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Se fosse julgado pelo juiz Moro o senador Moro perderia mandato

Em julgamento encerrado na noite desta terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou por unanimidade (7 votos a 0) a decisão do TRE do Paraná e absolveu o ex-juiz, atual senador Sergio Moro, da acusação de abuso do poder econômico nas eleições de 2022, levantada por PT e PL.

Todos os ministros do TSE seguiram o voto do relator pela absolvição de Moro. 

Mas uma coisa no voto do relator Floriano de Azevedo chama a atenção e poderia ser fatal para o hoje senador Moro, caso o ministro que o julgasse fosse o ex-juiz Sergio Moro:

Segundo o relator, os gastos de campanha de Moro "se mostram censuráveis, mormente por candidatos que empenharam a bandeira da moralidade na política". 

Porém, ponderou que para caracterizar uma conduta fraudulenta seria preciso mais do que o estranhamento, indícios, suspeitas ou convicção. "É preciso haver prova, e prova robusta", afirmou.
Taí: o senador Moro SÓ foi absolvido, porque o ministro relator e os demais não aceitaram condenar alguém apenas por convicção. É preciso prova e prova robusta.

Exatamente o que faltou na condenação do presidente Lula pelo juiz Sergio Moro. Lula foi condenado porque teria se corrompido recebendo o famoso triplex do Guarujá da construtora OAS. Como o imóvel não estava em nome de Lula (o que seria a prova da corrupção) e para justificar sua sentença Moro condenou Lula por ocultação de patrimônio. 

Lula teve a vida vasculhada. Não apenas a dele, mas de toda a família. Até o laptop do netinho foi confiscado para averiguação. Nada foi encontrado. Mas como havia a convicção, a conclusão lógica é que, se não foi achado é porque estava oculto... 

Dedução típica de agente secreto português de piada. Mas que condenou Lula à prisão, à sua impossibilidade de concorrer à presidência nas eleições de 2018, que acabou dando a vitória a Bolsonaro, de quem o ex-juiz Sergio Moro virou ministro da Justiça.

Se o senador Moro fosse julgado ontem no TSE pelo ex-juiz Moro, seria condenado por convicção, sem provas. 

Ainda bem para Moro que nenhum dos ministros que o absolveram agiu como ele.

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Empresário afirma ter provas de que Moro e Dallagnol o obrigaram a fazer acusações falsas a José Dirceu e ao PT

Tony Garcia é um empresário que afirma dede o meio do ano passado ter sido chantageado pelo ex-juiz Sergio Moro por duas décadas. 

A veracidade das gravíssimas acusações que faz a Sergio Moro consta dos autos de um processo que estão agora em poder do ministro Toffoli, no STF, segundo o empresário.

Tony Garcia acusa o hoje senador Sergio Moro de ter criado uma Guantánamo em Curitiba, em referência à prisão que os Estados Unidos mantêm em Cuba, onde prisioneiros são torturados (Leia aqui: EUA mantêm centro de treinamento de tortura com cobaias humanas em Guantánamo, denuncia The Guardian). 

O empresário diz que foi mantido refém por duas décadas, sendo utilizado por Moro para grampear pessoas, fazer delações dirigidas por Moro, com o objetivo declarado de prejudicar o PT, incluindo a prisão de Lula e até o impeachment de Dilma.

Há de tudo um pouco, até uma "festa da cueca", que teria acontecido na suíte presidencial do Hotel Bourbon em Curitiba, onde desembargadores do TRF-4 (a segunda instância dos casos do Paraná) foram gravados de camisa social, gravata, sapatos, meias e cuecas numa alegre festa com prostitutas, após um jogo da seleção brasileira de futebol. Segundo Garcia, Moro tinha os desembargadores sob chantagem com as imagens. Daí se explica, talvez, o recorde mundial de um dos desembargadores que conseguiu ler todo o processo de Lula num prazo que corresponderia a ler duas mil páginas por hora, ininterruptamente, por 24 horas, durante três dias.

Ontem, em seu perfil no X, ex-Twitter, o empresário se colocou à disposição da defesa de José Dirceu, no pedido de suspeição que este levanta sobre Moro:

ATENÇÃO @ZeDirceu_ @LulaOficial @gleisi O jornalista @guilherme_amado diz que José Dirceu pediu ao ministro @gilmarmendes a suspeição de @SF_Moro que o condenou em dois processos da Lava Jato. Posso afirmar e provar perante a justiça que fui OBRIGADO por @SF_Moro em CONLUIO com @deltanmd Januário Paludo e Carlos Fernando a dar entrevista para a revista Veja em 2005 com acusações FORJADAS por eles imputando culpa a José Dirceu. O roteiro dizia que fui testemunha ocular de dinheiro em espécie dentro de um jatinho, o qual, seria entregue a Zé Dirceu e ao @ptbrasil em SP. Caso me recusasse, seria preso e teria acordo quebrado. Diante da gravidade desse acontecimento histórico, me sinto na obrigação de me colocar a disposição da defesa de José Dirceu em me arrolar como testemunha onde apresentarei provas do início da perseguição implacável de Moro, Deltan e MPF-PR contra o PT usando Zé Dirceu. Só posso tornar público essas acusações graças ao Dr. Appio que remeteu meu acordo ao STF, caso contrário, esses criminosos ficariam impunes.

Com a palavra, a Justiça.

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Suspeição de Moro vai ser julgada hoje pela 2a Turma do STF. Placar está 2 a 2


O novo ministro do STF, Nunes Marques, já se considerou informado o suficiente e com condições de votar. Então, volta à pauta hoje a votação do julgamento do HC 164.493, em que a defesa de Lula sustenta que Moro foi parcial em seus casos e por isso pede a anulação dos atos do juiz em suas ações penais.

No início do mês, o pedido foi posto em votação. Já haviam votado antes os ministros Fachin e Carmen Lúcia, ambos contra o HC. Mas na última votação, os ministros Lewandowski e Gilmar Mendes empataram o placar, com um voto histórico em que Gilmar Mendes demoliu o ex-Sergio Moro. Foi quando Nunes Marques pediu vistas do processo.
 
Pelo placar, seu voto será decisivo para um dos lados. Acontece que, na última sessão, a ministra Cármen Lúcia disse que votaria de novo. Há a expectativa de que ela mude seu voto em favor do HC, pois se mostrou muito indignada e fez coro com o ministro Gilmar Mendes em algumas ocasiões de seu voto.
 
Caso isso aconteça, o placar pode ser 4 a 1 ou 3 a 2 em favor do HC de Lula, anulando, portanto, todas as sentenças e processos de Moro contra o presidente, por ser considerado parcial (em linguagem do povão, juiz ladrão). 
 
Caso Carmen Lúcia mantenha seu voto e Nunes Marques vote contra o HC, Moro se livra. Por enquanto.



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Entenda por que retomada da negociação da PGR de delação premiada de Tacla Durán deixa Moro tão nervoso


O procurador-geral da República Augusto Aras retomou a negociação de um acordo de delação premiada com o advogado Rodrigo Tacla Duran, que mira um amigo do ex-ministro da Justiça Sergio Moro e pode ser usada para atacá-lo. Duran afirmou ter pagado dinheiro a Zucolotto [amigo, padrinho de casamento de Moro e sócio da "conje" - BdoM] para obter vantagens em seu acordo de delação premiada com a Lava-Jato em 2016. [O Globo]
O Blog do Mello tem uma série de postagens sobre o caso Tacla Durán, Moro, Lava Jato. Em 18 de junho de 2019, há quase um ano, publiquei:

Em entrevista ao jornalista Jamil Chade na Espanha, onde vive, o advogado Tacla Durán afirma que pagou US$ 612 mil de cala-boca ao advogado Marlus Arns, que foi sócio de um escritório de advocacia com a mulher de Moro, Rosângela, e o advogado Carlos Zucolotto Junior, padrinho de casamento e amigo do peito do casal Moro.

Tacla Durán disse que pagou para não ser preso e que estava sendo extorquido em US$ 5 milhões pela turma da Lava Jato.

Para quem não se recorda, Durán foi aquele que acusou com provas uma negociação com o padrinho de casamento do casal Moro, Zucolotto, que arranjou a diminuição de uma multa que Durán deveria pagar de US$ 15 milhões para US$ 5 milhões e mais US$ 5 milhões, "por fora" (deixou claro), para o esquema da Lava Jato de Curitiba.

Print mensagens Zuccoloto e Tacla Duran


O caso rendeu uma CPI em que Durán mostrou prints da conversa [acima]. Leia sobre isso aqui: Tacla Durán entrega à CPI fotos de mensagens em que padrinho de Moro pede US$ 5 milhões de propina para favorecê-lo na Lava Jato,

No entanto, nem Moro nem a Lava Jato acharam que havia irregularidade alguma. Moro chegou a dizer que não se devia levar em consideração as declarações de um bandido, sendo que condenou o ex-presidente Lula exatamente baseado na delação de um.

Entende por que Moro fica tão, quack, nervoso?

Leia o que o Blog do Mello publicou sobre Tacla Durán clicando aqui






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Perseguição a Glenn mostra que Vaza Jato não tem bala de prata contra Moro




Denúncia de Procurador a jornalista do Intercept é desafio aos arquivos da Vaza Jato


O que foi publicado de denúncias pelo Intercept Brasil, no caso conhecido como Vaza Jato, contra o juiz Moro e os procuradores da Lava Jato, em especial o procurador de deus Deltan Dallagnol, já seria suficiente para derrubar Moro e anular sua sentença contra Lula, em qualquer país que estivesse com sua democracia vigendo, e não sob golpe como o nosso.

É certo que o Intercept ainda tem muito material a ser divulgado (a imensa maioria dele, segundo seus responsáveis), mas a perseguição a Glenn Greenwald com a denúncia contra o jornalista por um procurador, que o acusa de auxiliar os hackers na invasão dos telefones de autoridades, é prova de que a bala de prata esperada, aquela que seria o batom na cueca de Moro, não está nos arquivos hackeados.



Com a prisão dos hackers, a Polícia Federal teve acesso ao material hackeado. A PF está subordinada ao juiz Moro e tem especialistas em escutas e transcrição de material a rodo, e eles já devem ter vasculhado a totalidade ou a grande maioria do material.

Como não foi achada a bala de prata, eles vão fustigar Glenn e forçar a corda, não para anular a sentença de Moro, mas toda a Vaza Jato, com a acusação de ser ilegal, deixando impunes Moro e os procuradores.

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'Moro é um mentiroso patológico', Glenn Greenwald

Moro na reportagem da Vaza Jato

Jornalista respondeu a tuíte de Moro acusando a Vaza Jato de mentirosa


No Twitter, o ministro da Justiça Sergio Moro criticou reportagem da Vaza Jato que o mostrava dirigindo operações da PF, o que ele sempre negou, como na mensagem mostrada a seguir.

Glenn respondeu no mesmo veículo:




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Duvivier indica 3 obras de não ficção a Moro. 'Afinal, de ficção já bastam suas sentenças'

Sergio Moro na fumaça

Gregorio Duvivier escreve artigo carregado de ironia sobre (ou melhor seria 'contra'?) o ex-juiz, ex-herói, justiceiro de Curitiba Sergio Moro


Três biografias para Sergio Moro


Querido Sergio Moro, vi que você gosta de ler biografias, mas ainda assim não consegue citar nenhuma. Entendo a dificuldade: imagino que esteja muito empenhado tentando salvar a sua. Tomo a liberdade de indicar três obras de não ficção —afinal de ficção já bastam suas sentenças.

“O Tiradentes”, do Lucas Figueiredo, conta a vida de um herói nacional —aquilo que você imaginou que viria a ser, antes de virar figurante de chanchada. Com base em documentos oficiais, Figueiredo perfila esse preso político, único condenado de fato pela conspiração da qual ele era, coincidentemente, o mais desvalido dos integrantes.

Seu advogado Dr. Oliveira Fagundes fez todo o showzinho da defesa e compôs uma peça sólida, ignorada pelo juiz português —que, só se descobriu depois, tinha chegado ao Rio, meses antes, com a sentença já escrita. Tudo, acredite se quiser, se baseava em delações. O primeiro delator, Joaquim Silvério dos Reis, um dos homens mais ricos e endividados da colônia, teve suas dívidas perdoadas —mais ou menos como você perdoou, duas vezes, o doleiro Alberto Youssef.

A corte também fez vista grossa pros conspiradores do Estado, que não eram poucos. Talvez lhe parecerá estranho, mas lembra que você perdoou até o Onyx.

Mas, claro, é preciso ser justo: ele se arrependeu.

Vários foram os juízes que condenaram Tiradentes e, ainda assim, ninguém se lembra do nome de nenhum. Isso pode te servir de consolo. Mesmo orquestrando uma farsa que elegeu o homem que hoje te emprega, existem fortes chances de que a história te esquecerá.

Mas talvez esteja cansado de política brasileira. “Medo”, do Bob Woodward, não é exatamente uma biografia, mas a história das eleições em que um bufão chegou ao poder. À sua volta, todos pensam que poderão usá-lo, sem perceber que legitimaram um autocrata que os descartará na primeira oportunidade.

Deviam ter suspeitado: não há papel mais triste —nem mais ingrato— que o de ajudante de bufão.

Pra terminar, vale ler “Cartas da Prisão”, de Nelson Mandela. A coletânea de cartas publicada pela Todavia conta a história de um líder político que passou 27 anos na prisão após uma condenação. Desculpa o spoiler: o sujeito sai da prisão ainda maior do que entrou, e termina presidente do país que o prendeu.

Ah, não está ali o nome do juiz que o condenou. Ufa.


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