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Na falta de uma liderança internacional, Lula vira presidente de fato e negocia com Rússia, China e EUA vacinas para o Brasil


Na política não há espaço vazio. Enquanto Bolsonaro só se preocupa em livrar a própria cara e a dos filhos dos inquéritos e investigações do esquema de corrupção conhecido como rachadinha e em conseguir na Justiça comemorar o golpe militar de 1964, Lula negocia com líderes mundiais o envio de vacinas ao Brasil.
 Há três meses o ex-presidente Lula teve um encontro com Kirill Dmitriev, diretor do Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF) que financiou o desenvolvimento da Sputnik V, segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo.
 Além disso, o encontro de Lula com Dmitriev contou com a interlocução do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que incentivou a reunião.
 Além das tratativas com o fundo russo, Lula e a ex-presidenta Dilma fizeram contato com o governo da China. Em carta enviada ao presidente chinês, Xi Jinping, elogiaram a condução da pandemia no país e criticaram o negacionismo e “incivilidade” de Jair Bolsonaro.“Consideramos oportuna essa mensagem, como forma de manifestar a nossa certeza de que a antiga e sólida amizade entre os nossos povos não será abalada pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e seu governo”, escreveram Lula e Dilma ao governo da China. [Fonte]
Mais recentemente, Lula deu uma entrevista a uma das mais famosas jornalistas do mundo, Christiane Amanpour, que adiantou em seu Twitter uma informação do presidente. 
 
Segundo Amanpour, Lula disse que está pedindo ao presidente Biden que convoque uma reunião do G20 para garantir a distribuição adequada da vacina em todo o mundo: “Vacina, vacina, vacina!” Ele [Lula] acrescenta: “Eu não poderia pedir isso [de] Trump, mas Biden é um sopro de democracia no mundo”.
 
A entrevista vai ao ar hoje.
 
Enquanto isso, Bolsonaro faz do Brasil o pior local do mundo disparado na pandemia, com 3 mil mortes diárias e subindo, caos econômico, miséria, enquanto ele vai poder bater tambor e brincar de marcha soldado no dia 31 de março (o certo é dia da mentira, 1 de abril) para comemorar o golpe que além de matar e torturar, entregou ao país a maior inflação da época e a maior dívida externa do mundo, segundo o jornalista Elio Gaspari, em seu Livro a Ditadura Acabada [imagem abaixo], que teve como fontes o ditador Geisel e o bruxo da ditadura, general Golbery.
 
Mas é bom Bolsonaro saber que Biden não tem boa avaliação da ditadura. Quando de sua visita ao Brasil em 2014 ele entregou documentos à presidenta Dilma confirmando tortura e desaparecimentos políticos:
Em 17 de junho de 2014, Biden, o então vice-presidente na gestão Barack Obama, desembarcou em Brasília com um objeto especial na bagagem: um HD com 43 documentos produzidos por autoridades americanas entre os anos de 1967 e 1977. A partir de informações passadas não só por vítimas, mas por informantes dentro das Forças Armadas e dos serviços de repressão, os relatórios americanos detalhavam informações sobre censura, tortura e assassinatos cometidos pelo regime militar do Brasil. 
"Estou feliz de anunciar que os Estados Unidos iniciaram um projeto especial para desclassificar e compartilhar com a Comissão Nacional da Verdade documentos que podem lançar luz sobre essa ditadura de 21 anos, o que é, obviamente, de grande interesse da presidente", afirmou Biden, sorridente, ao lado de Dilma. [BBC]

#ForaBolsonaro. Deixe quem pode, quer e sabe trabalhar para o Brasil cuidar do país.



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'Nada concede a Bolsonaro a liberdade para as suas pregações homicidas' - por Janio de Freitas


Coluna de Janio de Freitas na Folha hoje:

Autoritarismo já avançou muito mais do que notamos


O autoritarismo que ataca no varejo, aqui e ali, até formar a massa de truculência que é um Poder incontrastável, já avançou muito mais do que notamos. Os atos vistos como abusivos ou extravagantes, e logo deslocados em nosso espanto por outros semelhantes, já configuram uma situação de anormalidade em que nenhuma instituição é o que deveria ser.
O incentivo que Bolsonaro já propaga para recusas a vacinar-se amplia a descrença que difundiu na contaminação e, sem dúvida, responde por um número alto e incalculável de mortes. Só a vacinação impedirá aqui, se chegar em tempo, o repique que alarma a Espanha, repõe os rigores na Nova Zelândia, abala cidades mundo afora. Nada concede a Bolsonaro a liberdade para as suas pregações homicidas.
Se, no início da pandemia, a atitude de Bolsonaro causou pasmo e indignação, a de agora, apesar de mais grave, é recebida como mais extravagância amalucada e eleitoralmente interesseira. E não como arbitrariedade que se inscreve no Código Penal.
A proibição de Paulo Guedes aos seus assessores, altos escalões do Ministério da Economia, de conversar com Rodrigo Maia, parece uma bobice que nem fica mal no atônito ministro. É, porém, uma atitude só identificável com regimes de prepotência. Os assessores não discutiam com Rodrigo Maia, mas com o presidente da Câmara. Sobre projetos a serem votados e cuja forma influirá na vida nacional, por isso mesmo sujeitos a discordâncias parlamentares.
Onde problemas assim são tratados com responsabilidade, a integridade da Câmara e a repercussão levariam à pronta saída do ministro desajustado. A solução aqui é típica: Maia passará a conversar, em nome da Câmara e sobre assuntos grandiosos como reformas, com um general do bolsonarismo. E o Congresso ficará mais diminuído e passível de mais truculências ditatorialescas.
Os jagunços do prefeito Marcelo Crivella estão atualizados: mostram bem até onde o autoritarismo e a truculência se infiltram nos costumes e nas pessoas.
O bispo Crivella é uma personalidade estranha. Mas, por menos que fosse esperado dele, é surpreendente a sua adesão à truculência para impedir o trabalho de repórteres indefesas. E para afugentar pacientes desesperados nas entradas do inferno hospitalar mantido pela prefeitura. É o que traz da aliança com o bolsonarismo.
O avanço de Bolsonaro na posse do Poder, por ausência de força adversa, não ameaça só as instituições democráticas. “Quem vai decidir sou eu. Nenhum palpite” —é sua advertência no importante assunto da futura, e já atrasada, adoção da tecnologia chamada 5G. Trata-se de uma revolução fantástica nas possibilidades originadas da internet. A disseminação da 5G mudará o mundo.
Será um desastre condenatório para o Brasil se assunto de tal dimensão tecnocientífica ficar com um ignorantaço. Além do mais, confessado entreguista aos Estados Unidos e, portanto, incapaz de ser a voz do futuro brasileiro na escolha entre a tecnologia norte-americana e a chinesa.
O governo Bolsonaro, aliás, já mostrou do que é capaz neste tema, protelando a decisão para o ano que vem. O pretendente a ditador quer decidir sozinho porque, afinal, o atraso é útil ao país do seu ídolo Trump, hoje em reconhecida desvantagem na confrontação tecnológica.
Como a Justiça tarda mas não chega, os Bolsonaro ganharam no Rio uma censura judicial à TV Globo. E o bem informado portal GGN, do jornalista Luis Nassif, foi posto sob outra forma de censura também judicial: a retirada de notícias sobre negócios, no mínimo polêmicos, do banco BTG Pactual. A censura nunca é casual nem isolada. Exprime um ambiente institucional.
Ao menos para não fugir ao seu projeto social, Bolsonaro e Paulo Guedes decidiram por uma concessão: o aumento do salário mínimo a vigorar em 2021. Dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.067. Mais R$ 22 por mês. Ou R$ 0,73 por dia.




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Em resposta a editorial cafajeste da Folha, Dilma desmascara jornal e devastação neoliberal apoiada por ele


Bem a seu estilo, a presidenta derrubada por golpe de Estado Dilma Rousseff respondeu a um ataque cafajeste da Folha, jornal que se diz em campanha pela democracia e uso do amarelo, enquanto defende mais arrocho, respeito ao "teto" e aprofundamento do neoliberalismo, que, no Brasil de hoje, significa matar mais gente que a pandemia.

Sob título "Jair Rousseff", o editorial pretendeu traçar um paralelismo entre o governo Bolsonaro e o de Dilma como antes comparou a ditadura brasileira a outras e a declarou "ditabranda".

Dilma foi firme e cirúrgica. Confira:

“A FALHA DE S.PAULO” ATACA OUTRA VEZ?

A Folha tem enorme dificuldade de avaliar o passado e, assim, frequentemente erra ao analisar o presente.
Foi por avaliar mal o passado que a empresa até hoje não explicou porque permitiu que alguns de seus veículos de distribuição de jornal dessem suporte às forças de repressão durante a ditadura militar, como afirma o relatório da Comissão Nacional da Verdade.

Foi por não saber julgar o passado com isenção que cometeu a pusilanimidade de chamar de “ditabranda” um regime que cassou, censurou, fechou o Congresso, suspendeu eleições, expulsou centenas de brasileiros do país, prendeu ilegalmente, torturou e matou opositores.
Os erros mais graves da Folha, como estes, não são de boa-fé. São deliberados e eticamente indefensáveis. Quero deixar claro que falo, sobretudo, do grupo econômico Folha, e não de jornalistas.
Quero lembrar, ainda, a publicação, na primeira página, de uma ficha falsificada do Dops, identificada pelo jornal como se fosse minha, e que uma perícia independente mostrou ter sido montada grosseiramente para sustentar acusação falsa de um site fascista. Mesmo desmascarada pela prova de que era uma fraude, a Folha, de forma maliciosa, depois de admitir que errou ao atribuir ao Dops uma ficha obtida na internet, reconheceu que todos os exames indicavam que a ficha era uma montagem, mas insistiu: "sua autenticidade não pôde ser descartada."
Quem acredita que as redes sociais inventaram as fake news desconhece o que foi feito pela grande imprensa no Brasil - a Folha inclusive. Não é sem motivo que nas redes sociais a Folha ganhou o apelido de “Falha de São Paulo”.
O editorial de hoje da Folha —sob o título “Jair Rousseff”— é um destes atos deliberados de má-fé. É pior do que um erro. É, mais uma vez, a distorção iníqua que confirma o facciosismo do jornal. A junção grosseira e falsificada é feita para forçar uma simetria que não existe e, por isto, ninguém tem direito de fazer, entre uma presidenta democrática e desenvolvimentista e um governante autoritário, de índole neofascista, sustentado pelos neoliberiais —no caso em questão, a Folha.
Todas as afirmações do editorial a respeito do meu governo são fake news. A Folha falsifica a história recente do país, num gesto de desprezo pela memória de seus próprios leitores.
Repisa a falsa acusação de que o meu governo promoveu gastos excessivos, alegação manipulada apenas para sustentar a narrativa midiática e política que levou ao golpe de 2016. Esquece deliberadamente que a crise política provocada pelos golpistas do “quanto pior, melhor” exerceu grande influência, seja sobre a situação econômica, seja sobre a situação fiscal.
A Folha, naquela época, chegou a pedir a minha renúncia, em editorial de primeira página, antes mesmo do julgamento do impeachment. Criava deliberadamente um ambiente de insegurança política, paralisando decisões de investimento, e aprofundando o conflito político.
Estranhamente, a Folha jamais pediu o impeachment do golpista Michel Temer, apesar das provas apresentadas contra ele. Também não pediu o impeachment de Bolsonaro, ainda que ele já tenha sido flagrado em inúmeros atos de afronta à Constituição, e o próprio jornal o responsabilize pela gravidade da pandemia. A Folha continua seletiva em seus erros: Falha sempre contra a democracia, e finge apoiá-la com uma campanha bizarra com o bordão "vista-se de amarelo".
Um país que, em 2014, registrou o índice de desemprego de apenas 4,8%, praticamente pleno emprego, com blindagem internacional assegurada por um recorde de US$ 380 bilhões de reservas, não estava quebrado, como ainda alega a oposição. Na verdade, a destituição da presidenta precisou do endosso da grande mídia para garantir a difusão desta fake news. O meu mandato nem começara e o impeachment já era assunto preferencial da mídia, embalado pelas pautas bombas e a sabotagem do Congresso, dominado por Eduardo Cunha.
Os dados mostram que a “irresponsabilidade fiscal” que me foi atribuída é uma sórdida mentira, falso argumento para sustentar o golpe em curso. Entre 2011 e 2014, as despesas primárias cresceram 3,7% ao ano, menos do que no segundo mandato de FHC (4,1% ao ano), por exemplo.
Em 2015, já sob efeito das pautas bombas, houve retração de 2,5% nessas despesas. As dívidas líquida e bruta do setor público chegaram, em meu mandato, a seus menores patamares desde 2000. Mesmo com a elevação, em 2015, para 35,6% e 71,7%, devido à crise que precedeu o golpe, elas ainda eram muito menores que no final do governo de Temer (53,6% e 87%) ou no primeiro ano de Bolsonaro (55,7% e 88,7%).
Logo ao tomar o poder ilegalmente, os golpistas aproveitaram-se de sua maioria no Congresso e do apoio da mídia e do mercado para aprovar a emenda do Teto de Gastos, um dos maiores atentados já cometidos contra o povo brasileiro e a democracia em nossa história, pois, por 20 anos, tirou o povo do Orçamento e também do processo de decisão sobre os gastos públicos.
Criou uma “camisa de força” para a economia, barrando o investimento em infraestrutura e os gastos sociais, e "constitucionalizando" o austericídio. O Teto de Gastos bloqueia o Brasil, impede o país de sair da crise gerada pela perversão neoliberal que tomou o poder com o golpe de 2016 e a prisão do ex-presidente Lula. E, a partir da pandemia, tornará ainda mais inviável qualquer saída para o crescimento do emprego, da renda e do desenvolvimento.
Se a intenção da Folha é tutelar e pressionar Bolsonaro para que ele entregue a devastação neoliberal, que tenha pelo menos a dignidade de não falsificar a história recente. Aprenda a avaliar o passado e admita seus erros deliberados, se quiser ter alguma autoridade para analisar um presente sombrio de cuja construção participou diretamente.

Dilma Rousseff, 22/08/2020



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Novamente militares puxam brasa para sua sardinha. Quase quebraram Brasil na ditadura. Agora querem completar o serviço


Na linha do governo Bolsonaro, que já afirmou que antes de construir o que ele pretende é desconstruir o Brasil, os militares estão no poder para auxiliá-lo em seu projeto.

Novamente no poder (como anunciei aqui, com 15 dias de governo Bolsonaro: Bolsonaro dá um autogolpe e militares voltam ao poder 55 anos depois de golpe de 64 ), militares avançam gulosamente sobre o Orçamento do Brasil e, no ano que vem, já conseguiram mais do que o reservado para o Ministério da Educação.
O governo de Jair Bolsonaro prevê reservar R$ 5,8 bilhões a mais no Orçamento do ano que vem para despesas com militares do que com a educação no País. A proposta com a divisão dos recursos entre os ministérios está nas mãos da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e deve ser encaminhada até o fim deste mês ao Congresso. Caso confirmada, será a primeira vez em dez anos que o Ministério da Defesa terá um valor superior ao da pasta da Educação.  [Estadão]
Atualmente, para combater invasões de terra, incêndio e desmatamento na Amazônia, os militares abocanharam a maior parte do Orçamento, administrado pelo vice Mourão, em detrimento do Ibama. O resultado é o que o mundo está vendo: incêndio recorde, mineração e garimpagem comendo solta e os punidos são fiscais e diretores do Ibama.

Deram ainda ao sinistro Ricardo Salles (que tem como sua qualificação para ser ministro do Meio Ambiente o fato de ter sido condenado por desrespeitá-lo) um álibi: sempre que perguntado sobre a Amazônia responde: pergunta ao Exército.

Artigo publicado na Folha hoje pelo professor da New York University Shanghai (China) e da Fundação Dom Cabral, e doutor em economia pela UFRJ, Rodrigo Zeidan, historia em poucas palavras a desastrosa (para os civis, mas lucrativa para eles) administração militar no país: 92% dos gastos militares do Brasil não são em equipamentos ou estudos, mas em soldos e pensões para os militares da ativa e da reserva.

O mito dos gestores militares

Treinados para a guerra, os militares vão conseguir derrotar seus inimigos na batalha pelo Orçamento: a população brasileira.
Hoje, o capitão está para continuar nossa grande tradição de ignorar os problemas reais e inventar inimigos imaginários, propondo um orçamento para a Defesa maior que para a educação.
Em 2018, o orçamento para a Defesa totalizou R$ 77 bilhões, dos quais R$ 67 bilhões foram executados. O governo de extrema direita não se fez de rogado, e, em 2019, com a economia crescendo 1% e a inflação baixíssima, o orçamento saltou para R$ 85 bilhões, dos quais R$ 75 bilhões foram executados, aumento de mais de 10%.
Pior: gastamos em tecnologia, manutenção e pesquisa? Não, 92% dos gastos são com pessoal da ativa e da reserva.
Tanto na época do golpe quanto no governo do capitão não há preocupação com a melhoria da economia ou real defesa do país, mas simplesmente uma busca por maiores soldos.
Durante as três primeiras décadas do século passado, as Forças Armadas representavam 22% das despesas públicas. Obviamente, esse percentual aumentou durante a Segunda Guerra Mundial, com pico de 37% em 1942.
Em 1963, sem inimigos externos (a não ser imaginários), gastávamos 16% do orçamento dos ministérios com defesa nacional. Mas a ditadura avançou sobre os cofres públicos. Em 1965, os gastos com as Forças Armadas já tinham saltado para 22% do Orçamento total. Oito anos depois, no auge da megalonamia do “milagre econômico”, as Forças Armadas recebiam 44% do total despendido pelo governo federal; o Ministério da Educação ficava com 10%.
Infelizmente, como os militares saíram pela porta da frente e parte do governo coincidiu com o ciclo natural do processo de industrialização, inventou-se por essas bandas a ideia de um “milagre econômico”, de 1968-1973, no qual a economia brasileira teria crescido a 11% ao ano. Cresceu mesmo, mas no contexto do maior crescimento da história do sistema capitalista no mundo (8% ao ano) e através da formação da dívida externa, que afundaria o país por quase 20 anos.
Os militares nunca foram bons gestores da economia. Surfaram a onda do crescimento mundial, enquanto gastavam como bem entediam. E isso sem nenhuma preocupação com pobreza ou desigualdade social.
A dívida externa começou a crescer a 20% ao ano já em 1964. Pegaram um país com dívida de US$ 3 bilhões (14% do PIB e dois anos de exportações) e entregaram algo impagável (mais de US$ 100 bilhões, 45% do PIB e quatro anos de exportações). O golpe de mestre foi culpar a crise externa e o FMI (Fundo Monetário Internacional), empurrando a conta para os governos seguintes.
Mas a realidade é que os militares lideraram processo de crescimento baseado em pirâmide financeira —pegavam novas dívidas para pagar os juros das anteriores, até que, em 1980, o choque Volcker acabou com a farra.
Paul Volcker, chefe do Fed, decidiu, numa tacada, acabar com a inflação americana jogando os juros nas alturas (a taxa básica chegou a 20%). O Brasil foi pego com as calças arriadas. Sem crédito, não tinha como pagar os juros da dívida. Logo vieram o calote e a hiperinflação.
Infelizmente, não aprendemos com a história. Encher de militares, mesmo que da reserva, o governo e validar o aumento do orçamento das Forças Armadas vai acabar mal, de novo.
É hora de abandonar o mito: os generais não conduziram bem a economia no passado e nem hoje saberiam fazê-lo.



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'Você não constrói a sociedade mais desigual do mundo sem que isso seja uma obra de anos, deliberada' - Verissimo


Do mestre Luis Fernando Verissimo em sua coluna no Estadão de hoje:
Retratações

O vice-presidente Hamilton Mourão, comentando a declaração do Gilmar Mendes sobre o envolvimento dos militares no que, a cada nova contagem de mortos pelo coronavírus, mais se parece com um genocídio, disse que, se Mendes tivesse grandeza moral, deveria se retratar. Entende-se a reação dos militares à declaração do ministro do STF, que se referia ao fato de o Ministério da Saúde estar ocupado de cima a baixo por militares que, presume-se, pouco entendem do assunto, mas estão na linha de frente contra a peste mortal assim mesmo. Já na guerra de palavras entre Forças Armadas e um ministro do Supremo, talvez o problema esteja na escolha das palavras. Ninguém gosta de ser chamado de cúmplice de um massacre, Gilmar. E Mourão, antes de reclamar da falta de grandeza moral de alguém, lembre-se que jamais se ouviu qualquer tipo de autocrítica das Forças Armadas brasileiras pelos desmandos da ditadura.
Mas esse negócio de retratação é complicado. Quem deveria se retratar pela inação do Ministério da Saúde é quem demitiu um ministro que parecia competente e outro que até hoje não sabe o que lhe aconteceu e, no fim, chamou um militar para comandar outros militares, num processo de simplificação – quando em dúvida, chame um general – que tem norteado, se é que cabe o termo para descrevê-lo, um governo perdido. Quem deve se retratar é Bolsonaro & Filhos. Mas, espera lá. Quem foi que os elegeu? A culpa é da tal democracia, que inventaram quando a monarquia ia tão bem e dava bailes tão bonitos? A culpa é da República? A culpa é dos portugueses? Tinham que descobrir o Brasil, logo o Brasil?
Se um Ministério da Saúde abandonado no meio de uma pandemia à sua própria sorte, ou à sorte dos seus próprios militares, representa alguma coisa é a grande culpa da elite brasileira por tudo que ela deixou de fazer através da nossa história e pelo qual nunca se retratou. Você não constrói a sociedade mais desigual do mundo sem que isso seja uma obra de anos, deliberada, com a notória ausência de qualquer tipo de grandeza moral. 




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Uma aula de História do Brasil e de política com José Dirceu


Numa live da Fundação Perseu Abramo, com a participação da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e de uma representante da Fundação, Vivian Farias, José Dirceu comenta parte da história do Brasil, do inicio do século XX aos dias atuais, as lutas dos trabalhadores, estudantes, os golpes, a ditadura, a luta pela democracia. Fala também sobre o momento atual, o governo Bolsonaro e estratégias de luta para transformação do país e recuperação de nossa democracia.





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'Alternativa Mourão é catastrófica para o Brasil', afirma especialista na questão militar

Manuel Domingos Neto e Altamiro Borges (Blog do Miro)

Professor de História, com doutorado na Universidade de Paris, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa, Manuel Domingos Neto é um estudioso da presença militar na História do Brasil.

Em uma série de entrevistas ao jornalista Altamiro Borges, Manuel Domingos Neto comenta o papel dos militares no governo Bolsonaro.

Numa delas, o professor faz uma análise do que seria a alternativa Mourão, em caso de um impeachment de Bolsonaro.

No trecho que selecionei, o professor historia o papel dos generais Heleno e Mourão como participantes da ala mais reacionária da ditadura militar, que se opôs à abertura política até usando de terrorismo, como as bombas em bancas de jornal e na OAB e o atentado frustrado ao Riocentro.
 "Mourão é um sólido reacionário...(...) O governo Mourão pra mim será uma tragédia. Mourão é herdeiro do colonialismo. O colonialismo se expressa através da obediência à metrópole e através da discriminação dos elementos autóctenes e dos debaixo da Colônia. O Mourão menospreza o negro e não vê sentido na preservação do índio, é misógino e não tem nada da construção da nacionalidade. (...) Mourão é um neocolonial empedernido... (...) A alternativa Mourão é catastrófica para o Brasil"
Portanto, não basta apenas retirar Bolsonaro. Mourão tem que ir junto. A alternativa é a cassação da chapa, via TSE, pois as irregularidades foram tantas e com tão fartas provas, que o TSE só não anula se não quiser.

Assista no vídeo abaixo, que já linkei no ponto da entrevista em que fala do assunto Mourão. Mas recomendo que assista a todo o vídeo e também aos outros dois, da série de entrevistas feitas lá no Blog do Miro, para que tenha subsídios para analisar a presença militar no governo Bolsonaro.

Links dos vídeos (aproveite e assine o canal do Blog do Miro):





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O golpe de 64 ' foi isso: não só uma 'máquina cruel' de produção de sofrimento em massa, mas de corrupção' - por Conrado Hübner



Coluna do professor de Direito Constitucional da USP Conrado Hübner Mendes sobre o golpe de 1964, na Folha hoje.

Uma aula sobre o golpe, em resumo, inclusive com puxões de orelha em formas indiretas que bem cabem na Folha, e destaquei em negrito.

Não vale querer ressignificar o uso do amarelo sem uma autocrítica.
Em edição histórica no último domingo (28), a Folha lançou campanha de defesa da democracia contra a delinquência política. No caderno especial, buscou desfazer o mundo cor-de-rosa pintado ao redor do período militar.
Em 1964 houve golpe. O golpe instaurou ditadura. A ditadura torturou, matou e suprimiu liberdades.
Produziu enriquecimento ilícito e montou império de empreiteiras. O "milagre econômico" gerou desigualdade e década perdida. Polícia fora do controle nunca entregou segurança pública. Instituições de uso da força abriram caminho ao tráfico de armas e ao crime organizado. Continuamos a pagar a fatura.
Em resumo, foi isso: não só uma "máquina cruel" de produção de sofrimento em massa, mas de corrupção. Criminosos saíram impunes e lhes foi permitido entrar no período democrático sapateando.
Seus apologistas, 30 anos depois, chegaram à Presidência. Tentam não só reescrever a história, mas revivê-la. Seus heróis mataram, nos porões, inimigos nus. Na moderna lei da guerra, crime contra a humanidade.
A campanha da Folha também fez um gesto expressivo: alterou seu mote "Um jornal a serviço do Brasil" para "Um jornal a serviço da democracia". Deixou para nós, leitores, tarefa de interpretar o que isso significa e cobrar coerência com esse compromisso.
A relação é bidirecional: sem imprensa livre (e corajosa para praticar a liberdade), não há democracia; sem democracia, há imprensa servil (com o lucro e a desonra que vêm do servilismo). Essa platitude teórica, porém, precisa ser traduzida.
Tenho meus palpites. Um jornal a serviço da democracia sabe que democracia não é só eleições livres, nem só respeito a liberdades civis. Sabe que na pobreza e na disparidade de riqueza o poder político se torna um fantoche do autoritarismo econômico.
Sabe também que a democracia brasileira é uma democracia particular, não abstrata. Nela, a loteria do nascimento determina aonde se pode chegar. Ser homem branco, idealmente heterossexual, facilita muito o caminho, pouco importa o esforço, a inteligência e a sorte.
Um jornal democrático não teme adjetivos como "radical" e "extremista", nem os banaliza. Não doura a pílula com eufemismo. Sabe que Bolsonaro nunca foi polêmico e nunca proferiu frase polêmica em 30 anos de escatologia verbal. Era outra coisa.
Um jornal democrático faz o melhor que pode para dizer a verdade ao poder ("speak truth to power"). Mas não só a verdade factual. Há que perder o medo e a preguiça do juízo crítico, o medo e a preguiça da palavra certa diante de situações concretas.
Sabe que imparcialidade jornalística não é neutralidade nem ausência de juízo, e que nem sempre há dois lados. É ter "clareza moral", como disse Masha Gessen na revista New Yorker.
Para cobrir o mundo ilusionista do direito, tenho palpites menos banais. Primeiro, um jornal democrático precisa entender que não existe juiz herói nem Judiciário com causa. O heroísmo judicial é uma conquista institucional, não cruzada dos homens de bem.
Sabe que o juiz não é imparcial porque diz ser imparcial. Só podemos atestar se atende aos rituais da imparcialidade. Para isso existem regras de suspeição e padrões éticos.
Um jornal democrático lê decisões judiciais não apenas para reportar o resultado, mas para avaliar os argumentos e participar da costura do Estado do Direito.
Sabe que opinião jurídica não é monopólio de jurista, e que a deferência passiva à opinião oficial é um favor que instituições judiciais não merecem. Não se assustem com o juridiquês, a doença infantil do bacharelismo. A técnica jurídica não está na linguagem empolada, mas em conceitos ao alcance dos leigos.
Por fim, cuidado com as vozes jurídicas que escutam e com os interesses disfarçados. Adotem políticas de transparência de potencial conflito de interesses ("disclosure") e valorizem intelectuais do direito que dedicam a vida à pesquisa na universidade. Diversifiquem.



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Regina Duarte tira a máscara, canta a ditadura e explica silêncio sobre artistas mortos: 'Não sou obituário'

Regina Duarte cantando


Garantindo lugar no time de Bolsonaro


Numa entrevista à CNN Brasil, a secretária de Cultura de Bolsonaro Regina Duarte fez a alegria do presidente e deixou à mostra para o Brasil sua verdadeira face.

Recolhida, silente, após ouvir reclamação de Bolsonaro que pedia sua presença em Brasília, Regina arregaçou a manga e mostrou os dentes, num show de sem noção, como se houvesse incorporado o pior do chefe: menosprezou a ditadura e a tortura e explicou que não se manifestou sobre a morte recente de grandes nomes de nossa cultura, como Rubem Fonseca, Moraes Moreira, Garcia Roza, Flavio Migliaccio e Aldir Blanc, porque não é obituário.

Certamente garantiu lugar de honra no governo que envergonha o Brasil e mata seu povo em meio a uma pandemia, que ruma para 10 mil mortes, mil por dia, e 150 mil infectados.

Enquanto Regina canta a ditadura. Confira o vídeo.






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Estratégia de Bolsonaro é não liberar auxílio e criticar quarentena para gerar fome e revolta

napoleao de hospicio

Bolsonaro aposta no pior para tentar salvar seu mandato



Está cada vez mais clara a estratégia de Bolsonaro de levar o país ao caos para que lhe sejam concedidos poderes ilimitados ou possa renunciar posando de vítima.

O auxílio de R$ 600 a família de baixa renda e trabalhadores informais, aprovado em todas as instâncias, não é assinado por ele, que vai alongar o pagamento o máximo que puder. Depois da assinatura, vai postergar a data da liberação dos recursos.

Ao mesmo tempo, faz discurso direcionado a esse mesmo público, dizendo-se preocupado com eles e por isso defendendo uma abertura do comércio e indústrias, na contramão do que vem sendo feito no mundo no combate à pandemia, inclusive por seu ídolo, Donald Trump.

Espera com isso provocar o aumento nos números da violência, com furtos, assaltos e até saques, alguns até organizados pelos milicianos que o apoiam pelo Brasil, e assim deixar a população com medo para poder lhe conceder poderes ditatoriais. Se não der, renuncia como vítima. "Não me deixaram governar"...

Jogando a população pobre contra o Ministério da Saúde, a OMS, e a quarentena aplicada por prefeitos e governadores, Bolsonaro parte para o desespero de quem sabe que já não governa mais o país, e parte para o tudo ou nada. Covardemente, como é de seu estilo, usando o povo mais pobre e necessitado.

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Paulo Coelho: 'Criticar Bolsonaro é compromisso histórico'

Paulo Coelho

O escritor critica Bolsonaro, seus ministros e governo numa entrevista à BBC


Numa entrevista aos repórteres da BBC Brasil, o escritor Paulo Coelho se posiciona totalmente contrário ao que está acontecendo no Brasil sob Bolsonaro.

A seguir, alguns trechos da entrevista, que pode ser lida na íntegra no site da BBC.
Eu tenho 72 anos e nunca vi nada igual. Eu já vivi ditadura, democracia, muitas fases do Brasil, mas nunca vi o que está acontecendo agora. É um delírio. Necessitava (Howard Phillips) Lovecraft, um escritor de ficção científica, para descrever o Brasil. Fico muito triste com o que está acontecendo.
Tudo, tudo, tudo. Vai desde o aquecimento global às queimadas na Amazônia. Parece que o Brasil virou um Estado de negação. As pessoas negam a realidade. "Ah, vou me fechar aqui e não quero ver o que está acontecendo." Isso é muito triste. Veja, você tem um chanceler, Ernesto Araújo, que é um cara completamente despreparado. Não tem maturidade, não tem experiência, não tem nada que justifique a posição que ocupa. E o cara diz qualquer coisa. "Ah, eu fui à Itália, estava frio, então não tem aquecimento global". Meu amigo, um dos sintomas do aquecimento global é o frio.
Você tem um presidente que, no fundo, eu nem sei se está muito contente de ter sido eleito. É muito confortável estar na oposição. O Brasil está assistindo horrorizado ao esfacelamento daquilo que nosso país representava. Ou seja: Uma luz em um mundo que vivia em trevas.
A essa altura, eu tenho um compromisso histórico e o compromisso histórico é não ficar calado. Eu tenho que falar. Vou perder leitores? Vou. Tenho perdido? Devo estar perdendo? Não sei. Eu não fico contabilizando isso. No Brasil. Mas, fora do Brasil, eu não acredito. Acho que todo mundo está olhando o Brasil neste momento com muita suspeita.


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'Muito mais cedo do que tarde esse governo de destruição vai ser derrotado pro nosso país voltar a ter esperança', deputada Natália Bonavides

deputada federal Natália Bonavides

Deputada cita últimas palavras de Allende em resposta a ataque de Bolsonaro a Michele Bachelet


A deputada federal Natália Bonavides, PT-RN, fez breve e contundente pronunciamento na Câmara contra as palavras asquerosas do presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro com ofensas à ex-presidente do Chile Michele Bachelet, que foi torturada, e teve mãe e pai torturados também, durante a ditadura sanguinolenta do terrorista e narcotraficante Augusto Pinochet, condenado por crimes de lesa-humanidade.




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Bolsonaro calunia pai de presidente da OAB e manda Petrobras cancelar contrato com seu escritório de advocacia

Felipe Santa Cruz

Embora tenha vencido uma causa de R$ 5 bi para a Petrobras, escritório de Felipe Santa Cruz teve contrato encerrado


O estilo Bolsonaro é o de sempre: passa pano para amigos pra lá de suspeitos e ataca duramente aqueles a quem julga inimigos.

Foi assim com o fiscal do Ibama José Olímpio Augusto Morelli, que o multou em 2012, ainda como deputado. Ao assumir a presidência, uma das primeiras iniciativas de Bolsonaro foi mandar demiti-lo.

O mesmo acontece com as áreas que sempre protestaram contra sua candidatura: Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia, Direitos Humanos, que têm suas pastas esvaziadas;

O mesmo com a região Nordeste, onde foi amplamente derrotado nas eleições, que recebeu apenas 2% das verbas de investimentos da Caixa que costumavam irrigar a região.

Agora, aconteceu com o presidente da OAB. Desgostoso com a entidade, que proibira o acesso da polícia federal ao conteúdo de conversas grampeadas dos advogados de Adélio (como manda a Constituição), Bolsonaro criticou a OAB e mandou recado sinistro a seu presidente, dizendo que sabia como seu pai (mais uma fake new), desaparecidono caso, assassinado pela ditadura em 1974, havia morrido.

Não satisfeito com sua atitude nojenta, Bolsonaro mandou a Petrobras cortar contrato com o escritório de advocacia de Felipe Santa Cruz.
O escritório atuava em causas trabalhistas. No ano passado, venceu uma causa estimada em R$ 5 bilhões que seriam pagos como horas extras atrasadas a funcionários embarcados nas plataformas de petróleo da estatal.
O julgamento, no TST (Tribunal Superior do Trabalho) foi apertado: 6 votos a favor e 5 contrários.
"Era uma ação rescisória, algo como ressuscitar alguém que morreu. Eu salvei a empresa na causa trabalhista mais grave que ela já enfrentou", afirma Santa Cruz.
Ele afirma que entrará na Justiça com uma ação para reparação de danos. "Há claramente uma perseguição política em curso", diz. [Folha]





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Mãe implora notícias do filho desaparecido na ditadura, em carta a presidente. 40 anos depois, Bolsonaro responde com coice

Elzita Santa Cruz com foto do filho assassinado


Elzita Santa Cruz morreu aos 105 anos sem saber notícias do filho assassinado


Avó do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, Elzita Santa Cruz enviou uma comovida carta ao presidente Geisel pedindo notícias do filho (pai do presidente da OAB) Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, desaparecido pela ditadura em 1974.
"Por que, senhor presidente, se nega em um país democrata o direito de defesa, o respeito à vida de uma pessoa? Por quê?", escreve. 
Elzita também escreveu, em abril de 1974, uma carta à então primeira-dama, Lucy Geisel. No texto, ela pede, de uma mãe para outra, que Lucy lhe ajude a descobrir onde está Fernando.
"Não preciso dizer que a cada resposta negativa minhas lágrimas correm sem cessar, só conseguindo suavizar meu desespero a grande fé em Deus que tenho." [Folha]
Elzita morreu aos 105 anos no mês passado, sem resposta do presidente Geisel nem de sua mulher.

Mas a carta de dona Elzita recebeu uma resposta do atual presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro, que ironizou o sofrimento da família e mentiu sobre o ocorrido com o filho dela.




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Antigos militantes da AP desmontam mentiras de Bolsonaro em nota


Ação Popular: O companheiro Fernando Santa Cruz foi assassinado pelo regime militar


Para variar, além da fala ignominiosa sobre o assassinato do pai do presidente da OAB, o presidente (eleito mediante fraude) Bolsonaro mentiu. Por isso, já mais de uma vez já o chamei aqui de Jair M. de Mentira Bolsonaro.

A Ação Popular não participou da luta armada nem do assassinato do pai do atual presidente da OAB, como afirmou Jair Mentira. Eis a nota:
Nós abaixo-assinados, antigos militantes de Ação Popular Marxista-Leninista – APML, repudiamos as mentiras proferidas e os atos de terrorismo psicológico cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro ao comentar o sequestro, a prisão, a tortura e o assassinato do nosso companheiro Fernando Santa Cruz, militante de APML, cometidos pelos órgãos de repressão da ditadura militar, em 1974.

A APML visava a transformação socialista do Brasil e priorizava a luta pela derrubada do regime militar e pela conquista das liberdades democráticas.

Buscava conscientizar, mobilizar e organizar estudantes, trabalhadores e demais setores populares e não recorreu à luta armada, muito menos a atos sanguinolentos e terroristas. Estes sim seguidamente cometidos pela ditadura contra seus opositores dos mais distintos matizes ideológicos.

O presidente Bolsonaro, visando atingir o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, num ato de requinte de crueldade, além de mentir sobre a natureza da luta pela qual seu pai, Fernando Santa Cruz deu a vida, acusa a própria APML pelo crime cometido pelo regime militar.
Inconcebíveis sob quaisquer circunstâncias, tais mentiras e atos de violência devem ser repudiados com veemência por todos, mais ainda quando cometidos pelo próprio presidente da República.

Cunca Bocayuva
Doralina (SP)
Fabiana Eboli Santos
João Ricardo Dornelles
Jorge Ricardo Santos
Marcelo Carvalho
Maria Paula Nascimento Araújo
Orlando Guilhon
Raul Milliet Filho
Ricardo Henrique Salles
Roberto Mader
Rodrigo Coelho
Rosa Maria Guilhon
Sandra Schneider
Sebastian Rojas Archer





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