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A Velha da Lambreta, as notícias do STF e a mídia corporativa na fronteira do Paraguai


A Velhinha, as notícias do STF e a mídia corporativa


Todo mundo conhece a piada da velhinha da Lambreta. Toda semana ela atravessava a fronteira com o Paraguai e na volta trazia um grande saco. O que será que havia ali? Contrabando? Isso intrigava um guarda da fronteira.

Um dia, ele resolveu parar a Velhinha. Ela mostrou... Aqui, a piada varia: areia, pedras... A minha carregava esterco.

O guarda a liberou, mas seguiu intrigado. A velhinha tinha cara de contrabandista. Resolveu pará-la mais uma vez. Esterco de novo. E outra vez. E outra, e outra, semana após semana, a Velhinha atravessando a fronteira e nada de contrabando, apenas esterco.

Até que um dia o guarda não aguentou mais a curiosidade:

- A senhora me desculpe, mas eu estou ficando louco, sonho com isso. Tenho certeza que a senhora é contrabandista. Vamos fazer o seguinte, a senhora me conta o que é e eu vou liberá-la toda vez. 
- O senhor promete, seu guarda?
- Prometo, prometo. É contrabando de quê?
A Velhinha, mordaz:
- Lambreta.

E o que isso tem a ver com o STF e a mídia corporativa, Mello? - pergunta o guarda.



Madame Flaubert, de Antonio Mello

Redes de rádio e TV se unem contra o Senado. No México

Não é só aqui não. Quarta-feira, as principais emissoras de rádio e TV do México entraram em cadeia nacional para atacar o Senado.

E dessa vez o Renan não tinha nada a ver com isso. O que está acontecendo é o seguinte. Lá, parte da propaganda política é paga (aqui também, mas de outra forma). E o Senado ia votar naquele dia uma lei que simplesmente acaba com a propaganda política paga no rádio e na TV. O que tira milhões de dólares do faturamento da “grande mídia”.

Ela sentiu – e acusou - o duro golpe no bolso. Acontece que a “grande mídia” dá ao próprio bolso nomes pomposos, como democracia e liberdade de expressão. E partiu para o ataque.

Imaginem Globo, SBT, Record, Bandeirantes e as principais emissoras de rádio, em cadeia nacional, no horário nobre, dizendo ao povo que a liberdade de expressão – logo, a democracia - está sendo ameaçada com a medida do Senado, e exigindo a criação de um plebiscito. Ou seja, em cadeia nacional fizeram uma rebelião para tentar usurpar o poder de um Senado legitimamente eleito.

No entanto, o tiro saiu pela culatra. As ameaças da mídia uniram ainda mais os senadores, e os líderes dos três principais partidos foram ovacionados, quando reconheceram a culpa dos políticos pelo enorme poder que permitiram que se concentrasse nas mãos da mídia. Ao final, a lei foi aprovada por 110 a 11.

Como se vê, é aquilo que venho afirmando aqui. O comportamento de nossa imprensa não tem nada de exótico, mas, ao contrário, ele se encaixa num movimento maior, a partir dos EUA, que se irradia e reflete não apenas aqui, mas, em maior ou menor grau, pela imprensa de todo o mundo, e tem um de seus casos mais grotescos na imprensa venezuelana.

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Por que as Organizações Globo, a Folha, o Estadão, a Veja odeiam Chávez

Tenho insistido aqui na importância de se prestar atenção na tentativa de agendamento (agenda-setting) efetuada pela mídia.

Exemplo típico disso é a forma como todos os jornalões (impressos e TV) chamam o término das transmissões da RCTV na Venezuela. Para eles, Chávez mandou fechar a emissora, porque lhe fazia oposição. Isso é repetido todos os dias, o dia todo, por todos eles.

No entanto, não esclarecem por que diabos Chávez não fez isso logo após ter retomado o poder, de onde fora retirado por pouco tempo, vítima de um golpe de Estado em 2002, insuflado e patrocinado pela mídia venezuelana – RCTV à frente?

A resposta é clara: Simplesmente porque Chávez não mandou fechar a RCTV. Ou, usando o método deles: Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV.

Como no Brasil, as emissoras de TV na Venezuela operam sob licença (e esta é a razão de a Globo gritar tanto contra o fim das transmissões da RCTV). São uma concessão pública. Por isso devem obedecer a certas normas. Ao final do prazo da concessão, se tiverem agido conforme as regras, ela é renovada. Caso contrário, não.

E foi o que aconteceu com a RCTV. Ela descumpriu as normas - entre otras cositas, patrocinou o golpe de Estado em 2002 -, por isso não teve a concessão renovada.

Não houve fechamento. O golpe contra Chávez (RCTV à frente) foi há cinco anos. Em respeito à lei, ele aguardou o término do período da concessão para, de acordo com a lei, não renová-lo. Apenas isso.

O que a grande mídia brasileira não engole é que ele tenha tomado lá a medida que poderia ter sido tomada aqui, em outras oportunidades, mas nunca o foi, graças ao famoso jeitinho brasileiro.

Por aqui, parlamentares são donos de emissoras de rádio e TV (o que é proibido por lei), grupos controlam rádio, jornal e TV num mesmo Estado (como a hegemônica Globo no Rio – o que também é proibido), e fica por isso mesmo.

Por isso a grita. Têm medo de que aconteça por aqui o que aconteceu por lá. O que eles temem de Chávez é isto: o exemplo.