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Genocídio: Israel está matando 300 mil palestinos silenciosamente

Aproximadamente 300 mil palestinos sobrevivem no norte de Gaza com apenas 245 calorias por dia. Um pão francês de 50g tem 140 calorias. 

A maior parte da população do norte da Faixa de Gaza tem sido forçada a sobreviver com uma média de 245 calorias por dia. O montante é inferior a 12% das necessidades médias diárias de uma pessoa estipulado em 2.100 calorias. [Folha]

A fome é aguda e as pessoas estão morrendo silenciosamente dela, enquanto Israel não permite a entrada de ajuda humanitária suficiente. É uma forma de matar em silêncio. O que faz lembrar o poema de João Cabral de Mello Neto:

“E se somos Severinos [palestinos]

iguais em tudo na vida, 

morremos de morte igual, 

mesma morte severina [palestina]: 

que é a morte que se morre 

de velhice antes do trinta 

de emboscada antes dos vinte, 

e de fome um pouco por dia”



Os dados sobre a fome no norte de Gaza foram divulgados em relatório global da Oxfam:

Amitabh Behar, Diretor Executivo da Oxfam Internacional, disse: “Israel está fazendo escolhas deliberadas para matar civis de fome. Imagine como é não apenas tentar sobreviver com 245 calorias todos os dias, mas também ter que observar seus filhos ou parentes idosos fazerem o mesmo. Tudo isto enquanto estavam deslocados, com pouco ou nenhum acesso a água potável ou a uma casa de banho, sabendo que a maior parte do apoio médico desapareceu e sob a ameaça constante de drones e bombas". 

A premiada cineasta e documentarista Julia Bacha, especialista em Oriente, denunciou a situação numa entrevista.

"Trezentos mil palestinos estão vivendo e sofrendo no norte de Gaza por causa das ações de Israel, que está bloqueando a entrada de alimentos em caminhões, que estão esperando para alimentar uma população que Israel está propositalmente deixando morrer de fome”



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Biden fala em cessar-fogo em Gaza no Ramadã. Esperança de paz

O presidente dos Estados Unidos Joe Biden deu uma declaração que dá a todos uma esperança de paz.

“Minha esperança é que tenhamos um cessar-fogo até a próxima segunda-feira”, disse Biden aos repórteres durante uma viagem a Nova York, quando questionado sobre quando começaria uma trégua. “Estamos perto, ainda não chegámos lá”, disse o presidente democrata, que garantiu que o acordo para uma trégua que se estenderia durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, que começa em 10 de março, “para nos dar tempo para remover todos os reféns." [Página 12]

O plano, mediado pelo Egito, Qatar, Estados Unidos, França e outros, visa um cessar-fogo de seis semanas e a libertação dos reféns israelenses detidos em Gaza desde os ataques do Hamas, em 7 de Outubro. Poderia também incluir a libertação de centenas de palestinos presos em prisões israelenses.

As expectativas são positivas não apenas da parte de Biden. 

“Queremos ver uma pausa humanitária imediata que permita a libertação segura de reféns e um aumento significativo na entrada de ajuda em Gaza, o que poderia então levar a um cessar-fogo sustentável e de longo prazo”, disse o porta-voz de Downing Street, gabinete oficial do primeiro-ministro Rishi Sunak.“Embora seja um desafio, uma pausa negociada nos combates está ao nosso alcance e instamos todas as partes a aproveitarem a oportunidade para conseguir isso."

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou que defende uma trégua antes do Ramadã e que está "esperançoso", embora não necessariamente otimista, de chegar a um anúncio nas próximas horas. Um representante israelense, sob condição de anonimato, disse ao portal de notícias Ynet que “a tendência era positiva”. 

No boletim informativo do jornal israelense Haaretz de hoje, o cessar-fogo  começaria durante o Ramadã.

"Israel e o Hamas querem concluir o acordo de reféns no próximo mês, para coincidir com o Ramadã. Segundo fontes estrangeiras, ambos os lados gostariam que o acordo entrasse em vigor perto de 10 de março, quando começa o Ramadã."

Que o cessar-fogo aconteça o mais rápido possível é o desejo da humanidade, que olha com preocupação a situação de fome que atinge mais de um milhão de palestinos em Gaza, 70% deles mulheres e crianças. Como dizia nosso Betinho, "a fome tem pressa". Uma pausa humanitária durante o Ramadã acende a esperança. 

Mas fato é que tudo isso se choca com a disposição de Netanyahu de não dar trégua ao Hamas, pois considera que isso dará tempo para que se reorganizem. 

No entanto, Netanyahu está muito pressionado. Os protestos pela sua condução da guerra estão cada vez maiores não apenas no mundo, mas dentro de Israel, onde sua aprovação caiu para apenas 15% dos israelenses. Como ele reagirá?

 

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Lula gritou: 'O rei está nu!' e agora EUA e UE pedem cessar-fogo em Gaza

Todos conhecemos a história criada pelo escritor dinamarquês Hans Christian Andersen sobre um rei muito vaidoso, que contratou um alfaiate que lhe prometeu a roupa mais linda do mundo, "mas que só poderia ser apreciada por pessoas inteligentes".

O rei deu ao alfaiate tudo o que lhe pediu: uma fortuna para comprar linhas de ouro, tecidos os mais finos.  Mas nada da roupa ficar pronta.

Um dia, o rei foi ao ateliê do alfaiate espertalhão e o encontrou fazendo gestos no ar, como se marcasse e cortasse panos imaginários. O rei não via nada, mas lembrou-se do que o alfaiate lhe dissera, que sua roupa seria vista apenas por "pessoas inteligentes", e para não fazer papel de burro mostrou-se empolgado.

Pronto o "traje", o rei saiu pelas ruas, cercado por seus acólitos, todos maravilhados com a "roupa nova" do rei, até que uma criança gritou

— O rei está nu!!

Mais ou menos foi o que aconteceu com a declaração de Lula na África, quando denunciou que a ação de Israel contra os palestinos é similar à de Hitler contra os judeus, que todos estamos vendo, mas a mídia ocidental teima em dizer que é apenas "direito de defesa de Israel", como os acólitos elogiavam a "roupa nova" do rei:

Lula: "É preciso parar de ser pequeno quando a gente tem que ser grande. O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe um nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu, quando Hitler resolveu matar os judeus".

Lula denunciou o crime de Israel como o menino que gritou a nudez do rei.

A mídia ocidental, entre elas a mais acocorada de todas  a nossa  caiu em cima de Lula, criticando sua declaração cristalina.

No entanto, em seguida, como que subitamente cientes da nudez do rei (o genocídio em Gaza), a União Europeia, pela quase totalidade de seus membros (de fora apenas a Hungria) pede a interrupção do morticínio:

Vinte e seis dos 27 países da União Europeia pedem "uma pausa humanitária imediata que leve a um cessar-fogo sustentável" em Gaza, disse o chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, a repórteres nesta segunda-feira.

Borrell acrescentou que os 26 países concordaram em "exigir uma pausa humanitária imediata que leve a um cessar-fogo sustentável, à libertação incondicional dos reféns e à prestação de assistência humanitária". [Agência Brasil]

Até os Estados Unidos pedem por um cessar-fogo pela primeira vez:

Na tentativa de esvaziar uma proposta da Argélia, que prega cessar-fogo imediato e deve ser votada hoje no Conselho de Segurança das Nações Unidas, os EUA apresentaram seu próprio texto, pela primeira vez falando em "cessar-fogo".

Segundo a Reuters, a proposta "sublinha o seu [dos EUA] apoio a um cessar-fogo temporário em Gaza o mais rapidamente possível, com base na fórmula da libertação de todos os reféns, e apela ao fim de todas as barreiras à prestação de assistência humanitária em grande escala".

O texto também condena a decisão de Israel de fazer uma incursão terrestre em Rafah, para onde centenas de milhares de palestinos de Gaza fugiram e hoje vivem em tendas.

 
A declaração de Lula acordou o mundo para o genocídio em Gaza e pôs a nu a desculpa de Israel de que está apenas exercendo seu direito de defesa, quando destrói hospitais, escolas, mesquitas, igrejas, ambulâncias, assassina jornalistas, mata quase 30 mil civis, 70% deles mulheres e crianças, sob pretexto de que existem "malvados terroristas" do Hamas escondidos nos hospitais, escolas, mesquitas, igrejas, ambulâncias, ou atrás dos jornalistas, no meio de quase 30 mil civis, debaixo da saia das mulheres e em meio aos brinquedos das crianças.

— O rei está nu!! — disse Lula. E o mundo viu.

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Jornalista de Israel multipremiado: 'Quase nenhum israelense considera os palestinos seres humanos como nós'

O nome disso é preconceito. Ele já foi externado inúmeras vezes nestes 95 dias em que palestinos são dizimados por Israel, em resposta a um ataque covarde do Hamas.

Ministros afirmaram que palestinos são "animais humanos". Influencers de Israel zombaram das mães palestinas que choravam seus filhos.

Netanyahu já citou trecho da Bíblia sugerindo o extermínio puro e simples dos palestinos.

A esse rol veio se somar esta declaração do jornalista israelense, colunista de um dos principais jornais daquele país, o Haaretz, Gideon Levy.

Gideon Levy é um jornalista multipremiado, inclusive em Israel, onde recebeu em 2021 o Prêmio Sokolov, principal prêmio jornalístico de Israel.

Em poucas palavras. Levy faz duas revelações poderosas:

  1. "Nunca na história houve uma ocupação em que o ocupante se apresentou como vítima."
  2. "Se você cavar sob a pele de quase todos os israelenses, você vai encontrar lá que quase ninguém tratará os palestinos como iguais, seres humanos como nós."


 

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VÍDEO: Líder palestino choca o mundo com revelação sobre prisões em Israel

Mustafa Barghouti é um médico e ativista político palestino, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, partido político que se apresenta como alternativa às facções existentes — Hamas e Fatah.

Numa entrevista ao programa Inside Story da TV árabe Al Jazeera, Barghouti choca o mundo com uma revelação sobre o que acontece com palestinos presos em Israel, mesmo após sua morte.

Segundo Barghouti , como forma de tortura à família do preso, ainda que morra na prisão o palestino tem que cumprir a pena a que foi condenado. Então seu corpo é congelado e só é devolvido à família após o cumprimento da totalidade da pena.

"Aqueles que morrem nas prisões israelenses por causa de uma doença ou tortura têm de ficar na prisão em frigoríficos para cumprir a pena, que poderá ser de cem anos".

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'Hamas assassina 64 jornalistas em Gaza! Terroristas!' — Oh, não! Foi Israel... Psss!

14.532: este são os mais recentes números de palestinos assassinados em Gaza por Israel. Entre eles, segundo Ismael al-Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia do governo em Gaza, 6 mil crianças e 4 mil mulheres, além de 35 mil palestinos feridos. Na lista há 205 médicos, 22 integrantes de equipes de defesa civil e 64 jornalistas.

Isso mesmo, 64 jornalistas palestinos assassinados. Mais de um por dia. E destaco os jornalistas, quando médicos — aqueles que salvam vidas — morreram em número mais de três vezes maior, porque a pouca divulgação do incrível número de jornalistas mortos denuncia a parcialidade da mídia ocidental, corporativa e pró EUA — logo, Israel — e mercado.

Imagine se fosse o Hamas que tivesse assassinado esse número de jornalistas o escândalo que não estaria repercutido na mídia em reportagens diárias denunciando os "terroristas do Hamas que assassinaram 64 jornalistas, numa falta de respeito à liberdade de imprensa e expressão".

Mas, como os jornalistas mortos são palestinos e foram assassinados por Israel, os 64 são apenas mais um dado da guerra, "uma resposta de Israel ao ataque 'terrorista' do Hamas, um direito de defesa e seus 'danos colaterais'".

Assim como falam em "xis israelenses mortos pelos terroristas do Hamas" e "xis palestinos mortos", sem dizer que eles não morreram simplesmente por estarem vivos, mas foram assassinados por Israel. Não há o agente causador das mortes.

Assim como é "terrorismo" um grupo de palestinos pegar em armas para lutar contra a invasão e ocupação de seu território por Israel, e é "direito de defesa de Israel" matar palestinos por estarem se insurgindo contra a ocupação israelense.

É chavão dizer que na guerra a primeira vítima é a verdade. Os assassinos são aqueles que a manipulam, trabalhando para um dos lados, mas fingindo que estão lhe passando "informação profissional, qualificada e imparcial". 

Essa imprensa é a mesma que diz que denunciar assédio moral dentro das Redações é ataque à liberdade de imprensa, porque a liberdade de imprensa delas é a liberdade dos patrões.

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Segredo sujo das exportações de armas de Israel: elas são testadas nos palestinos

O minúsculo estado de Israel (cada vez menos minúsculo, à medida em que avança sobre terras palestinas) é hoje o 10º maior exportador de armas do mundo. Só em 2022, arrecadou mais de US$ 12,5 bilhões em exportações no setor de armamentos. Seu exército é um dos mais bem armados e treinados e conta inclusive com armas nucleares.

Mas, antes de serem exportadas para o mundo, as armas desenvolvidas por Israel precisam ser testadas para comprovar sua performance e eficiência. E Israel faz isso em cobaias humanas, os palestinos. É o que mostra reportagem de Paddy Dowling, publicada no Al Jazeera.

'Tecido arrancado da carne'

Ahmed Saeed al-Najar, 28 anos, dirigia seu táxi em Rafah durante a terceira guerra de Gaza, em 2014, quando um míssil drone entrou pelo teto solar aberto de seu táxi. Ele explodiu no carro, decapitando e matando instantaneamente todos os seis passageiros, incluindo seu melhor amigo.

O carro foi alvo de um foguete israelense Spike, que pode ser modificado para transportar uma bomba de fragmentação de milhares de cubos de tungstênio de 3 mm, que supostamente afetaria uma área de aproximadamente 20 metros de diâmetro. Os cubos perfuram o metal e “fazem com que o tecido seja arrancado da carne”, literalmente destruindo qualquer pessoa ao seu alcance, segundo Erik Fosse, um médico norueguês que trabalha em Gaza.

Al-Najar, resgatado dos destroços de seu carro, sofreu queimaduras extensas, perda do olho direito, múltiplos ferimentos por estilhaços e perda da perna direita no meio da coxa, amputada pela explosão.

Mas em 2014 os drones que transportam o foguete Spike já eram muito procurados por outros países.

O drone Heron TP “Eitan” é o maior veículo aéreo não tripulado (UAV) de Israel e entrou em serviço em 2007. Fabricado pela estatal Israel Aerospace Industries (IAI) – a maior empresa aeroespacial e de defesa de Israel e o maior exportador industrial do país – pode voar até 40 horas continuamente e transportar quatro mísseis Spike.

O Eitan foi usado pela primeira vez durante a “Operação Chumbo Fundido” na guerra de Gaza de 2008-09 para ataques contra civis, de acordo com a organização não governamental Drone Wars UK. De acordo com a Defense for Children International, das 353 crianças mortas e 860 feridas durante a Operação Chumbo Fundido, 116 morreram devido a mísseis lançados por drones.

Após a guerra, a IAI testemunhou um aumento nas encomendas de drones da variante Heron de pelo menos 10 países entre 2008-2011. Durante este período, mais de 100 drones foram comprados, alugados ou adquiridos no âmbito de esquemas de joint venture.

Isso não significa que Israel faça guerras para testar e ao mesmo tempo divulgar suas armas aos possíveis compradores, afirmam os especialistas. Ninguém trava guerras apenas para exibir as suas armas”, disse Lawrence Freedman, professor emérito de estudos de guerra no King's College London.

No entanto, ao mesmo tempo, “em todas as guerras contra Gaza, uma série de armas e tecnologias de vigilância foram utilizadas contra os palestinos, que depois foram comercializadas e vendidas a várias nações em todo o mundo”, disse Antony Loewenstein, jornalista independente e autor. do Laboratório Palestina.

'Uma apólice de seguro'

As exportações de armas têm utilizações que vão além das receitas que trazem para Israel.

“É mais do que isso, é também uma apólice de seguro para se protegerem da intensa pressão para mudarem o seu comportamento durante as décadas de ocupação dos palestinos”, disse Loewenstein.

No mês passado, o presidente colombiano, Gustavo Petro, recusou-se a condenar o ataque surpresa lançado pelo Hamas em 7 de Outubro como um “ataque terrorista”, respondendo em vez disso que “o terrorismo está matando crianças inocentes na Palestina”.

Em resposta, o governo israelita suspendeu todas as vendas de equipamento de defesa e segurança e serviços associados ao país latino-americano.

Israel é, de longe, o maior exportador mundial de drones militares: em 2017, estimou-se que estava por trás de quase dois terços de todas as exportações de UAV (aeronaves que podem voar sem a necessidade de um humano a bordo) nas três décadas anteriores.

A Elbit, fabricante do Iron Sting, fornece até 85% do equipamento terrestre adquirido pelos militares israelenses e cerca de 85% de seus drones, de acordo com o Banco de Dados de Exportação Militar e de Segurança de Israel (DIMSE).

Mas depois da guerra de Gaza em 2014, o seu mercado de exportação também se expandiu significativamente. A Elbit promove seus UAVs Hermes como “comprovados em combate” e a “plataforma principal das FDI em operações antiterroristas”.

O Hermes 450 e o Hermes 900 foram ambos amplamente utilizados na “Operação Margem Protetora”, a guerra de Israel em 2014, durante a qual 37 por cento das mortes foram atribuídas a ataques de drones, de acordo com uma estimativa do Centro Al Mezan para os Direitos Humanos, com sede em Gaza.

Posteriormente, a Elbit garantiu contratos para o novo drone Hermes 900 com mais de 20 países em todo o mundo, incluindo as Filipinas, que comprou 13, bem como a Índia, Azerbaijão, Canadá, Brasil, Chile, Colômbia, Islândia, União Europeia, México, Suíça e Tailândia. Em março de 2023, a Elbit Systems anunciou seu 120º pedido do Hermes 900.

Difícil de rastrear, armando ditaduras e golpes

Apesar de todos os seus sucessos nas exportações militares, a extensão total das vendas da indústria de defesa de Israel permanece mascarada.

Um relatório da Anistia Internacional de 2019 observou que todo o processo através do qual Israel vende armas está envolto em segredo “sem documentação de vendas, não se pode saber quando [estas armas] foram vendidas, por que empresa, quantas e assim por diante”.

A Anistia concluiu que “as empresas israelenses exportaram armas que chegaram ao seu destino após uma série de transações, contornando assim a monitorização internacional”.

Israel não ratificou o Tratado sobre o Comércio de Armas, que proíbe a venda de armas em risco de serem utilizadas em genocídios e crimes contra a humanidade. Como tal, as suas exportações de armas influenciaram o curso da história de várias nações, muitas delas lideradas por regimes controversos.

Israel vendeu armas ao governo do apartheid sul-africano em 1975 e até concordou em fornecer ogivas nucleares, de acordo com documentos desclassificados – embora Israel negue fazê-lo. Napalm e outras armas foram fornecidas a El Salvador durante as guerras de contrainsurgência entre 1980 e 1992, que mataram mais de 75 mil civis.

Em 1994, balas, espingardas e granadas de fabrico israelita foram alegadamente utilizadas no genocídio de Ruanda , que matou pelo menos 800 mil pessoas. Israel forneceu armas ao exército sérvio que travou guerra contra a Bósnia entre 1992-1995.

Apesar da declaração do próprio governo israelita em 2018 de que tinha cessado as vendas para Mianmar, o jornal Haaretz noticiou no ano passado que os fabricantes de armas continuaram a fornecer o governo militar até 2022, em violação do embargo internacional de armas de 2017 contra o país.

E, em Setembro deste ano, Israel forneceu UAV, mísseis e morteiros ao Azerbaijão para a sua campanha de recaptura de Nagorno-Karabakh, durante a qual 100 mil armênios étnicos foram deslocados.

Eficiência comprovada em ‘animais humanos’

Dois dias depois do ataque do Hamas em 7 de Outubro, o ministro da defesa de Israel, Yoav Gallant, comparou o povo palestino a “animais humanos”.

Para Loewenstein, os comentários desumanizantes não foram surpreendentes. É óbvio, durante a ocupação de Israel e as inúmeras guerras, que os palestinos são tratados como cidadãos de segunda classe. Como animais”, disse ele.

Ao longo dos anos, o exército israelense testou balas de borracha, armas robóticas alimentadas por inteligência artificial e várias formas de soluções de dispersão de multidões, que infligiram ferimentos graves aos palestinos.

Nabeel al-Shawa, um cirurgião ortopédico consultor que trabalha em Gaza desde 1978, tratou muitos palestinos feridos por disparos israelenses na Grande Marcha do Retorno em 2018 – quando dezenas de milhares de palestinos exigiram que lhes fosse permitido regressar à terra onde estavam  e foram removidos à força em 1948.

“Para os atiradores israelenses, isso era apenas prática de tiro ao alvo com humanos”, disse ele. “A maioria dos pacientes foi baleada deliberadamente nas articulações para causar o máximo de dano, mas não para matar.

“Essas novas balas que o exército israelense usou causaram ferimentos que nunca vi antes. Em alguns casos, o membro parecia intacto, porém, durante a cirurgia, não consegui distinguir entre osso e tecido mole.”

Novo teste de armas em Gaza 2023?

Ashraf al-Qudra, porta-voz do Ministério da Saúde em Gaza, disse na semana passada num comunicado à imprensa que as equipas médicas no enclave “observaram queimaduras graves nos corpos de palestinos que foram mortos e feridos pelas bombas de Israel – quer causadas por um arma desconhecida ou não – é algo que não viram em conflitos anteriores”.

O Dr. Ahmed el-Mokhallalati da divisão de queimaduras e cirurgia plástica do Hospital al-Shifa, em entrevista ao Toronto Star , descreveu as feridas como "muito profundas - queimaduras de terceiro e quarto graus, e o tecido da pele está impregnado de partículas pretas e a maior parte da espessura da pele e todas as camadas abaixo são queimadas até os ossos”.

El-Mokhallalati disse que não se tratava de queimaduras de fósforo, “mas uma combinação de algum tipo de onda de bomba incendiária e outros componentes”.

Os militares israelitas não comentaram até agora a declaração feita pelo Ministério de Gaza. Mas as misteriosas bombas incendiárias, a estreia do Iron Sting e a alegada utilização do novo drone Spark na guerra atual sugerem que Israel está mais uma vez a testar novas armas em conflitos.

“As armas de Israel continuarão a ser atraentes para os compradores internacionais com base no desempenho na ocupação”, disse Loewenstein. “Mas Israel não está apenas vendendo armas; eles estão vendendo a ideologia para outros países – de escapar impunes.”

Crimes de Guerra

O exército israelense divulgou, no dia 22 de outubro, imagens da sua unidade de comando Maglan lançando uma nova bomba de morteiro de 120 mm guiada com precisão chamada Iron Sting, contra o Hamas em Gaza.

O fabricante da bomba com sede em Haifa, Elbit Systems, tem anunciado as suas qualidades na página de relações públicas do seu website desde março de 2021, quando foi integrada nas forças armadas israelitas.

Benny Gantz, então ministro da defesa de Israel e agora membro do gabinete de guerra do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, descreveu o Iron Sting como “projetado para atingir alvos com precisão, tanto em terrenos abertos quanto em ambientes urbanos, ao mesmo tempo que reduz a possibilidade de danos colaterais e evita ferimentos em não-combatentes”.

É uma afirmação partilhada por Mark Regev, antigo porta-voz de Netanyahu, relativamente à abordagem global do país à sua guerra contra Gaza, na qual, disse ele, Israel está “tentando ser tão cirúrgico quanto humanamente possível”.

No entanto, mais de um mês depois de Israel ter lançado o bombardeamento aéreo de Gaza, na sequência de um ataque surpresa do Hamas, matou pelo menos 11.400 civis palestinos e feriu 30.000 na faixa sitiada e na Cisjordânia ocupada. Mais de 4.700 crianças de Gaza estão mortas. Os combatentes do Hamas mataram 1.200 pessoas no ataque de 7 de outubro.

Das duas uma: ou a propaganda de Israel é mentirosa e a Iron Sting não tem a precisão cirúrgica de que falam; ou tem, e os palestinos estão sendo assassinados de propósito, prática conhecida como genocídio.


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Bomba Suja sobre Gaza, uma adaptação do poema de Ferreira Gullar para a realidade palestina

Quando escreveu seu poema Bomba Suja, o poeta Ferreira Gullar trouxe para o campo da poesia, tradicionalmente ligado à beleza, a sujeira da diarreia, que matava milhares de crianças todos os anos no Brasil, causada pela desnutrição.

O problema hoje não é tão agudo quanto já foi, principalmente pelos programas sociais, como o Bolsa Família.

Hoje estamos assistindo à morte de crianças aos milhares no massacre palestino em Gaza e fiz esta adaptação reduzida do poema de Gullar, introduzindo na poesia não a palavra diarreia, o que já foi feito por ele, mas outra bomba suja na palavra genocídio.

Trecho do poema de Ferreira Gullar, A Bomba Suja.

Introduzo na poesia
a palavra diarreia.
Não pela palavra fria
mas pelo que ela semeia
Quem fala em flor não diz tudo.
Quem me fala em dor diz demais.
O poeta se torna mudo
sem as palavras reais.
No dicionário a palavra
é mera ideia abstrata.
Mais que palavra, diarreia
é arma que fere e mata.
Que mata mais do que faca,
mais que bala de fuzil,
homem, mulher e criança
no interior do Brasil.

E a adaptação para o genocídio palestino em Gaza.




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Jovem israelense se disfarça de palestina e sente na pele o preconceito

Foto da jovem israelense com suas roupas normais e como palestina

Reportagem da BBC informa que a jovem Liad Kantorowicz resolveu fazer uma experiência: vestir-se de palestina e sentir a reação das pessoas, nos lugares em que ela sempre freqüentou normalmente, em Jerusalém.

Segundo relatou à reportagem, Liad esperava encontrar problemas, mas nunca pensou que fossem tantos.

Durante todo o tempo, ela era a mesma pessoa, freqüentava os mesmos lugares, comportava-se do mesmo modo. Apenas uma coisa era diferente nela: usava roupas bastante conservadoras e o hijab – um lenço que cobre os cabelos e o pescoço, usado freqüentemente por palestinas muçulmanas.

Liad foi discriminada nas ruas, sofreu olhares hostis, agressões verbais, até em locais considerados liberais, como uma boate gay:

“Com o hijab e as roupas que vesti, estava coberta da cabeça aos pés, mas me senti mais exposta do que nunca a todos os tipos de violência” disse Liad. [clique aqui para ler a reportagem completa]

Seria diferente se ocorresse o oposto do lado palestino? O que você acha?

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