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Se Glenn Greenwald não fosse cidadão dos EUA seria próximo preso pela PF de Moro

Glenn Greenwald com bandeira EUA ao fundo

O governo Bolsonaro e o ministro Moro armaram o circo invertido, onde os palhaços, que para eles somos nós, os cidadãos brasileiros, ficamos na plateia. Pelo menos é o que pensam.

Mirando o público bolsonarista, que é alimentando com fake news, ensinamentos de jesus da goiabeira e Olavo, pela mamadeira de piroca, começou a marcha dos insensatos.

A ordem é atacar as reportagens do Intercept, que divulgam para o mundo os bastidores sujos da Lava Jato, como Moro e procuradores manipulavam os processos e a Operação para atingirem seus objetivos, à margem da lei.

A licença de Moro, o anúncio de novos hackeamentos, dessa vez atingindo o posto Ipiranga Guedes e a líder do governo, deputada Joice, seguidos da prisão de quatro supostos hackers foi profecia autorrealizável cantada pelo próprio The Intercept Brasil.

O objetivo é tentar desqualificar as reportagens e dizer que foi tudo adulterado pelos "hackers".

Alguém em sã consciência vai acreditar nisso? Claro que não. Mas, alguém em sã consciência acharia que um energúmeno como Bolsonaro seria eleito presidente?

Por isso, não tenho dúvidas: se Glenn não fosse cidadão dos Estados Unidos, o império dos Bolsonaros, ele iria preso com a turma do Intercept, "por espalhar fake news", exatamente aquilo que elegeu Bolsonaro presidente (mediante fraude).

Mas Glenn, além de cidadão dos EUA, é jornalista reconhecido mundialmente, assim como, em pouco mais de seis meses, o mundo também já conhece Bolsonaro, enxovalhado pela imprensa internacional.



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Não é de hoje que Glenn revela verdades inconvenientes. Em 2013, denunciou espionagem dos EUA: 'Brasil é o grande alvo dos EUA'

Glenn com a frase de que Brasil é grande alvo dos EUA

Muitos por má fé, outros por desinformação mesmo, acham que Glenn Greenwald caiu de paraquedas no meio da Lava Jato denunciando as sujeiras internas dos bastidores da Operação que, em nome do combate à corrupção, visava antes de mais nada prender Lula e colocar no poder alguém que desse uma guinada no país, que se insinuava independente, trazendo-o de volta ao colo dos Estados Unidos, o que fica evidente com o governo safadamente entreguista de Bolsonaro.

Glenn foi o jornalista escolhido por Edward Snowden para desmascarar e mostrar ao mundo a face oculta do governo dos EUA, que espionava não apenas adversários políticos, mas países amigos, entre eles o Brasil.

Reportagem de Guilherme Balza do UOL em 2013, mostra que o Brasil era o grande alvo da espionagem do Estados Unidos. Não só o governo Dilma, como a Petrobras.

Curiosamente, coincidentemente, muito convenientemente, a Lava Jato começou um ano depois, em cima da Petrobras, e em parceria com os Estados Unidos. É só ligar os pontos.
O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que revelou os documentos secretos obtidos por Edward Snowden, disse em entrevista por telefone ao UOL que o Brasil é o maior alvo das tentativas de espionagem dos Estados Unidos. "Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos", disse o jornalista, que promete trazer novas denúncias. "Vou publicar todos os documentos até o último documento que deva ser publicado. Estou trabalhando todo dia."
Greenwald revelou esta semana, em reportagem em conjunto com o programa "Fantástico", da TV Globo, que o governo americano espionou inclusive os e-mails da presidente Dilma Rousseff e de seus assessores próximos.
Snowden era técnico da NSA, a agência de segurança americana, e revelou ao jornal britânico "The Guardian", onde Greenwald é colunista, o escândalo de espionagem norte-americano.

Na época, Glenn também sofreu pressão do governo dos EUA, como sofre agora. Ele contou na reportagem de 2013:
Tem muitos políticos que estão ameaçando, pedindo para que me prendam, falando que sou criminoso. Há debates na televisão sobre se eu sou jornalista ou criminoso. Meu advogado recomenda que eu ainda não volte para os Estados Unidos até que eles possam resolver tudo. Acontece com meu companheiro na Inglaterra, que ficou detido por nove horas. Quando você faz jornalismo contra facções mais poderosas eles vão te atacar. Eu sabia que iria acontecer, mas não vou parar nem um pouco por causa disso.
Glenn recebeu o Pulitzer por suas reportagens sobre Snowden.


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Preso no aeroporto em Londres companheiro de jornalista britânico que divulgou informações de Snowden

David Miranda, companheiro do jornalista do “The Guardian” Glenn Greenwald, que escreveu a série de reportagens revelando a vigilância de civis pela Agência de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês), ficou por quase nove horas detido no aeroporto de Heathrow, em Londres.

David mora com o jornalista britânico no Rio e foi detido em Londres, com base no artigo 7 da lei de terrorismo, de 2000. Ele ficou preso por nove horas - tempo máximo permitido. Não havia acusação alguma contra ele. Ainda assim, teve confiscados "equipamentos eletrônicos, incluindo telefone celular, laptop, câmera, cartões de memória, DVDs e jogos".

A medida do governo britânico está sendo vista como uma tentativa de intimidação.

No seu blog, no "Guardian", Glenn diz que tratou-se de um ataque à liberdade de imprensa e uma mensagem de intimidação pela divulgação da espionagem.

"Mas a última coisa que este ato vai provocar é nos intimidar ou nos deter de fazer nosso trabalho como jornalistas. Pelo contrário: irá nos encorajar mais para continuar denunciando", afirmou no blog.

[Fonte da matéria é o Extra, das Organizações Globo, que têm o hábito de sonegar não apenas impostos mas links dos blogs que não sejam deles. Aqui está o link do Blog do Glenn Greenwald no The Guardian, e, em protesto, dou o crédito ao Extra mas não o link. Leia Detaining my partner: a failed attempt at intimidation, postagem  de Greenwald sobre o caso].


Madame Flaubert, de Antonio Mello