Mostrando postagens com marcador Mendonça de Barros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mendonça de Barros. Mostrar todas as postagens

'FHC deveria ser responsabilizado criminalmente pela venda da Vale'

Da Agência Brasil:

Os responsáveis pela privatização da Companhia Vale do Rio Doce deveriam ser responsabilizados criminalmente pela venda da empresa a preço abaixo de seu patrimônio, na opinião do jurista Fábio Konder Comparato. Em entrevista à Rádio Nacional, o jurista defende que a responsabilização deve incluir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A Vale é atualmente a segunda maior empresa de mineração e metais do mundo, presente em 13 estados brasileiros e 20 países dos cinco continentes. Ela também é líder mundial na produção e exportação de ferro. Uma campanha de várias entidades, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), questiona o processo de privatização de 1997.

“Nós não chegamos, mas deveríamos ter, há muito tempo, responsabilizado pessoalmente os autores dessa falsa venda e dessa fraude. A começar pelo então presidente da República, que deve responder por isso na Justiça”, defendeu o integrante da Comissão de Defesa da República e da Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Houve um “atentado ao patrimônio nacional”, segundo ele, com a venda por R$ 2,1 bilhões da empresa que tinha patrimônio de R$ 92 bilhões. Konder defende a reestatização da empresa. “Se o contrato for nulo não pode ser mantido”, afirmou.

(...) Dez anos depois, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce ainda é questionada na Justiça. Ao todo 107 medidas judiciais entre ações populares e ações civis públicas tentam reverter a venda, realizada em maio de 1997. Uma campanha, articulada por diversos movimentos sociais, colocou o tema em debate este mês.

Os militantes recolheram votos para um plebiscito popular para saber se a população concorda ou não com a reestatização da empresa. O argumento dos movimentos sociais é o mesmo das ações judiciais. O preço pelo qual a Vale foi vendida teria sido muito baixo. Com patrimônio estimado em R$ 92 bilhões, segundo as organizações, a estatal foi vendida a R$ 2,1 bilhões. Somente no primeiro ano após a privatização, a empresa teve lucro de R$ 10 bilhões.

Os críticos da privatização alegam que na avaliação de preço da Vale foi omitida a maior parte da quantidade de minério de ferro e excluíram todo o ouro no subsolo que poderiam ser considerados patrimônio da empresa. Também não foi considerado o lucro futuro que a Vale teria, o que costuma ser feito em operações de venda de grandes empresas.

Outro ponto questionado da privatização é o fato do banco Bradesco ter sido responsável pela avaliação de preço da companhia. Alguns anos depois, o próprio banco comprou participação na empresa que ele mesmo ajudou a vender. Procurado pela Agência Brasil, o Bradesco informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

A reportagem também procurou o ex-presidente FHC e Luiz Carlos Mendonça de Barros, que à época presidia o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e era coordenador do Programa Nacional de Desestatização (PND). Igualmente não se manifestaram.

Tudo deve estar dentro da lei. Não duvido que os contratos obedeçam estritamente a Constituição. Eles têm excelentes advogados. Doutos doutoríssimos doutores juízes desembargadores pagos a peso de ouro (e como são pesados!) para justificar que um roubo não foi um roubo. Mas foi.

Aos que dizem que a venda da Vale foi correta, proponho o seguinte desafio: que me vendam um patrimônio seu da forma como foi vendida a Vale.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail