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'A Revolução não será Televisionada'. Mas o golpe foi


Em 2002, a RCTV, equivalente à Rede Globo na Venezuela, semeou o golpe diariamente contra o governo do presidente Chávez, a ponto de incentivar uma greve geral no país.

Conseguiu seu intento.  Mas o golpe durou pouco e a resistência popular trouxe Chávez de volta ao poder.

Toda essa história é contada no documentário A Revolução não será televisionada, que você pode assistir na íntegra aqui a seguir, com legendas em português.

Aqui, o golpe está durando mais tempo. Eles aprenderam com aquele. E nós não. Tanto que o golpe aqui foi televisionado e endossado pelo Legislativo e Judiciário.

Mas, como lá, a reviravolta aqui virá. Será uma espécie de pentimento, mas aqui o arrependimento virá daqueles que apoiaram a destituição do PT (foi Dilma, como antes foi Lula) pela mudança social que representou para o país. Mas exatamente por isso, o arrependimento virá à tona, mostrando não os caminhos errados que levaram à nova pintura, mas os caminhos certos que foram abandonados pela mentira golpista fartamente alimentada pela Rede Globo.



Como Roberto Marinho autorizou Sarney a nomear Maílson da Nóbrega ministro da Fazenda

Na segunda-feira fiz uma postagem aqui chamada RGTV e RCTV: Tudo a ver. Nela, citava trecho de uma palestra de Paulo Henrique Amorim envolvendo os nomes de Roberto Marinho, José Sarney e Maílson da Nóbrega. Amorim afirmava que Maílson só assumiu após o OK de Roberto Marinho. Fui à fonte:

Eis o trecho da entrevista de Maílson da Nóbrega a Carlos Alberto Sandenberg, publicada na edição de março de 1999 da revista Playboy (assinantes podem ter acesso à íntegra da entrevista aqui), que confirma as palavras de PHA:

PLAYBOY: Mas, voltando na história, que traz tantas dicas para o presente, como o senhor se tornou ministro da Fazenda?

MAILSON: Em dezembro de 1987 eu era o secretário-geral do Ministério da Fazenda e o ministro era o Luiz Carlos Bresser Pereira. Um belo dia ele se demitiu e o presidente José Sarney me convidou para assumir interinamente. Ele me disse: "Vai tocando enquanto decido o que fazer". Como eu estava dentro da máquina, comecei atuando como se fosse o ministro. Tinha um grande problema com os exportadores, por exemplo. O governo queria acabar com a isenção do imposto de renda na exportação. Os exportadores reclamaram. Fiz uma bruta reunião em Brasília com todos os interessados e chegamos a uma solução. A negociação foi um grande sucesso e naquela noite fui convidado pelo [jornalista] Paulo Henrique Amorim para fazer um pingue-pongue ao vivo no Jornal da Globo. A entrevista repercutiu pra burro. No outro dia o presidente me ligou dizendo que tinha gostado muito. Daí começaram as especulações de que eu seria efetivado. Uns dias depois, o presidente me convidou para ir ao Curupu, uma ilha no Maranhão onde ele tem uma residência de praia. Fui num avião da FAB e, quando cheguei a São Luís, estava uma festa. Os jornais e as TVs tinham lá seus enviados especiais porque todo mundo especulava que ali ia surgir o convite. Conversei umas 6 horas com o presidente. Ele me convidou, mas disse que nada poderia ser anunciado ainda porque precisava aparar algumas arestas.

PLAYBOY: Disse quais eram?

MAILSON: Não, mas a aresta era o [presidente das Organizações Globo] Roberto Marinho, que tinha outro candidato para o cargo, o Camilo Calazans [um quadro da área econômica com a mesma origem de Mailson, o Banco do Brasil].

PLAYBOY: Quem lhe contou?

MAILSON: Eu deduzi. Naquele dia, de volta a Brasília, fui ver os noticiários e não tinha saído nada no Jornal Nacional. Nada. E eu tinha visto a equipe da Globo em São Luís. Falei com o repórter. Aí fiquei com a pulga atrás da orelha. Conversei com algumas pessoas e todas me disseram que só podia ser porque Roberto Marinho estava trabalhando por outro nome.

PLAYBOY: O senhor reagiu, se articulou?

MAILSON: Sinceramente, não. O presidente tinha dito que o problema era dele. Continuei tocando. No dia 5 de janeiro [de 1988], o presidente me ligou perguntando: "O senhor teria algum problema em trocar umas idéias com o Roberto Marinho?" Respondi: "De jeito nenhum, sou um admirador dele, até gostaria de ter essa oportunidade".

PLAYBOY: Nunca tinha conversado com ele até essa data?

MAILSON: Não. A Globo tinha um escritório, em Brasília, no Setor Comercial Sul. Fui lá e fiquei mais de 2 horas com o doutor Roberto Marinho. Ele me perguntou sobre tudo, parecia que eu estava sendo sabatinado. Terminada a conversa, falou: "Gostei muito, estou impressionado". De volta ao Ministério, entro no gabinete e aparece a secretária: "Parabéns, o senhor é o ministro da Fazenda". Perguntei: "Como assim?" E ela: "Deu no plantão da Globo" [o Plantão do Jornal Nacional].

PLAYBOY: Quanto tempo o senhor levou da sede da Globo para o Ministério?

MAILSON: Uns dez minutos. Ou seja, em dez minutos o Roberto Marinho ligou para o presidente, estou supondo, porque o presidente nunca me contou nada. Imagino que conversaram e o presidente deve ter dito que então eu seria o ministro. E aí valeu o instinto jornalístico do Roberto Marinho e ele tocou no plantão.

PLAYBOY: O senhor ainda não tinha a confirmação do próprio presidente?

MAILSON: Logo tocou o telefone e era o presidente me chamando ao Planalto. Cheguei lá e ele já estava com o ato de nomeação pronto. Assinou na minha frente. Daí foi tudo divulgado. Naquele dia fui dormir com aquela sensação: "Meu Deus do céu, como?" Pode soar um pouco piegas, mas parecia um negócio de conto de fadas, considerando minha origem, a trajetória, tudo. Fui dormir entre tenso e alegre.

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Guerra da mídia contra Chávez: A bomba da RCTV é um traque

A guerra contra Chávez continua. E na ponta de lança dessa guerra está a mídia golpista, especialmente a venezuelana. Sei que, para muitos, isso se parece com palavras de ordem, chavões (com trocadilho). Mas reparem nessa matéria que reproduzo a seguir e vejam se não tenho razão.

Ela é parte do telejornal diário "El Observador", uma produção da RCTV, que ainda vai ao ar, agora apenas no canal a cabo, na internet e também – segundo informações – pela emissora aberta Globovision (sobre esse assunto vou comentar em outra postagem).

O telejornal do dia 6 de junho tinha quase 10 minutos de duração. De cabo a rabo, críticas ao governo Chávez. Quando não diretamente, através de manipulações e deformações, como nesta matéria. Tem menos de minuto e meio, mas mostra de forma escancarada, como se fabricam as notícias naquele país (será que apenas lá?).

Retirei-a do telejornal e não fiz qualquer outro trabalho de edição. Ela está exatamente da forma como foi ao ar. Fala sobre um “atentado” com um “artefato explosivo” que causou “destroços” ao Departamento de Comunicação da Universidade Central da Venezuela. Ao final, a apresentadora conclui – embora nada na matéria possa levar a isso – que foi um atentado praticado por simpatizantes do governo.

Ah, reparem também na voz do locutor que anuncia o telejornal. Parece a de Deus nos antigos filmes de Cecil B. DeMille: grossa e grandiloqüente, como a de um El Obervador Supremo. E, apostem, isso não é à toa.

Vejam a matéria. É tão tendenciosa, que chega a ser ridícula, quando retirada do contexto. Mas, atenção, podemos rir deles, mas devemos levá-los a sério.

(Outro fato pode ser observado na matéria. Embora digam que há um verdadeiro tumulto nas Universidades, podemos ver que ali onde foi feita a gravação tudo está na mais perfeita tranqüilidade, mesmo que tenha havido um "atentado" com um "artefato explosivo" no local...)



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Novo golpe de Estado contra Chávez é 'Próxima atração' ou 'Vale a pena ver de novo'?

Chávez que se cuide. Está em marcha um golpe de Estado na Venezuela. Ou seria melhor dizer que um golpe está no ar, porque ele é fortemente estimulado por emissoras de TV de várias partes do mundo – Brasil inclusive?

O dia inteiro as emissoras espalham a notícia de que Chávez fechou o canal de TV RCTV, quando, na verdade, o governo venezuelano não renovou a concessão do canal, baseado na lei. Goste-se ou não dela, ela existe (e aqui no Brasil também) e deve ser respeitada. Não foi o caso da RCTV, que pregou abertamente a favor do golpe de 2002, que retirou Chávez do poder por dois dias.

A campanha da mídia é tão violenta agora, que chega a pregar, mesmo que de forma indireta, o assassinato do presidente venezuelano, como mostra o vídeo abaixo. Aconteceu assim: no programa “Aló, Ciudadano”, no canal Globovisión, havia uma entrevista com o diretor geral da RCTV, Marcel Granier. A certa altura, o entrevistador chama para um intervalo. Mas, antes de começar o break, são exibidas (sem haver nada no contexto da entrevista que as justificasse) imagens do atentado a tiros contra o papa João Paulo II, em 1981, tendo como fundo musical uma canção que diz “Esto no termina aquí”, interpretada por Rubén Blades. Sutil, não?

O vídeo também mostra imagens distribuídas pela rede CNN em espanhol sobre supostas manifestações anti-Chávez na Venezuela. Só que as imagens da tal manifestação são...do México.

Segundo a BBC, os manifestantes vão às ruas na Venezuela pedindo “pluralismo”, “liberdade de expressão” e a “volta das novelas” - talvez não exatamente nessa ordem.

Mas Chávez que se cuide. É o primeiro grande desafio que ele enfrenta, desde 2002.




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Por que as Organizações Globo, a Folha, o Estadão, a Veja odeiam Chávez

Tenho insistido aqui na importância de se prestar atenção na tentativa de agendamento (agenda-setting) efetuada pela mídia.

Exemplo típico disso é a forma como todos os jornalões (impressos e TV) chamam o término das transmissões da RCTV na Venezuela. Para eles, Chávez mandou fechar a emissora, porque lhe fazia oposição. Isso é repetido todos os dias, o dia todo, por todos eles.

No entanto, não esclarecem por que diabos Chávez não fez isso logo após ter retomado o poder, de onde fora retirado por pouco tempo, vítima de um golpe de Estado em 2002, insuflado e patrocinado pela mídia venezuelana – RCTV à frente?

A resposta é clara: Simplesmente porque Chávez não mandou fechar a RCTV. Ou, usando o método deles: Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV.

Como no Brasil, as emissoras de TV na Venezuela operam sob licença (e esta é a razão de a Globo gritar tanto contra o fim das transmissões da RCTV). São uma concessão pública. Por isso devem obedecer a certas normas. Ao final do prazo da concessão, se tiverem agido conforme as regras, ela é renovada. Caso contrário, não.

E foi o que aconteceu com a RCTV. Ela descumpriu as normas - entre otras cositas, patrocinou o golpe de Estado em 2002 -, por isso não teve a concessão renovada.

Não houve fechamento. O golpe contra Chávez (RCTV à frente) foi há cinco anos. Em respeito à lei, ele aguardou o término do período da concessão para, de acordo com a lei, não renová-lo. Apenas isso.

O que a grande mídia brasileira não engole é que ele tenha tomado lá a medida que poderia ter sido tomada aqui, em outras oportunidades, mas nunca o foi, graças ao famoso jeitinho brasileiro.

Por aqui, parlamentares são donos de emissoras de rádio e TV (o que é proibido por lei), grupos controlam rádio, jornal e TV num mesmo Estado (como a hegemônica Globo no Rio – o que também é proibido), e fica por isso mesmo.

Por isso a grita. Têm medo de que aconteça por aqui o que aconteceu por lá. O que eles temem de Chávez é isto: o exemplo.

Sarney defende liberdade de imprensa. Menos no Amapá

E o ex-presidente Sarney, heim? Aproveitou a grande audiência da TV Senado, antes do pronunciamento do senador Renan Calheiros, e mandou dois recados: um da Globo e outro da Folha. Usou como bombom a defesa da democracia.

No recado da Folha, convidou os presentes para uma missa em memória do publisher do jornalão paulista, intransigente apoiador da ditadura militar (como Sarney, aliás, que foi presidente do partido dos militares).

No recado da Globo (utilizado mais adiante no Jornal Nacional), sentou o malho em Chávez, como mostra a transmissão da rádio Senado:

“No momento em que o governo tem o poder de silenciar qualquer órgão de oposição, a qualquer título, nesse momento eu passo a temer o que seja o conceito nesse país de democracia.”

Só que a liberdade de imprensa defendida pelo ex-presidente tem hora e local para acontecer. No Amapá, durante a última campanha eleitoral, por exemplo, ela apanhou muito da campanha do senador, como denuncio nesta postagem daquela época (agosto de 2006):

Amapá: Uma causa nobre para os "indignados úteis"

Já que o sonho da eleição de Alckmin não vai vingar mesmo (o que este blog afirma há muito tempo, desde março), que tal uma causa nobre para os "indignados úteis" gastarem sua indignação?

Ninguém liga para o Amapá. Nem os institutos de pesquisa vão até lá. Cobrem, no máximo, 25 estados. Sobram sempre dois, e o Amapá é um deles. Pois é no Amapá que o senador José Sarney (PMDB) montou um novo feudo (o antigo, no Maranhão, está retratado aqui). E, lá, busca a reeleição. O principal aliado do ex-presidente no estado é o Judiciário. Tudo o que Sarney pede é atendido sem demora. Os jornais, rádios e blogs do Amapá vivem censurados, com matérias retiradas do ar e multas distribuídas aos montes. A rádio Equatorial, além de multa de R$ 70 mil, já esteve fora do ar por três vezes, durante 48 horas cada. Parece que está fora do ar agora, novamente. O jornal Folha do Amapá é censurado sistematicamente há semanas, com suas principais matérias sendo retiradas do ar, por ordem da Justiça.

E depois, ao final de seu pronunciamento, o senador Sarney ainda bateu no peito, dizendo que sempre respeitou a liberdade de imprensa, quando presidente.

Ora, qualquer um que viveu aquela época - ou que veio a estudá-la - sabe que Sarney não apitava nada. Era uma rainha da Inglaterra de bigodes. Gozou da imensa popularidade do início do Plano Cruzado e saiu do governo debaixo de vaia, com uma inflação de 80%, sem ter culpa de uma coisa ou de outra.

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Brasil e Venezuela: a grande imprensa na berlinda

Recebi a indicação deste vídeo do Ivo Pugnaloni. Como aqui no Brasil a grande imprensa só se refere à não continuidade da concessão da RCTV como um atentado à democracia, é sempre bom dar uma olhada no outro lado da questão.

Seu autor, que se identifica como Okrim Al Qasal, tem um blog, onde também é possível assistir a outros de seus vídeos.




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