Domingo com Música: As Aparências Enganam, de Tunai com Sergio Natureza, por Elis



Tunai morreu hoje no Rio, aos 69 anos


O cantor e compositor Tunai morreu hoje pela manhã no Rio, no bairro de Santa Tereza, onde morava.

Autor de inúmeros sucessos, como esta belíssima As Aparências Enganam, com letra de Sergio Natureza, aqui na interpretação de Elis Regina.

RIP, Tunai.

As Aparências Enganam

As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na fogueira das paixões!

Os corações pegam fogo e depois
Não há nada que os apague
Se a combustão os persegue
As labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão
O vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão
Sonhos vividos de conviver!

As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na geleira das paixões!

Os corações viram gelo e depois
Não há nada que os degele
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer
Não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer
Senão chorar sob o cobertor!

As aparências enganam
Aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo
Se irmanam no outono das paixões!

Os corações cortam lenha e depois
Se preparam para outro inverno
Mas o verão que os unira
Ainda vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira
Na reticente primavera
No insistente perfume
De alguma coisa chamada amor




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Perseguição a Glenn mostra que Vaza Jato não tem bala de prata contra Moro




Denúncia de Procurador a jornalista do Intercept é desafio aos arquivos da Vaza Jato


O que foi publicado de denúncias pelo Intercept Brasil, no caso conhecido como Vaza Jato, contra o juiz Moro e os procuradores da Lava Jato, em especial o procurador de deus Deltan Dallagnol, já seria suficiente para derrubar Moro e anular sua sentença contra Lula, em qualquer país que estivesse com sua democracia vigendo, e não sob golpe como o nosso.

É certo que o Intercept ainda tem muito material a ser divulgado (a imensa maioria dele, segundo seus responsáveis), mas a perseguição a Glenn Greenwald com a denúncia contra o jornalista por um procurador, que o acusa de auxiliar os hackers na invasão dos telefones de autoridades, é prova de que a bala de prata esperada, aquela que seria o batom na cueca de Moro, não está nos arquivos hackeados.



Com a prisão dos hackers, a Polícia Federal teve acesso ao material hackeado. A PF está subordinada ao juiz Moro e tem especialistas em escutas e transcrição de material a rodo, e eles já devem ter vasculhado a totalidade ou a grande maioria do material.

Como não foi achada a bala de prata, eles vão fustigar Glenn e forçar a corda, não para anular a sentença de Moro, mas toda a Vaza Jato, com a acusação de ser ilegal, deixando impunes Moro e os procuradores.

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Singela questão: Como virá a conta de água da CEDAE neste mês?


CEDAE oferece água suja e com forte odor à população do Rio desde o inicio do mês


Desde o início do mês, o morador do Rio de Janeiro sofre com o péssimo serviço oferecido pela Cedae, a Companhia Estadual de Água e com Esgoto do Rio de Janeiro.

Reportagens nos jornais, rádios e TVs mostram o sofrimento diário da população, filas nos supermercados em busca de água mineral, e o resultado concreto da água que chega à casa do povo do Rio.


De turva a mais escura que o cafezinho servido na maioria dos botecos da cidade, a água também tem cheiro ruim, do odor de barro ao de comida de urubu.

Especialistas, inclusive da Cedae, se pronunciam diariamente a respeito do problema real, imaginário, as causas e possíveis soluções (há inclusive os que acusam o pastor Everaldo, aquele que soltou um peido durante o Jornal Nacional, de ter repetido o ato na água do Rio, já que é o homem enviado por Heil Witzel para cuidar da Cedae).

No entanto, uma questão não é abordada e permanece em aberto até o momento:
- Terá a Cedae a cara de pau de cobrar pela merda que nos enviou o mês todo?

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Domingo com Música: Milton Nascimento, A Noite do Meu Bem, de Dolores Duran

Dolores Duran

Nestes tempos de grosseria e autoritarismo, a delicadeza de A Noite do Meu Bem, de Dolores Duran


Uma música típica daquela época, de um tempo do samba-canção, que teve em Dolores Duran uma de suas melhores compositoras e intérpretes.

A Noite do Meu Bem foi uma de suas últimas composições e também do samba-canção, sepultado pela nascente bossa nova.

Aqui, A Noite do Meu Bem é cantada por Milton Nascimento, com Wagner Tiso ao piano.

Na apresentação, Walmor Chagas fala também um pouco da vida e da carreira de Dolores.


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Não é Goebbels, é Goela. O secretário tem a boca grande

Goebbels discursa

A história se repete: da primeira vez, como tragédia; da segunda, como farsa


O Secretário Alvim fez um pronunciamento teatral emulando (com duplo sentido) Goebbels, jogando para a plateia interna (governo) e causando horror entre os democratas do mundo inteiro.

Mas ele de Goebbels só tem a pretensão. É um diretor de teatro e se fez ator para interpretar o papel que lhe cabe no governo neofascista (eleito mediante fraude) que nos assola.

Alvim nem mal havia assumido, quando arrumou uma boquinha milionária (R$ 3,5 milhões na Funarte) para sua esposa.

O escândalo foi tão evidente, que o butim foi cancelado - na verdade, adiado, como se verá. Afinal, Alvim garantiu que procura uma brecha para contratar a mulher.
Ontem, durante seu discurso a la Goebbels, Alvim lançou o Prêmio Nacional das Artes, um concurso nacional com premiações milionárias e com prazos tão apertados que, ou não pode ser sério, ou foi feito para um público-alvo a fim de rachadinhas, ou os dois.

Por exemplo: serão premiadas 5 óperas, uma de cada região do país. O prêmio para cada uma é de R$ 1,1 milhão. E as cinco óperas deverão estrear em setembro próximo, em comemoração ao aniversário da Independência.

Agora, como aprontar uma ópera neste curto tempo? As inscrições vão até março. O resultado sai em abril e a premiação em maio. Daí, cada uma das cinco óperas terá de aprontar orquestras e cantores e toda a produção de uma ópera em pouco mais de três meses. É sério?

Teatro, área original de Alvim, serão 25 peças com R$ 250 mil para cada uma, também com esse mesmo prazo.

O total em prêmios é de R$ 20 milhões e 625 mil.

Não é Goebbels, é Goela de boca grande. Pode ser por aí que surja a tal brecha que Alvim andava à procura...

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'O Judiciário se corrompe quando usa de seu poder para favorecer a corporação em prejuízo do interesse público'



O Judiciário brasileiro no banco dos réus


Não se pode falar em combate à corrupção brasileira sem dizer que ela se alastra também por um Judiciário corrompido por benesses indignas, ainda mais num país com milhões de pessoas abaixo da linha da miséria, como o nosso.

Excelente reflexão de Conrado Hübner Mendes publicada na Folha.
O juiz virtuoso não sai eticamente ileso 

Semana passada afirmei que a magistocracia age para a autopreservação de uma instituição corrupta. Corrupção não é apenas categoria jurídica para criminalizar o indivíduo que surrupia, mas conceito sociológico e moral para se classificar e avaliar instituições. O Judiciário se corrompe quando usa de seu poder para favorecer a corporação em prejuízo do interesse público.
Afirmei também que pornografia é a palavra apropriada para sintetizar não só a remuneração da magistocracia no contexto da desigualdade brasileira, mas os métodos pelos quais produz o Judiciário mais caro do mundo. Se você acha os salários pornográficos, procure saber sobre os métodos.
Dei exemplos: a magistocracia rentista é capaz de negociar constitucionalidade em troca de aumento; capaz de dizer, sem corar, que juiz não é qualquer um, que merece férias e auxílios extraordinários porque seu trabalho tem tipo e intensidade únicos.
Recorre também a artifícios de linguagem: não recebe aumento, mas “reposição inflacionária”; benefícios não são remuneratórios, mas “indenizatórios” (por isso não são tributados nem se sujeitam ao teto); grita “equiparação” para denunciar a injustiça de não ter salário igual a outra carreira qualquer.
A magistocracia não costuma dialogar em público, mas age nos bastidores. De lá chegam críticas. Como aquela que me escreveu, tempos atrás, um desembargador. Manifestou “veemente repúdio”. Afinal, entre milhares de juízes, a “grande maioria” seria “honesta, trabalhadora e dedicada”.
Disse também: “Jogadores de futebol ganham bilhões e ninguém fala nada”; “somos uma classe com baixo poder aquisitivo”; “o professor de Harvard, meu amigo Michael Sandel, ganha US$ 50 mil e ninguém diz nada por ser um talento”; “há mais coisas entre o céu e a magistratura do que se imagina”.
É uma resposta recorrente. O complexo do injustiçado aflige o juiz virtuoso.
Michael Sandel, quem diria, já palestrou no STF a respeito. E perguntou: “Qual das formas de corrupção é mais perniciosa à democracia, a explícita, como o recebimento de propinas, ou essa, na qual o dinheiro que corrompe a política é legal?”.
Pediu a juízes brasileiros um desempenho ético especial: “Tornem-se inspiração para que cidadãos pensem em seu próprio papel na democracia e em sua responsabilidade de se engajar em discussões sobre justiça, o bem comum e o que significa ser um cidadão”.
Sandel é especialista em justiça, não em sistema de justiça brasileiro. Se fosse, perceberia que o desafio de “inspirar pelo exemplo” é mais complexo do que pensava.
De um lado, há uma instituição que resiste a pressões de democratização interna e de controle externo, e se blinda por meio de práticas espúrias. De outro, há aquele juiz virtuoso e trabalhador que pergunta se há forma de se redimir eticamente dentro de instituição com vícios desse naipe.
A tensão entre ética individual e moralidade institucional ocupa pensadores há muito tempo. Ninguém sai eticamente ileso ao se beneficiar passivamente de um arranjo injusto. Essa máxima da filosofia moral vale para escolhas práticas em geral. Vale para mim e para você, conforme nossas circunstâncias, privilégios, poderes e atos. Vale também para a escolha de integrar qualquer instituição particular.
Enquanto o judiciário brasileiro continuar a aplicar seu repertório da baixa política para perpetuar sua estrutura antirrepublicana, o juiz virtuoso terá de resolver esse ônus ético consigo mesmo. A virtude privada e silenciosa, por si só, não o libera da responsabilidade dessa escolha.
Trabalhar no seu canto enquanto penduricalhos ilegais caem na conta bancária e colegas da cúpula fazem o jogo sujo que favorece a todos (como a liminar monocrática do auxílio-moradia, que nunca foi ao plenário do STF e custou em torno de R$ 5 bilhões), não bastará. Dizer que penduricalhos são legais porque assim disse o Judiciário, não bastará. Manuais chamam isso de enriquecimento ilícito.
Falta uma resposta digna do debate franco e horizontal. Com menos intimidação, mais respeito. Com mais informação, um pouco menos de barganha.

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Domingo com Música. Acabou Chorare, Novos Baianos

capa dos Novos Baianos, Acabou Chorare

Disco completo, que nunca cansei de ouvir desde a época do lançamento, em 1972




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Delegado morre sem ver justiça ser feita com Aécio, que segue impune

Delegado Rodrigo Bossi de Pinho

O delegado da polícia de Minas Rodrigo Bossi de Pinho morreu no primeiro dia do ano, vítima de câncer


Curiosamente, o homem que o delegado Rossi investigou obstinadamente, sob silêncio e ameaças da imprensa, polícia e Judiciário de Minas, Aécio Neves, quase morreu na passagem do réveillon também.

Segundo informou a imprensa (como acreditar na mídia corporativa quando se trata de um dos seus, como Aécio, Serra e FHC, por exemplo?), Aécio teve uma crise de apendicite. No Twitter, o comentário foi que a crise aconteceu no apêndice nasal...Aécio sobreviveu a mais essa crise.

Já o delegado Bossi não teve a mesma sorte. O câncer de esôfago acabou com sua vida no dia 1º do ano, sem que ele tivesse conseguido levar Aécio a pagar pelos crimes que teria cometido, e que outros cometeram para protegê-lo.

A repórter Conceição Lemes escreveu sobre a heróica luta do delegado e o vergonhoso papel da mídia e do Judiciário mineiros, no Viomundo.
O ano de 2020 começou mal.

Rodrigo Bossi de Pinho, ex-delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, encantou-se, como diria Guimarães Rosa.

Um câncer de esôfago, agressivo e com metástases, diagnosticado em fevereiro de 2019, levou-o no primeiro dia de janeiro.

Ele tinha apenas 51 anos.

À frente do Departamento de Fraudes, o delegado Bossi e equipe (ele a valorizava muito) conduziram as investigações  que desmascararam uma farsa de mais de uma década envolvendo a turma do tucano Aécio Neves (ex-governador,  ex-senador, atualmente deputado federal).

Eles demonstraram tanto a inocência do jornalista Marco Aurélio Carone, editor do NovoJornal, quanto do ex-lobista Nílton Monteiro.

Eles tinham plena convicção de que Carone e Nilton foram vítimas de uma organização criminosa que operou em Minas Gerais para perseguição política.

Carone ficou preso preventivamente de 20 de janeiro a 4 de novembro de 2014.

Nilton, de maio de 2013  a 4 novembro de 2014.

Em 14 de junho de 2018, voltou a ser encarcerado devido à condenação em segunda instância. Foi solto em 20 de dezembro do mesmo ano.

Meu primeiro contato com o doutor Rodrigo Bossi foi em 20 de março de 2018, via whatsapp.

Disse-lhe que gostaríamos de entrevistá-lo sobre as delações de Marcos Valério e Nilton Monteiro (ele começava a tocá-las) e principalmente a respeito das megapressões que estava  enfrentando.

Pudera. Estava lidando com todo o esquema de corrupção montado pelo grupo político de Aécio, com ramificações na Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Poder Judiciário.

Na sequência, trocamos estas mensagens:

— Gostaria muito de dar a entrevista, mas estão boicotando. Toda entrevista tem que ter autorização da Ascom [Assessoria de Comunicação]. Não estão liberando.

— Boicotando, como?

— Não estão me deixando falar. Têm o rabo preso. E, ainda por cima, estão conchavando para as eleições.

— Eles negam a entrevista e mandam eu dar a desculpa de que estou indisposto, tive um problema na família etc.

O delegado Rodrigo Bossi mexeu talvez no maior vespeiro do sistema político-judicial-policial mineiro, até então intocado.

Tanto que, àquela altura, já estava sendo perseguido dentro da instituição, atacado pela mídia local e por deputados suspeitos de corrupção. Até  ameaçado de morte pelo delegado Márcio Nabak, ele foi.

Mesmo diante de todo esse massacre, esferas maiores do governo Fernando Pimentel (PT) não liberavam o delegado para dar entrevista e colocar as coisas em pratos limpos.

Tampouco o defendiam.

Também não se moviam para conseguir direito de resposta às calúnias  recebidas por ele.

— Minha esposa está muito puta com tudo o que está acontecendo e vem escrevendo no Facebook — disse-me.

Na época, Sandra Fagundes Fernandino, é o nome da esposa, indignada com o ataque recebido pelo marido via O Estado de Minas, reagiu com um texto contundente em seu perfil do Facebook:

    Depois da morte chocante em que tentaram calar a Marielle Franco, hoje a bala foi disparada para calar meu marido, Rodrigo Bossi de Pinho, delegado chefe do Departamento de Fraudes da Polícia Civil de MG. Investigando fraudes cometidas nos processos que invalidaram a famosa “Lista de Furnas”, Rodrigo vem sendo perseguido por muitos, inclusive por membros e representantes da própria Polícia Civil, que direta ou indiretamente poderão ser afetados pelas suas investigações.

    Em casa, já estamos acostumados com boatos e informações inverídicas que correm nos bastidores da Polícia.

    Entretanto, o que me choca ainda mais, é ver o jornal Estado de Minas, se prestar a este tipo de perseguição baixa, sem fundamento, ouvindo um delegado que presidiu o inquérito no passado e que, provavelmente, está se sentindo ameaçado. E a reportagem vem bem no momento em que Marcos Valério assina a sua delação com o Dep. de Fraudes, garantindo ter provas que comprovam fatos da investigação.

    É chocante como parte da nossa imprensa ainda se presta ao papel infame de garantir o poder dos poderosos a qualquer custo e de desprezar a sua função primordial de informar a população. A foto [de Rodrigo com Nilton] foi tirada por um policial da Fraudes, que ao ser flagrado pelo próprio Rodrigo foi questionado, em tom de brincadeira, se ele iria vender a foto ao Márcio Nabak. E provavelmente foi o que aconteceu … mas Rodrigo não se importou em requisitar a foto, pois não tem relação pessoal nenhuma com o delatante da foto e nada tem a esconder.

    Mas a grande ironia da reportagem ficou para a sua última linha … em que menciona que o delegado Rodrigo não se pronunciou … A VERDADE É que ele nunca foi procurado pelo Estado de Minas para se defender. Se o Estado de Minas fosse um jornal sério, teria trocado esta última informação por INFORME PUBLICITÁRIO.

Mesmo sabendo que a provável resposta seria não, consultei as instituições.

Solicitei a entrevista à assessoria de imprensa da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais.

Frisei que o doutor Rodrigo havia concordado, mas que me alertou que era necessário antes a autorização da Ascom.

Disse também que ninguém da imprensa em Minas estava conseguindo entrevistar o delegado e perguntei: Existe restrição da própria instituição?

A assessoria de imprensa da Secretaria de Defesa Social enviou a demanda do Viomundo para a Ascom da Polícia Civil.

A resposta foi não, é claro.

Isso aconteceu pelo menos umas três vezes.

Infelizmente, além de alvo dos ataques do pesado esquema de Aécio Neves, doutor Rodrigo foi vítima do governo Pimentel, que sequer lhe deu o apoio prometido para levar adiante as investigações.

Diante de tudo isso, fiz-lhe a pergunta óbvia: Por quê?

Rápido, respondeu: Conceição, o Governo Aécio não acabou!
Leia mais no Viomundo, inclusive a emocionante despedida da esposa do delegado.

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Sonegação de R$ 3,8 bi do Itaú sumiu do JN, Folha, Globo, Estadão. Por que será?

Só negação Itaú

Sonegação bilionária do Itaú sumiu do noticiário


Os cisnes do laguinho do sítio de Atibaia, o barquinho de lata, as acusações contra Lula ocupavam minutos diários no JN e primeiras páginas dos jornalões. Até uma tapioca do ex-ministro Orlando Silva no cartão corporativo virou notícia.

Mas os R$ 3,8 bilhões que o Itaú teria sonegado aos cofres do município de São Paulo não merecem nem uma notinha de recordação. Como foi noticiada discretamente, agora sumiu de vez.

Onde os intrépidos repórteres batendo à porta dos diretores do Itaú que assinaram Assembleias em Poá sem nunca terem ido lá?

Não é um desfalque suposto, é comprovado por uma CPI e pela Secretaria Municipal de Fazenda de São Paulo.

Bilhões. 3,8 bilhões de reais.

O Blog do Mello segue lembrando e cobrando. Aliás, eles deveriam ser cobrados com aquele jurinho camarada do cartão de crédito deles (origem da fraude bilionária) de 13% ao mês, heim. Seria uma beleza...

Há um mês eu publiquei a postagem a seguir aqui. De lá pra cá, publiquei uma outra. Mas a mídia corporativa está em silêncio sepulcral.

Pesquisei no Google alguma citação na semana, e nada.
Publicação de 7 de dezembro de 2019 do BdoM:

Itaú montou organização criminosa para fraudar bilhões em impostos, diz CPI

A CPI da Sonegação Tributária da Câmara de São Paulo lançou a isca de uma minhoca e alcançou um tubarão. Daqueles gigantes. Simplesmente o maior banco brasileiro. O Itaú, que teve lucro de 7,15 bilhões de reais, no terceiro trimestre de 2019.

Agora, a CPI mostra que parte dos lucros do banco vem de fraude fiscal bilionária.É o que revela reportagem de Guilherme Seto, publicada na Folha.

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de sonegação tributária, realizada na Câmara Municipal de São Paulo, pede o indiciamento de 97 diretores do banco Itaú (e de empresas do grupo) por organização criminosa, crime contra a ordem tributária e falsidade ideológica.
O relatório final da CPI, concluído nesta quinta-feira (5), também solicita o bloqueio de bens dos indiciados.
A comissão encaminhará seu relatório e todo o material levantado para o Ministério Público do Estado de São Paulo com o pedido de que os representantes do banco respondam criminalmente pelas ilegalidades nas quais teriam incorrido de acordo com o grupo de vereadores.
(...)
Em novembro, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), multou o banco Itaú em R$ 3,8 bilhões por suposta fraude fiscal com base nas descobertas feitas pela CPI.
Relatório da prefeitura afirma que o banco “adotou, durante o período fiscalizado, intencionalmente a prática de simulação do seu estabelecimento no município de Poá atribuindo a uma modesta estrutura criada simplesmente para parecer operacional, o local de prestação de serviços”.
Segundo a prefeitura, o banco deixou de pagar ISS (Imposto Sobre Serviços), entre outros.
Presidente da CPI, o vereador Ricardo Nunes afirma que não seria possível organizar um esquema de sonegação fiscal de valores bilionários sem que a alta administração do Itaú tivesse conhecimento das operações. Por isso, ele sugere que havia uma organização criminosa com o objetivo de sonegar impostos da capital paulista.
"Havia dezenas de CNPJs do Itaú no mesmo endereço em Poá. Isso não é feito por acaso e não é feito sem que o alto escalão da organização saiba o que está sendo realizado. Foi tudo pensado para que a sonegação fiscal tivesse sucesso e assim eles pagassem menos impostos", diz Nunes.
"A comissão teve êxito porque foi atrás do espaço de decisão de onde partiram as ordens para a sonegação, ou seja, foi atrás dos executivos de alta patente, que estavam em São Paulo e não em Poá. Foi por isso que ela conseguiu recuperar valores bilionários para a cidade e, agora, propor um caminho para que ela continue a ter efeito com a ação do Ministério Público", diz o vereador Eduardo Tuma, do PSDB, presidente da Câmara e proponente da CPI.
A CPI descobriu também a existência de diretores fantasmas, criados pelo Itaú.
Sobre falsidade ideológica, o relatório da CPI cruza atas de assembleias assinadas por diretores de empresas do grupo Itaú relativas a reuniões em Poá e depoimentos dos mesmos diretores à CPI nos quais eles teriam afirmado que nunca estiveram nesse município.

Esta foi apenas uma descoberta da CPI e relacionada apenas a um banco em uma cidade. Imaginem uma investigação abrangente sobre os bancos, quantos outros não seriam flagrados na mesma mutreta por todo o país.

O Itaú mesmo, teria usado o esquema apenas em São Paulo, Poá?

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Funeral do general assassinado pelos EUA mostra tamanho do vespeiro em que Trump meteu o Ocidente

Funeral de Soleimani


Imagens tomadas de um helicóptero mostram multidão em funeral de Soleimani


As imagens da incrível concentração humana em apoio ao líder morto falam por si. Quando você pensa que, bom, agora acabou, vem mais. Confira.




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Domingo com Música. Todo Sentimento, com Selma Reis, lançamento da página do Youtube de Wilson Nunes

Wilson Nunes

Wilson Nunes lança página no Youtube



Finalmente, está no ar a página no Youtube do meu amigo e parceiro, o pianista, maestro, arranjador Wilson Nunes.

Por enquanto ainda há pouca coisa por lá, do muito que ele fez e está fazendo. Mas, aos poucos, tudo vai ficando em seu devido lugar.

Até uma parceria nossa, a belíssima Dinah, que espero que ele finalmente grave e publique no canal (olha aí, Wilson, mais uma vez eu pedindo...rsrs).

Vão até lá, curtam, e fiquem com esta amostra que publico aqui (e está lá), de Selma Reis cantando a belíssima Todo Sentimento, de Cristóvão Bastos e Chico Buarque, acompanhada apenas pelo piano de Wilson Nunes, que foi seu maestro e diretor musical por quase toda a carreira.

Clique aqui e inscreva-se na página do Wilson Nunes, como eu fiz.



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Janio de Freitas: 'Tudo o que importa para o presente e o futuro da nação e seu povo, foi devastado, abandonado, negado, traído em 2019'

Print manchete coluna de Janio de Freitas

Em sua coluna dominical na Folha, o jornalista critica governo Bolsonaro-Guedes


Leia a seguir trecho da coluna de hoje de Janio de Freitas:
Não incluí votos de Natal e de Ano-Novo, nem mesmo sisudos, nos textos recentes. Senti que, sem ressalvas, cometeria alguma hipocrisia, não crendo na possibilidade do que diria. E ressalvas não eram próprias para a ocasião. Não duvido de que parte das previsões otimistas para 2020 venha de convicções e esperanças verdadeiras —o que, em todo caso, não se confunde com fundamento. Não foi assim, porém, a maioria do que se leu e ouviu.

A sinceridade não é bem vista, com escassas hipóteses de exceção. Esse é um vício forte e muito difundido do jornalismo, não só o nosso. Os viciados constrangidos recorrem à dubiedade, ao negativo seguido da compensação positiva. Nada os impedindo, nem aos mais extremados, de mostrar nas suas relações o oposto do que escrevem ou dizem como profissionais.

A economia é um campo pródigo nesses tipos, muito mais extenso e nefasto do que qualquer outro. Nem por isso a prática é menos comum na política.

Nestes dias, um exemplo à mão: a imprensa e o jornalismo eletrônico dos Estados Unidos estão repletos de artigos críticos a Trump, pelo risco de guerra que abriu para provável neutralização do seu impeachment, mas também justificadores da pretensa defesa da honra nacional, ou coisas assim. “Tudo é relativo”, ouve-se cá e lá. Mentira. A integridade profissional, entre outras, não é.

As obrigações e programas sociais de governo foram devastados em 2019 e ainda mais esmagados por Paulo Guedes e Jair Bolsonaro no planejamento para 2020. O Bolsa Família perde R$ 2,5 bilhões. Foram reduzidos à metade os insuficientes recursos para fiscalização trabalhista, sendo o Brasil um caso escandaloso de desrespeito às normas e à segurança no trabalho.

O programa de Educação de Jovens e Adultos só recebeu em 2019 R$ 16 milhões até meados de dezembro, 1,6% do que já recebia em 2010, chegando em 2012 a R$ 1,6 bi, com fantástica recuperação de jovens e adultos que deixaram a escola.

A Presidência da República, que concentra a direção de toda a propaganda governamental, faz publicidade na CNN do avanço no programa de moradias proporcionadas pelo governo. É mentira. A verba para 2020 foi reduzida à metade da fixada para 2019, já cortada.

A saúde, o ensino universitário, o emprego, a cultura, o patrimônio histórico, a remuneração do trabalho, a conservação e a fiscalização ambiental, a infraestrutura, o saneamento, a população indígena —tudo isso, tudo o que importa para o presente e o futuro da nação e seu povo, foi devastado, abandonado, negado, traído em 2019, e está ainda mais roubado ao país no planejamento oficial do governo para 2020.

Votos de um ano feliz sob esta realidade e esta perspectiva exigem uma ponderação. Diretos, pessoais, são expressões de sentimentos afetuosos ou cordiais. É tão bom dizê-los como os receber. Ditos de público, sua generalização confunde-se com o próprio país. No caso, o país que se antevê frustrado, fracassado, demolido.

Há quatro meses, o ministro Celso de Mello, decano do Supremo, advertia: “Um novo e sombrio tempo se anuncia”. É nele que estamos. Por tudo o que o governo Bolsonaro-Guedes faz e começa a ampliar, nosso tempo sombrio não é sequer aquele do túnel, porque então haveria luz no seu fim. É no tempo sombrio de uma caverna que entramos.

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