então por que seguem comprando?"

Coca, Pepsi e a água da Índia

Em um dos comentários sobre a postagem, uma leitora que se identificou como Cláudia Gonçalves enviou-me um link de uma reportagem do Le Monde Diplomatique. Aquele link caducou, mas descobri o novo.

A reportagem do Diplô mostra um quadro aterrador, decorrente da utilização da água pela Coca e sua irmã siamesa, a Pepsi, no Kerala, na Índia, e a luta das mulheres do local contra as gigantes multinacionais.

As duas empresas possuem atualmente noventa “usinas de engarrafamento”, que são na realidade nada mais que “usinas de bombeamento”: 52 unidades pertencem à Coca-Cola e 38 à Pepsi-Cola. Cada uma delas extrai entre 1 milhão e 1,5 milhão de litros de água por dia.

Essas práticas resultaram na secagem de 260 poços, cuja escavação tinha sido garantida pelas autoridades para servir às necessidades de água potável e para a irrigação agrícola. Nesta região do Kerala – chamada “celeiro de arroz”, em razão de um rico ecossistema dotado de água abundante – os rendimentos agrícolas diminuíram 10%. O cúmulo é que a Coca-Cola redistribui aos camponeses, sob forma de esterco, os dejetos tóxicos produzidos por sua usina. Os testes efetuados, no entanto, mostraram que este esterco tem um forte teor de cádmio e de chumbo, substâncias cancerígenas.

Pergunto: será diferente aqui no Brasil? Você, arguto leitor, leu alguma reportagem a respeito?

Parece que antes do compromisso com o leitor vem o compromi$$o com o anunciante. Essa é a ética dos jornalões?