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Novamente militares puxam brasa para sua sardinha. Quase quebraram Brasil na ditadura. Agora querem completar o serviço


Na linha do governo Bolsonaro, que já afirmou que antes de construir o que ele pretende é desconstruir o Brasil, os militares estão no poder para auxiliá-lo em seu projeto.

Novamente no poder (como anunciei aqui, com 15 dias de governo Bolsonaro: Bolsonaro dá um autogolpe e militares voltam ao poder 55 anos depois de golpe de 64 ), militares avançam gulosamente sobre o Orçamento do Brasil e, no ano que vem, já conseguiram mais do que o reservado para o Ministério da Educação.
O governo de Jair Bolsonaro prevê reservar R$ 5,8 bilhões a mais no Orçamento do ano que vem para despesas com militares do que com a educação no País. A proposta com a divisão dos recursos entre os ministérios está nas mãos da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e deve ser encaminhada até o fim deste mês ao Congresso. Caso confirmada, será a primeira vez em dez anos que o Ministério da Defesa terá um valor superior ao da pasta da Educação.  [Estadão]
Atualmente, para combater invasões de terra, incêndio e desmatamento na Amazônia, os militares abocanharam a maior parte do Orçamento, administrado pelo vice Mourão, em detrimento do Ibama. O resultado é o que o mundo está vendo: incêndio recorde, mineração e garimpagem comendo solta e os punidos são fiscais e diretores do Ibama.

Deram ainda ao sinistro Ricardo Salles (que tem como sua qualificação para ser ministro do Meio Ambiente o fato de ter sido condenado por desrespeitá-lo) um álibi: sempre que perguntado sobre a Amazônia responde: pergunta ao Exército.

Artigo publicado na Folha hoje pelo professor da New York University Shanghai (China) e da Fundação Dom Cabral, e doutor em economia pela UFRJ, Rodrigo Zeidan, historia em poucas palavras a desastrosa (para os civis, mas lucrativa para eles) administração militar no país: 92% dos gastos militares do Brasil não são em equipamentos ou estudos, mas em soldos e pensões para os militares da ativa e da reserva.

O mito dos gestores militares

Treinados para a guerra, os militares vão conseguir derrotar seus inimigos na batalha pelo Orçamento: a população brasileira.
Hoje, o capitão está para continuar nossa grande tradição de ignorar os problemas reais e inventar inimigos imaginários, propondo um orçamento para a Defesa maior que para a educação.
Em 2018, o orçamento para a Defesa totalizou R$ 77 bilhões, dos quais R$ 67 bilhões foram executados. O governo de extrema direita não se fez de rogado, e, em 2019, com a economia crescendo 1% e a inflação baixíssima, o orçamento saltou para R$ 85 bilhões, dos quais R$ 75 bilhões foram executados, aumento de mais de 10%.
Pior: gastamos em tecnologia, manutenção e pesquisa? Não, 92% dos gastos são com pessoal da ativa e da reserva.
Tanto na época do golpe quanto no governo do capitão não há preocupação com a melhoria da economia ou real defesa do país, mas simplesmente uma busca por maiores soldos.
Durante as três primeiras décadas do século passado, as Forças Armadas representavam 22% das despesas públicas. Obviamente, esse percentual aumentou durante a Segunda Guerra Mundial, com pico de 37% em 1942.
Em 1963, sem inimigos externos (a não ser imaginários), gastávamos 16% do orçamento dos ministérios com defesa nacional. Mas a ditadura avançou sobre os cofres públicos. Em 1965, os gastos com as Forças Armadas já tinham saltado para 22% do Orçamento total. Oito anos depois, no auge da megalonamia do “milagre econômico”, as Forças Armadas recebiam 44% do total despendido pelo governo federal; o Ministério da Educação ficava com 10%.
Infelizmente, como os militares saíram pela porta da frente e parte do governo coincidiu com o ciclo natural do processo de industrialização, inventou-se por essas bandas a ideia de um “milagre econômico”, de 1968-1973, no qual a economia brasileira teria crescido a 11% ao ano. Cresceu mesmo, mas no contexto do maior crescimento da história do sistema capitalista no mundo (8% ao ano) e através da formação da dívida externa, que afundaria o país por quase 20 anos.
Os militares nunca foram bons gestores da economia. Surfaram a onda do crescimento mundial, enquanto gastavam como bem entediam. E isso sem nenhuma preocupação com pobreza ou desigualdade social.
A dívida externa começou a crescer a 20% ao ano já em 1964. Pegaram um país com dívida de US$ 3 bilhões (14% do PIB e dois anos de exportações) e entregaram algo impagável (mais de US$ 100 bilhões, 45% do PIB e quatro anos de exportações). O golpe de mestre foi culpar a crise externa e o FMI (Fundo Monetário Internacional), empurrando a conta para os governos seguintes.
Mas a realidade é que os militares lideraram processo de crescimento baseado em pirâmide financeira —pegavam novas dívidas para pagar os juros das anteriores, até que, em 1980, o choque Volcker acabou com a farra.
Paul Volcker, chefe do Fed, decidiu, numa tacada, acabar com a inflação americana jogando os juros nas alturas (a taxa básica chegou a 20%). O Brasil foi pego com as calças arriadas. Sem crédito, não tinha como pagar os juros da dívida. Logo vieram o calote e a hiperinflação.
Infelizmente, não aprendemos com a história. Encher de militares, mesmo que da reserva, o governo e validar o aumento do orçamento das Forças Armadas vai acabar mal, de novo.
É hora de abandonar o mito: os generais não conduziram bem a economia no passado e nem hoje saberiam fazê-lo.



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Sob Bolsonaro, orçamento do Exército é metade do que era em 2015 no governo Dilma

Bolsonaro

Exército que iria à 'guerra contra Venezuela' não tem dinheiro para rancho e dá meio expediente às segundas e sextas


Para você ver o grau de irresponsabilidade, mesmo de insanidade, da família Bolsonaro que chegou a levantar a hipótese de o Brasil pegar em armas para derrotar o governo do presidente da Venezuela Nicolás Maduro: o Exército Brasileiro está sem verbas até para funcionar diariamente.

Desde que o PT saiu do poder, com o golpe do impeachment na presidenta Dilma, as verbas do Exército foram sofrendo cortes sucessivos. Hoje, representa pouco mais da metade do que era na época de Dilma em 2015.

E o Exército brasileiro foi fundamental para o golpe, como reconheceu o próprio Bolsonaro quando homenageou o ex-comandante do Exército, general Villas Boas, hoje assalariado do governo Bolsonaro.

Para se ver o nível estratégico de nossas tropas...
Citando falta de recursos, o comandante do Exército, general Edson Pujol, autorizou que o expediente na Força às segundas-feiras do mês de setembro seja cortado para contribuir com a economia de despesas.
Em um e-mail enviado nesta quarta-feira (28) ao Alto Comando do Exército, Pujol diz que os comandantes, chefes e diretores da Força poderão "suprimir" a seu critério o dia de trabalho em suas respectivas áreas nos dias 2, 9, 16, 23 e 30 de setembro.
"O contingenciamento ora imposto impacta, de forma significativa, a capacidade de custeio do Exército, exigindo medidas severas para que seja possível honrar os contratos com concessionários e outras despesas inerentes à vida vegetativa da Força", diz o chefe militar. 
No mesmo comunicado, ao qual a Folha teve acesso, Pujol alega que o quadro orçamentário do Comando do Exército neste ano sofreu um contingenciamento de 28% do previsto no Orçamento para as despesas discricionárias, incluindo os programas estratégicos. 
Ele argumenta ainda que o orçamento do Exército autorizado para 2019 é pouco mais da metade (54%) da dotação recebida em 2015. [Folha]
Anteriormente, o Exército já determinara o meio expediente às sextas-feiras. Trabalho integral só de terça a quinta. Parece o Congresso...

Para os generais que estão no poder nada muda. Eles continuam a receber o soldo integral. No caso, as pensões, porque quase todos usam pijamas.


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PAN do Rio: Crônica de um escândalo anunciado

Os 13 leitores deste blog (é comum cronistas citarem o número 17, mas eu prefiro o 13) sabem do meu amor pela minha cidade. Por isso, estou muito satisfeito que o PAN aconteça aqui este ano. Mais uma vez o Rio vai mostrar a todos os que o visitarem por que é conhecido como Cidade Maravilhosa. Não apenas por sua paisagem esplendorosa mas também pela paisagem humana, pela maneira carinhosa com que os cariocas de todos os lugares do planeta recebem os que nos visitam.

Mas debaixo da organização desse PAN há um cheiro estranho que anuncia que aí vêm as cinco letras que fedem. Tudo está sendo feito às pressas, sem licitação (por falta de tempo, alegam), mas até a estátua de Carlos Drummond de Andrade na praia de Copacabana sabe que o PAN do Rio está anunciado há muitos anos. Por que deixaram tudo para a última hora?

Uma pista para a resposta: o custo dos preparativos já chegou a R$ 3,5 bilhões. Isso é cinco vezes mais do que estava no projeto original. E, para os esquecidinhos, recordo que esse projeto contemplava a despoluição da Baía de Guanabara e a extensão do metrô. Nada disso foi feito. Eram apenas cerejas do bolo para a aprovação do projeto. Ainda assim ele está cinco vezes mais caro.

Ontem, o jornal O Globo levantou o caso da Ticketronics, empresa que vai vender os ingressos para o PAN. Um de seus sócios é dirigente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o que torna a escolha, no mínimo, suspeita. Mas há suspeitas maiores, um zunzunzum nos bastidores de que figura ainda mais graúda é sócia de uma agência que cuida de tudo relativo ao PAN.

Por que a grande imprensa, que tem equipe e dinheiro para fazer uma investigação aprofundada, solta pequenas pílulas aqui e ali e deixa a grana rolar solta? Será que é por que boa parte dela será transformada em anúncios?