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Famoso escritor narra sua experiência com a ditadura de 1964, que nossos militares exaltam e comemoram

O artigo a seguir foi publicado primeiramente no Washington Post, em 31 de março de 2019.

No dia 28 de maio de 1974: um grupo de homens armados invade meu apartamento. Começam a revirar gavetas e armários —não sei o que estão procurando, sou apenas um compositor de rock. Um deles, mais gentil, pede que os acompanhe “apenas para esclarecer algumas coisas”. O vizinho vê tudo aquilo e avisa minha família, que entra em desespero. Todo mundo sabia o que o Brasil vivia naquele momento, mesmo que nada fosse publicado nos jornais.

Sou levado para o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), fichado e fotografado. Pergunto o que fiz, ele diz que ali quem pergunta são eles. Um tenente me faz umas perguntas tolas e me deixa ir embora. Oficialmente já não sou mais preso: o governo não é mais responsável por mim. Quando saio, o homem que me levara ao Dops sugere que tomemos um café juntos. Em seguida, escolhe um táxi e abre gentilmente a porta. Entro e peço para que vá até a casa de meus pais —espero que não saibam o que aconteceu.

No caminho, o táxi é fechado por dois carros; de dentro de um deles sai um homem com uma arma na mão e me puxa para fora. Caio no chão, sinto o cano da arma na minha nuca. Olho um hotel diante de mim e penso: “não posso morrer tão cedo”. Entro em uma espécie de catatonia: não sinto medo, não sinto nada. Conheço as histórias de outros amigos que desapareceram; sou um desaparecido, e minha última visão será a de um hotel. Ele me levanta, me coloca no chão do seu carro e pede que eu coloque um capuz.

O carro roda por talvez meia hora. Devem estar escolhendo um lugar para me executarem —mas continuo sem sentir nada, estou conformado com meu destino. O carro para. Sou retirado e espancado enquanto ando por aquilo que parece ser um corredor. Grito, mas sei que ninguém está ouvindo, porque eles também estão gritando. Terrorista, dizem. Merece morrer. Está lutando contra seu país. Vai morrer devagar, mas antes vai sofrer muito. Paradoxalmente, meu instinto de sobrevivência começa a retornar aos poucos.

Sou levado para a sala de torturas, com uma soleira. Tropeço na soleira porque não consigo ver nada: peço que não me empurrem, mas recebo um soco pelas costas e caio. Mandam que tire a roupa. Começa o interrogatório com perguntas que não sei responder. Pedem para que delate gente de quem nunca ouvi falar. Dizem que não quero cooperar, jogam água no chão e colocam algo no meus pés, e posso ver por debaixo do capuz que é uma máquina com eletrodos que são fixados nos meus genitais.

Entendo que, além das pancadas que não sei de onde vêm (e portanto não posso nem sequer contrair o corpo para amortecer o impacto), vou começar a levar choques. Eu digo que não precisam fazer isso, confesso o que quiser, assino onde mandarem. Mas eles não se contentam. Então, desesperado, começo a arranhar minha pele, tirar pedaços de mim mesmo. Os torturadores devem ter se assustado quando me veem coberto de sangue; pouco depois me deixam em paz. Dizem que posso tirar o capuz quando escutar a porta bater. Tiro o capuz e vejo que estou em uma sala à prova de som, com marcas de tiros nas paredes. Por isso a soleira.

No dia seguinte, outra sessão de tortura, com as mesmas perguntas. Repito que assino o que desejarem, confesso o que quiserem, apenas me digam o que devo confessar. Eles ignoram meus pedidos. Depois de não sei quanto tempo e quantas sessões (o tempo no inferno não se conta em horas), batem na porta e pedem para que coloque o capuz. O sujeito me pega pelo braço e diz, constrangido: não é minha culpa. Sou levado para uma sala pequena, toda pintada de negro, com um ar-condicionado fortíssimo. Apagam a luz. Só escuridão, frio, e uma sirene que toca sem parar. Começo a enlouquecer, a ter visões de cavalos. Bato na porta da “geladeira” (descobri mais tarde que esse era o nome), mas ninguém abre. Desmaio. Acordo e desmaio várias vezes, e em uma delas penso: melhor apanhar do que ficar aqui dentro.

Quando acordo estou de novo na sala. Luz sempre acesa, sem poder contar dias e noites. Fico ali o que parece uma eternidade. Anos depois, minha irmã me conta que meus pais não dormiam mais; minha mãe chorava o tempo todo, meu pai se trancou em um mutismo e não falava.

Já não sou mais interrogado. Prisão solitária. Um belo dia, alguém joga minhas roupas no chão e pede que eu me vista. Me visto e coloco o capuz. Sou levado até um carro e posto na mala. Giram por um tempo que parece infinito, até que param – vou morrer agora? Mandam-me tirar o capuz e sair da mala. Estou em uma praça com crianças, não sei em que parte do Rio de Janeiro.

Vou para a casa de meus pais. Minha mãe envelheceu, meu pai diz que não devo mais sair na rua. Procuro os amigos, procuro o cantor, e ninguém responde meus telefonemas. Estou só: se fui preso devo ter alguma culpa, devem pensar. É arriscado ser visto ao lado de um preso. Saí da prisão mas ela me acompanha. A redenção vem quando duas pessoas que nem sequer eram próximas de mim me oferecem emprego. Meus pais nunca se recuperaram.

Décadas depois, os arquivos da ditadura são abertos e meu biógrafo consegue todo o material. Pergunto por que fui preso: uma denúncia, ele diz. Quer saber quem o denunciou? Não quero. Não vai mudar o passado.

E são essas décadas de chumbo que o presidente Jair Bolsonaro —depois de mencionar no Congresso um dos piores torturadores como seu ídolo— quer festejar nesse dia 31 de março.

O autor do artigo é o escritor Paulo Coelho.

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Possível derrota de Trump é interessante ao Brasil por ao menos dois motivos


O primeiro e mais evidente é o enfraquecimento de Bolsonaro e sua turma de fanáticos trumpistas, defensores da terra plana, do movimento antivacina etc.
 
Não é que Biden seja melhor do que Trump. É menos pior, principalmente porque não tem, como Trump lá e Bolsonaro aqui, que jogar para sua horda de direitistas tacanhos, gente que ainda fala em anticomunismo, terraplanismo etc.
 
Biden vai seguir defendendo os interesses dos Estados Unidos e estará ao lado de Bolsonaro no combate à tecnologia 5G da China, mas certamente punirá o país se continuarmos com o tratamento dado até aqui à Amazônia, com queimadas, invasões de terras indígenas...
 
Pária internacional, sem o apoio direto dos EUA Bolsonaro murcha, como ocorreu com a ditadura militar após a eleição do democrata Jimmy Carter à presidência dos EUA, em 1976.
 
Vai ser difícil manter no governos o ministro Ricardo Salles e o chanceler Ernesto Araújo, queridos de Bolsonaro e bolsomínions, que terão suas cabeças lançadas ao mar nos EUA sob Biden.
 
O segundo motivo que pode ser um bom sinal para os brasileiros é de que o submundo das redes sociais, tão bem explorado por Trump e Bolsonaro, já não terá mais o poder de manipular que teve em eleições passadas.
 
Trump está bem atrás em todas as pesquisas e apenas um movimento trabalhado na deep web, até o momento ainda não detectado, poderá fazer com que ele surpreenda o mundo com uma votação muito maior do que apontam todas as pesquisas.
 
Para isso também valerá a eleição de Biden no Brasil, mas também nossas eleições municipais, que mostrarão a quantas anda a turma das redes bolsonaristas, que continua muito forte por aqui. As eleições podem dizer o quanto.

É aguardar para ver o que a eleição nos EUA nos dirá. E as do dia 15 por aqui também.



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Derrota de Trump nos EUA pode apressar fim de Bolsonaro e de seu projeto de nova ditadura

Reportagem da correspondente da BBC News Brasil em Washington, Mariana Sanches, revela que em 2015, o então vice-presidente de Obama e atual favorito para vencer as eleições dos EUA deste ano, Joe Biden, entregou à presidenta Dilma documentos do governo dos Estados Unidos que mostram tortura e assassinatos cometidos pela ditadura civil-militar brasileira. Na ocasião Biden foi enfático em defesa da democracia e dos direitos humanos, palavras que causam verdadeiro pavor em Jair Bolsonaro.

A derrota de Trump, de quem os Bolsonaro são bajuladores, e a eleição de Biden podem apressar o fim do governo Bolsonaro e de seu projeto de implantar uma nova ditadura no Brasil.
 
O efeito pode ser semelhante ao que provocou a eleição de Jimmy Carter, em 1978, que, com sua política de direitos humanos e restrições à ditadura, apressou seu fim, retirando-lhe o apoio.
 
O Brasil sob Bolsonaro já é um pária internacional, sem o apoio de Trump vai ficar falando sozinho, o que para ele não faz diferença alguma, mas para os demais militares, já no governo ou ainda não, fará muita.
 
Nossos militares são subservientes (eles se dizem "alinhados") aos EUA, e sem o apoio daquele país tendem a recolher as tropas e deixar Bolsonaro e os filhos na mira da Justiça, tendo que se defender da corrupção, chamada de rachadinha, praticada pela família ao longo dos anos.
 
Veja a íntegra da reportagem da BBC no vídeo a seguir.




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Projeto de destruição da Amazônia por Bolsonaro vem da ditadura militar: 'Chega de lendas, vamos faturar!'


Na época da ditadura que Bolsonaro revive, a floresta Amazônica era chamada por eles de "inferno verde".

A ideia era ocupá-la, retalhá-la, abrir estradas (a partir da Transamazônica), pasto, mineração, exploração humana. Exatamente como hoje.

É o que mostra artigo de Ricardo Cotrim na Quatro Cinco Um.

A partir de uma edição especial da revista Manchete dos anos 1970, imagens traduzem o pensamento da milicada sobre qual deve ser o destino da floresta Amazônica.

Veja este anúncio de página inteira da  Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). O texto não deixa dúvidas sobre o que pretendiam fazer da floresta [grifo meu]:
Siga a Transamazônica. Essa estrada abre caminho para a exploração da região mais rica do mundo.
O Brasil está investindo na Amazônia e oferecendo lucros para quem quiser participar desse empreendimento.
Comece agora. Faça sua opção pela SUDAM. Aplique a dedução do seu imposto de renda num dos 464 projetos econômicos já aprovados pela SUDAM. Ou então apresente à SUDAM seu próprio projeto. Seja industrial. Ou agropecuário. Ou de serviços. Você terá todo o apoio do governo federal e dos governadores dos estados que compõem a Amazônia
A Amazônia é uma mina de ouro.
Transfira boa parte desse ouro para o seu bolso.

Em forma esse nos escritórios da SUDAM e nas agências do banco da Amazônia


Leia na íntegra o texto de Ricardo Cotrim e veja mais imagens daquela época, clicando aqui.

A destruição não é fruto do acaso nem projeto de agora, é coisa dos tempos da ditadura.

E nós brasileiros temos "asco, nojo da ditadura" (Ulisses Guimarães). Ou não?



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Ministro Celso de Mello diz que bolsonaristas querem criar 'desprezível e abjeta ditadura militar' no Brasil

Celso de Mello

Em reação aos últimos acontecimentos no país, com o desespero de Bolsonaro em ver ruir seu castelo de fake news e a ameaça concreta de ver seus filhos 01, 02 e 03 na cadeia, o ministro do STF Celso de Mello enviou uma mensagem aos demais ministros da Corte, alertando sobre o perigoso caminho que a trupe bolsonarista quer trilhar para o Brasil.
GUARDADAS as devidas proporções, O “OVO DA SERPENTE”, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) , PARECE estar prestes a eclodir NO BRASIL ! É PRECISO RESISTIR À DESTRUIÇÃO DA ORDEM DEMOCRÁTICA, PARA EVITAR O QUE OCORREU NA REPÚBLICA DE WEIMAR QUANDO HITLER, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo Presidente Paul von Hindenburg , em 30/01/1933 , COMO CHANCELER (Primeiro Ministro) DA ALEMANHA (“REICHSKANZLER”), NÃO HESITOU EM ROMPER E EM NULIFICAR A PROGRESSISTA , DEMOCRÁTICA E INOVADORA CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR, de 11/08/1919 , impondo ao País um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição , em março de 1933 , da LEI (nazista) DE CONCESSÃO DE PLENOS PODERES (ou LEI HABILITANTE) que lhe permitiu legislar SEM a intervenção do Parlamento germânico!!!! “INTERVENÇÃO MILITAR”, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, NADA MAIS SIGNIFICA, na NOVILÍNGUA bolsonarista, SENÃO A INSTAURAÇÃO , no Brasil, DE UMA DESPREZÍVEL E ABJETA DITADURA MILITAR !!!!
A formatação reproduzida acima é a do ministro, com a caixa alta (que significa falar alto ou gritar nas redes sociais) e os múltiplos sinais de exclamação.

Em seu último ano como ministro (ele se aposenta em novembro), Celso de Mello olha para o Brasil e sua biografia, liderando o STF na resistência contra a pregação de ódio do desesperado Jair Mentira Bolsonaro.






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Vale a pena ler (21/04/2009)

Sempre que der tempo, como hoje, vou fazer indicações diretas de postagens que acho importantes na blogosfera, que sirvam de contraponto à mídia porcorativa - coisa que já faço normalmente com a caixa à direita, onde indico as Leituras na Blogosfera hoje. É que quem assina o blog e o recebe por e-mail (já são quase 1000) não têm acesso à barra lateral. Aí vão as de hoje (a ordem é aleatória):

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Os que realmente ganharam a Bolsa-Ditadura

Mais uma vez volta ao centro da discussão o que a “grande imprensa” chama de Bolsa-Ditadura, que na verdade é uma indenização a todos os que foram prejudicados pela ditadura militar.

Curioso é ver jornais como O Globo criticarem a concessão das indenizações. Logo as Organizações Globo, que, elas sim, ganharam a Bolsa-Ditadura, cresceram com ela e construíram a maior rede de TV da América do Sul, graças à ditadura militar.

E os jornalistas, economistas, empresários, todos aqueles que serviram e se serviram da Bolsa-Ditadura, enquanto ela imperou no Brasil? Jornalistas como Alexandre Garcia, que foi porta-voz do ditador Figueiredo. Por que não se fala na Bolsa-Ditadura que esses receberam?

Quantos não fizeram fortuna, às custas da Bolsa-Ditadura, mas dessa verdadeira Bolsa-Ditadura, que foi viver e se aproveitar do período de exceção para enriquecer e/ou fazer carreira, como os Sarneys e ACMs da vida.

É repugnante ver hoje nos jornais e nas rádios e TVs gente que, se não colaborou, se omitiu, querer apontar seu dedo ressentido contra a indenização que é garantida por lei, uma lei democrática, votada por um Congresso livre e soberano, pois escolhido em voto direto pelo povo brasileiro.

Viva Ziraldo, viva Jaguar, e obrigado a todos vocês que fizeram o que tinha de ser feito - combater um regime oriundo de um golpe de Estado - com as armas que sabiam ou aprenderam a utilizar, e que exerceram o mais legítimo direito do cidadão livre, o de se rebelar contra a tirania.

Leia também:

» Para dono da Folha, Brasil de Médici é ‘um país onde o ódio não viceja’

» Mino Carta detona Folha, Estadão, O Globo, JB, Civita e Frias

» Vale a pena ver de novo: Cid Moreira lê direito de resposta de Brizola no Jornal Nacional

» Assista na íntegra ao vídeo proibido pela Rede Globo 'Além do Cidadão Kane'

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Mino Carta detona Folha, Estadão, O Globo, JB, Civita e Frias

Apenas para lembrar com quem estamos lidando, reproduzo trechos de uma entrevista de Mino Carta a Adriana Souza Silva, da AOL, em 2004, que pode ser lida na íntegra aqui.

AOL - Como os jornais trataram a notícia do Golpe Militar?
Mino Carta - Golpe?! Imagina se alguém iria usar este termo. Os jornais sempre falaram em Revolução. Até hoje, muita gente ainda diz que foi uma "Revolução". O uso indiscriminado desta palavra é uma coisa que me dói. Tenho muito respeito pelas palavras, acho que cada uma tem seu peso, seu valor... Mas, voltando a sua pergunta, a mídia brasileira, desde aquela época, servia ao poder. Digo que o Brasil tem a pior mídia do mundo. Ela é muito ruim, incompetente, priva pela ignorância, pela vulgaridade, pelo distanciamento e pela falta de responsabilidade. A mídia vinha invocando o golpe há muito tempo. Isso é o que mais me lembro dos editoriais de O Globo, do Estadão, do Jornal do Brasil. Nesse tempo, a Folha de São Paulo não tinha o peso que adquiriu depois. Mas esses três jornais soltavam editoriais candentes, implorando a intervenção militar para impedir o caos. Era o caos que estava às portas!

AOL - O senhor diz que a mídia implorava pela intervenção militar. Mas os donos dos jornais citados pelo senhor falam que foram perseguidos.
Carta - Eles falam isso a custo da destruição da memória. Primeiro, destrói-se a memória. Esse é o processo. Em cima da escuridão, inventa-se qualquer coisa, e os leitores engolem tranqüilamente porque o trabalho é eficaz. A destruição da memória é algo que aqui se pratica com extrema habilidade. Assim como o chute no cadáver, a destruição da memória é um dos esportes nativos do Brasil, praticado com extrema competência. Em cima da destruição da memória, alguns jornais inventam que sofreram censura. O Jornal do Brasil nunca foi censurado. A Folha de São Paulo nunca foi censurada.

AOL - Nunca?
Carta - A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 [carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]. Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha, porque o senhor Caldeira [Carlos Caldeira Filho], que era sócio do senhor Frias [Octavio Frias de Oliveira], tinha relações muito íntimas com os militares. E hoje você vê esses anúncios da Folha - o jornal desse menino idiota chamado Otavinho [Otavio Frias Filho] - esses anúncios contam de um jeito que parece que a Folha, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi a "mínima pressão" porque o sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis, na sucessão do general Geisel. A Folha estava envolvida com o pior, apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército no governo Geisel]. O Claudio Abramo foi afastado por isso . O jornal O Globo também não foi censurado. Isso é uma piada. Mas o Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde, sim, esses dois foram censurados. Mas a censura veio porque havia uma briga interna deles.

AOL - Como assim?
Carta - Se houve um jornal que apoiou o golpe, foi O Estado de São Paulo. O Estado, assim como o Carlos Lacerda, que acabou caçado três anos depois que a "Redentora" se abateu pelo País. Essa gente aspirava a um papel que não tiveram. Então, começaram a brigar entre eles. O jornal Estado tinha uma profunda antipatia pelo Castello Branco porque ele não aceitou as sugestões do jornal na composição de seu primeiro governo. E aí começou essa briga interna que desaguou numa censura que era praticada na redação do jornal. O Estado tinha de publicar versos de Camões nos trechos das reportagens retiradas na redação. E no Jornal da Tarde eles tinham de colocar receitas de bolo nesses espaços.

Leia também:

» Eles dizem defender a democracia, mas adoram um golpe

» Ali Kamel: O ‘jornalismo independente’ da ‘grande imprensa’

» Exposta a doses maciças de informações manipuladas pela ‘grande imprensa’, parte dos brasileiros vive do ódio, do preconceito e do ressentimento


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'Vera Sílvia Magalhães, a História de uma Guerrilheira' (Parte IV)
- Prisão e tortura



Quarta parte do documentário produzido pela TV Câmara, "Vera Sílvia Magalhães, a História de uma Guerrilheira", com o depoimento de Vera Silvia Magalhães, que ficou conhecida como a Loura 90, pois usava uma peruca loura nas ações e - afirmavam - trazia uma 45 em cada mão.

Neste trecho, Vera fala de sua prisão e das bárbaras sessões de tortura a que foi submetida, comandadas pelo médico psicanalista Amílcar Lobo.

Vera morreu no início deste mês, no dia 4 de dezembro.

O vídeo pode ser visto na íntegra neste link do site da TV Câmara.

Para ler a postagem e assistir à Parte I, clique aqui.

Clique aqui, para assistir à Parte II, que trata do movimento estudantil da época. Ou aqui, para assistir à Parte III, que trata dos preparativos para o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick.

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