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O que Serra acha da ditabranda, jornalistas? Coragem!

Hoje faz um mês que a Folha publicou o editorial em que criou o neologismo ditabranda para se referir à ditadura que subjugou o Brasil de 1964 a 1985. O fato provocou reações que acabaram por fazer a Folha reconhecer seu erro.

No entanto, até hoje não se conhece a opinião de José Serra, governador de São Paulo e candidato da Folha (e da mídia corporativa em geral) à disputa presidencial do ano que vem.

Infelizmente, nosso jornalismo de aquário só corre atrás do que é encomendado pela chefia. Ficamos por aqui como Diógenes com nossa lanterna, à procura de um jornalista que faça as perguntas que devem ser feitas e a quem de direito.

Será que não há um só, em todo este Brasil, que enfrente o governador de SP, que é conhecido como uma pessoa que pede a cabeça de jornalistas que lhe desagradam?

Serra está em campanha pelo país, por que ninguém pergunta a ele o que acha do termo ditabranda, do reconhecimento do erro pela Folha e da agressiva e injusta crítica do jornal aos professores Comparato e Benevides?

É pedir demais?

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Folha errou de novo: Comparato criticou governo cubano

Avisado por um leitor, Rodrigo Vianna mostra em seu blog que o diretor de Redação da Folha, filho do dono, e atual proprietário do jornal, Otavio Frias Filho, não lê a Folha.

No dia 1° de junho de 2004, foi publicada na Folha a seguinte carta no Painel do leitor. Repare no conteúdo e no nome do autor.

Ruptura
"O professor François Chesnais ("Ruptura radical" é a saída para o Brasil, defende professor francês", Entrevista da 2ª, 31/5) tem dado uma excelente contribuição à causa do mundo subdesenvolvido ao mostrar, em seus vários livros, de que forma a globalização capitalista, comandada pelos EUA, aprofunda a divisão entre ricos e pobres até dentro dos países mais ricos do planeta. Mas, ao apontar em sua entrevista a experiência política cubana como exemplo a ser seguido pelos países subdesenvolvidos, especialmente o Brasil, o ilustre professor prestou um desserviço àquela nobre causa. A mundialização humanista, pela qual lutamos, funda-se no respeito integral à democracia e aos direitos humanos, caminho que, infelizmente, não tem sido seguido pelo governo cubano."
Fábio Konder Comparato, professor titular da Faculdade de Direito da USP (São Paulo, SP)

Como é que é? Comparato criticando Cuba na própria Folha? Mas Otavinho não o chamou de cínico e democrata de fachada exatamente por não fazê-lo? Otavinho não lê o próprio jornal que dirige?

E agora, com que autoridade irá comandar a redação, exigir que os repórteres apurem tudo direitinho, quando ele não o faz? Uma simples pesquisa com o nome do professor Comparato na busca da Folha teria mostrado seu erro a respeito do professor.

Agora, para mostrar que não é um “democrata de fachada”, Otavinho terá de vir novamente ao proscênio para reconhecer que mais uma vez a Folha (ele é a Folha?) errou. Ou, humildemente, dessa vez dirá "Eu errei"?

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'FHC deveria ser responsabilizado criminalmente pela venda da Vale'

Da Agência Brasil:

Os responsáveis pela privatização da Companhia Vale do Rio Doce deveriam ser responsabilizados criminalmente pela venda da empresa a preço abaixo de seu patrimônio, na opinião do jurista Fábio Konder Comparato. Em entrevista à Rádio Nacional, o jurista defende que a responsabilização deve incluir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A Vale é atualmente a segunda maior empresa de mineração e metais do mundo, presente em 13 estados brasileiros e 20 países dos cinco continentes. Ela também é líder mundial na produção e exportação de ferro. Uma campanha de várias entidades, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), questiona o processo de privatização de 1997.

“Nós não chegamos, mas deveríamos ter, há muito tempo, responsabilizado pessoalmente os autores dessa falsa venda e dessa fraude. A começar pelo então presidente da República, que deve responder por isso na Justiça”, defendeu o integrante da Comissão de Defesa da República e da Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Houve um “atentado ao patrimônio nacional”, segundo ele, com a venda por R$ 2,1 bilhões da empresa que tinha patrimônio de R$ 92 bilhões. Konder defende a reestatização da empresa. “Se o contrato for nulo não pode ser mantido”, afirmou.

(...) Dez anos depois, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce ainda é questionada na Justiça. Ao todo 107 medidas judiciais entre ações populares e ações civis públicas tentam reverter a venda, realizada em maio de 1997. Uma campanha, articulada por diversos movimentos sociais, colocou o tema em debate este mês.

Os militantes recolheram votos para um plebiscito popular para saber se a população concorda ou não com a reestatização da empresa. O argumento dos movimentos sociais é o mesmo das ações judiciais. O preço pelo qual a Vale foi vendida teria sido muito baixo. Com patrimônio estimado em R$ 92 bilhões, segundo as organizações, a estatal foi vendida a R$ 2,1 bilhões. Somente no primeiro ano após a privatização, a empresa teve lucro de R$ 10 bilhões.

Os críticos da privatização alegam que na avaliação de preço da Vale foi omitida a maior parte da quantidade de minério de ferro e excluíram todo o ouro no subsolo que poderiam ser considerados patrimônio da empresa. Também não foi considerado o lucro futuro que a Vale teria, o que costuma ser feito em operações de venda de grandes empresas.

Outro ponto questionado da privatização é o fato do banco Bradesco ter sido responsável pela avaliação de preço da companhia. Alguns anos depois, o próprio banco comprou participação na empresa que ele mesmo ajudou a vender. Procurado pela Agência Brasil, o Bradesco informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

A reportagem também procurou o ex-presidente FHC e Luiz Carlos Mendonça de Barros, que à época presidia o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e era coordenador do Programa Nacional de Desestatização (PND). Igualmente não se manifestaram.

Tudo deve estar dentro da lei. Não duvido que os contratos obedeçam estritamente a Constituição. Eles têm excelentes advogados. Doutos doutoríssimos doutores juízes desembargadores pagos a peso de ouro (e como são pesados!) para justificar que um roubo não foi um roubo. Mas foi.

Aos que dizem que a venda da Vale foi correta, proponho o seguinte desafio: que me vendam um patrimônio seu da forma como foi vendida a Vale.

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