Sonegação bilionária do Itaú sumiu do noticiário
Os cisnes do laguinho do sítio de Atibaia, o barquinho de lata, as acusações contra Lula ocupavam minutos diários no JN e primeiras páginas dos jornalões. Até uma tapioca do ex-ministro Orlando Silva no cartão corporativo virou notícia.
Mas os R$ 3,8 bilhões que o Itaú teria sonegado aos cofres do município de São Paulo não merecem nem uma notinha de recordação. Como foi noticiada discretamente, agora sumiu de vez.
Onde os intrépidos repórteres batendo à porta dos diretores do Itaú que assinaram Assembleias em Poá sem nunca terem ido lá?
Não é um desfalque suposto, é comprovado por uma CPI e pela Secretaria Municipal de Fazenda de São Paulo.
Bilhões. 3,8 bilhões de reais.
O Blog do Mello segue lembrando e cobrando. Aliás, eles deveriam ser cobrados com aquele
jurinho camarada do cartão de crédito deles (origem da fraude bilionária) de 13% ao mês, heim. Seria uma beleza...
Há um mês eu publiquei a postagem a seguir aqui. De lá pra cá, publiquei uma outra. Mas a mídia corporativa está em silêncio sepulcral.
Pesquisei no Google alguma citação na semana, e nada.
Publicação de 7 de dezembro de 2019 do BdoM:
Itaú montou organização criminosa para fraudar bilhões em impostos, diz CPI
A CPI da Sonegação Tributária da Câmara de São Paulo lançou a isca de
uma minhoca e alcançou um tubarão. Daqueles gigantes. Simplesmente o
maior banco brasileiro. O Itaú, que teve lucro de 7,15 bilhões de reais,
no terceiro trimestre de 2019.
Agora, a CPI mostra que parte dos lucros do banco vem de fraude fiscal
bilionária.É o que revela reportagem de Guilherme Seto, publicada na
Folha.
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de sonegação tributária,
realizada na Câmara Municipal de São Paulo, pede o indiciamento de
97 diretores do banco Itaú (e de empresas do grupo) por organização
criminosa, crime contra a ordem tributária e falsidade ideológica.
O relatório final da CPI, concluído nesta quinta-feira (5), também solicita o bloqueio de bens dos indiciados.
A comissão encaminhará seu relatório e todo o material levantado para
o Ministério Público do Estado de São Paulo com o pedido de que os
representantes do banco respondam criminalmente pelas ilegalidades nas
quais teriam incorrido de acordo com o grupo de vereadores.
(...)
Em novembro, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), multou o
banco Itaú em R$ 3,8 bilhões por suposta fraude fiscal com base
nas descobertas feitas pela CPI.
Relatório da prefeitura afirma que o banco “adotou, durante o período
fiscalizado, intencionalmente a prática de simulação do seu
estabelecimento no município de Poá atribuindo a uma modesta estrutura
criada simplesmente para parecer operacional, o local de prestação de
serviços”.
Segundo a prefeitura, o banco deixou de pagar ISS (Imposto Sobre Serviços), entre outros.
Presidente da CPI, o vereador Ricardo Nunes afirma que não seria
possível organizar um esquema de sonegação fiscal de valores bilionários
sem que a alta administração do Itaú tivesse conhecimento das
operações. Por isso, ele sugere que havia uma organização criminosa com o
objetivo de sonegar impostos da capital paulista.
"Havia dezenas de CNPJs do Itaú no mesmo endereço em Poá. Isso não é
feito por acaso e não é feito sem que o alto escalão da organização
saiba o que está sendo realizado. Foi tudo pensado para que a sonegação
fiscal tivesse sucesso e assim eles pagassem menos impostos", diz Nunes.
"A comissão teve êxito porque foi atrás do espaço de decisão de onde
partiram as ordens para a sonegação, ou seja, foi atrás dos executivos
de alta patente, que estavam em São Paulo e não em Poá. Foi por isso que
ela conseguiu recuperar valores bilionários para a cidade e, agora,
propor um caminho para que ela continue a ter efeito com a ação do
Ministério Público", diz o vereador Eduardo Tuma, do PSDB, presidente da
Câmara e proponente da CPI.
A CPI descobriu também a existência de diretores fantasmas, criados pelo Itaú.
Sobre falsidade ideológica, o relatório da CPI cruza atas de assembleias
assinadas por diretores de empresas do grupo Itaú relativas a reuniões
em Poá e depoimentos dos mesmos diretores à CPI nos quais eles teriam
afirmado que nunca estiveram nesse município.
Esta foi apenas uma descoberta da CPI e relacionada apenas a um banco em
uma cidade. Imaginem uma investigação abrangente sobre os bancos,
quantos outros não seriam flagrados na mesma mutreta por todo o país.
O Itaú mesmo, teria usado o esquema apenas em São Paulo, Poá?
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