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O que mais é necessário para que se declare o impeachment de Gilmar Mendes?




Em maio de 2011 o advogado Alberto de Oliveira Piovesan entrou no Senado da República com um pedido de impeachment do ministro do STF Gilmar Mendes. Entre outros motivos, o advogado apontava:

Os fatos divulgados pela referida reportagem (documento nº 4, em anexo), são comprometedores. Revelam recebimento de benesses e outros fatos que põem em dúvida a isenção, a parcialidade do julgador, configurando violação a dever funcional, e em consequência a incidência do item 5 do artigo 39 da Lei Federal 1079/1950.

(...) A referida reportagem informou, dentre outros fatos, que o Advogado Sergio Bermudes hospeda o Ministro Gilmar Ferreira Mendes quando este vem ao Rio de Janeiro, e que já hospedou-o em outras localidades, além de fornecer-lhe automóvel Mercedes Benz com motorista.

A citada reportagem informou também que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes recebeu de presente, do mesmo Advogado Sergio Bermudes, uma viagem a Buenos Aires, Argentina, quando deixou a presidência do Supremo Tribunal Federal no ano passado (2010). E que o presente foi extensivo à mulher do Ministro, acompanhando-os o Advogado nessa viagem.

A citada reportagem informou ainda que o referido Advogado emprega e assalaria, acima do padrão, a mulher do Ministro. Evidente que no recesso do lar pode ela interferir junto ao marido a favor dos interesses do escritório onde trabalha, e de cujo titular é amiga intima (sempre segundo a citada reportagem). É o canal de voz, direto e sem interferências, entre o Ministro e o Advogado. [Fonte]

O pedido não foi adiante, como costuma acontecer, graças ao famoso conchavo das elites no Brasil. Mas a esses fatos vêm se juntar dois novos, recentes e gravíssimos.

O primeiro, o voto de Gilmar Mendes contrário aos embargos infringentes, sendo que o ministro sabia que esses embargos foram mantidos pelo Congresso, quando se manifestou em resposta a um pedido do governo Fernando Henrique Cardoso, que queria acabar com eles, segundo se dizia, para dar agilidade ao Supremo.

O Congresso negou o pedido, feito e defendido pelos ministros da Justiça e da Casa Civil de FHC à época, respectivamente Iris Rezende e Clóvis Carvalho. E quem era o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil? Gilmar Mendes [Fonte]. Logo, ele sabia que os embargos ainda vigem e, portanto, votou contra a lei.

O segundo e novo desvio de Gilmar Mendes foi denunciado pelo ex-presidente do STF Nelson Jobim, numa entrevista ao IG, em que ele afirma que Gilmar Mendes mentiu quando disse há tempos que teria sido assediado pelo ex-presidente Lula, numa reunião em que se encontravam apenas os três, Lula, Jobim e Mendes:

Jobim: É falso, absolutamente falso. Esta versão é a versão apresentada pelo ministro Gilmar. Não é verdadeiro. Na época em que houve um café da manhã no meu escritório, Lula queria me visitar. Eu tinha saído do Ministério da Defesa na época e ele queria me fazer uma visita. E o Gilmar foi convidado para ir também. Foi uma conversa tranquila, sem nenhuma dificuldade. Eu que perguntei ao Gilmar sobre o andamento do mensalão, se ia votar ou não ia votar. Ele disse que achava melhor votar logo para resolver o assunto e foi isso. Trinta dias depois desse café da manhã é que houve essa indignação do ministro Gilmar fazendo uma versão que não era verdadeira e que, na época, eu neguei. Continuo negando.

iG: Então, a bola foi passada para o senhor? 

Jobim: Aquilo tudo era falso. Aquela exaltação que foi manifestada. Curiosa exaltação. Trinta dias depois você fica furioso. A conversa não foi em nada naquele sentido. Não houve absolutamente nada daquilo. Foi uma conversa amigável. Ele não estava muito bem com um problema de perna, tinha até uma escada no escritório. Depois, eu e o ministro Gilmar ficamos conversando um pouco. E 30 dias depois é que eu recebo a notícia de uma matéria da Veja. Mandei uns SMS que eu tenho guardados ao ministro Gilmar. E ele disse que houve uma série de coisas, que ele havia conversado com A, com B, com C. E que a versão que tinha saído na Veja vinha de terceiros. E eu então disse, mas é curioso. Como assim de terceiros, se éramos só nós três? E depois disso nunca mais falei com o ministro Gilmar. 

iG: Isso, então, abalou sua relação com ele. 

Jobim: Desapareceu. Não falei mais, nem falarei.[Fonte]

A isso se soma também o famoso episódio do grampo sem áudio, da suposta arapongagem da Abin, que teria gravado uma ligação em que o probo Gilmar Mendes dialogava com o probo senador Demóstenes Torres (ambos envolvidos até o pescoço com o caso Daniel Dantas), onde os dois saem na fita de tal modo puros, pios, honestos e angelicais, como se fosse um copy & paste de um diálogo entre o papa e madre Teresa de Calcutá...

A bola está quicando na área do Senado, à procura de um senador que dê a Gilmar Mendes o remédio amargo que ele empurrou garganta abaixo do país, quando num gesto de bufão "chamou às falas" o então presidente Lula. A partir daí, estranhamente, houve mudança na cúpula da PF, constrangimento da Abin e fim da Operação Satiagraha, que havia levado à cadeia e posterior condenação a 10 anos de prisão o banqueiro Daniel Dantas.

É preciso que um senador chame Gilmar Mendes às falas, que ele explique seus procedimentos, e tenha um julgamento justo, durante a análise do pedido de seu impeachment, por não estar à altura do cargo que exerce, na mais alta corte do país.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

EUA e Brasil: os pilantras de lá e os de cá

Prefeitos, deputados e rabinos presos nos EUA

Ontem, O Globo publicou em sua primeira página esta foto aí de cima. São fraudadores indo em cana. Dois prefeitos, deputados e vários rabinos, num total de 44 presos. Todos devidamente algemados.

Estranhei não ler nenhuma crítica do jornal sobre o uso abusivo das algemas e a exposição “humilhante” dos “supostos” (sempre supostos, até que morra o último juiz da última turma do STF) pilantras.

Mas fui até a matéria e entendi o motivo da omissão: os 44 fraudaram “apenas” US$ 3 milhões. Coisa pouca. Aqui no Brasil, somem centenas de milhões, às vezes alguns bi de dólares, e todos passeiam suas gravatas cor de rosa, livres das algemas e das prisões. Tudo isso foi decidido logo após a prisão (e posterior libertação) de Daniel Dantas.

Definitivamente, o que é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil.

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Governadora do Pará e forças em favor de Dantas
Íntegra da entrevista à Carta Capital

Carta Capital desta semana traz uma entrevista reveladora com a governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, feita pelo (censurado por Gilmar Mendes) Leandro Fortes, várias vezes citado aqui no blog.

(Parêntesis: Leandro retomou seu blog, que passa a ser mais uma de nossas leituras obrigatórias. Anote aí: http://brasiliaeuvi.zip.net/)

O resultado mostra gente, à esquerda e à direita, trabalhando descarada ou discretamente para o banqueiro condenado Daniel Dantas.

Eis a íntegra da entrevista, que peguei um pouco daqui, outro daqui, e completei com a revista que comprei.

Em janeiro de 2008, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, foi surpreendida por um telefonema de um antigo companheiro do PT, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. De São Paulo, Greenhalgh manteve uma conversa evasiva e pediu uma audiência com a governadora. De pronto, Ana Júlia convidou o correligionário para um almoço na residência oficial, em Belém. O que deveria ter sido uma conversa entre velhos amigos tornou-se um encontro constrangedor. Greenhalgh levou a tiracolo o empresário Carlos Rodenburg, então vice-presidente do Banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas. Enquanto saboreava um peixe da região, a governadora haveria de descobrir um segredo que só seria revelado ao País dali a seis meses, após a Operação Satiagraha: Greenhalgh, antigo defensor de trabalhadores rurais e presos políticos da ditadura militar, havia se tornado advogado e lobista de Dantas. O petista intercedeu a favor do banqueiro e de suas atividades pecuárias no Pará.

Greenhalgh se apresentou, em Belém, para pedir à governadora a revisão de uma notificação de crime ambiental apresentada pela secretaria estadual de Meio Ambiente contra a fazenda Espírito Santo, da Agropecuária Santa Bárbara, de propriedade de Dantas. “Se eu soubesse que o assunto era esse, jamais o teria recebido”, afirma Ana Júlia Carepa. Ainda assim, em respeito ao passado de Greenhalgh. Ela não espalhou a notícia.

Rodenburg acaba de ser indiciado pela Polícia Federal (Dantas também) por crimes de gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e empréstimo vedado,.

Hoje a governadora faz uma interpretação mais profunda dos fatos. Para ela, a visita de Greenhalgh e Rodenburg a Belém, em 2008, era apenas o primeiro movimento de uma seqüência de movimentos que culminaria, em 18 de abril passado, no conflito em que seis trabalhadores sem-terra foram feridos a bala por seguranças da fazenda de Dantas.

O segundo movimento foi um telefonema do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em 4 de março deste ano. Fato inédito na vida republicana brasileira, o chefe do Poder Judiciário telefonou à governadora para tomar conhecimento da maneira como o Executivo paraense conduzia a reintegrações de posse de terras no estado, além de perguntar a quantas andava o efetivo da Polícia Militar.

Uma semana antes, o ministro havia criticado a invasão de terra pelo Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e acusado o governo de ser o principal financiador de ilegalidades no campo.

O telefonema de Mendes deixou Ana Júlia em alerta. Não foi por menos. Seis dias depois, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entrou no Tribunal de Justiça do Pará com uma ação judicial contra a governadora, em 11 de março. Alegou, justamente, descumprimento de mandados de reintegração de posse de terras invadidas por trabalhadores sem-terra. Foi o terceiro movimento. O quarto viria a seguir, e só foi descoberto mais recentemente: em uma audiência na Câmara, em 16 de março, o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), expoente da chamada “bancada ruralista”, anunciou, clarividente, que em breve haveria um sério conflito de terras no Pará. Bingo. Dois dias depois, jornalistas levados de avião pelo Opportunity à região de Xinguara presenciaram a guerra campal na fazenda do banqueiro.

Passados quatro dias do conflito, em 22 de abril, Kátia Abreu voltou à carga, desta vez na Procuradoria-Geral da República, onde foi pedir intervenção federal no estado. Foi, até agora, o último movimento. Por trás de todos eles está, segundo a governadora do Pará, Daniel Dantas.

Na quarta-feira 29, Ana Júlia Carepa recebeu CartaCapital no escritório da representação do estado do Pará, no Setor Comercial Sul de Brasília. A governadora não consegue esconder a decepção de ver o companheiro Greenhalgh do outro lado da trincheira e denuncia uma conspiração, segundo ela, montada pela turma de Dantas para tentar passar a imagem de que o Pará é uma terra sem lei.

CartaCapital: De que maneira o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh se aproximou da senhora para interceder pelo Opportunity?
Ana Júlia Carepa: O Greenhalgh é um companheiro por quem sempre tive muito respeito. Ele telefonou para mim, de São Paulo, e disse que precisava falar comigo, que viria a Belém, em janeiro de 2008. Eu falei “pois não, meu companheiro”. Quando ele chegou, percebi que tinha vindo com Rodenburg (Carlos Rodenburg, do Opportunity). Fiquei surpresa.

CC: Qual foi a sua reação?
AJC: Eu me virei e disse a ele (Rodenburg): “Já o conheço de situações bem menos confortáveis do que esta aqui”. Eu o conhecia da CPI dos Correios, ele estava lá acompanhando o Daniel Dantas, a quem desafiei muitas vezes e acusei de subjugar os fundos de pensão, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para manter o controle acionário da Brasil Telecom. Mesmo assim, seguimos para a residência oficial e fomos almoçar.

CC: Havia mais alguém nesse almoço, além de vocês três?
AJC: Sim, o meu então chefe de gabinete, João Cláudio Arroio.

CC: O que Greenhalgh e Rodenburg queriam?
AJC: Eles queriam “vender” a imagem da empresa (Agropecuária Santa Bárbara) e reclamar que tinham recebido uma notificação de crime ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Perguntaram se era uma coisa específica para eles. Eu disse que não, pois a certificação ambiental é obrigação de todo mundo. Somos cobrados por isso. Greenhalgh queria saber especificamente sobre esse documento, do qual o governo do Pará não abre mão. Disse que se eles precisassem de mais algum prazo para levantar a documentação não seria problema. Mas o documento seria mantido. Disse que a única exigência que o estado faz para qualquer empreendedor do Pará é que trabalhe dentro da legalidade, dentro das leis ambientais, e por isso mesmo houve a notificação.

CC: Por qual razão o ministro Gilmar Mendes ligou para a senhora?
AJC: Queria saber como é que estava a situação no campo, como estavam sendo feitas as reintegrações de posse. Ele foi educado, e eu respondi que as reintegrações estão sendo feitas de forma tranquila, depois de eu ter encontrado o estado com 173 mandados de reintegração, herdados do governo anterior (do PSDB), que não cumpriu a lei. Hoje, temos apenas 63 mandados a serem cumpridos. Então, expliquei para ele que, ao assumir o governo, logo no primeiro ano, cumprimos vários mandados de reintegração, sobretudo na região sudeste e sul do Pará. Fizemos também uma ação de paz no campo, justamente nessa região de Xinguara (onde fica a fazenda de Dantas), elogiada pelos produtores rurais da região.

CC: O que mais ele quis saber?
AJC: Sobre o efetivo policial do estado. Falei que encontramos o Pará com a força policial completamente defasada. Nos governos do PSDB (que duraram 12 anos), foram dez anos sem concurso para a Polícia Militar. Dez anos sem ampliar o efetivo policial. Fiz o concurso e 9 mil novos policiais entraram agora, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, na PM. Estou reconstruindo o estado. Não posso abandonar a segurança nas cidades para cumprir mandados de reintegração de posse de forma aleatória.

CC: Ele disse por que queria saber dessas coisas?
AJC: Não, e nem eu perguntei. O governador do Amapá (Waldez Góes, do PDT) estava, por coincidência, do meu lado, numa audiência. Ouviu tudo que eu falei.

CC: O ministro Gilmar Mendes já havia ligado antes para a senhora?
AJC: Nunca havia ligado antes. Nem ligou depois.

CC: Algum ministro do STF já havia ligado para a senhora para colher informações do estado? Isso é uma praxe?
AJC: Não, nunca tinha ouvido falar nisso. Para mim, foi a primeira vez que isso aconteceu.

CC: A senhora se sentiu cobrada pelo ministro Gilmar Mendes?
AJC: Ele me "cobrou", entre aspas. Eu senti que ele foi acionado por alguém para me pedir informações. Tive essa sensação, de que alguém o acionou e disse que as coisas (as reintegrações de posse) não estavam acontecendo, e ele resolveu ligar para mim para saber.

CC: E quem teria acionado o presidente do STF?
AJC: Aí não posso dizer, não posso afirmar.

CC: Foi antes da ação judicial impetrada pela senadora Kátia Abreu, não?
AJC: Ela entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Pará, em março, logo depois do telefonema (de Mendes), não demorou muito tempo, não. Depois, entrou com outro pedido, de intervenção federal, na Procuradoria-Geral da República.

CC: O que mudou, exatamente?
AJC: No momento em que entra um grande grupo econômico, a gente sente a diferença. Na hora que o MST ocupou as terras desse grupo (Opportunity), a senadora passou para o ataque frontal. Depois, soubemos da declaração do deputado Abelardo Lupion, anunciando que conflitos iriam acontecer no estado do Pará. Ele foi acompanhado do deputado Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA) ao ministro da Justiça, Tarso Genro, solicitar a presença da Força Nacional no estado. Dali a três dias, no dia 18 de abril, a advogada do Opportunity levou jornalistas de avião à fazenda de Dantas e aconteceu aquele conflito. Está no depoimento do jornalista da TV Liberal (Vitor Haor, que confirmou ter sido levado de avião à faz da Espírito Santo, e também nega ter havido cárcere privado e ter sido usado de "escudo humano" pelos sem-terra).

CC: A senhora achaque o conflito foi premeditado?
AJC: Eles anunciaram antes que haveria o conflito e levaram os jornalistas de avião. Infelizmente, os sem-terra acabaram sendo funcionais para esse grupo. Foram provocados e acabaram aceitando a provocação, porque Dantas tenta posar de vítima nessa situação. O que se está tentando fazer é passar a imagem de que o estado do Pará não toma providências, que somos lenientes. Ora, antes de acontecer o conflito, tínhamos prendido vários sem-terra armados.

CC: A senhora está sendo pressionada a usar de violência?
AJC: Eles (a oposição) têm saudade desse expediente. O grupo que governou o estado do Pará por 12 anos provocou o massacre de Eldorado dos Carajás (ocorrido em 1996, quando19 sem-terra foram mortos pela PM paraense). Agora, estão doidos para que aconteça de novo, que eu patrocine um outro massacre, mas meu governo se caracteriza exatamente pelo contrário. Em 2006, foram 24 mortes por conflito no campo.

CC: Há como erradicar os conflitos de terra no Pará?
AJC: Os conflitos agrários no Pará são históricos, mas eles têm decrescido de uma forma evidente. O estado foi o campeão de diminuição de mortes no campo, em 2007. Até então, éramos os campeões de morte. Isso ocorre porque fazemos as reintegrações de posse de uma forma responsável, dentro de uma política de respeito aos direitos humanos.

CC: Como é o diálogo com o MST?
AJC: A gente dialoga com o MST, mas não é um diálogo fácil. Eles fazem essas coisas, acabam sendo funcionais para o grupo de Dantas. Recentemente, tivemos de abrir um processo contra um dos líderes do MST no estado, pois ele disse na televisão que iria comandar uma invasão de terra e que não iria sobrar nada, nem uma árvore, nem para fazer remédio. Não posso ficar inerte diante de alguém fazendo uma incitação como esta.

CC: A terra do Grupo Opportunity é grilada?
AJC: Parte dela com certeza é. Eles adquiriram áreas já griladas. Minha obrigação como governadora é combater as ilegalidades todas. Não posso combater só ilegalidades do MST. E é isso que incomoda, sobretudo a esse grupo, que tem muita força em alguns setores da imprensa. Dantas já tinha as terras, ele não comprou as terras no meu governo. O meu governo é que questionou a legalidade de parte dessas terras. Queremos retomar essas áreas.

CC: Havia a possibilidade de cumprir o mandado de reintegração de posse da fazenda de Dantas?
AJC: Aí é que está. Não existe mandado de reintegração de posse para a fazenda Espírito Santo, em Xinguara. O mandado que eles mostraram na televisão era para uma fazenda em Marabá, a 100 quilômetros de lá. A Vara Agrária de Redenção, que poderia ter expedido o mandado de reintegração, jamais se pronunciou a respeito. Aliás, o juiz dessa vara, Líbio Araújo de Moura, foi o mesmo que bloqueou os títulos de terra de toda aquela área, para estancar a grilagem na região, em janeiro passado. Mas o Opportunity criou esse factoide. A procuradoria do Estado é que descobriu isso. Os procuradores viram o número do processo e conferiram. Além do mais, nem poderia ter mandado, porque o título da terra está bloqueado.

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Substituto confirma acusações de Protógenes e indicia Daniel Dantas

Muita gente andou falando que o relatório do delegado Protógenes na Operação Satiagraha era delirante, mal escrito, mal fundamentado. Outros disseram que estava tudo dominado, que o governo Lula teria sentado em cima do inquérito para favorecer Dantas. No entanto, o delegado Ricardo Saad, que substituiu Protógenes à frente do inquérito, confirmou as acusações e indiciou o banqueiro condenado.

O banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, foi indiciado nesta segunda-feira pela Polícia Federal por cinco crimes já apontados desde o começo da investigação da Operação Satiagraha. Numa comparação com as primeiras manifestações do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso, os indiciamentos agora conduzidos pelo delegado Ricardo Saad reafirmam o trabalho iniciado pelo delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso, e também pelo procurador da República Rodrigo De Grandis.[Leia mais aqui]

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Por que Jornal Nacional não diz que Dantas é o do dono da fazenda em conflito no Pará?

Todos os dias desta semana o Jornal Nacional tem falado sobre o conflito entre jagunços da fazenda Espírito Santo, membros do MST e o governo do Pará. Sempre com críticas ao MST, ao governo do Pará (da petista Júlia Carepa) e ao governo federal. Mas, em nenhuma dessas reporcagens é citado o nome do proprietário da fazenda (que tem a legalidade de sua escritura questionada na Justiça, pois seriam terras do estado, segundo uma decisão de janeiro deste ano do juiz da vara Agrária de Santa Maria dos Barreiras, no Pará, Líbio de Moura).

A fazenda Espírito Santo pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Grupo Opportunity, do banqueiro condenado Daniel Dantas.

Confira as reporcagens aqui e tire suas próprias conclusões: segunda, terça, quarta, quinta.

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Vale a pena ler (21/04/2009)

Sempre que der tempo, como hoje, vou fazer indicações diretas de postagens que acho importantes na blogosfera, que sirvam de contraponto à mídia porcorativa - coisa que já faço normalmente com a caixa à direita, onde indico as Leituras na Blogosfera hoje. É que quem assina o blog e o recebe por e-mail (já são quase 1000) não têm acesso à barra lateral. Aí vão as de hoje (a ordem é aleatória):

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Deputado Biscaia denuncia manobras de Dantas na CPI

Excelente intervenção do deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) na CPI dos Amigos de Dantas, oficialmente conhecida como CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas.

Biscaia, que já foi Procurador-Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, defendeu as ações da Polícia Federal no governo Lula, da Procuradoria-Geral, do Ministério Público e do delegado Paulo Lacerda, e denunciou a tentativa espúria de transformar Daniel Dantas, o réu, em vítima, e a operação da PF em ré.



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Protógenes: 'Quem produz provas para bandido, bandido é'

Logo após saber de sua suspensão por 90 dias, determinada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz soltou a língua:

- Quem produz provas para bandido, bandido é.



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Daniel Dantas depõe hoje na CPI dos amigos de Dantas

Será que o Itagiba produziu um PowerPoint com contradições de Dantas?

Será que o deputado Raul Jungman vai perguntar sobre o dossiê falso que Dantas montou e entregou à Veja, com a informação de que o presidente Lula e outros membros do governo teriam contas no exterior?

Será que Nelson Peregrino vai perguntar a Daniel Dantas sobre o conteúdo das 250 caixas que a Kroll entregou à justiça americana, produto de espionagem que a empresa realizou a mando de Daniel Dantas?

Quem puder, não deve deixar de ver (espero que seja transmitido ao vivo) a cara dos comandados diante do Poderoso Chefão.

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Gilmar Mendes é o plano B da direita brasileira

O que ficou claro, límpido e cristalino, como os seis copos de água que Gilmar Mendes bebeu durante a sabatina na Folha, é que o segundo habeas corpus a Dantas foi uma resposta ao novo pedido de prisão do banqueiro bandido (condenado, por enquanto, a dez anos de cadeia e a uma multa de R$ 14 milhões), que Mendes viu não como uma necessidade, diante da tentativa flagrante de suborno feita por emissários de Dantas, mas como uma afronta a sua autoridade. Como ele se acha não apenas presidente do STF mas o Senhor Judiciário, a afronta foi então ao Poder Judiciário, que ele julga personificar.
Fica claro também o motivo da aprovação da decisão do ministro pelos seus pares, por 9 a 1: eles foram convencidos por Mendes do risco de desmoralização do STF contido na segunda ordem de prisão de De Sanctis. Curioso é que essa aprovação agora é usada por Mendes como prova de que ele estava certo ao dar o segundo habeas corpus.
Muitos acham que Gilmar Mendes está a serviço de Dantas. Ontem, pelo menos para mim, ficou claro que é mais do que apenas isso. Ele está a serviço de um projeto muito mais ambicioso.
Como confirmou na entrevista, viaja pelos quatro cantos do país, numa agenda intensa de quem é candidato. O ministro levou até uma claque para a sabatina, o que ficou visível para qualquer um que já tenha participado da coordenação de uma campanha política.
O ministro estava brifado, com a ficha de cada um dos entrevistadores na ponta da língua. Inclusive a tiradinha de efeito contra a jornalista Mônica Bérgamo é típica de preparação para debate. Acuado pela jornalista, Gilmar disse: “Eu entendo a sua torcida, Mônica”. A claque aplaudiu e foi ao delírio.
Gilmar Mendes é o plano B da direita brasileira. Linha auxiliar da candidatura José Serra, na tentativa de desmoralização sistemática do governo Lula, mas que pode passar a opção preferencial, caso a candidatura Dilma decole. Não para uma disputa nas urnas, mas nas barras do STF, que ele preside.
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Dantas ou Gilmar? Quem vai ser o carcereiro de Protógenes?

Toda vez que é perguntado sobre se pensa em se candidatar a cargo político, o delegado Protógenes afirma que é candidato apenas a carcereiro do banqueiro bandido Daniel Dantas.

Só que o caso Daniel Dantas não é tão simples assim. Ele saiu de zero a bilhões em pouco mais de uma década. De economista “brilhante”, Dantas começou sob o governo FHC uma ascensão meteórica e hoje é um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil, graças não apenas à fortuna que amealhou, mas aos segredos que esconde, ao movimentar milhões e milhões de dinheiro ilegal de brasileiros com seu Opportunity Fund.

O poder de Dantas é tão grande que ele conseguiu em tempo recorde que o presidente do STF, Gilmar Mendes, lhe concedesse dois habeas corpus. Em seguida, coincidentemente, foi estabelecida pelo mesmo STF a súmula das algemas (leia aqui que essa história das algemas não vem de hoje) e depois que o condenado só fosse para a cadeia, após esgotado o último recurso (ou seja, rico só vai preso se o STF deixar).

Daí que o delegado Protógenes, que chefiou a Operação Satiagraha que levou a uma primeira condenação de Daniel Dantas a dez anos de cadeia, passou de estilingue a vidraça, de investigador a investigado e agora foi indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de violação da lei de interceptação e quebra de sigilo funcional. Condenado, será expulso da PF e pode pegar seis anos de cadeia.

Voltando ao primeiro parágrafo e ao título da postagem: Se Daniel Dantas ficar do lado de fora e Protógenes do de dentro da cadeia, quem será seu carcereiro – Dantas ou Gilmar Mendes?

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Requião diz que MST é dádiva de Deus, defende Protógenes e prisão de Dantas

O governador do Paraná, Roberto Requião, é uma figuraça. Já apareceu várias vezes aqui no blog, principalmente por suas posições de independência e confronto com a mídia corporativa, especialmente com a Rede Globo.

Requião pega pesado e diz o que acha que deve dizer, especialmente contra a mais poderosa rede de TV do país. Como aqui, quando Requião diz que Rede Globo é insaciável e denuncia chantagem da mídia.

Hoje, li no blog do PHA que ele defendeu o MST, que tem sido alvo de ataque dos jornalões e até do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes. Mas não apenas isso. Requião foi além e defendeu a quebra de sigilo total para o homem público, que só deve ter preservada sua vida íntima:

Numa solenidade de formatura de delegados de policia do Paraná, o governador Roberto Requião, ontem, disse, para espanto de todos, que o MST é uma dádiva de Deus.
. E explicou: o MST encaminha uma juventude excluída para um trabalho de militância social e arar um pedaço de terra.
. Com o MST eu converso, disse Requião.
. Eu encaminho reivindicações ao Governo Federal; eu faço uma escola.
. Com o crime organizado – que seria a alternativa para a juventude excluída – eu faço o que ?, perguntou Requião?
. No MST, alguns querem o socialismo e eles têm direito a isso.
. Outros querem um pedaço de terra.
. E outros querem vender a terra – e são esses que empurram o MST adiante.
. Eu conversei com o Governador Requião sobre a Sanepar.
. Uma empresa de saneamento que Daniel Dantas privatizou e Requião tomou de volta.
. Requião, ao contrário do Presidente Lula, enfrentou Dantas.
. Requião disse que gostaria muito de ver Dantas na cadeia.
. E disse mais, sobre a batalha do Presidente do Supremo e o delegado Protogenes: Requião acha que autoridade não deveria ter direito a sigilo.
. A nenhum sigilo, muito menos o telefônico.
. Só não pode divulgar conversas íntimas, privadas.
. O resto, todo mundo tem o direito de saber.
. O homem público é público, diz Requião.

Com seu estilo xerifão, o governador enfrentou manifestantes que defendiam produtos da Monsanto, como eu já publiquei aqui. Ele mandou que manifestantes com faixas em defesa da soja transgênica enfiassem a faixa no... Veja onde:



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Caso BrT-Oi: Citi e fundos farão acordo com Dantas com ou sem BrOi

Conforme afirmei em O IG, a fusão BrT-Oi e uma proposta para a blogosfera independente, vou trazer sempre informações a respeito dessa transação que, no dizer do deputado Miro Teixeira, não poderia estar sendo anunciada.

“Então é um estranho país em que se discute um negócio, se anuncia um negócio pelos jornais, se desmente o negócio no site das empresas e a lei não permite.”

Notícia publicada ontem no Observatório do Direito à Comunicação informa que acordo com Dantas livrará o banqueiro de todas as pendências judiciais com os fundos de pensão e o Citi, e “a garantia que o banco norte-americano e que os fundos têm de que valerá a pena passar uma borracha em cima dos prejuízos causados por Daniel Dantas é, concretamente, nenhuma”. [Leia reportagem completa aqui]

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O IG, a fusão BrT-Oi e uma proposta para a blogosfera independente

Até parece que Paulo Henrique Amorim era o último obstáculo à concretização da compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi.

Hospedado no portal do IG (que pertence à Brt), PHA denunciava o acordo como espúrio, ilegal e que, de quebra, ainda livraria a cara do onipresente Daniel Dantas, num processo que lhe move o Citibank, com uma indenização que pode chegar a US$ 1 bilhão.

Demitido do IG, PHA vê, em menos de dez dias, o negócio estar na bica de ser fechado. Faltam apenas pequenos (e ilegais) detalhes, segundo o Valor Online:

O último obstáculo para a aquisição do controle acionário da Brasil Telecom (BrT) pela Oi foi vencido ontem [quinta] à noite, após um acordo para resolver um litígio entre Citigroup e Opportunity, acionistas de ambas as empresas. Os sócios majoritários das duas operadoras chegaram a um entendimento oral, mas o detalhamento do negócio pode levar alguns dias, pois ainda é preciso assinar uma vasta documentação. No fim do dia, no entanto, após questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Oi negou que tenha finalizado as negociações.

A ilegalidade do negócio está explicitada alguns parágrafos adiante:

Para a efetivação do negócio, será necessária ainda uma alteração nas regras do setor, que já está em curso na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Há poucos dias, quando PHA ainda estava hospedado no IG, ele fez uma entrevista com o deputado e ex-ministro das Comunicações de Lula Miro Teixeira, em que este estranhava o negócio [não passo o link, porque o IG os cortou]:

"Ficam saindo essas notícias e a lei não permite o que está sendo anunciado. Então é um estranho país em que se discute um negócio, se anuncia um negócio pelos jornais, se desmente o negócio no site das empresas e a lei não permite."

Ainda segundo o Conversa Afiada, Miro apresentou na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados uma proposta para criar uma subcomissão especial para discutir fusões, aquisições, associações e outras negociações acionárias envolvendo as teles.

Mas, enquanto a subcomissão não vem, o negócio está sendo fechado, debaixo de um silêncio total da grande imprensa. Por quê?

O que a Blogosfera independente pode fazer

Cada vez fica mais claro que o IG demitiu PHA por causa dessa nebulosa transação. Por isso, faço uma proposta à blogosfera independente:

Se demitiram PHA para calá-lo em relação ao negócio BrT-Oi, proponho que repercutamos em nossos blogs toda e qualquer notícia sobre a fusão. Leitores que tenham informações sobre a transação também devem colaborar.

Vamos fazer um trabalho de divulgação semelhante ao feito no dossiê Veja, do Nassif. Inclusive adotando o bombardeio Google e linkando BrT-Oi, com o endereço no PHA, como vem sendo feito nesta postagem.

Vamos jogar luzes sobre o que eles querem fazer no escuro. Vamos dar voz aos que eles querem calar.

O que vocês acham?

Para começar, leiam esta postagem de ontem à noite do PHA em seu novo endereço.

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Silêncio cúmplice da ‘grande imprensa’ cerca dossiê Veja de Nassif

Hoje, Luis Nassif prossegue com seu dossiê Veja com a publicação de mais um capítulo, A imprensa e o estilo Dantas. É a mais importante série sobre os bastidores de um grande veículo de nossa mídia: a mais vendida (e bota vendida nisso) revista brasileira. O dossiê vem sendo revelado aos pouco, há mais de um mês. No entanto, nenhum, grifo nenhum dos jornalões ou das revistas concorrentes de Veja deu uma linha sequer sobre o dossiê.

Por que será? Será que a mídia não se interessa por assuntos da mídia?

Não parece ser isso. Hoje, O Globo publica uma reportagem mostrando que o bispo Macedo pede a seus fiéis que comprem o jornal da Universal (Folha Universal) aos lotes. Toca no assunto como se houvesse alguma irregularidade nisso. O bispo apenas está exortando seus fiéis a comprarem o jornal da Igreja em que acreditam. Qual o problema? Cada um aumenta sua tiragem como pode.

O Globo, por exemplo, está oferecendo agora bichinhos de pelúcia para quem compra sete dias do jornal. Algum problema nisso? Não, mas é o mesmo apelo emocional do bispo Macedo. Este aproveita o enlevo dos fiéis para empurrar seu jornal. O Globo conta com o irresistível apelo dos filhos pequenos (ou eles acham que algum adulto vai comprar O Globo pra ganhar um bichinho de pelúcia?) para empurrar o seu.

O problema é quando O Globo, Folha, Estadão, Época, Isto É escondem de seus leitores – muitos deles também leitores de Veja – a reportagem de Nassif. Quando fazem isso, sonegam informação, matéria-prima do jornalismo e objetivo do consumidor quando adquire um jornal ou revista. É caso para o Procon.

Provavelmente, não tocam no dossiê porque têm medo que seus leitores passem a lê-los também com olhos críticos, procurando ver a quem interessa a publicação – ou a omissão - de tal ou qual notícia. Daí o silêncio, para dizer o mínimo, cúmplice.

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Reportagem de Nassif sobre a Veja e uma pergunta: - Quem será o Rodrigo Vianna de Veja?

Prossegue a reportagem onde Luis Nassif está destrinchando a revista Veja. Já são oito capítulos, que merecem ser lidos. Assim como o artigo da jornalista Marina Amaral, Como se constroem as notícias, que já indiquei aqui e serve de complemento – ou introdução.

A história começou a esquentar, com a entrada em cena de Daniel Dantas. Logo, vêm mais novidades nos próximos capítulos. Se a exposição ao sol do quem é quem na redação de Veja já é um tremendo serviço que Nassif presta a seus leitores, quando ele chegar à cúpula de Veja e da Abril – o que espero que venha a ocorrer – é que o assunto ficará ainda mais interessante.

Porque, por mais que sejam poderosos, diretor de redação, editores, colunistas, todos são empregados da revista, estão ali porque o patrão permite. Na hora em que deixarem de ser interessantes, rodam pela louça branca abaixo.

Para completar a série do Nassif só falta aparecer o Rodrigo Vianna da Veja. Você, meu leitor arguto, minha leitora perspicaz, que além do mais têm memória prodigiosa, recordam-se de Rodrigo Vianna. Aquele repórter que trabalhou durante 12 anos na Rede Globo (hoje está na Record) e que, ao não ter seu contrato renovado, enviou uma carta a seus companheiros, que foi veiculada na imprensa. Ali, contava tudo o que Kamel queria negar a respeito da eleição passada.

É uma carta longa, mas a íntegra da carta de Rodrigo Vianna pode ser lida aqui. Abaixo, dois trechos que escolhi.

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
(...)
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

Quem será o Rodrigo Vianna de Veja?

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