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Esperar solidariedade econômica com os pobres do mundo e algum gesto de bilionários é como cantar para a lua - José Mujica


Ex-presidente do Uruguai e um dos ícones da esquerda na América Latina, José Mujica estreia coluna no El Pais, que reproduzo a seguir:
Será que estamos chegando ao limite biológico da nossa capacidade política?

Nada em demasia, diziam os gregos, porque tudo tem limites e natureza também, mas nos esquecemos disso. Não se deve navegar sem leme, mas na globalização nos esquecemos disso. Ela foi conduzida apenas pela força do mercado e da tecnologia, e não havia consciência política nesse processo. O velho liberalismo mudou, tornou-se “liberismo” e abandonou seu humanismo. Hoje, se eu pudesse acreditar em Deus, diria que a pandemia é uma advertência aos sapiens.
A destruição de valor augura pobreza. Diante do perigo, as pessoas se refugiaram no Estado. Falam de nacionalizar, reindustrializar, de soberania sanitária e farmacêutica. Surgirão nacionalismos chauvinistas e salários em baixa. Os escalões baixos das classes médias em perigo questionarão os Governos e serão o grito das ruas. Os autoritarismos terão sua primavera, assim como a especulação, tentarão se apropriar de valores a preço de ruína. Haverá aqueles que pedirão solidariedade econômica e financeira com os pobres do mundo e algum gesto de bilionários. Uns e outros serão como cantar para a lua.
Os bancos centrais do mundo rico inundarão seus países com dólares e euros. Se a cooperação não conseguir mitigar a concorrência haverá dramáticas tensões geopolíticas entre o Oriente e o Ocidente. Pergunto: será que nós, humanos, estamos chegando ao limite biológico da nossa capacidade política? Seremos capazes de nos redirecionar como espécie e não como classe ou país? A política olhará longe para se harmonizar com a ciência? Aprenderemos a lição do desastre ao ver como a natureza revive? A medicina, o ensino, o trabalho digital e a robótica se firmarão e entraremos em uma nova era? Haverá fortes batalhões de médicos capazes de ir lutar pela vida em qualquer lugar ou continuaremos gastando três milhões de dólares por minuto em orçamentos militares? Tudo depende de nós mesmos.



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Moro mandou Dallagnol exportar métodos ilegais da Lava Jato para a Venezuela, mostra Vaza Jato

Dallagnol e Moro com manchete da Folha sobre Venezuela

Nova reportagem sobre os vazamentos de fonte anônima para o site The Intercept Brasil, dessa vez em parceria com a Folha, mostra que o ex-juiz Moro queria que Dallagnol tornasse pública parte da delação de dirigentes da Odebrecht sobre a Venezuela, que atingiriam o governo Maduro.
"Talvez seja o caso de tornar pública a delação da Odebrecht sobre propinas na Venezuela", disse o juiz. "Isso está aqui ou na PGR?"
Ocorre que a divulgação de uma delação premiada tem que obedecer a certas regras, que seriam burladas pelo grupo com o objetivo de atingir o governo venezuelano e prejudicar ainda mais a Odebrecht.
O acordo fechado pela Odebrecht, assinado com autoridades brasileiras, dos Estados Unidos e da Suíça, estabelece que as informações só podem ser compartilhadas com investigadores de outros países se eles garantirem que não tomarão medidas contra a empresa e os executivos que se tornaram delatores.
Em resposta a Moro em 2017, Deltan indicou que os procuradores buscariam uma maneira de contornar os limites do acordo e comunicou a intenção de mover uma ação pelo crime de lavagem de dinheiro internacional. "Haverá críticas e um preço, mas vale pagar para expor e contribuir com os venezuelanos", acrescentou o procurador.
Moro retrucou demonstrando que estava mais preocupado com a divulgação das informações da Odebrecht do que com a possibilidade de uma ação judicial. "Tinha pensado inicialmente em tornar público", escreveu a Deltan. "Acusação daí vcs tem que estudar viabilidade."
Ou seja: se virem.

O pedido de Moro foi bastante discutido entre os procuradores, que sabiam dos riscos e desdobramentos que a divulgação ilegal poderia causar.
Membros do grupo expressaram preocupação com os riscos. "Vejam que uma guerra civil lá é possível e qq ação nossa pode levar a mais convulsão social e mais mortes", escreveu Paulo Galvão. "Imagina se ajuizamos e o maluco manda prender todos os brasileiros no território venezuelano", disse Athayde Ribeiro Costa.
Mas o objetivo político de Moro, Dallagnol e da Lava Jato são expostos em trecho de Dallagnol na reportagem da Folha, em resposta ao procurador Galvão:
"PG, quanto ao risco, é algo que cabe aos cidadãos venezuelanos ponderarem", escreveu em resposta à mensagem de Galvão. "Eles [venezuelanos] têm o direito de se insurgir."
Para Deltan, objetivos políticos justificavam a iniciativa. "Não vejo como uma questão de efetividade, mas simbólica", afirmou aos colegas. "O propósito de priorizar [a ação] seria contribuir com a luta de um povo contra a injustiça, revelando fatos e mostrando que se não há responsabilização lá é pq lá há repressão."
Os objetivos políticos da Lava Jato ficam claros nesta reportagem: destruir a Odebrecht, que disputava e vencia concorrências de grandes obras com empreiteiras pelo mundo, e os governos de esquerda com grandes reservas de petróleo, como Brasil e Venezuela.

Estamos pagando o preço dessa aventura, que trouxe ao poder Bolsonaro e Moro, como seu ministro da Justiça.

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Ibest: Blog do Mello já é o 5° com 6% dos votos

Como escrevi aqui no sábado: Devagar, devagar, devagarinho, um pontinho a mais toda semana, e nosso blog continua ali entre os primeiros, na categoria Blog/Política.

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O legal do Ibest é que a escolha é feita pelos leitores. E, aí, blogs de grandes portais e até de partidos políticos estão levando uma coça dos independentes, como este.

Choram demos e tucanos, com seus blogs lá atrás. Choram grandes portais. E o culpado desse choro é você, que vota na gente. Obrigado.

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Blog do Mello no Ibest. Mas, afinal, para que serve o Prêmio Ibest?

Nosso Blog continua ali bravamente entre os dez primeiros do prêmio Ibest, na categoria Blogs Políticos, com 4% dos votos. Agradeço a todos os que votaram, e também a colegas blogueiros como o Gadelha, o Rovai, o Hélio Paz, o Miguel do Rosário, o Azenha, o ator José de Abreu, que declararam voto neste Blog – alguns com palavras tão elogiosas que fiquei até sem graça de reproduzir aqui (o blog comenta política, mas eu, definitivamente, não sou político). (Devo ter esquecido alguém, porque também não tenho boa memória – ajudem-me). A todos o meu muito obrigado.

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Mas, aí, você, meu leitor questionador, você, minha leitora inquieta, quer saber qual a importância do Ibest e por que deve gastar parte de seu tempo votando, até porque foi esse o título da postagem.

A importância é uma só: ele aumenta a visibilidade dos indicados. Se você gosta de um Blog, quer compartilhá-lo com o maior número de pessoas, não? É isso o que seu voto significa: - Visite esse blog, vale a pena, é legal. Então, vote.

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Mino Carta detona Folha, Estadão, O Globo, JB, Civita e Frias

Apenas para lembrar com quem estamos lidando, reproduzo trechos de uma entrevista de Mino Carta a Adriana Souza Silva, da AOL, em 2004, que pode ser lida na íntegra aqui.

AOL - Como os jornais trataram a notícia do Golpe Militar?
Mino Carta - Golpe?! Imagina se alguém iria usar este termo. Os jornais sempre falaram em Revolução. Até hoje, muita gente ainda diz que foi uma "Revolução". O uso indiscriminado desta palavra é uma coisa que me dói. Tenho muito respeito pelas palavras, acho que cada uma tem seu peso, seu valor... Mas, voltando a sua pergunta, a mídia brasileira, desde aquela época, servia ao poder. Digo que o Brasil tem a pior mídia do mundo. Ela é muito ruim, incompetente, priva pela ignorância, pela vulgaridade, pelo distanciamento e pela falta de responsabilidade. A mídia vinha invocando o golpe há muito tempo. Isso é o que mais me lembro dos editoriais de O Globo, do Estadão, do Jornal do Brasil. Nesse tempo, a Folha de São Paulo não tinha o peso que adquiriu depois. Mas esses três jornais soltavam editoriais candentes, implorando a intervenção militar para impedir o caos. Era o caos que estava às portas!

AOL - O senhor diz que a mídia implorava pela intervenção militar. Mas os donos dos jornais citados pelo senhor falam que foram perseguidos.
Carta - Eles falam isso a custo da destruição da memória. Primeiro, destrói-se a memória. Esse é o processo. Em cima da escuridão, inventa-se qualquer coisa, e os leitores engolem tranqüilamente porque o trabalho é eficaz. A destruição da memória é algo que aqui se pratica com extrema habilidade. Assim como o chute no cadáver, a destruição da memória é um dos esportes nativos do Brasil, praticado com extrema competência. Em cima da destruição da memória, alguns jornais inventam que sofreram censura. O Jornal do Brasil nunca foi censurado. A Folha de São Paulo nunca foi censurada.

AOL - Nunca?
Carta - A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 [carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]. Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha, porque o senhor Caldeira [Carlos Caldeira Filho], que era sócio do senhor Frias [Octavio Frias de Oliveira], tinha relações muito íntimas com os militares. E hoje você vê esses anúncios da Folha - o jornal desse menino idiota chamado Otavinho [Otavio Frias Filho] - esses anúncios contam de um jeito que parece que a Folha, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi a "mínima pressão" porque o sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis, na sucessão do general Geisel. A Folha estava envolvida com o pior, apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército no governo Geisel]. O Claudio Abramo foi afastado por isso . O jornal O Globo também não foi censurado. Isso é uma piada. Mas o Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde, sim, esses dois foram censurados. Mas a censura veio porque havia uma briga interna deles.

AOL - Como assim?
Carta - Se houve um jornal que apoiou o golpe, foi O Estado de São Paulo. O Estado, assim como o Carlos Lacerda, que acabou caçado três anos depois que a "Redentora" se abateu pelo País. Essa gente aspirava a um papel que não tiveram. Então, começaram a brigar entre eles. O jornal Estado tinha uma profunda antipatia pelo Castello Branco porque ele não aceitou as sugestões do jornal na composição de seu primeiro governo. E aí começou essa briga interna que desaguou numa censura que era praticada na redação do jornal. O Estado tinha de publicar versos de Camões nos trechos das reportagens retiradas na redação. E no Jornal da Tarde eles tinham de colocar receitas de bolo nesses espaços.

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Globo e Miriam Leitão querem que energia custe três vezes mais caro no interior

Artigo escrito especialmente para o Blog do Mello por um especialista em energia, que não quer se identificar.

Todo mundo sabe que a Miriam Leitão entende de tudo: economia, transportes, política, saneamento, escândalos com amantes de políticos, nada escapa à sabedoria e à "lógica cristalina" dessa jornalista fabulosa, que tem a exclusividade de fazer comentários nos jornais, rádios e TVs do grupo Globo.

Quando um assunto é meio cabeludo, como “energia”, ela arruma uns "especialistas", que geralmente são funcionários de empresas multinacionais e consultorias especializadas em privatização.

Os “pareceres” de Dona Miriam Leitão sobre qualquer assunto guardam entre si uma coisa em comum: todos dizem que o Lula está errado ou não previu alguma coisa a respeito do assunto antes. Mesmo que seja antes de 2002.

Nesse artigo de hoje sobre a forma como o Brasil consegue fornecer energia para as regiões isoladas, a Dona Leitão insurge-se contra a CCC, conta de combustíveis fósseis, criado em 1994 pelo então presidente FHC, que todos sabemos é o ídolo da nossa "sabe-tudo".

O curioso é que só agora, quando o Lula é o presidente, é que a Dona Leitão descobriu a "injustiça do CCC" e quer acabar com ela.

Ela faz igualzinho ao que os tucanos fizeram como a CPMF, que era “boa, indispensável, justa e necessária” enquanto os tucanos punham a mão nela, mas virou um "câncer" quando o Lula é que a destinava aos programas sociais e à sobrevivência dos hospitais. [Leia o artigo completo aqui]

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