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Assange. A luta continua. O que vem por aí

Esta é a última imagem que se tem de Julian Assange. Ele gesticula para a mídia de um veículo policial em sua chegada ao Tribunal de Magistrados de Westminster em 11 de abril de 2019 em Londres, Inglaterra. A foto é de Jack Taylor/Getty Images.

De lá para cá não foi permitida nenhuma imagem de Assange. Nem no dia de seu recente casamento. Nada. A ideia é não apenas prendê-lo, afastá-lo da sociedade, mas esconder seu rosto, sua imagem, sumir com ele, para que não se tenha memória do crime que está sendo cometido pela justiça do Ocidente contra um homem que liderou um movimento para denunciar crimes de guerra.

Como destaca John Rees, cofundador da Stop the War Coalition, em artigo em que me baseio para esta postagem, se fosse condenado por homicídio culposo, Assange pegaria de dois a dez anos de prisão, e ele já está há mais do que isso sem liberdade: sete anos exilado na embaixada do Equador e agora há três na pior prisão de segurança máxima do Reino Unido, a de Belmarsh, em Londres, numa solitária. 

Ontem, como informei aqui (Justiça britânica autoriza extradição de Assange aos EUA, conforme antecipou WikiLeaks), foi autorizada sua extradição aos Estados Unidos, onde pode ser condenado a até 175 anos de prisão por divulgar crimes de guerra dos EUA e aliados.

Mas, o que vem por aí? A defesa de Assange deve entrar com recurso, porque o processo de extradição é mais um episódio de lawfare, quando se usa a Justiça para atingir objetivos políticos.

Lembrando: em janeiro do ano passado, a juíza Vanessa Baraitser acolheu o pedido dos EUA, mas negou a extradição, pelas condições das prisões nos Estados Unidos para onde seria enviado Julian Assange.

Os EUA recorreram da decisão e garantiram que Assange teria tratamento humanitário por lá (quem viu os prisioneiros de Guantánamo sabe bem do que se trata). A Justiça britânica aceitou a palavra dos EUA e autorizou a extradição.

A defesa de Assange contesta esse ponto e por isso vai apelar. Porque a defesa da qualidade das prisões não foi feita durante o processo, quando poderia ser contestada pela defesa de Assange, com imagens e estatísticas de suicídios e problemas mentais de prisioneiros dos EUA. E quer ter o direito de contestar essa pseudo segurança diante da Suprema Corte.

A ser aceita a palavra do governo dos EUA, poderá ser criada uma jurisprudência em que qualquer estado, inclusive ditaduras, requeira a extradição de um prisioneiro, "garantindo segurança e tratamento humanitário de suas prisões". Como o Reino Unido irá negar, se aceita a mesma alegação, sem contestação, dos EUA?

Com isso, Assange deve continuar pelo menos mais um ano encarcerado na solitária, em Belmarsh, aguardando nova resolução da Justiça britânica.

Aceito o apelo da defesa, a Suprema Corte poderá olhar o caso com outros olhos. Além da questão da violência das prisões dos EUA, há novos acontecimentos que favorecem Assange: a principal testemunha da acusação admitiu que mentiu ao tribunal; os planos da CIA para sequestrar ou matar Assange foram expostos publicamente; e há uma maior movimentação mundial pela liberdade de Assange.

A luta continua. 

#FreeAssange

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No dia do casamento de Assange, sua noiva denuncia tentativa de apagamento de sua imagem

Hoje é finalmente um dia feliz para Julian Assange. Ele vai poder realizar seu desejo de se casar com sua noiva e mãe de seus dois filhos, a advogada Stella Moris.

Sofrendo o que vem sofrendo há mais de dez anos, privado de sua liberdade, primeiro como refugiado na embaixada do Equador em Londres, e agora como prisioneiro (sem que tenha cometido crime algum) no presídio de Belmarsh, também em Londres, Assange pena, literalmente, por ter denunciado crimes de guerra dos Estados Unidos e aliados.

Mas, hoje, no presídio de Belmarsh, eles vão finalmente se casar, após ultrapassarem todas as dificuldades impostas pela direção da prisão. Dificuldades que são denunciadas por sua noiva em artigo publicado hoje no britânico Guardian [aqui, a íntegra, em inglês].

No artigo, Stella fala de seu amor por Julian e de todas as dificuldades que estão passando juntos: 

"Hoje eu vou me casar com o amor de minha vida.

(...) "Na hora do almoço de hoje, vou passar pelos portões da prisão de segurança máxima mais opressiva do país e me casar com um preso político, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

(...) "Este não é um casamento na prisão, é uma declaração de amor e resiliência apesar dos muros da prisão, apesar da perseguição política, apesar da detenção arbitrária, apesar do dano e assédio infligidos a Julian e nossa família. Seu tormento só fortalece nosso amor. "

Stella narra que proibiram padrinhos que eles escolheram, com a alegação de que eram jornalistas. O mesmo aconteceu com o fotógrafo, também proibido por ser um repórter fotográfico. 

(...) "Belmarsh permite regularmente a fotografia. Tommy Robinson e outros prisioneiros condenados foram autorizados a serem entrevistados diante das câmeras quando a ITV filmou dentro da prisão de Belmarsh. 

"Mas para Julian, que nem está cumprindo pena, parece haver um conjunto diferente de regras. Do que eles têm tanto medo? Estou convencida de que eles temem que as pessoas vejam Julian como um ser humano. Não um nome, mas uma pessoa. 

"Seu medo revela que eles querem que Julian permaneça invisível ao público a todo custo, mesmo no dia do casamento, e especialmente no dia do casamento. Para ele desaparecer da consciência pública. 

"A imprensa não tem permissão para fotografar Julian desde 2019. A última vez que ele foi fotografado pela imprensa foi através das janelas de uma van da prisão Serco a caminho do tribunal, logo após sua prisão em 11 de abril de 2019. Após a publicação dessas imagens, as autoridades mudaram seu transporte para vans com persianas automáticas de aço, que impedem até mesmo esse tipo de fotografia pela imprensa. 

"Julian não é visto pelo público há três anos. Recentemente, ele nem sequer foi autorizado a estar no tribunal para suas próprias audiências. Em outubro, ele sofreu um ataque isquêmico transitório (TIA), ou mini-derrame. A forma como ele está sendo tratado é cruel e desumana, e o público não gosta disso. Então as autoridades escondem isso do público.

"Julian está sendo transformado no prisioneiro X, uma abstração que não é vista nem ouvida e, portanto, inexistente. Julian está desaparecendo porque sua prisão é uma vergonha nacional, uma vergonha para o estado britânico e um movimento perverso e autoritário.

"Julian não é acusado de nenhum crime no Reino Unido. As acusações que ele enfrenta nos Estados Unidos são, segundo a Anistia Internacional, politicamente motivadas. E de acordo com todas as grandes organizações de liberdade de imprensa, as acusações também são um ataque ao próprio jornalismo, porque criminalizam o jornalismo e abrem as portas para prender jornalistas por fazerem seu trabalho.

"O desejo das autoridades de silenciar e desaparecer Julian nasce do medo. Temos a força de nosso amor e convicção justa. A família de Julian lutará por sua liberdade e por sua vida, até que ele seja livre. Amor acima do medo. Junte-se a nós."

No horário do casamento está agendada uma manifestação / celebração do lado de fora de Belmarsh.

#FreeAssange. Felicidades à família.


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E o Assange, como está? Quem responde é a companheira dele, Stella Moris. Veja como você pode ajudar


Embora a juiza distrital tenha recusado a extradição de Julian Assange aos Estados Unidos, ela negou também estabelecer uma fiança a Julian. Ele ainda está detido numa solitária na Prisão de Belmarsh, como um prisioneiro não condenado, em condições terríveis, segundo sua companheira e mãe de seus dois filhos, Stella Moris. Assange está preso, repito, sem qualquer condenação, há quase dois anos.
"Por causa do bloqueio da Covid, ele não tem permissão para receber visitantes e não tem acesso direto a seus advogados", diz Stella.

Os advogados de Julian já começaram a trabalhar em sua resposta ao governo dos Estados Unidos e estão se preparando para conseguir nova vitória de Julian no Tribunal Superior contra o pedido de extradição do jornalista, que divulgou ao mundo crimes de guerra dos Estados Unidos e aliados. Se vencerem novamente, ele estará livre.

Stella Moris está arrecadando fundos para a defesa de Assange neste site.

Quando finalmente Assange estiver livre, os Estados Unidos já terão passado sua mensagem a todos os jornalistas que buscam levar a verdade a seus leitores: Se essa verdade for contra os interesses dos EUA, você pagará caro por isso.

É essa a lição que dá ao mundo o país que se propaga defensor mundial das liberdades democráticas.

Quanta hipocrisia.




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Juíza nega fiança e mantém Assange preso. Agora, só Biden pode livrá-lo de morrer na prisão


A juíza Vanessa Baraitser negou nesta manhã em Londres a liberdade sob fiança ao líder do WikiLeaks Julian Assange e mandou-o de volta ao presídio de segurança máxima de Bekmarsh, onde deverá aguardar julgamento de recursos dos Estados Unidos.
 
A manobra de manter Assange na prisão em Londres sem extraditá-lo foi a solução salomônica dos governos dos EUA e Reino Unido, já que a extradição poderia causar problemas ao novo governo Biden, caso Assange conseguisse se matar na prisão, como temem os psiquiatras que o examinam em Belmarsh.
 
Como afirmei aqui no domingo, o objetivo é ficar numa guerra de recursos, enquanto Assange apodrece na cadeia, em condições quase tão desumanas como as que encontraria nos EUA. Recentemente, um preso da mesma ala de Assange se matou.
 
A juíza Baraitser alegou que Assange poderia fugir, porque o julgamento da extradição ainda não está encerrado.
 
A defesa de Assange negou que ele tivesse o intento da fuga e alegou que ele preferiria ficar ali com a mulher e as duas filhas. Sem sucesso.
 
Assange já voltou para a cela, onde fica trancado por 20 horas, enfrentando temperatura de 0º pela madrugada e em meio ao recrudescimento da COVID no Reino Unido, que entrou em lockdown pelo descontrole sobre a pandemia.
 
Querem transformar Assange em exemplo, para que ninguém jamais ouse novamente denunciar os crimes de guerra dos Estados Unidos.
 
Só o presidente eleito Joe Biden pode parar com esse jogo de cartas marcadas, se ao assumir a presidência encerrar o pedido de extradição de Assange.
 
Mas, provavelmente, Biden vai deixar o tempo correr... Ainda mais que, morrendo em Londres, retira o ônus da morte de suas costas.
 
Por isso é fundamental a campanha pela libertação imediata de Assange. 
 
Divulgar crimes de guerra não é crime. Crime é cometê-los.
 
#FreeAssange




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