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Do aniversariante do dia Eduardo Galeano, O Paradoxo Andante


O uruguaio Eduardo Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 e morreu em 2015. Seu mais conhecido livro é Veias Abertas da América Latina. 
 
É de Galeano o seguinte texto.

O paradoxo andante

Por Eduardo Galeano

Cada dia, ao ler os jornais, assisto a uma aula de história.

Os jornais ensinam-me pelo que dizem e pelo que silenciam.

A história é um paradoxo andante. A contradição move-lhe as pernas. Talvez por isso os seus silêncios digam mais que as suas palavras e muitas vezes as suas palavras revelam, mentindo, a verdade.

Dentro em breve será publicado um livro meu chamado Espejos [Espelhos]. É algo assim como uma história universal, e desculpem o atrevimento. "Posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo, do ponto de vista dos que não apareceram na foto.

Pode-se dizer que não se trata de fatos muito conhecidos.

Resumo aqui alguns, apenas uns poucos.

* * *

Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para África, não para Paris.

Algum tempo depois, quando os seus filhos já se tinham lançado pelos caminhos do mundo, foi inventada a escrita. No Iraque, não no Texas.

Também a álgebra foi inventada no Iraque. Fundou-a Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algoritmo e algarismo derivam do seu nome.

Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam. No British Museum, por exemplo, as esculturas do Parténon chamam-se "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.

As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, tinham sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.

Os hindus souberam antes de todos que a Terra era redonda e os maias tinham criado o calendário mais exato de todos os tempos.

* * *

Em 1493, o Vaticano presenteou a América à Espanha e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Naquele tempo, a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha e a África negra cem vezes mais que Portugal.

Tal como ordenara o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.

* * *

Tenochtitlán, o centro do império asteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade pedra por pedra e, com os escombros, tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. Agora, Tenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, correm agora os automóveis.

* * *

O monumento mais alto da Argentina foi erguido em homenagem ao general Roca, que no século XIX exterminou os índios da Patagônia.

A avenida mais longa do Uruguai tem o nome do general Rivera, que no século XIX exterminou os últimos índios charruas.

* * *

John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.

No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos bourbons, Felipe V, inaugurou o seu reinado assinando um contrato com o primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca ficava com 25 por cento dos lucros.

Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.

Dois dos Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém se recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris. A amnésia recompensou os seus actos. Carter foi a única personalidade eminente da independência que libertou os seus escravos. Morris, redactor da Constituição, opôs-se à cláusula que estabelecia que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.

"O nascimento de uma nação" , a primeira superprodução de Hollywood, foi estreado em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, aplaudiu-a de pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvor ao Ku Klux Klan.

* * *

Algumas datas:

Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. As suas vozes eram impuras, devido àquele caso da Eva e do pecado original.

No ano de 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então acarretavam a perda da fidalguia.

Até ao ano de 1986 foi legal o castigo das crianças, nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e cacetes.

* * *

Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, em 1793 a Revolução Francesa proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A militante revolucionária Olympia de Gouges propôs então a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. A guilhotina cortou-lhe a cabeça.

Meio século depois, outro governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um a favor.

* * *

A imperatriz cristã Teodora nunca disse que era uma revolucionária, nem nada que se parecesse. Mas há mil e quinhentos anos o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.

* * *

O general Ulisses Grant, vencedor da guerra do Norte industrial contra o Sul escravagista, foi a seguir presidente dos Estados Unidos.

Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu:

- Dentro de duzentos anos, quando tivermos obtido do protecionismo tudo o que ele nos pode proporcionar, também nós adotaremos a liberdade de comércio.

Assim sendo, em 2075, o país mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.

* * *

"Lootie", ("Saquezinho") foi o primeiro cão pequinês a chegar à Europa.

Viajou para Londres em 1860. Os ingleses batizaram-no assim porque era parte do saque extorquido à China no fim das longas guerras do ópio.

Vitória, a rainha narcotraficante, tinha imposto o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida num país de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.

Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. Ao final de uma guerra de cinco anos, este país, o único das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou a sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, vindo de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indenização ao Brasil, à Argentina e ao Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos pelo trabalho que tinham tido a assassiná-lo.

* * *

O Haiti também pagou uma enorme indenização. Desde que em 1804 conquistou a sua independência, a nova nação arrasada teve de pagar à França uma fortuna, durante um século e meio, para expiar o pecado da sua liberdade.

* * *

As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, o Supremo Tribunal de Justiça estendeu os direitos humanos às corporações privadas, e assim continua a ser.

Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos das suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo.

Então, Mark Twain, dirigente da Liga Anti-imperialista, propôs uma nova bandeira, com caveirinhas em vez de estrelas. E outro escritor, Ambroce Bierce, confirmou:

- A guerra é o caminho escolhido por Deus para nos ensinar geografia.

* * *

Os campos de concentração nasceram em África. Os ingleses iniciaram a experiência, e os alemães desenvolveram-na. Depois disso, Hermann Göring aplicou na Alemanha o modelo que o seu pai tinha testado, em 1904, na Namíbia. Os mestres de Joseph Mengele tinham estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. As cobaias eram todas negras.

* * *

Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou o jogo.

* * *

Não faltaram amigos a Hitler. A Rockefeller Foundation financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi. A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possível a identificação e a classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.

* * *

Em 1953, explodiu o protesto operário na Alemanha comunista.

Trabalhadores tomaram as ruas e os tanques soviéticos dedicaram-se a calar-lhes a boca. Então Bertolt Brecht sugeriu: Não seria mais fácil que o governo dissolvesse o povo e elegesse outro?

* * *

Operações de marketing. A opinião pública é o target. As guerras vendem-se mentindo, tal como se vendem os carros.

Em 1964, os Estados Unidos invadiram o Vietnam, porque o Vietnam tinha atacado dois navios dos Estados Unidos no Golfo de Tonkin. Quando a guerra já tinha trucidado uma multidão de vietnamitas, o ministro da Defesa, Robert McNamara, reconheceu que o ataque de Tonkin não existira.

Quarenta anos depois, a história repetiu-se no Iraque.

* * *

Milhares de anos antes da invasão norte-americana levar a civilização ao Iraque, nesta terra bárbara nasceu o primeiro poema de amor na história mundial. Na língua suméria, escrito no barro, o poema narrou o encontro de uma deusa e um pastor. Inanna, a deusa, amou nessa noite como se fosse mortal. Dumuzi, o pastor, foi imortal enquanto durou essa noite.

* * *

Paradoxos andantes, paradoxos estimulantes:

O Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas esculturas da era colonial americana.

O livro de viagens de Marco Polo, aventura da liberdade, foi escrito na prisão em Gênova.

"Don Quixote de La Mancha", uma outra aventura da liberdade, nasceu na prisão de Sevilha.

Foram netos de escravos os negros que criaram o jazz, a mais livre das músicas.

Um dos melhores guitarristas de jazz, o cigano Django Reinhardt, só tinha dois dedos na sua mão esquerda.

Não tinha mãos Grimod de Reynière, o grande mestre da cozinha francesa. Com garfos escrevia, cozinhava e comia.

Obs.: tradução foi feita por Luis Leiria e tirada da publicação no esquerda.net. Copiei daqui.







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Rachadinha com auxílio emergencial financiou campanha de Carlos Bolsonaro


Se tem coisa que a família Bolsonaro gosta é de um rachuncho com dinheiro público. Além das graves acusações contra Flávio e Jair Bolsonaro de se beneficiarem do esquema de rachadinhas na Câmara e do uso de esquema semelhante por Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, há agora a informação de que a campanha a vereador do Carluxo, como é conhecido Carlos Bolsonaro, teria recebido doações de 63 pessoas que recebiam o auxílio emergencial, distribuído durante a pandemia a pessoas que teoricamente estariam atravessando dificuldades financeiras, portanto, sem condições de fazer doações a políticos. 
A campanha do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, recebeu doação de 63 beneficiários do auxílio emergencial do governo federal.

O valor total entregue por esse grupo, por meio de um site de financiamento coletivo, foi de R$ 2.836, parcela pequena do total de R$ 110 mil gastos pelo filho de Jair Bolsonaro.

Defesa do vereador disse que não teria como verificar se doador é ou não beneficiário do programa. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio aprovou as contas do vereador. [UOL]
Não se sabe de outros políticos que tenham se beneficiado dessa rachadinha entre os recebedores do auxílio, mas essa seria apenas mais uma das incríveis coincidências que cercam a família Bolsonaro, como o assassino de Marielle ser vizinho de condomínio do presidente, vários milicianos terem parentes contratados pela família para a prática da rachadinha, os R$89 mil depositados por Queiroz e esposa na conta da mulher de Jair Bolsonaro, Michele, Queiroz ser encontrado no sitio do advogado da família Bolsonaro etc.
 
Tudo coincidência. Ou prática de crimes continuados.
 
Até quando?




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Gabinete de Ódio de Bolsonaro é financiado por organizações internacionais, diz ministro do STF Dias Toffoli


Numa entrevista à TV Bandeirantes, o ministro do STF Dias Toffoli afirmou que soube por seu colega de Supremo ministro Alexandre de Moraes que as investigações sobre o Gabinete de Ódio de Bolsonaro mostram que o grupo recebia apoio financeiro internacional. 
 
Toffoli disse que não podia adiantar mais informações, mas que era bastante grave o apoio de entidades de outros países buscando interferir na vida política brasileira, incitando ataques à classe política e ao Supremo.
 
Não é preciso ser nenhum bidu para deduzir de que país são essas fontes internacionais de financiamento: basta ver para onde fugiram alguns dos membros já denunciados: Estados Unidos.




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Reclamaram que governo só gastou 30% da verba da COVID. Agora Bolsonaro vai gastar os outros 70% em compras no Congresso


Esta semana explodiu a bomba: com a morte de mais de 85 mil brasileiros e mais de 2,3 milhões de infectados, falta de equipamentos, medicamentos e insumos básicos para o tratamento de doentes, o ministério da Saúde havia gasto menos de 30% da verba empenhada.

Bolsonaro, que de bobo não tem nada, está tratando de resolver o problema. Vai usar todos os 70% restantes em compras no Congresso, com a verba carimbada "COVID".

É o que se deduz de denúncia do senador Major Olímpio (PSL-SP), bolsonarista raiz, que anda decepcionado com Bolsonaro.

Durante o Jornal das Dez da GloboNews, na noite de quinta, o senador disse que  um representante do governo Bolsonaro ofereceu R$ 30 milhões em emendas parlamentares no Senado.
"No Senado foram oferecidos, sim, a inúmeros senadores, R$ 30 milhões para indicar nas suas bases políticas. Te mando a planilha com 11 itens e até com orientação para escrever na planilha 'Covid 19', no começo de junho para pagar e já pagou agora em julho. "Foi o toma lá, não teve o dá cá, mas com dinheiro do Covid, sim", acrescentou o senador", [G1]
Não deve estar acontecendo coisa diferente na Câmara, onde dormem esmagados sob as nádegas do presidente da Casa, Rodrigo Botafogo Maia, os 50 tons de cinza dos pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Enquanto isso, o povo vai pras ruas, se infecta, toma sua cloroquina, uns morrem outros não, como "uns dias chove, noutros dias bate sol, mas o que eu quero lhe dizer é que a coisa aqui tá preta"...



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Carta de Frei Betto a amigos do exterior: 'Queridos amigos e amigas, no Brasil ocorre um genocídio!'



Na íntegra, carta de Frei Betto a seus amigos e amigas no exterior denunciado o genocídio que acontece no país sob Bolsonaro.      
Queridos amigos e amigas:

      No Brasil ocorre um genocídio! No momento em que escrevo, 16/7, a Covid-19, surgida aqui em fevereiro deste ano, já matou 76 mil pessoas. Já são quase 2 milhões de infectados. Até domingo, 19/7, chegaremos a 80 mil vítimas fatais. É possível que agora, ao você ler este apelo dramático, já cheguem a 100 mil.
      
Quando lembro que na guerra do Vietnã, ao longo de 20 anos, 58 mil vidas de militares usamericanos foram sacrificadas, tenho o alcance da gravidade do que ocorre em meu país. Esse horror causa indignação e revolta. E todos sabemos que medidas de precaução e restrição, adotadas em tantos outros países, poderiam ter evitado tamanha mortandade.
      
Esse genocídio não resulta da indiferença do governo Bolsonaro. É intencional. Bolsonaro se compraz da morte alheia. Quando deputado federal, em entrevista à TV, em 1999, ele declarou: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil”.
      
Ao votar a favor do impeachment da presidente Dilma, ofertou seu voto à memória do mais notório torturador do Exército, o coronel Brilhante Ustra.
      
Por ser tão obcecado pela morte, uma de suas principais políticas de governo é a liberação do comércio de armas e munições. Questionado à porta do palácio presidencial se não se importava com as vítimas da pandemia, respondeu: "Não estou acreditando nesses números" (27/3, 92 mortes); "Todos nós iremos morrer um dia" (29/3, 136 mortes); "E daí? Quer que eu faça o quê?" (28/4, 5.017 mortes).
      
Por que essa política necrófila? Desde o início ele declarou que o importante não era salvar vidas, e sim a economia. Daí sua recusa em decretar lockdown, acatar as orientações da OMS e importar respiradores e equipamentos de proteção individual. Foi preciso a Suprema Corte delegar essa responsabilidade a governadores e prefeitos.
      
Bolsonaro sequer respeitou a autoridade de seus próprios ministros da Saúde. Desde fevereiro o Brasil teve dois, ambos demitidos por se recusarem a adotar a mesma atitude do presidente. Agora, à frente do ministério, está o general Pazuello, que nada entende de questão sanitária; tentou ocultar os dados sobre a  evolução dos números de vítimas do coronavírus; empregou 38 militares em funções importantes do ministério, sem a requerida qualificação; e cancelou as entrevistas diárias pelas quais a população recebia orientação.
      
Seria exaustivo enumerar aqui quantas medidas de liberação de recursos para socorro das vítimas e das famílias de baixa renda (mais de 100 milhões de brasileiros) jamais foram efetivadas.
      
As razões da intencionalidade criminosa do governo Bolsonaro são evidentes. Deixar morrer os idosos, para economizar recursos da Previdência Social. Deixar morrer os portadores de doenças preexistentes, para economizar recursos do SUS, o sistema nacional de saúde. Deixar morrer os pobres, para economizar recursos do Bolsa Família e de outros programas sociais destinados aos 52,5 milhões de brasileiros que vivem na pobreza e aos 13,5 milhões que se encontram na extrema pobreza. (Dados do governo federal).
      
Não satisfeito com tais medidas letais, agora o presidente vetou, no projeto de lei sancionado a 3/7, o trecho que obrigava o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais, templos religiosos e instituições de ensino. Vetou também a imposição de multas para quem descumprir as regras e a obrigação do governo de distribuir máscaras para os mais pobres, principais vítimas da Covid-19, e aos presos (750 mil). Esses vetos, no entanto, não anulam legislações locais que já estabelecem a obrigatoriedade do uso de máscara.
      
Em 8/7, Bolsonaro derrubou trechos da lei, aprovada pelo Senado, que obrigavam o governo a fornecer água potável e materiais de higiene e limpeza, instalação de internet e distribuição de cestas básicas, sementes e ferramentas agrícolas, para aldeias indígenas. Vetou também verba emergencial destinada à saúde indígena, bem como facilitar o acesso de indígenas e quilombolas ao auxílio emergencial de 600 reais (100 euros ou 120 dólares) por três meses. Vetou ainda a obrigação de o governo oferecer mais leitos hospitalares, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea a povos indígenas e quilombolas.
      
Indígenas e quilombolas têm sido dizimados pela crescente devastação socioambiental, em especial na Amazônia.
      
Por favor, divulguem ao máximo esse crime de lesa-humanidade. É preciso que as denúncias do que ocorre no Brasil cheguem à mídia de seu país, às redes digitais, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, e ao Tribunal Internacional de Haia, bem como aos bancos e empresas que abrigam investidores tão cobiçados pelo governo Bolsonaro.
      
Muito antes de o jornal The Economist fazê-lo, nas redes digitais trato o presidente por BolsoNero – enquanto Roma arde em chamas, ele toca lira e faz propaganda da cloroquina, remédio sem nenhuma eficácia científica contra o novo coronavírus. Porém, seus fabricantes são aliados políticos do presidente...
      
Agradeço seu solidário interesse em divulgar esta carta. Só a pressão vinda do exterior será capaz de deter o genocídio que assola o nosso querido e maravilhoso Brasil.
      
Fraternalmente,
Frei Betto

Frei Betto é frade dominicano e escritor, assessor da FAO e de movimentos sociais.




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Domingo com Música. Jovens chilenas cantam 'O Estado opressor é um macho estuprador'

Letra da canção denúncia do grupo Lastesis

Jovens chilenas saem às ruas em performance denunciando o machismo


O Colectivo Lastesis faz várias intervenções como esta pelas ruas do Chile denunciando o machismo, a violência e a opressão do estado.

Eu havia pensado em programar outra postagem musical hoje, mas a urgência do movimento se impôs.


“Um estuprador em seu caminho”
O patriarcado é um juiz
Que nos castiga por nascer
E nosso castigo
É a violência que você não vê
O patriarcado é um juiz
Que nos castiga por nascer
E nosso castigo
É a violência que você não vê
É o feminicídio
Impunidade para o assassino
É a desaparição
É o estupro
E a culpa não era minha, nem de onde eu estava, nem de como me vestia
E a culpa não era minha, nem de onde eu estava, nem de como me vestia
E a culpa não era minha, nem de onde eu estava, nem de como me vestia
E a culpa não era minha, nem de onde eu estava, nem de como me vestia
O estuprador era você
O estuprador é você
São os pacos [policiais militarizados]
Os juízes
O Estado
O presidente
O Estado opressor é um macho estuprador
O Estado opressor é um macho estuprador
O estuprador era você
O estuprador é você
Dorme tranquila
Menina inocente
Sem se preocupar com o bandoleiro
Que o seu sonho
Doce e sorridente
Será velado por um amante policial
O estuprador é você
O estuprador é você
O estuprador é você
O estuprador é você

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Glenn demole estratégia de Moro em 12 tweets

Marreco Moro faz hacker, hacker, hacker

Em seu perfil no Twitter, o jornalista Glenn Greenwald (não custa lembrar, vencedor do mais importante prêmio do jornalismo mundial, o Pulitzer) desconstrói a tentativa de Moro de desmoralizar a divulgação de reportagens já conhecida como Vaza Jato, em educativos 12 tweets, que reproduzo a seguir.
1/ Sergio Moro - sendo Sergio Moro - está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico. Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa. Vamos revisá-la:
2/ Primeiro, lembre-se que no dia em que publicamos, nem Moro nem LJ negaram a autenticidade do material. Eles apenas negaram impropriedades. Foi só mais tarde que eles inventaram essa tática, quando perceberam que seus aliados estavam abandonando-os. Como a
Folha reportou:
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3 / Depois, a Folha trabalhou "lado a lado" com a nossa equipe e verificou a autenticidade do arquivo - inclusive comparando os chats dos seus repórteres com os promotores com o original. Como qualquer hacker poderia forjar isso? Obviamente, isso seria impossível.
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4/ Depois da investigação da Folha, @Veja fez a mesma coisa, e concluiu a mesma coisa: o material é autentico, e contém coisas que um hacker nunca conseguiria forjar, inclusive conversas com seu próprios repórteres. Autentico "palavra por palavra":
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5/ Depois que Veja e Folha provaram de forma independente a autenticidade, um procurador do MPF disse ao @Correio que recuperou as conversas de seu telefone, comparou-as com o que publicamos e descobriu que elas eram completamente verdadeiras. Como um hacker poderia forjar isso?
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6/ Então temos o @BuzzFeedBrasil . Duas vezes designaram uma equipe de jornalistas investigativos para determinar se o que publicamos correspondia ao que se sabe sobre a LJ. Ambas as vezes concluíram que o material que publicamos estava alinhado com todos os eventos conhecidos.
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7/ Temos então a distinta senadora, @maragabrilli , que confirmou que a mensagem dela que publicamos era, na verdade, totalmente precisa. Como, @SF_Moro , seus hackers poderiam ter forjado algo assim?[Vídeo no Twitter do Glenn]
8/ Todos nos lembramos do Faustão: ele confirmou sem hesitação a mensagem que enviou a Moro, publicada pela Veja. Obviamente, não havia como um hacker forjar isso. Esta é mais uma prova de que o material é autentico. [Vídeo no Twitter do Glenn]
9/ Ainda nesta semana, mais uma confirmação veio de um ministro do STF: o ministro Barroso confirmou que a reunião privada entre ele, Moro e LJ - publicada a partir do arquivo - aconteceu. Não há como um hacker forjar isso.
10/ Não nos esqueçamos de que o próprio Moro - relutante mas claramente - admitiu várias vezes que as mensagens secretas eram reais. Ele confessou dar sugestões a DD sobre testemunhas e se desculpou com a MBL por chamá-las de "tontos" - coisas que um hacker não poderia saber.
11/ Finalmente, temos a mais forte evidência de todas: uma reportagem investigativa completa do
@elpais_brasil no qual eles não apenas confirmaram a autenticidade das mensagens, mas também entrevistaram um outro procurador do MPF que confirmou que as mensagens são reais.
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12/ Quão mais conclusivo pode ser? As únicas pessoas que cairão no jogo cínico de Moro são aquelas que querem cair. Qualquer um com a mínima racionalidade revisará essa evidência e verá facilmente que - como todos os jornalistas concluíram - ela é autêntica e bem incriminadora.



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Xuxa denuncia no Fantástico que sofreu abuso sexual até os 13 anos. Ibope do programa dispara. Essa é a notícia?

Xuxa no Fantástico
A apresentadora Xuxa Meneghel deu uma entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo na noite deste domingo, onde confessou que sofreu abuso sexual continuado na infância e que esse durou até os 13 anos de idade. No entanto, houve um destaque - no mínimo cínico - ao fato de a entrevista ter levantado o Ibope do programa, que não vem bem das pernas há tempos.

Será que de tanto falarmos das sujeiras da Veja, do blog do esgoto, das sujas armações da campanha de José Serra vamos acabar como eles?

Não vi a entrevista e tomei conhecimento dela pelas redes sociais. Mas respeito a dor e o tempo da Xuxa. Se ela quis falar agora e onde, isso é com ela. O que me ocorre é que a repercussão da entrevista (e por isso também a estou replicando aqui no blog) pode levar alguma criança a se proteger, a confessar e lutar contra abuso que esteja sofrendo calada.

Dia 18. sexta-feira, foi o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Penso que a entrevista de Xuxa veio ao encontro da campanha.

Visite a página do MPF sobre o assunto.

Denuncie. E não dê margem a interpretações que possam transformar a vítima em culpada.

Loose Change 2: O lado B (de Bush) do 11/09
Atentado ou manipulação?



Assista ao início do filme Loose Change 2, que mostra ângulos diferentes sobre o 11 de setembro de 2001 nos EUA. Nesse trecho são apresentados os argumentos básicos em torno dos quais o filme é construído.

Em aproximadamente oito minutos você já tem uma idéia do que é o filme e pode optar por assisti-lo ou não.

Loose Change 2 pode ser visto na íntegra aqui no blog, com legendas em português. Ou então, na página do filme, com uma qualidade superior de imagem e som, no idioma original (inglês), mas sem legendas.

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