Casal Garotinho e César Maia: - 'Mãos ao alto, Rio!'



Finalmente o casal Garotinho e o ex-prefeito do Rio, ainda no exercício do cargo, César Maia, conseguiram transformar nossa cidade numa São Paulo. Mas não naquilo que São Paulo tem de bom e grandioso - porque isso seria demais para a visão estreita dos três -, mas naquilo que a capital paulista tem de pior.

É só recordar: há uns dez anos, quase nenhum prédio do Rio era cercado por grades. Os engarrafamentos não aconteciam a qualquer hora do dia, como hoje. Mas os três conseguiram. Agora, importamos a moda dos ataques a quartéis, delegacias e policiais, como acontece em São Paulo com o PCC.

Muito se fala na culpa do casal Garotinho. E com razão. E ela não é pouca. Nos seguidos desgovernos do casal, a segurança pública no Rio vem se deteriorando a corpos vistos. Com a cumplicidade da Assembléia Legislativa. Vivemos na cidade dominada pelo tráfico de drogas, e agora pelas milícias paramilitares. Quartéis e delegacias de polícia leiloados entre políticos. Um deles - de sobrenome comprometedor - é dono das delegacias, postos policiais e batalhões de uma extensa área, que vai até Araruama, na região dos Lagos.

Por isso, o jogo de bicho corre solto nas ruas, embora proibido. Os caça-níqueis proliferam, embora proibidos. Os flanelinhas achacam, extorquem impunemente, embora proibidos. Eles garantem o dinheiro a mais do guarda, que é distribuído às delegacias, postos e batalhões, até chegar ao destino final: políticos.

Mas o casal Garotinho já recebeu da cidade a devida resposta nas urnas. Aqui, eles não se elegem nem síndicos. Mas há a outra ponta desse triângulo nefasto, sobre a qual pouco se fala. E que, aliás, toda vez que acontece uma desgraça como a de ontem, trata de deitar falação, como se nada tivesse a ver com a história. Falo logicamente do burocrata-mor, da figura mais nefasta que esteve à frente da prefeitura do Rio, e que só o tempo mostrará tudo o que de ruim ele deixou como herança para nós: o inacreditável ex-prefeito, ainda no exercício do cargo, César Maia.

César Maia vem tentando destruir o Rio, desde o primeiro dia de suas múltiplas administrações. Disfarçado de administrador competente, ele se esmera em destruir os valores e as belezas da cidade, com a tranqüilidade arrogante dos tecno-burocratas. Criou uma guarda municipal que não serve para absolutamente nada, a não ser caçar esporadicamente camelôs ou multar carros. Um grupo incapaz de auxiliar uma velhinha a atravessar a rua, e que a tudo responde com um "não é nossa responsabilidade".

César Maia destruiu as históricas calçadas de Copacabana. Arrasou as de Ipanema, onde ainda permitiu um obelisco infame e inútil, em frente a uma passarela que liga nada a lugar algum, que podem ser considerados símbolos de todas as administrações do alcaide. Fez o mesmo com o Leblon. Tudo isso numa penada só, sob acusação - nunca devidamente explicada - de que só teria autorizado as obras para permitir o cabeamento do filé mignon da cidade pela NET, das Organizações Globo.

Tentou acabar com o carnaval de rua, o que só não conseguiu porque os blocos de bairros se unem e correm atrás de patrocínios. Pôs fim à tradicional decoração do centro da cidade, especialmente na Avenida Rio Branco - coração do carnaval de rua da cidade -, desde que teve proibido o patrocínio ilegal de uma operadora de telefonia, que produziu um dos maiores monstrengos visuais de que se tem notícia. Não satisfeito, entregou aos bicheiros a administração dos desfiles das escolas de samba.

Tentou nos enfiar goela abaixo o projeto do museu Guggenheim. Agora, faz o mesmo com a marina da Glória. Loteou a areia das praias. Autoriza propaganda na orla - o que é proibido. Graças a ele, tivemos a garrafa monstro da Coca-Cola na enseada de Botafogo. Agora, temos a árvore de Natal da Lagoa anunciando ilegalmente o banco que a patrocina (em boa parte com recursos públicos). Tudo isso, com apoio explícito de César.

Saúde, sinalização das ruas, asfaltamento - tudo caindo aos pedaços, enquanto o ex-prefeito dedica-se a palpitar sobre marketing político e a produzir zumbis, que apóia de dois em dois anos em eleições majoritárias.

César não gosta do Rio. Tanto que geralmente passa o carnaval fora da cidade. Aliás, não existe ninguém menos carioca que o encasacado e burocrático prefeito. Agora mesmo passaria o reveillon na Disney (é mole?!). Só mudou de idéia e resolveu ficar na cidade para faturar politicamente a desgraça dos outros - a nossa desgraça.

Que a cidade não se esqueça dos três nunca mais. Ou melhor: que os apague da memória para sempre.

Enquanto isso, nós, cariocas de todos os lugares do planeta, que amamos esta cidade, comemoremos a passagem de ano com a paz e a alegria de sempre, e que 2007 seja melhor para todos.

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"Nós" vence "You" na revista Time

Diferentemente da revista Time, que elegeu You (Você) como a personalidade do ano, para o Blog do Mello o destaque do ano na nossa parodística e inverossímil (pois dela só existe a capa) revista Time (não a palavra inglesa, mas a portuguesa que significa equipe) foi "Nós". Não só o pronome, mas também o substantivo plural, no sentido de união, vínculo, laço, exatamente o que forma e traduz a grande rede WWW.

Não vou ficar aqui exaltando a importância desse(s) "Nós", não só porque ela já foi devidamente festejada com a premiação da Time original, mas também porque como, evidentemente, estou incluído nesse(s) "Nós", seria cabotinismo.

Gostaria de agradecer a companhia dos que visitaram regularmente este blog durante o ano, incluídos aqui os "indignados úteis" - aos quais, mais uma vez, aproveito e aconselho a leitura de um conto de Kafka, chamado Uma Mulherzinha -; agradecer também aos leitores esporádicos e, especialmente, aos que deixam seus comentários e tornam a tarefa de blogueiro possível.

Como já fiz no ano anterior, peço a todos os que me linkam em seus blogs ou páginas pessoais que me informem seus endereços para que eu possa retribuir a indicação aqui no meu blog, reforçando ainda mais o(s) "Nós" da rede.

Um grande abraço, Feliz Natal e um 2007 melhor para todos "Nós".
Antônio Mello

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Rede Globo responde à carta de Rodrigo Vianna

A Rede Globo respondeu à carta do repórter Rodrigo Vianna, por meio de um comunicado assinado pelo diretor de redação da Globo em São Paulo, Luiz Claudio Latgé, publicado na íntegra a seguir [o destaque em negrito é meu]:

O repórter Rodrigo Vianna foi informado hoje de que o contrato dele, que termina dia 31 de janeiro, não será renovado. A comunicação com um mês de antecedência é uma exigência do contrato. Está claro que o Rodrigo preparou-se para este momento, a ponto de ter uma longa mensagem pronta a ser divulgada. Os motivos da não renovação nada têm a ver com a cobertura das eleições, como ele especula. Em respeito a ele, jamais pretendi torná-los públicos nem farei isso agora. Rodrigo, porém, nem os quis conhecer. Ao ouvir de mim que o contrato não seria renovado, saiu intempestivamente de minha sala e enviou um e-mail para a Redação.
Rodrigo deve ter pensado que poderia encontrar no ataque aos colegas e na mentira uma saída nobre. Com essa atitude, ele pareceu querer se defender de acusações que jamais passaram pela nossa cabeça. A pergunta que fica é a seguinte: se a integridade dele é tão elevada, como ele supõe, por que não se demitiu anteriormente, convivendo durante meses com uma situação que ele classifica de insuportável? Não o fez porque tinha como certo que seu contrato seria renovado. Para que não perdesse o emprego por motivos menos nobres, preferiu repetir, quase literalmente, acusações que jornalistas mal-intencionados já nos tinham feito. Talvez tenha pensado que, assim, sairia como mártir. Deu a entender que partiu dele a iniciativa de sair, quando na verdade todos os sinais que emitia eram de que queria ficar. Lamento que tenha perdido o equilíbrio e tentado transformar um assunto funcional interno numa questão política, que jamais existiu. Sinto não ter percebido antes que, intuindo que poderia ser desligado por outros motivos, construa essa "justificativa política", sem base na realidade. Foi um comportamento indigno. E não é justo com o trabalho de todos deixar sem resposta as críticas que ele nos faz.
Fizemos uma cobertura eleitoral intensa e democrática, com a abertura de espaços em todos os nossos telejornais para todos os partidos, que mais de uma vez reconheceram nossa isenção e a importância do serviço prestado ao público. Não inventamos uma pilha de dinheiro na mesa da Polícia Federal. Já saímos a público antes para refutar estas teorias conspiratórias produzidas por grupos políticos e jornalistas descompromissados com a verdade.
Nosso noticiário em nada foi diferente dos demais veículos de imprensa de importância. De setembro a outubro, demos 20 reportagens sobre Abel Pereira e Barjas Negri. Todos os assuntos foram investigados, sim, e noticiados segundo o seu grau de relevância. Tudo o que fizemos foi exposto ao juízo do público em nossas edições diárias. Nossa isenção jornalística foi elogiada em artigos até por veículos de grupos concorrentes.
Não há nada em nossa conduta ou em nossas decisões editoriais que tenha nos afastado do bom jornalismo e muito menos que nos envergonhe.
A confusão de idéias que o Rodrigo Vianna expressa deve ter razões pessoais e compromissos que não nos cabe julgar. Peço desculpas aos colegas pelos ataques e ofensas por ele dirigidos.


A resposta da Rede Globo não se mostrou à altura da carta de Rodrigo Vianna. Pode ser verdade tudo o que Rodrigo diz; pode ser verdade parte do que ele diz; tudo o que ele afirma pode ser mentira, apenas palavras de um ressentido. Mas ele foi transparente. Abriu o jogo e mostrou suas cartas. Apontou fatos, detalhes. O senhor Latgé, como anteriormente o senhor Kamel, responde com generalidades, como quando afirma que todos os partidos "mais de uma vez reconheceram nossa isenção e a importância do serviço prestado ao público". O que em relação aos partidos que apoiaram a candidatura de Lula - a começar pelo PT - é falso, absolutamente falso.

Rodrigo não afirma que não foram feitas matérias sobre Abel Pereira e Barjas Negri, na carta ele afirma o seguinte [o grifo é meu]:"Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB".

E como chamar, a não ser de ameaça velada, o trecho que destaquei em negrito na resposta de Latgé? Parece-me aquela anedota em que o padre se dirige aos convidados, na cerimônia de casamento, “Se algum presente conhece algo que possa impedir o casamento, fale agora, ou cale-se para sempre". Alguém se levanta e afirma: "Eu conheço. Mas vou me calar para sempre". Exatamente como o senhor Latgé naquele trecho do comunicado.

Pra terminar: chamar as críticas à Rede Globo de "acusações de jornalistas mal-intencionados", é demais, não? A emissora não erra? Serão todos os que criticam a Globo mal-intencionados? Serão Mino Carta e Raimundo Pereira (os alvos ocultos de Latgé), por exemplo, jornalistas mal-intencionados?...De boas intenções, diz o dito popular, o inferno está cheio. Parece que a Rede Globo também.

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E agora, TV Globo? E agora, Ali Kamel? Vem por aí novo abaixo-assinado?

Por enquanto, apenas silêncio... Parecem caídas no vazio as denúncias do repórter Rodrigo Vianna (12 anos de Rede Globo). Nada, nem ao menos uma menção à carta (publicada na íntegra aqui, ontem), nos sites da Organização. E as acusações de Rodrigo são contundentes:
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Exatamente o que afirmava reportagem de Raimundo Pereira na Carta Capital. E o que o abaixo-assinado encomendado pela emissora tentou desmentir.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

E agora?

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Quero ver quem vai defender o aumento de 91% no Plenário

Barata voadora

A decisão do STF que suspendeu o infame aumento autoconcedido pelos nossos deputados e senadores teve, além do mais, um efeito colateral altamente desejável. Ao determinar que o aumento tem que ir a Plenário e ser decidido com voto aberto, provocou um tremendo barata-voa no Congresso. Agora, Suas Excelências terão que dar a cara a tapa, o que está deixando muitos deles indignados e ameaçando uma retaliação, não votando o aumento, também autoconcedido, pelo Supremo..

Pois é, parece incrível, mas Suas Excelências, que são nossos representantes, gostam de tomar decisões importantes sob o manto da votação secreta. Por isso, mais uma vez aproveito para firmar a posição do signatário deste blog: todas as votações devem ser abertas. Voto secreto só o do eleitor.

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Demitido, repórter da TV Globo acusa emissora e Ali Kamel de manipularem cobertura política

Rodrigo ViannaÍntegra da carta do repórter Rodrigo Vianna (foto) publicada no Terra Magazine, e já circulando na internet:

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna

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"Você" é a Personalidade do Ano da Time em 2006

A revista Time escolheu "Você" ("You", no original) como a personalidade do ano de 2006. O resultado foi divulgado ontem, dia 17. E quem é esse "Você" fica bem definido desde a capa, reproduzida abaixo. "Você" somos nós que fazemos a web. Parabéns pra "Você".






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Capa que a Veja não deu: 'PlayTV - arrendada pelo filho de Lula - teve queda de 67% em faturamento com publicidade do governo federal'

Na Folha hoje:
A Play TV, ex-Rede 21, amargou até novembro uma queda de faturamento com publicidade estatal federal de 67% em comparação com os valores de 2005.
(...)Desde o início deste ano, Fábio Luiz, também conhecido como Lulinha, arrenda uma parte do horário da emissora e transmite programas sobre games. Fez parte do acerto entre ele a TV a mudança do nome de Rede 21 para Play TV, e a divisão do faturamento publicitário.
(...)Com a entrada de Lulinha na Play TV/Rede 21, a expectativa do mercado publicitário era a de que as verbas de propaganda federal poderiam aumentar para esse canal. Ocorreu o inverso, segundo dados obtidos pela Folha.(...)

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Enfim uma boa notícia: STF enquadra os bancos no Código de Defesa do Consumidor

Infográfico O Globo

Por causa da notícia infame do aumento de mais de 90% que nossos congressistas se autoconcederam passou praticamente despercebida uma outra que, dessa vez, deixou os bancos de cabelos em pé: o Supremo Tribunal Federal decidiu que as relações entre clientes e bancos são regidas pelo Código de Defesa do Consumidor. É uma grande derrota para os bancos, que agora terão de se ajustar ao Código.

Para ver como isso poderá ajudá-lo no dia-a-dia, e como os bancos devem estar lamentando essa decisão do STF, clique na imagem acima para ampliá-la, e conheça o que muda com a decisão do Supremo.

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STJ suspende ordem de prisão contra Pimenta Neves

A ministra do STJ Maria Thereza de Assis Moura concedeu liminar suspendendo a ordem de prisão contra o jornalista Pimenta Neves. Agora, Pimenta, que assassinou covardemente a jornalista Sandra Gomide, com tiros pelas costas, pode passear sua impunidade, enquanto couber recurso sobre sua sentença.

Pelo andar da carruagem, o caso só termina quando o processo caducar, ou quando o jornalista morrer - o que vier primeiro. Para Sandra, a história acabou há muito tempo: em agosto de 2000.

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Mulheres assassinadas e Pimenta Neves foragido

Ontem, mais uma mulher foi assassinada no Rio. É a terceira nas últimas semanas. Todas com a mesma história de ameaças, agressões, busca por reconciliação, até o desfecho trágico.

Coincidentemente, ontem, a Justiça decretou a prisão do jornalista Pimenta Neves, que assassinou friamente a também jornalista Sandra Gomide. Pimenta foi condenado a 19 anos de prisão, mas aguardava em liberdade até que a sentença não pudesse mais sofrer contestação. Até o momento a polícia ainda não conseguiu localizá-lo, e já é considerado um foragido.

Pimenta não se apresentou à Justiça, é óbvio, porque aposta que logo um de seus advogados conseguirá uma liminar que determine que ele possa continuar a passear sua impunidade.

Uma coisa explica as outras.

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Americanos do Legacy são acusados pela Polícia Federal

Curioso país o nosso. Quando os pilotos americanos do Legacy ainda estavam no patropi os jornais os inocentavam diariamente. A culpa era dos controladores. Dos pontos cegos. Do péssimo inglês ensinado na Aeronáutica.

Pois bastou os americanos baterem asas para a Polícia Federal acusá-los de negligência. Relatório entregue à Justiça Federal acusa os pilotos de voarem com o transponder e o sistema anticolisão do jato desligados por mais de 50 minutos. Coisa que estamos carecas de saber, desde os primeiros dias após o acidente.

Parece que há até uma gravação em que um dos pilotos comenta com o outro que os aparelhos estavam desligados. Mas as conversas dos pilotos estão protegidas pelo sigilo do processo.

Curioso é que tudo isso aconteça apenas após a volta dos dois aos EUA.

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Donos de empresas de ônibus mandam no Rio

Vida boa no Rio de Janeiro tem quem é dono de empresa de ônibus. Dias atrás, o governador eleito, Sérgio Cabral, procurou a atual governadora para resolver umas demandas. Ela concordou, desde que ele engolisse uma anistia das dívidas de ICMS e multas das empresas de ônibus. Fecharam negócio.

Agora, as empresas conseguiram mais alguns agrados. As alíquotas de ICMS para o gás combustível e o diesel, que eram de 18% e 12%, passarão a apenas 6%, sem necessidade de uma contrapartida no preço das passagens.

Acha pouco? Tem mais. Uma isenção total de ICMS para a compra de veículos novos foi aprovada ontem.

Alguém tem algum palpite sobre o motivo que leva os políticos a gostarem tanto das empresas de ônibus? Ahn? Mas o jogo da roleta não está proibido no Brasil?

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A prestação de contas da campanha de Lula no TSE

Só para explicar como foi votada ontem no TSE a prestação de contas da campanha do presidente Lula. Inicialmente, considera legítima; depois, considera irregular; em seguida, desaprova; para, em seguida, aprovar; mais adiante, desaprovar novamente; e, afinal, aprovar. Confira:

TSE

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César Maia quer aprovar as contas de César Maia

A sinceridade do ex-prefeito do Rio ainda no exercício do cargo, César Maia, é desconcertante. Sob o argumento de que necessita de "alguém de confiança no Tribunal de Contas do Município (TCM) para defender o que fez no governo", César está pensando em abandonar oficialmente a prefeitura (extra-oficialmente ela já o fez há muito tempo) para virar ministro do TCM e assim julgar as próprias contas.

Isso já seria de uma sinceridade desconcertante, se não houvesse outra informação mais esdrúxula ainda. Segundo César, o cargo tem que ser preenchido por alguém de sua inteira confiança, e as pessoas em quem ele mais confia são:
A minha mulher em primeiro lugar; e, depois, eu.

É estranho alguém confiar mais em outra pessoa que em si mesmo, mas, se é assim, indique a esposa, César.

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O Globo está com uma tremenda barriga

Primeira página de O Globo

Está engraçado O Globo tentando esconder a barriga. Corra agora ao Globo Online. Repare que a primeira página do jornal reproduzida ali não é a de hoje, mas a de ontem. Pelo menos até o momento em que escrevo esta nota (8h20min). Se você é cadastrado, clique para ver a versão eletrônica. Ela salta direto para a página 2. Por que isso? Para esconder a barriga que está na imagem reproduzida aqui. A manchete do jornal é falsa. "TSE não aprova as contas mas garante diplomação de Lula" - Errado. O TSE aprovou as contas de Lula por 5 a 2. Como pode ser lido aqui no sido do TSE.

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Aviso aos alckmistas

Após a derrota para Lula, Geraldo Alckmin embarca hoje para os EUA, mais especificamente para Boston. Segundo ele, ficará quatro ou cinco meses em Boston, estudando e dando palestras.
- Não é nada, não é nada, não é boston nenhuma...

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Folha: 'Futuros cadetes do Exército escolhem Médici como patrono da turma'

Segundo a Folha:
Na noite de sábado, horas antes da morte de Augusto Pinochet, o general que comandava a ditadura no Brasil quando o chileno ascendeu ao poder em 1973 foi homenageado pela futura elite militar do país.
A turma de formandos deste ano da Escola Preparatória de Cadetes do Exército intitulou-se "General Emílio Garrastazu Médici" e o celebrou como patrono.

Como já afirmei aqui, o caos nos aeroportos está deixando as bruxas em terra.

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Inocêncio e os nada inocentes

Correm por fora as candidaturas de Inocêncio de Oliveira e Ciro Nogueira à presidência da Câmara. Ainda estão em dúvida se formam uma parelha ou correm separados. Com a divisão da base governista, têm muita chance. Sabem que, em relação a Lula, uma desvantagem é sempre uma vantagem. Os que não são da base governista costumam ser mais acarinhados pelo presidente que os petistas, por exemplo. Por isso, o baixo clero prefere um "oposicionista" como qualquer um dos dois acima: os ganhos podem ser maiores na hora das votações.

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As contas de Serra e as de Lula

Os problemas nas contas da campanha de José Serra ao governo de Sâo Paulo são exatamente os mesmos dos apresentados pela campanha de Lula. Ontem, o placar do TRE-SP deu 5 a 1, em favor de Serra. Nenhuma surpresa. Se o TSE seguir na mesma toada, também não teremos surpresa alguma: hoje, a prestação de contas de Lula será rejeitada.

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Lula, um homem sem problemas

Ao ser homenageado ontem pela revista "IstoÉ", num luxuoso hotel de São Paulo, como o "Brasileiro do Ano", o presidente Lula não se conteve e mandou mais uma das suas:
"Não tem outro jeito, se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela tem problemas."

O arquiteto Oscar Niemeyer completará 100 anos no ano que vem. E continua de esquerda. Na estranha definição do presidente, é certamente um homem cheio de problemas. E de soluções geniais. Já o presidente Lula continua sua jornada atrás de uma idéia para o país crescer. Enquanto produz frases de efeito, de acordo com a platéia, formada, segundo a Folha, por "ministros, artistas, esportistas, banqueiros, empresários, deputados, senadores e socialites".

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Folha é contra a lei Ricúpero: quer esconder o que é bom e mostrar o que é ruim

Adoro ler a Folha, especialmente às segundas. Porque a gente começa a semana dando boas risadas. Por exemplo: Há uma trepidante reportagem de Fábio Takahashi e Rogério Pagnan onde nos é informado que os recursos do Fundeb - o novo fundo da educação básica recentemente aprovado - vão para...os estados mais pobres das regiões Nordeste e Norte do país. Eles queriam que fosse pra onde, pra Barão de Limeira, na sede da Folha?

Mais adiante, a reportagem informa que o "o Fundeb é tido como a principal bandeira no segundo mandato de Lula, assim como foi o Bolsa Família no primeiro - peça fundamental para a reeleição". A Folha chegou a fazer um levantamento nos discursos oficiais do presidente e constatou que o Fundeb foi abordado pelo presidente em 75 falas desde 2004, tratado como "revolução na educação" e "ajuda aos Estados mais pobres".

Se o Fundeb obtiver o mesmo sucesso do Bolsa Família, ótimo, porque isso vai significar que os professores estarão mais bem remunerados e a educação básica no Brasil terá melhorado. Por que então um governo não deveria faturar politicamente essas conquistas? Afinal, "políticos são aqueles que tratam ou se ocupam da política" (dicionário Houaiss)? Se o presidente não se vangloriar de seus acertos, quem o fará por ele, a Folha?

Pela lógica do jornalão paulista, a história da implantação do Fundeb deverá ser contada assim: se der errado, a Folha desce o cacete; se der certo, Lula fica caladinho, e não se fala mais nisso.

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Pinochet morre no Dia Internacional dos Direitos Humanos

Charge do Chico, O Globo

A morte do ditador chileno no Dia Internacional dos Direitos Humanos só pode ser obra da ironia divina. Alguém tinha que fazer alguma coisa, já que Pinochet morreu sem ser julgado pelos crimes que cometeu.

Será cremado amanhã.

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Carta semi-aberta do vereador Carlão Pereira ao PT/BH

Eu não pago mais o PT

A partir de agora, os R$ 871,39 que pago religiosamente ao PT todos os meses estarão depositados numa conta em agência da Caixa Econômica Federal.

Faço isso porque os pedidos formais e informais que encaminhei ao PT para que tornassem públicas as suas contas não foram atendidos. Faço isso para não ter, mais uma vez, que ficar me lamentando por omissões. Essa história de arrependimento também tem limites. Se vulgariza, é falta de vergonha na cara.

Me omiti, e admiti, quando não tornei público meu incômodo com o novo-riquismo que tomou conta de nós há uns quatro anos. A farta distribuição de bandeiras e bonés era como maná, caía do céu. Dos granitos da sede nacional aos showmícios das duplas sertanejas, tudo era visto como natural, até descobrirmos que Marcos Valério existia.

Me omiti, e admito, com a trajetória de Juvenil Alves. E não falo aqui de seus negócios pouco ortodoxos. Desde que recebi na minha casa, no início do ano, uma correspondência de um tal Juvenil me tratando por Antônio, falando de "nossa experiência na construção do PT" que eu percebi que algo estava errado. Os vários rumores sobre o dinheirão que seria investido, a abordagem a diretórios municipais, as adesões sem explicação eram muitos. Até que falar, falei. Mas não formalizei.

Abro um parêntese. Alguns membros da direção estadual admitem que tiveram informações, mas não agiram, pois não havia denúncia formal. Direção não é nem deve ser polícia. Mas estávamos diante de um problema político com uma dimensão ética. Depois de todas as denúncias, verdadeiras ou não, contra o PT, não tínhamos o direito de correr riscos com uma campanha que evidenciava fortemente o ABUSO do poder econômico. Fecho o parêntese.

Não quero mais omissões. Que venham problemas diferentes. Não se trata de qualquer desconfiança quanto à seriedade das pessoas. Essa é uma questão institucional. Mesmo porque o tesoureiro do PT municipal é meu amigo, foi meu assessor por duas vezes, e compartilha de minhas opiniões sobre esse assunto. Mas nós temos de exigir do PT aquilo que queremos para as instituições do país. O PT é público, não é propriedade de ninguém! Por isso suas contas também devem ser públicas. Por isso suspendo meus repasses. Como os recursos não me pertencem, ficam em conta, sobre a qual darei publicidade mensalmente, até que o PT municipal, TRANSPARENTEMENTE, ponha suas contas na internet. Eu não quero prestação de contas para o chato do Carlão, quero-as públicas.

Não tem cabimento nós ficarmos brigando para que a Câmara e a Prefeitura sejam transparentes, quando não fazemos isso no Partido. É direito de filiados, simpatizantes e eleitores, saberem quem paga, quem não paga e como é gasto o dinheiro do seu partido.

Na esperança de que minha conta na Caixa seja brevemente encerrada,

Fraternalmente,

Carlão Pereira
Vereador PT-BH
Fundador do PT e contribuinte sempre em dia

(Reproduzida da página do vereador na internet)

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Enquanto isso, no Brasil real:'Mulher que roubou pote de manteiga é condenada a quatro anos de prisão'

Do Dia online:
São Paulo - A Justiça condenou a empregada doméstica Angélica Aparecida Souza, 19 anos, a quatro anos de prisão em regime semi-aberto por ter tentado roubar um pote de manteiga no dia 16 de novembro de 2005, no Jardim Maia, em São Paulo.
De acordo com o jornal "Diário de S.Paulo", ela afirmou que o ato foi causado por desespero, porque ela não aguentava ver o filho de 2 anos passar fome. Angélica entrou no mercado e foi surpeendida pelo dono, Dadiel de Aráujo, com o pote de 200 gramas de manteiga escondida no boné.
A polícia foi acionada e Angélica passou 128 dias na cadeia de Pinheiros. Seu advogado, Nilton José de Paula, pediu liberdade provisória por quatro vezes, mas todas foram negadas. Ele recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça, alegando que sua cliente não tinha antecedentes. Depois de quatro meses, Angélica foi libertada. Mas agora, foi condenada a cumprir pena em regime semi-aberto.

Já o Janene com seus milhões...

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Crise nos aeroportos deixa bruxas trabalhando em terra

Eu acredito em bruxas, mas sei que elas não existem. Pois nem essas criaturas estão conseguindo decolar com suas vassouras dos aeroportos brasileiros. O que está me deixando intrigado. O festival de incompetências (do governo, da Aeronáutica, dos controladores, dos sindicatos, das companhias aéreas) há muito estava aí. No entanto, era como se não estivesse. Como as bruxas. Aviões partiam. Aviões chegavam. Um atraso ou outro. Barras de cereais e sanduíche nojento. Agora, coincidentemente, as incompetências são competentemente ajustadas para criar essa crise, que a cada dia nos surpreende com novas incompetências. Isso também me deixa intrigado.

Como a resposta mais "criativa" que o governo encontrou até o momento foi criar anteontem um "gabinete de crise", temo que ela vá se prolongar ainda mais. Poderiam pelo menos copiar aquelas placas que existem nos bares "Fiado só amanhã" e adaptá-las para serem afixadas nos aeroportos brasileiros:"Funcionamento normalizado só amanhã".

Mas que tem bruxa remexendo o caldeirão dessa crise, tem.

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Reportagem denuncia que C&A aproveita-se de trabalho degradante

Reportagem de Marques Casara, publicada na Revista do Observatório Social, denuncia que empresas contratadas pela multinacional holandesa C&A utilizam-se do trabalho de bolivianos que vivem clandestinos em São Paulo.
Os imigrantes são explorados por uma indústria bilionária e multinacional. Na ponta desta cadeia produtiva clandestina e precária está uma das mais tradicionais e conhecidas magazines do mundo. As lojas C&A vendem roupas costuradas por pessoas forçadas a atuar à margem da Lei, gente que não tem respeitados sequer os direitos fundamentais da pessoa humana.
A C&A sabe do problema há pelo menos um ano. Mesmo assim, continua se beneficiando, por intermédio de dezenas de malharias, de uma mão-de-obra extremamente precarizada. O importante é que as roupas cheguem ao consumidor de forma rápida e barata. Os imigrantes? Nem existem oficialmente. Não podem sequer reclamar, pois do contrário serão presos e podem até ser deportados.

Na chamada para a reportagem, fica-se sabendo que "Os trabalhadores são trazidos ao Brasil por intermediários conhecidos como 'coiotes', que ganham dinheiro contrabandeando gente de um país para outro. Pelo menos 100 mil bolivianos estão nesta situação na capital paulista.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, podem chegar a 80 os fornecedores suspeitos de usarem as malharias clandestinas para costurar as roupas. Centenas de etiquetas com marcas da C&A foram encontradas nesses locais pelas autoridades".

Portanto, antes de fazer suas compras de Natal na C&A, dê uma passada pela reportagem de Marques Casara, que pode ser lida aqui.

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Dicas de sites para quem gosta de Literatura

Não perca, hoje, no Blog do Mello - Letras. Clique na aba aí acima para ir até lá.

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Enquanto no Brasil aviões não sobem, nos EUA excesso de puns obriga avião a descer

Reportagem de O Globo

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O laptop de US $ 100 é realmente a melhor opção para o Brasil?

O engenheiro brasileiro Carlos Rocha, criador da urna eletrônica, acha que não. Para ele, isenção de impostos para a aquisição de produtos e tecnologia estrangeiros não é o melhor caminho para resolver o problema de acesso à internet e aos benefícios da TI para todos os brasileiros.

Em artigo publicado no G1 (que pode ser lido aqui), Rocha sugere uma solução original, que ao mesmo tempo já foi amplamente testada e aprovada na telefonia celular: o uso de "um cartão inteligente, que inserido em um terminal de acesso público oferece um serviço completo de alta qualidade". Em vez de tentar resolver o problema com a oferta de produtos (os tais laptops de US $100) a solução brasileira vê o problema pela ótica da oferta do serviço (o acesso através do cartão).

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No Brasil: A Farsa se repete como história

SeverinoEnquanto diz-se que a História se repete como farsa, no Brasil é o contrário, a farsa é que se repete como História. Explico-me. O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) corre por fora na disputa pela presidência da Câmara. Ele é discípulo de ninguém mais ninguém menos que Severino Cavalcanti, o rei do baixo clero, o homem do mensalinho no restaurante da Câmara. Ciro era corregedor da Câmara, na época da presidência severina. Portanto, essa disputa entre o atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e possíveis candidatos do PMDB e do PT pode jogar a presidência no colo de Ciro, exatamente como aconteceu daquela vez com o ex-deputado Severino Cavalcanti.

Aliás, por falar no Severino, vocês sabem que ele não se reelegeu, mas é primeiro suplente lá em Pernambuco. Basta que o governador convoque um deputado eleito da chapa de Severino para que ele volte à Câmara, de onde saiu pela porta dos fundos da renúncia.

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