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Substituto confirma acusações de Protógenes e indicia Daniel Dantas

Muita gente andou falando que o relatório do delegado Protógenes na Operação Satiagraha era delirante, mal escrito, mal fundamentado. Outros disseram que estava tudo dominado, que o governo Lula teria sentado em cima do inquérito para favorecer Dantas. No entanto, o delegado Ricardo Saad, que substituiu Protógenes à frente do inquérito, confirmou as acusações e indiciou o banqueiro condenado.

O banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, foi indiciado nesta segunda-feira pela Polícia Federal por cinco crimes já apontados desde o começo da investigação da Operação Satiagraha. Numa comparação com as primeiras manifestações do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso, os indiciamentos agora conduzidos pelo delegado Ricardo Saad reafirmam o trabalho iniciado pelo delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso, e também pelo procurador da República Rodrigo De Grandis.[Leia mais aqui]

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Protógenes: 'Quem produz provas para bandido, bandido é'

Logo após saber de sua suspensão por 90 dias, determinada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz soltou a língua:

- Quem produz provas para bandido, bandido é.



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Diretor-geral da PF suspende Protógenes por 90 dias. E as torturas?

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, foi quem determinou o afastamento por 90 dias do delegado Protógenes. Segundo informação de Jailton de Carvalho em O Globo, a decisão foi tomada na quarta-feira passada:

No despacho, Corrêa cita o artigo 43 da lei 6878/65, o Estatuto da PF, que proíbe a participação de policiais em atividades político-partidárias.

Vem cá, Corrêa, e tortura, pode?

Porque até hoje não ficou explicada a participação do diretor-geral da PF em dois episódios: um, a denúncia de tortura praticada por ele contra a empregada doméstica Ivone da Cruz, denunciada em reportagem de Leandro Fortes; e a denúncia, também de tortura, que teria sido praticada pelo mesmíssimo Luiz Fernando Corrêa contra o deputado José Edmar (PR-DF):

- Luiz Fernando é um torturador, disse, digo, e reafirmo, e tenho como provar - afirmou José Edmar. [leia íntegra aqui, no Vi o Mundo]

Fica no mínimo estranho o mesmo delegado acusado de tocar o terror numa empregada doméstica (que ficou cega por causa das torturas) e num deputado federal suspender Protógenes por supostamente tocar atabaque no Psol.

É, simplesmente, Dantesco.

ATUALIZAÇÃO às 17h30: Comentarista, que preferiu postar como Anônimo, acrescenta a seguinte informação à postagem:

Mello, Corrêa é acusado de tortura, mas praticou um ilícito incontestável, que ele mesmo reconheceu: investigou - utilizando-se da estrutura da PF - um crime de competência da Polícia Civil, apenas por interesse pessoal, pois a vítima era parente de sua esposa.

Lei 8.112:
Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
...
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;
...
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
...
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
O Blog do Mello quer saber: Por que ainda não foi demitido o diretor-geral da PF, se é réu confesso?

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Itagiba sai humilhado de confronto com Protógenes

O deputado federal Marcelo Itagiba pensava ter seu dia de glória, mas foi atropelado pela ironia cética do delegado Protógenes e por alguns outros deputados da CPI, que perceberam que Itagiba queria seguir seu script incriminatório contra o delegado, a despeito dos demais.

Logo no início, Itagiba quis apresentar um power-point em que apontaria contradições entre o depoimento anterior de Protógenes com outros feitos à CPI. O programa simplesmente não abriu.

Começava mal o show que Itagiba desenhara. Teve então que fazer as perguntas, sem o power-point. Recebeu como resposta a cada uma delas, a mesma ladainha, que lembrava ao deputado o objetivo da CPI:

“Deputado federal Marcelo Itagiba, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito cujo objeto jurídico é a interceptação clandestina de telefones, eu me abstenho de responder a vossa excelência.”

Antes, durante os cinco minutos livres que teve para dirigir-se à Comissão, Protógenes deu outra informação que caiu como uma bomba: a PF, naquele momento, realizava nova operação na sede do Opportunity.

A seguir, Itagiba tentou passar o power-point mais uma vez, mas foi impedido por deputados. Começou um bate-boca. O deputado federal Chico Alencar acusou Itagiba de ter recebido dinheiro de sócio de Dantas para a campanha, o que ele não tinha como negar, pois foi declarado ao TRE. Era o fim.

Itagiba ainda ficou ali comandando os trabalhos, mas não os rumos do depoimento. Ele estava apenas marcando o tempo a que cada deputado tinha direito. Apenas um cronometrista. O depoimento de Protógenes escapara completamente ao roteiro que Itagiba havia concebido.

Em dado momento, ele simplesmente saiu. Foi ao banheiro? Quase. Abandonou a CPI para dar um depoimento ao Jornal Nacional, encomenda de Kamel para fechar a nota sobre Protógenes. E Itagiba repetiu o que vem dizendo há muito, mas que já não batia com a realidade:

“Ele (Protógenes Queiroz) está incorrendo no crime de falso testemunho, porque não retificou as informações que ele deu no início dessa CPI, que foram contestadas por todos aqueles que compareceram e depuseram na CPI”, afirmou Itagiba.

Fim melancólico para quem esperava viver seu dia de glória, talvez até com a prisão de Protógenes.

Agora teremos, na semana que vem, o depoimento de Daniel Dantas à CPI. Alguém acredita nisso? Duvi-d-o-dó. Dantas não abre nem geladeira, pois quando uma luz acende à sua frente, ele já imagina uma nova operação da PF para prendê-lo.

Vamos ver qual a desculpa que Itagiba irá usar para dispensar o banqueiro condenado.

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Dantas ou Gilmar? Quem vai ser o carcereiro de Protógenes?

Toda vez que é perguntado sobre se pensa em se candidatar a cargo político, o delegado Protógenes afirma que é candidato apenas a carcereiro do banqueiro bandido Daniel Dantas.

Só que o caso Daniel Dantas não é tão simples assim. Ele saiu de zero a bilhões em pouco mais de uma década. De economista “brilhante”, Dantas começou sob o governo FHC uma ascensão meteórica e hoje é um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil, graças não apenas à fortuna que amealhou, mas aos segredos que esconde, ao movimentar milhões e milhões de dinheiro ilegal de brasileiros com seu Opportunity Fund.

O poder de Dantas é tão grande que ele conseguiu em tempo recorde que o presidente do STF, Gilmar Mendes, lhe concedesse dois habeas corpus. Em seguida, coincidentemente, foi estabelecida pelo mesmo STF a súmula das algemas (leia aqui que essa história das algemas não vem de hoje) e depois que o condenado só fosse para a cadeia, após esgotado o último recurso (ou seja, rico só vai preso se o STF deixar).

Daí que o delegado Protógenes, que chefiou a Operação Satiagraha que levou a uma primeira condenação de Daniel Dantas a dez anos de cadeia, passou de estilingue a vidraça, de investigador a investigado e agora foi indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de violação da lei de interceptação e quebra de sigilo funcional. Condenado, será expulso da PF e pode pegar seis anos de cadeia.

Voltando ao primeiro parágrafo e ao título da postagem: Se Daniel Dantas ficar do lado de fora e Protógenes do de dentro da cadeia, quem será seu carcereiro – Dantas ou Gilmar Mendes?

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Requião diz que MST é dádiva de Deus, defende Protógenes e prisão de Dantas

O governador do Paraná, Roberto Requião, é uma figuraça. Já apareceu várias vezes aqui no blog, principalmente por suas posições de independência e confronto com a mídia corporativa, especialmente com a Rede Globo.

Requião pega pesado e diz o que acha que deve dizer, especialmente contra a mais poderosa rede de TV do país. Como aqui, quando Requião diz que Rede Globo é insaciável e denuncia chantagem da mídia.

Hoje, li no blog do PHA que ele defendeu o MST, que tem sido alvo de ataque dos jornalões e até do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes. Mas não apenas isso. Requião foi além e defendeu a quebra de sigilo total para o homem público, que só deve ter preservada sua vida íntima:

Numa solenidade de formatura de delegados de policia do Paraná, o governador Roberto Requião, ontem, disse, para espanto de todos, que o MST é uma dádiva de Deus.
. E explicou: o MST encaminha uma juventude excluída para um trabalho de militância social e arar um pedaço de terra.
. Com o MST eu converso, disse Requião.
. Eu encaminho reivindicações ao Governo Federal; eu faço uma escola.
. Com o crime organizado – que seria a alternativa para a juventude excluída – eu faço o que ?, perguntou Requião?
. No MST, alguns querem o socialismo e eles têm direito a isso.
. Outros querem um pedaço de terra.
. E outros querem vender a terra – e são esses que empurram o MST adiante.
. Eu conversei com o Governador Requião sobre a Sanepar.
. Uma empresa de saneamento que Daniel Dantas privatizou e Requião tomou de volta.
. Requião, ao contrário do Presidente Lula, enfrentou Dantas.
. Requião disse que gostaria muito de ver Dantas na cadeia.
. E disse mais, sobre a batalha do Presidente do Supremo e o delegado Protogenes: Requião acha que autoridade não deveria ter direito a sigilo.
. A nenhum sigilo, muito menos o telefônico.
. Só não pode divulgar conversas íntimas, privadas.
. O resto, todo mundo tem o direito de saber.
. O homem público é público, diz Requião.

Com seu estilo xerifão, o governador enfrentou manifestantes que defendiam produtos da Monsanto, como eu já publiquei aqui. Ele mandou que manifestantes com faixas em defesa da soja transgênica enfiassem a faixa no... Veja onde:



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Protógenes estava certo: Quem vazou a Satiagraha foi Lorenz

Reprodução de inquérito na revista Veja

Um erro (mais apropriadamente um ato falho) da revista Veja desta semana denuncia o nome da pessoa que entregou à repórter Andréa Michael, da Folha, a informação de que Daniel Dantas estava sendo investigado pela PF.

Esse vazamento, publicado na Folha em 26 de abril, via reportagem de Andréa, acabou sendo utilizado como justificativa para o pedido de habeas corpus a favor de Daniel Dantas no STF e pela antecipação do desfecho da Operação Satiagraha – com os prejuízos que tudo o que é feito com pressa acarreta.

Verifique na reprodução acima – recortada pela própria Veja – o nome do delegado Daniel Lorenz, destacado em azul (o destaque em amarelo é da Veja).

Isso veio confirmar o que o delegado Protógenes havia afirmado e que publiquei aqui em novembro do ano passado. Relembre (o trecho de Protógenes está em destaque):

O delegado da PF Protógenes Queiroz pode pegar de dois a seis anos de cadeia por ter quebrado SIGILO funcional (artigo 325 do Código Penal), ao VAZAR informações da Operação Satiagraha a jornalistas da Rede Globo.

A informação consta do inquérito SIGILOSO, comandado pelo também delegado da PF Amaro Vieira Ferreira, que VAZOU seu conteúdo para o jornal O Globo. Segundo o jornalão das Organizações Globo, um familiar de Protógenes teria afirmado que quer ver se vão abrir novo inquérito, agora para investigar o vazamento do inquérito sobre vazamento.

Já sobre o outro vazamento – o que interessa, aquele que originou tudo, o da informação da Satiagraha, publicado na Folha pela jornalista Andréa Michael em abril - há duas versões: para o delegado Amaro, quem vazou foi a Abin, mais especificamente os agentes Luis Eduardo Melo e Thélio Braun D’Azevedo. Para Protógenes, os responsáveis foram o diretor de Inteligência Policial da PF, Daniel Lorenz de Azevedo, e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Curioso: nas duas hipóteses o vazamento foi feito por uma dupla. Falta investigar qual delas. Mas também falta investigar a outra dupla, a repórter e seu editor. Por que a repórter achou que o vazamento da Satiagraha era notícia e seu editor também.

Quem acompanhou o julgamento do HC de Dantas no STF (9 a 1 a favor dele) viu que a base de tudo, onde se apegaram advogados e ministros dantescos, foi a reportagem de Andréa na Folha. Origem do HC preventivo, e agora motivo para se tentar anular toda a investigação.

Dantesco.

A descoberta do ato falho de Veja foi feita por um leitor do Blog do Nassif, Léo.

Advertência: Como toda informação (mesmo esta, inadvertida) vinda da revista Veja, temos que levar em consideração que pode ser tudo falso ou em grande parte falso. Porque alguma coisa falsa sempre é possível ter certeza de que existe, quando se trata da Veja.

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