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Mídia, redes, Trump, TSE e como se forma uma tempestade perfeita contra Lula


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André Mendonça, o ministro terrivelmente bolsonarista no caso Master contra Lula e Moraes


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PF e mídias lavajatistas querem prisão de Lulinha e impeachment de Moraes


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Ministro da Justiça desacata o Supremo e diz que não entrega dossiê antifascista: 'é sigiloso'


Na maior afronta cometida pelo governo Bolsonaro ao STF até o momento, o ministro muito evangélico da Justiça André Mendonça mandou às favas (polidamente, mas às favas) a determinação da ministra Carmen Lúcia de que ele enviasse ao STF o material colhido pelo ministério conhecido como "dossiê antifascista".

Mendonça não apenas negou que se tratasse de dossiê ou investigação, mas "inteligência de segurança pública", que não é outra coisa senão bisbilhotar a vida de determinadas pessoas ou grupos para colher informações ou seja, investigação. Mendonça também negou o envio do dossiê (ou da "inteligência"):
Na "nota técnica" enviada por Mendonça ao STF, a Seopi argumenta que não pode compartilhar nenhum relatório de inteligência com órgãos fora do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência), nem mesmo com o STF, porque ocorreriam "diversos efeitos", como, por exemplo, "o risco de exposição dos métodos, dos procedimentos e da doutrina dos órgãos de inteligência nacionais, o que potencialmente teria o condão de permitir que criminosos comuns, terroristas, organizações criminosas, sabotadores e até mesmo unidades de inteligência e contrainteligência de outras entidades contornassem as atividades dos integrantes do Sisbin e do Sisp e praticassem atos atentatórios à República Federativa do Brasil sem prévia ou concomitante detecção". [Rubens Valente, no UOL]
Vamos ver como o STF vai reagir à afronta.

Pelo menos com a medida André Mendonça ganhou pontos com Bolsonaro, mas viu fechar-se as portas do STF à sua pretensão de ser um deles, na vaga que se abrirá com a aposentadoria do ministro Celso de Mello.

Se não se obedece ao Supremo, é a desordem, o golpe dentro do golpe.




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'Com um largo passo, afastamo-nos mais da democracia, dos direitos civis e da vigência plena da Constituição' - Janio de Freitas


Mais uma coluna de leitura obrigatória do jornalista Janio de Freitas na Folha de hoje. Sobre a reação tímida da sociedade à escalada fascista do governo, com a espionagem de funcionários e intelectuais da área de segurança, com o chamado dossiê Seopi.

Janio aborda também a briga Aras-Lava Jato e a nomeação de uma amiga do general Cloroquina em Pernambuco, sem nenhuma qualificação para o cargo (com ambiguidade na frase, por favor);

Sobra também para a Folha, uma cutucada de leve por ter dispensado o jornalista Rubens Valente, que descobriu o dossiê, dando um furo em seu antigo patrão.

Mentiras e imoralidades ficam mais fáceis em um regime neofascista


 Com um largo passo, afastamo-nos mais da democracia, dos nossos direitos civis e da vigência plena da Constituição. E como se isso não acontecesse ou, se percebido, não fosse importante. A falta de reação proporcional é tão grave quanto o passo a que fomos empurrados.
Todos os governos de índole fascista começam a torná-la realidade por três ou quatro medidas que tolhem a liberdade de discordância.
Uma dessas medidas clássicas da derrubada de democracias é a identificação, fichamento e vigilância sigilosa de reais ou potenciais opositores ao autoritarismo. Uma das primeiras providências do gorilismo de 1964, por exemplo, foi a criação do SNI, serviço de espionagem interna mais tarde chamado de monstro pelo próprio criador, o sinistro general Golbery.
Tem essa mesma finalidade a função atribuída à Seopi, Secretaria de Operações Integradas, pelo recém-ministro da Justiça, André Mendonça, não muito menos sinistro na sua fisionomia sem expressão.
As atuais revelações do ex-repórter especialíssimo da Folha e hoje encontrável em blog no UOL, Rubens Valente, partem de um dossiê da Seopi, datado de junho.
São os dados e às vezes fotos obtidos em sua “ação sigilosa sobre 579 servidores federais e estaduais de segurança, e três professores universitários, identificados como integrantes do ‘movimento antifascismo’”.
Título do dossiê: “Ações de Grupos Antifas e Policiais Antifascismo”. Antifas é como se denominam os adversários ativos do fascismo em qualquer das suas formas.
O título explicita, portanto, o propósito da ação e do dossiê contra os defensores do regime democrático em vigor, como são, no caso e por definição, os antifas e os policiais antifascismo. Logo, trata-se de uma ação, sob ordens do próprio ministro da Justiça, mais do que inconstitucional, contra a Constituição em seu teor e vigência.
A Constituição não admite ações ou pregação contra o regime nela formulado. Tem a sabedoria da prevenção. Porque o início contra servidores e alguns professores, se não recebe a reação proporcional e legal, será, logo, estendido a outras linhagens da cidadania. Se ainda não foi.
E os que têm o potencial e a obrigação de reagir, até como defesa de si mesmos, trataram o revelado avanço neofascista como mais um fato cotidiano. Sim, os de sempre, jornais e TV, juristas, advogados, professores, intelectuais, artistas, políticos democratas — os visados.
O confronto entre os dallagnois de Curitiba e o procurador-geral Augusto Aras teve a preferência, brigas têm mais sensação. Acusada de caixa de segredos, a Lava Jato rebateu com a afirmação de que os seus arquivos “são avaliados por diversos entes, incluindo toda a sociedade”. Se isso não fosse mentira, não haveria o choque público por recusa do compartilhamento de dados pretendido pela Procuradoria-Geral.
Os dallagnois explicaram ainda as 38 mil pessoas e empresas constantes no seu arquivo, motivo de suspeitas de Aras. São menções em relatórios do Coaf, órgão de alegado controle da Receita Federal, mandados à Lava Jato para verificar suspeitas de lavagem de dinheiro.
Mas a Lava Jato não tem poderes para se meter em buscas a granel das vidas financeiras de pessoas e empresas. Fazê-lo é mais um dos seus habituais abusos de poder.
Executor dos objetivos da Lava Jato, Sergio Moro defende-o: “A operação sempre foi transparente e teve suas decisões confirmadas pelos tribunais de segunda instância e também pelas cortes superiores”. Mentira também. Até a segunda instância no Tribunal Regional em Porto Alegre, ainda que a contragosto, derrubou decisões da parceria Moro/Dallagnol. Nas cortes superiores, Moro recorreu até a pedido de desculpa, para evitar vexame maior.
Mas não faltará um registro simpático: os generais do bolsonarismo são pais dedicados. E dedicados até a simples amigas. Buscam-lhes bons cargos no serviço público, apesar de não terem habilitação. Como a nova representante do Ministério da Saúde em Pernambuco, Paula Amorim, nomeada pelo mérito de ter “relação de amizade e confiança” com o general Eduardo Pazzuelo. Os generais falavam de imoralidade dos políticos.
Em regime neofacista as mentiras e as imoralidades ficam mais fáceis. Justifica-se, pois.




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