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Cientista que divulgou cloroquina contra o coronavírus agora diz que 'nunca a recomendou como tratamento'


Pelo visto, apenas Bolsonaro e o general Cloroquina vão seguir indicando cloroquina aos infelizes brasileiros que forem atendidos para o tratamento da pandemia.

Numa audiência a Deputados na França, o cientista Didier Raoult, o homem que divulgou a cloroquina e hidroxicloroquina como tratamento para a COVID-19, disse que nunca o fez e que não recomendaria a ninguém.

Na audiência na  Assembleia Nacional em 24 de junho, ao final do interrogatório, a deputada Josiane Corneloup, farmacêutica de profissão, pede sua opinião sobre as restrições à prescrição de hidroxicloroquina por médicos. Didier Raoult, que é o diretor do IHU em Marselha, respondeu:
"Eu nunca recomendei este tratamento, porque não tenho o direito de recomendar um tratamento que não é indicado. Eu não posso recomendar. Posso dizer o que faço, mas não posso recomendar. E eu nunca o recomendei. Se você ouvir atentamente o que eu digo: digo o que faço, não recomendo. Pode ser uma nuance, mas é uma nuance que importa".
O que mais é necessário para que a PGR ou seja lá quem de direito entre em campo e interrompa a distribuição de um medicamento que o mundo inteiro já provou que não tem efeito benéfico algum contra a COVID-19, pelo contrário, traz efeitos colaterais que podem levar à morte do paciente?

Até o divulgador mundial da cloroquina já pulou fora para fugir de processos. Confira no vídeo abaixo, em francês.




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Francês divulga novo estudo positivo sobre cloroquina, agora com 1061 pacientes, mas ainda sem respeitar método científico

IHU

Novos resultados positivos para o uso da hidroxicloroquina contra a COVID-19


O Dr. Didier Raoult entregou nessa quinta, dia 9, ao presidente francês Emmanuel Macron um novo estudo realizado em seu Instituto, o Institut Hospitalo-Universitaire (IHU) Méditerranée Infection, sobre os efeitos da cloroquina no tratameno de pacientes com a COVID-19.

Foi aplicada uma combinação de hidroxicloroquina mais o antibiótico Azitromicina em 1061 pacientes com diagnóstico de COVID-19. O resultado foi positivo em 91,7% dos casos, que apresentaram carga viral zero ao final de dez dias de tratamento.

No entanto, cientistas continuam contestando os resultados do Dr. Raoult por não ser muito diferente do resultado da evolução normal da doença (85% se recuperam naturalmente) e por não obedecer ao método científico.
"Infelizmente, na ausência de um braço comparativo (grupo de controle que recebe um placebo, nota do editor), é extremamente difícil saber se o tratamento é eficaz ou não", disse sexta-feira Arnaud Fontanet, epidemiologista do Instituto Pasteur e membro do conselho. cientista Covid-19, na TV RMC / BFM.

"Esses resultados são nulos e nulos, nada nos diz sobre a eficácia do tratamento", prevalece a epidemiologista Catherine Hill. Ela também mencionou a ausência de um grupo controle e o fato de que, de acordo com os dados públicos disponíveis, pelo menos 85% das pessoas se recuperam espontaneamente, sem nenhum tratamento. O epidemiologista, agora aposentado, aponta para um provável viés na seleção dos participantes, com pacientes com teste positivo que provavelmente nunca teriam desenvolvido sintomas ou muito leve.


Os participantes do estudo têm formas menos graves que a média dos casos confirmados de Covid-19: o julgamento do Prof. Raoult inclui 95% dos pacientes cujo grau de gravidade é "baixo", 2,4% dos casos "médios" e 2,6% dos casos em que o grau de gravidade é considerado "alto".

Cautela justificada, insistiu sexta-feira na Agência de Medicamentos (ANSM), após a publicação de uma pesquisa de farmacovigilância, que conclui que se os efeitos colaterais da hidroxicloroquina no coração são conhecidos ", parece ser aumentada em pacientes covídeos”, que frequentemente apresentam deficiência de potássio, um elemento essencial na contração dos músculos e, em particular, do coração, enquanto o novo coronavírus também parece ter sua própria toxicidade no coração. [Fonte, em francês]




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Guru da cloroquina de Bolsonaro chamou COVID-19 de gripezinha, questiona aquecimento global e vacinação em massa


Quem é o polêmico cientista francês difusor da cloroquina



Didier Raoult é o nome do cientista francês responsável pela divulgação de que a hidroxicloroquina é eficaz no enfrentamento da COVID-19.

Mas, antes dessa afirmação tão contestada pelo pequeno número de testes (foram apenas 26 pacientes, sendo que seis abandonaram o tratamento antes do fim - um inclusive por morrer) e pela falta de outros procedimentos científicos em sua aplicação, o Dr. Raoult coleciona outras polêmicas.

Há dois meses, em 21 de janeiro, ele desdenhou da COVID-19:
Você sabe, este é um mundo louco. O fato é que algumas pessoas morreram por causa do coronavírus na China, não me sinto tão preocupado. É verdade que o mundo ficou completamente louco, ou seja, se algo está acontecendo onde há três chineses que estão morrendo e isso se torna um alerta mundial, a OMS se envolve, está no rádio e na televisão... [...] eu não sei, as pessoas não parecem ter nada com o que se preocupar, então tentam encontrar algo com o que temer na China, só porque são incapazes de enfrentar o que poderiam ter medo se ficassem na França. É isso, isso não é sério.
No dia 1 de fevereiro foi além:
Este vírus não é tão ruim, não é um assassino cego. A taxa de mortalidade, estimada hoje em torno de 2%, equivalente a qualquer pneumonia viral encontrada no hospital, provavelmente diminuirá quando os casos que não apresentaram sintomas forem levados em consideração. Sem ser presciente, duvido que o vírus chinês cause um aumento muito significativo nas mortes por pneumonia, pelo menos aqui na França.
A França tem hoje mais de 100 mil infectados e 10 mil mortes pela COVID-19.

Em 25 de fevereiro ele anunciou que havia descoberto a cura da COVID-19: - "Coronavírus, Fim de jogo", com o uso da cloroquina.

Sob intensa crítica da comunidade científica internacional, voltou atrás e trocou o título de seu anúncio para "Coronavírus: uma saída da crise?", trocando a afirmação pela indagação.
No mesmo dia, Raoult deu uma entrevista ao jornal La Marseillaise, intitulado: “O coronavírus não é mais perigoso que uma gripe sazonal”. Mais uma vez, diante das evidências, o título teve que ser alterado e, em 18 de março de 2020, tornou-se "Para combater o coronavírus, é necessário um diagnóstico eficiente".
Na entrevista, desdenhou mais uma vez da força da COVID-19, citando também a Itália:
Você sabe, na Itália há mais mortes por acidentes de scooter do que por coronavírus. Essa psicose e frenesi da mídia vêm da sensibilidade da raça humana ao risco de extinção. [...] Se você considerar novos casos, a taxa de novas infecções está abaixo de 1% no momento, o que é muito baixo e sugere que a epidemia está chegando ao fim". [Fonte]
A Itália tem hoje mais de 135 mil casos confirmados e mais de 17 mil mortos.

Nada disso nos autoriza a desacreditar de suas palavras. Mas que ele parece ser ao menos um azarado, parece.
Em 2006, ele e sua equipe foram suspensos por um ano pela American Society for Microbiology, nas revistas editadas pela sociedade, por suspeita de fraude. O caso foi revelado pela revista Science, em 2012.
Um ano depois, Raoult resolveu se envolver em uma encrenca científica ao expor seu ceticismo sobre as mudanças climáticas. Disse então que as previsões sobre o aquecimento global eram absurdas. Também afirmou que o buraco na camada de ozônio estaria resfriando o globo.
Em 2018, publicou o livro La Vérité sur les vaccins (A Verdade Sobre as Vacinas) e voltou a causar polêmica. Na obra, ele critica a política de vacinação obrigatória da França. [Estadão]
É nesse homem que Bolsonaro quer colocar a vida de todos os brasileiros.

Vai nessa?




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