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Lira fala grosso com governo, mas afina com Moraes, porque não é besta

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, está aborrecido — para não dizer o palavrão que começa com "p" e que retrata bem o espírito atual de Lira.

Lira está "p" porque perdeu na Câmara, onde até outro dia mandava e desmandava, fazia chover e secar. 

Seu desejo de soltar da cadeia o deputado Chiquinho Brazão, acusado de ser um dos mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi descartado pela maioria da Câmara.

Brazão continua preso e Lira começou a ter seu poder questionado, até pela mídia.

Segundo essa mesma mídia, que é antipetista e adversária do governo Lula e, portanto, quer mais é ver o circo pegar fogo, Arthur Lira andou espalhando a aliados que iria contra-atacar e desengavetar 5 CPIs, que vão de investigações sobre crime organizado, aumento do uso de crack no País, exploração sexual infantil na Ilha do Marajó (PA), a atuação de concessionárias de energia elétrica.

Sobraria até para Alexandre de Moraes. A oposição ao governo quer uma CPI para investigar abuso de autoridade e atos de censura de ministros da Corte e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Também iria derrubar o veto parcial do presidente Lula na PEC do fim das saidinhas.

Isso tudo é o que está na mídia.

Mas todo mundo sabe que grito, esperneio e demonstração de poder é coisa de quem está se sentindo fraco.

Na verdade, o que Lira quer é aprovar mais rapidamente e em maior quantidade verbas para os deputados, inclusive ele, é claro.

O presidente da Câmara é experiente e sabe que dificilmente conseguiria montar essas CPIs num ano comum, ainda mais em ano eleitoral. E com as festas juninas e o recesso de meio de ano se aproximando.

E depois do recesso dá apenas tempo de votar o que for imprescindível, porque todos vão voltar para seus estados em busca de eleger prefeitos e vereadores que irão funcionar em 2026 como seus cabos eleitorais, quando partirem em busca de reeleição.

Mas Lira mantém a pose de segurança de boate, fazendo cara de mau, especialmente para perturbar aquele que escolheu como seu adversário preferencial, o ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha, que faz o meio de campo do governo na Câmara.

Ainda mais depois que Lula, numa declaração que todos entenderam como uma indireta a Lira, declarou, durante a inauguração de sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfevea), em São Paulo:

— Só por teimosia, Padilha vai ficar por muito tempo — disse Lula. 

 

Lira vai peitar Xandão? 


Quanto à CPI que investigaria abusos do STF, Lira recebeu ontem, em visita fora da agenda, o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o Estadão, Lira disse a Moraes não ter intenção de estimular confronto com o Supremo nem de instalar a CPI, e ouviu de Moraes que é “'absurda' a ideia da Câmara de criar um grupo de trabalho com o objetivo de pôr de pé um projeto exigindo autorização do Congresso para operações de busca e apreensão contra parlamentares". 

A última coisa que Arthur Lira quer é brigar com o STF. Graças a ele tem se livrado de vários processos, até o momento. Alguns que estavam até com investigações avançadas em andamento, mas foram arquivados.

Outros que estão sob censura, a pedido de Lira, como uma reportagem da Pública com denúncias inclusive de estupro. 

A Pública reclamou na Justiça e o colegiado da 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios julgou o mérito do agravo de instrumento interposto pela defesa do presidente da Câmara dos Deputados e manteve, por decisão unânime, a censura à reportagem. 

Em trecho do voto, o relator Alfeu Gonzaga Machado escreveu:

“(…) imputando ao autor suposto estupro praticado em novembro de 2006 sob pena… nós estamos em 2024, 18 anos atrás, reesquentando novamente matéria e espero que a comissão do novo código civil insira e traga o direito ao esquecimento, porque nós estamos com discurso num país cristão de perdão, mas o esquecimento que é o fato não está sendo praticado, lamentavelmente por uma parte da imprensa nesse país. Provavelmente amanhã eu serei chamado de censor e vou ter que dizer isso aqui: não sou censor e nunca fui a favor da censura, porque pela minha idade eu sei o que que a Revolução de 64 fez em termos de censura neste país”.

E manteve a censura.

Por isso é mais fácil Lira abraçar Padilha que peitar Xandão. Ele não é besta.

 



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Brazão livre? Político do passado atua para anular prisão ordenada por Xandão

Trabalhando como sempre gostou de fazer, nos bastidores, o ex-deputado tem conseguido virar votos e embolar a decisão sobre a anulação ou não da prisão do deputado Chiquinho Brazão

Nos bastidores da Câmara dos Deputados, alvoroçada pela votação que pode anular a decisão do ministro Alexandre de Moraes e soltar o deputado Chiquinho Brazão, uma figura do passado, tão ou mais poderosa que o deputado Arthur Lira hoje, trabalha como sempre gostou fazer: nas sombras.

Inelegível, ele usa o gabinete da filha, a deputada Dani Cunha, para trabalhar em favor da soltura de Brazão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. 

Eduardo Cunha (sim, ele mesmo, o ex-deputado e presidente da Câmara no impeachment de Dilma, cassado por corrupção e inelegível até 2027) tem conversado com vários deputados e conquistado votos em favor da liberdade de Brazão, usando como argumento que a prisão não teria sido feita em flagrante.

E o lobby de Eduardo Cunha  parece estar dando certo. Segundo o relator do caso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Darci de Matos (PSD-SC), muitos deputados têm mudado o voto após ouvirem Cunha:

"Até alguns dias atrás, eu diria que o meu relatório passaria com tranquilidade. Agora, está mais difícil. Os deputados parecem muito divididos."

Fato é que o ex-deputado ainda tem muito prestígio na Casa e está afiando armas para a batalha da próxima eleição à Presidente da Câmara, no início do próximo ano.

A deputada Erika Hilton (SP), líder do PSOL na Câmara,  afirma que uma votação contrária à prisão de Chiquinho Brazão seria "uma desmoralização total da própria Câmara".

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Lira dá azar e Beija-Flor fica fora do Desfile das Campeãs pela 4ª vez em 40 anos

Junto com os R$ 8 milhões de verbas de Alagoas que trouxe para o carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, escola de samba que tem como patrono o bicheiro Anisio Abraão David, o presidente da Câmara Arthur Lira trouxe o baixo astral que o caracteriza, sua cara de quem acorda sempre de mal com a vida.

Homem que se acha no direito de ameaçar o presidente Lula, eleito com mais de 60 milhões de votos para presidir o país, enquanto ele se elegeu com pouco mais de 200 mil para representar seu estado de Alagoas, Lira tem aquela antipatia pessoal, que faz com que só se aproximem dele os que têm interesse no que pode oferecer.

Cercado por acusações de corrupção, violência e estupro da ex-mulher,  Lira tem conseguido barrar os processos e até censurar quem o denuncia, por ser presidente da Câmara, mandato que termina em fevereiro do ano que vem.

Se os milhões que vieram de Alagoas foram bem-vindos para a escola de Nilópolis, o baixo astral de Lira não deu sorte à Beija-Flor, que vai ficar de fora do Desfile das Campeãs no sábado, apenas pela quarta vez em 40 anos de Sambódromo.

Logo a Beija-Flor, que, embora de história relativamente recente no Grupo Especial do Rio de Janeiro (é de outro município, Nilópolis, na Baixada Fluminense), é a terceira com mais títulos, 14, atrás apenas da Portela e da Mangueira. 

Além dos 14 títulos, a Beija-Flor foi 13 vezes vice-campeã, 6 vezes terceira colocada, e está sempre presente no tradicional Desfile das Campeãs, quando as seis escolas mais bem classificadas voltam ao Sambódromo no sábado posterior ao Carnaval. Com o oitavo lugar, ficou de fora da festa deste ano.


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Justiça dá a Arthur Lira reintegração de posse de terras que não são dele no TSE

Quando uma pessoa se candidata a um cargo eletivo é obrigada a listar seus bens ao TSE.  Desde 2008, Arthur Lira é candidato e nunca declarou a posse de uma fazenda em Pernambuco, no município de Quipapá (a 180 km do Recife).

Mesmo não declarando a fazenda, ele entrou na Justiça pedindo reintegração de posse da fazenda que não existe como dele no TSE. E ganhou.

Em agosto de 2023, os agricultores Cícero e Maria José Silva foram obrigados a sair do seu sítio, onde viviam há mais de 50 anos, por causa de uma reintegração de posse movida pelo presidente da Câmara.

A área de cinco hectares faz parte da Usina Engenho Proteção, comprada por Lira em 2008. “Meus sete filhos foram quase todos criados lá”, contou o agricultor ao De Olho nos Ruralistas, que produziu um dossiê de 70 páginas sobre os negócios de Lira e família. Os camponeses foram despejados e agora são obrigados a pagar aluguel na cidade.
Questionado pela Folha, Lira disse que "segue a legislação e que todo seu patrimônio se encontra "devidamente registrado" junto à Receita Federal".

Como o jornalismo da Folha, quando não é contra Lula e seu governo, é apenas um jornalismo declaratório, nada mais lhe foi perguntado. Por que nunca declarou a fazenda ao TSE? A declaração não é obrigatória?

O caso da fazenda é grave e precisa ser esclarecido. Mas a maior ilegalidade é Arthur Lira ter sido eleito para representar seu estado de Alagoas no Congresso Nacional e agir como se tivesse sido eleito presidente da República, tentando usurpar poderes de Lula, usando de estratagemas, ameaçando sentar em cima de pautas de interesse do governo eleito, caso não lhe sejam entregues contrapartidas, como, por exemplo, a Caixa Econômica Federal com todas as suas doze vice-presidências, como conseguiu recentemente. 

Mas Arthur Lira deveria se mirar numa lendária batalha em versos de seu estado, em que o poeta Pedro Basílio, no alto de sua arrogância, resolveu desafiar o poeta popular Chico Nunes para um duelo com o mote "Eu sou melhor do que tu". E se deu mal no final. Será a antecipação de um duelo final Lira e Lula?


Pedro Basílio começou, cheio de poder, como Lira:

Sô rico, sô potentado,
Sô um poeta do direito,
Sô um homem de respeito.
Sempre fui considerado
Como um cantador honrado,
Desde o norte inté o sú,
Inté o Barão de Traipú
Me daria confiança;
Vivo cheiro de esperança
Eu sô mio do que tu.

Chico Nunes partiu para cima até o nocaute, "na humildade":

Sô ladrão de mandioca,
Sô a lama de um barreiro,
Sô do tipo cachaceiro,
Sô imbuiá, Sô minhoca,
Sô como sapo na toca,
Sô um sapo cururu,
Sô puleiro de urubu,
Sô um chocalho sem badalo,
Sô um ladrão de cavalo,
Eu sô mio do que tu”

Sô um tipo sem futuro,
Desses que não vale nada,
Sô igual a uma levada
Como bagaço de munturo,
Sô um recanto de muro
Onde só tem cururu,  
Só igual a um tatu   
Dentro do buraco fundo,   
Sô a desgraça do mundo,   
Eu sô mio do que tu

Já perdi a cirimônia,   
Eu ando cambaliando,  
Andam até me chamando   
De fumadô de maconha,  
Ajuntei-me com uma sem vergonha
Levei ponta pra chuchu,
Fui corno em Caruaru ,  
Viado no Maribondo,  
Mas mesmo dando o redondo,  
Eu sô mió do que tu!

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CPI do MEC pode queimar Bolsonaro de vez e levar Lira junto

A instalação da CPI do MEC no senado, para investigar a corrupção na pasta, que já botou na cadeia o ex-ministro Milton Ribeiro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, pode atingir Bolsonaro e chegar até o todo-poderoso presidente da Câmara Arthur Lira.

Porque a corrupção no MEC não é só da verba liberada a pedido dos pastores, com corrupção em dinheiro ou barras de ouro. Tem mais: as gigantescas verbas do FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), em grande parte enviadas a Alagoas, terra de Lira, com a corrupção denunciada no Kit robótica e na compra superfaturada de ônibus escolares.

O senador Renan Calheiros, adversário de Lira em Alagoas, escreveu em seu perfil no Twitter:

As labaredas ardem no MEC. Quem botou a “cara no fogo” se queimou. A POLÍCIA FEDERAL sabe quem te roubou. Chegará ao kit robótica, ônibus etc. Enquanto Roma queimava a lira soava. Em Alagoas ela já não toca mais. #CPIdoMEC

Reportagem de Eduardo Militão, no UOL, mostra o tamanho do problema que vão enfrentar  Bolsonaro e Arthur Lira na CPI.

Alagoas, o estado de origem do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), foi a unidade da federação que recebeu mais empenhos (reservas para pagamento) de emendas parlamentares vinculadas ao FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação) entre janeiro de 2021 e este mês. É o que mostra levantamento feito pelo UOL no sistema Siga Brasil, mantido pelo Senado.

Comandado por Marcelo Ponte, ex-chefe de gabinete do ministro da Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o FNDE tem um orçamento de R$ 42 bilhões, mas cerca de R$ 1 bilhão é destinado a emendas parlamentares, individuais, coletivas ou do chamado "orçamento paralelo", alvo de suspeitas de corrupção do governo Bolsonaro.

Prefeituras, fundações e empresas de Alagoas superam R$ 100 milhões em empenhos, dos quais já conseguiram receber mais de R$ 40 milhões do FNDE.

Entre essas verbas, muitas ligadas ao kit robótica:

A empresa Megalic, ligada ao vereador de Maceió João Catunda (PSD), que é aliado de Arthur Lira (PP), vendeu kits de robótica para prefeituras com uma diferença de 420% em relação ao preço que declarou ter pago.

Os equipamentos foram comprados pelos municípios com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Foram adquiridos por sete cidades alagoanas, reduto eleitoral de Lira. São elas: União dos Palmares, Canapi, Barra de Santo Antonio, Santana do Mundaú, Branquinha, Maravilha, Flexeiras. [CartaCapital]

O MEC teria ainda superfaturado R$ 732 milhões em licitação de ônibus escolares, o que deve ser outro objeto de investigação da CPI. Alagoas, base eleitoral do presidente da Câmara, Arthur Lira, teria ficado com 106 deles.

Se a situação eleitoral de Jair Bolsonaro é no mínimo difícil, com as pesquisas indicando até a vitória de Lula em primeiro turno, com a CPI da corrupção do MEC vai piorar muito mais, e ainda pode levar no fogo a reeleição de Lira.

No Twitter, uma montagem de Renan Calheiros tomando um cafezinho enquanto o fogo arde ao fundo, recebeu endosso do senador. Confira:


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Inferno de Dilma pode incendiar Lula também, caso Arthur Lira e Centrão se reelejam e formem maioria

Quem não se lembra das famosas pautas-bomba que o ex-deputado Eduardo Cunha soltava contra o governo Dilma, quando era presidente da Câmara? Pois a situação pode ser pior ainda para o presidente Lula, caso o atual presidente da Câmara Arthur Lira se reeleja e, junto com ele, forme nova maioria no Centrão.

Isso porque o governo Bolsonaro trouxe um novo modo de governar o país: entregou o governo ao Centrão, que faz e aprova ou derruba o que quer, independente dos desejos do Jair —que não é besta de contrariá-los e se expor a um processo de impeachment pela infinidade de crimes cometidos.

Artigo do jornalista Thomas Traumann na Veja mostra o tamanho do pepino que poderá vir a  ser servido ao presidente Lula, caso nós, eleitores, não expulsemos esses vendilhões do templo de nossa democracia. Leia trecho a seguir:

(...) O saldo final reforça o poder do mais poderoso político brasileiro, o presidente da Câmara, Arthur Lira. Foi ele e seu Doppelgänger Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, que deram a espinha dorsal à política do governo Bolsonaro, organizada a partir dos interesses de PL, PP e Republicanos.

Com as agora famosas emendas do Orçamento Secreto, o presidente da Câmara passou aos deputados da sua base o controle de mais de R$ 30 bilhões em verbas públicas, valor superior ao que o próprio governo federal tem no Orçamento para gastar livremente.

Com o novo mecanismo no orçamento, um prefeito ao chegar em Brasília em busca de recursos para sua cidade não pede mais ao taxista para pegar o Eixão e chegar à Esplanada dos Ministérios, mas sim a L-4, o caminho mais rápido para o Congresso. É nos gabinetes dos deputados que os prefeitos garantem as verbas para a reforma de uma estrada ou a construção de uma nova escola. O orçamento secreto deu aos deputados um poder inédito sobre os prefeitos, que será retribuído na campanha de outubro.

Lira também fez aprovar o reajuste do fundo público eleitoral de R$ 2,1 bilhões para R$ 4,9 bilhões, dando aos partidos uma autonomia sobre os financiadores privados que nunca tiveram. Como as doações de empresas estão proibidas e a de particulares tem limitações pela Receita Federal, os candidatos estão nas mãos dos seus partidos, que controlam qual candidato vai receber quanto. Isso naturalmente favorece quem já tem mandato e, na prática, vai funcionar como se o Brasil tivesse listas partidárias.

Ao permitir aos deputados tanto poder político, Arthur Lira garantiu para si a fidelidade da maioria da Câmara. Parte expressiva dos deputados que em março embarcaram nos três partidos bolsonaristas estava cumprindo ordens de Lira. O presidente da Câmara ficará feliz caso Bolsonaro se reeleja, mas o seu projeto real é a sua própria reeleição em fevereiro de 2023. Para isso, a derrota de Lula da Silva – que já anunciou que pretende acabar com o orçamento secreto – é fundamental. Por isso, a aposta em Bolsonaro.

Um cenário de Lula no Palácio do Planalto e Arthur Lira na presidência da Câmara será de turbulência com potencial de repetir os embates de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, entre 2015 e 16.

Pesquisa da empresa ActionRelGov para Frente Parlamentar do Empreendedorismo, publicada pelo jornal digital Poder360, mostrou que o Poder Executivo vem perdendo influência sobre o trabalho do Legislativo desde o governo Rousseff, mas essa tendência se ampliou com Bolsonaro.

Nos três anos do governo Bolsonaro, pela primeira vez o Legislativo passou a aprovar mais medidas próprias do que oriundas do Palácio do Planalto. Em 2021, com Lira na presidência, dos 127 projetos aprovados no Legislativo, só 42 tiveram origem no governo federal, o menor índice da história. Em contrapartida, a Câmara aprovou 42 projetos e o Senado 40. No ano passado, das 66 medidas provisórias enviadas por Bolsonaro, 29 sequer foram votadas e perderam a eficácia.

Fica claríssimo que tão importante quanto a eleição de Lula é a eleição de um Cogresso afinado com as ideias e propostas de Lula e da coligação que o apoia.

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Advogado dos Bolsonaro, Wassef faz ameaças à repórter que revelou áudios da ex-cunhada de Jair sobre rachadinhas. Bateu desespero na família


O excêntrico advogado Frederick Wassef, que ainda outro dia se trancou no banheiro feminino do Senado, enviou uma mensagem pelo WhatsApp à repórter do UOL Juliana Dal Piva, que recentemente revelou em série de reportagens o envolvimento da família toda (e não apenas Flávio Bolsonaro) no esquema das rachadinhas. 
 
Tem de tudo numa série que se transformou em vídeos com os áudios comprometedores, publicados no UOL. Neles, fica claro que Jair Bolsonaro era o chefe do esquema e participava ativamente dele. Há links para os vídeos no Twitter da repórter.

Hoje, Juliana vem a público denunciar ameaça feito por Wassef [imagem acima], em mensagem enviada ao WhatsApp da repórter. Confira a ameaça, que é puro suco de bolsonarismo [com os erros preservados].

"Queria te entrevistar. Voce e socialista ?? Comunista ???? Soldada da esquerda brava ??? E daquelas comunistas gauchas guerreira ??? Voce acredita mesmo que este sistema politico e bom para a sociedade e as pessoas ???? Por que voce nao vai realizar seu sonho comunista em Cuba, Venezuela , Argentina ou Coreia do Norte ??? Por que nao se muda para a grande China comunista e va tentar exercer sua profissao por la ???? Faca la o que voce faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema politico que voce tanto ama faria com voce . La na China voce desapareceria e nao iriam nem encontrar o seu corpo. O mesmo ocorre na Venezuela , Cuba e outros paraisos comunistas. Entao pergunto a voce, por que faz o que faz com quem tenta livrar o Brasil da maldita esquerda ??? Voce teve este mesmo empenho e obsessao com aqueles da esquerda que desviaram BILHOES DE DOLARES atravez de mil esquemas fraudulentos ??? A parte de seu amor pelo comunismo, voce vai continuar atendendo os pedidos de sua parceira/chefa para me atacar sem parar . Ela te paga ??? Ou e so muito amor por ela ??? Voces estao namorando ???? Se eu financiar todos os custos de viagem para Caracas na Venezuela , voce iria para la fazer umas materias sobre o que esta acontecendo la ??? Se eu te comprar um belo imovel por la, voce moraria la para realizar seu sonho comunista ???? Por que nao experimenta primeiro na sua pele o que e a esquerda, para depois lutar tanto para atingir o Presidente de seu Pais e trazer o comunismo para o meu amado Brasil. Voce e inimiga da patria e do Brasil. Voce sabia que apos o fim da 2 guerra mundial o mundo foi dividido em 2 blocos??? Esquerda e direita ?? Capitalismo e Comunismo ??? Luz e trevas ???? Voce sabia que a maldita esquerda falhou em metade do planeta terra ??? Em todos oa paises e culturas em que se instalou ??? E que ao contrario do comunismo, o capitalismo deu certo em todos os paises e siatemas ??? Entao por que voce luta fanaticamente com suas materias direcionadas e distorcidas da verdade para induzir em erro o publico ??? A esquerda te paga ??? Voce esta feliz e realizada por atacar e tentar destruir o Presidente do Brasil, sua familia e seu advogado ?????"
A ameaça de Wassef mostra a temperatura do desespero da famiglia, às voltas com acusações de corrupção das rachadinhas e das negociações superfaturadas para a compra de vacinas, além da de prevaricação, por não ter comunicado à PF a denúncia do deputado Luis Miranda sobre irregularidades no contrato da vacina chinesa Covaxin.

A isso soma-se o boato, quase certeza, de que o deputado Luis Marinho tem em seu poder uma gravação que teria feito da conversa com Bolsonaro, que confirmaria o "isso é coisa do [líder do governo, deputado] Ricardo Barros". E, pior: na gravação, de cerca de 50 minutos, estariam envolvidos os nomes de outros dois parlamentares, o senador e líder do Centrão Ciro Nogueira e ninguém menos que o presidente da Câmara, Arthur Lira, que está sentado sobre mais de 130 pedidos de impeachment de Bolsonaro. Continuará assim, se a tal gravação existir e vier à tona?




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'Na moral', presidente da Câmara manda duro recado a Bolsonaro: Toma jeito ou vai para o paredão do impeachment


O presidente da Câmara, Arthur Lira, fez um duro e surpreendente discurso, após reunião que teve pela manhã com o presidente Bolsonaro, o presidente do Senado e outras autoridades sobre a pandemia e as mortes no Brasil, que ontem ultrapassaram a marca de 300 mil. 
 
O recado de Lira é claro: ou Bolsonaro combate a pandemia com as medidas preconizadas pela Ciência, calando ou trocando o chanceler Ernesto Araújo nos ataques à China, parando de defender privatizações, reformas tributárias e outras medidas, quando o foco tem que ser a pandemia, ou a Câmara vai usar de medidas amargas - e a principal medida amarga é o impeachment do presidente.
 
Leia a seguir na íntegra o discurso de Lira e perceba como ele pede a união de todos para combater a pandemia, mas direciona sua fala especialmente a Bolsonaro, sem citá-lo diretamente. (Como não reconhecer Bolsonaro neste trecho: "Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política"?).

Minhas senhoras e meus senhores,

Como todos sabem, participei hoje como representante desta Casa de encontro com o senhor Presidente da República e todos os Chefes de Poderes para tratar de uma abordagem eficaz, pragmática e holística da questão da pandemia.

Pandemia é vacinar, sim, acima de tudo. Mas para vacinar temos de ter boas relações diplomáticas, sobretudo com a China, nosso maior parceiro comercial e um dos maiores fabricantes de insumos e imunizantes do planeta. Para vacinar temos de ter uma percepção correta de nossos parceiros americanos e nossos esforços na área do meio ambiente precisam ser reconhecidos, assim como nossa interlocução.

Então, essa mudança de atitude em relação à pandemia, quero crer, é a semente de algo muito maior, muito mais necessário e, diria, urgente e inadiável: será preciso evoluir, dar um salto para a frente, libertamos as amarras que nos prendem a condicionamentos que não funcionam mais, que nos escravizam a condicionamentos que já se esgotaram.

Minhas senhoras e meus senhores,

Esta Presidência tem procurado se conduzir na trilha de um estrito equilíbrio entre o espírito de colaboração que, mais que nunca, é necessário manter e construir com os demais Poderes durante estes momentos dramáticos da pandemia e a observância fiel e disciplinada à vontade soberana desta Casa.

Vivemos nestes dias o pior do pior, as horas mais dolorosas da maior desgraça humanitária que se abateu sobre nosso povo. E quero dizer a todos que estou sensível ao desespero dos brasileiros e à angústia de Vossas Excelências, que nada mais fazem do que traduzir o terror que testemunham em suas bases, em suas comunidades.

Como presidente da Câmara dos Deputados, quero deixar claro que não ficaremos alienados aqui, votando matérias teóricas como se o mundo real fosse apenas algo que existisse no noticiário. Estou apertando hoje um sinal amarelo para quem quiser enxergar: não vamos continuar aqui votando e seguindo um protocolo legislativo com o compromisso de não errar com o país se, fora daqui, erros primários, erros desnecessários, erros inúteis, erros que que são muito menores do que os acertos cometidos continuarem a serem praticados.

E eu aqui não estou fulanizando. Dirijo-me a todos que conduzem os órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia. O Executivo federal, os executivos estaduais e os milhares de executivos municipais também. Como sabemos, o sistema de saúde é tripartite. Mas, também sabemos, a política é cruel e a busca por culpados - sobretudo em momentos de desolação coletiva - é um terreno fértil para a produção de linchamentos. Por isso mesmo, todos têm de estar mais alertas do que nunca pois a dramaticidade do momento exige.

A razão não está de um lado só, com certeza. Os erros não estão de um lado só, sem dúvida. Mas, acima de tudo, os que têm mais responsabilidade têm maior obrigação de errar menos, de se corrigir mais rapidamente e de acertar cada vez mais. É isso ou o colapso.

Também não é justo descarregar toda a culpa de tudo no governo federal ou no presidente. Precisamos, primeiro, de forma bem intencionada e de alma leve, abrir nossos corações e buscar a união de todos, tentar que o coletivo se imponha sobre os indivíduos. Esgotar todas as possibilidades deste caminho antes de partir para as responsabilizações individuais. É nesse esforço solidário e genuíno que estarei engajado, junto com os demais poderes. Mas será preciso que essa capacidade de ouvir tenha como contrapartida a flexibilidade de ceder. Sem esse exercício, a ser praticado por todos, esse esforço não produzirá os resultados necessários.

Os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e são todos amargos. Alguns, fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é esta a intenção desta Presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política.

Mas alerto que, dentre todas as mazelas brasileiras, nenhuma é mais importante do que a pandemia. Esta não é a casa da privatização, não é a casa das reformas, não é nem mesmo a casa das leis. É a casa do povo brasileiro. E quando o povo brasileiro está sob risco nenhum outro tema ou pauta é mais prioritário.

Então, faço um alerta amigo, leal e solidário: dentre todos os remédios políticos possíveis que está Casa pode aplicar num momento de enorme angústia do povo e de seus representantes, o de menor dano seria fazer um freio de arrumação até que todas as medidas necessárias e todas as posturas inadiáveis fossem imediatamente adotadas, até que qualquer outra pauta pudesse ser novamente colocada em tramitação. Falo de adotarmos uma espécie de "Esforço Concentrado para a Pandemia", durante duas semanas, em que os demais temas da pauta legislativa sofreriam uma pausa para dar lugar ao único que importa: como salvar vidas, como obter vacinas, quais os obstáculos políticos, legais e regulatórios precisam ser retirados para que nosso povo possa obter a maior quantidade de vacinas, no menor prazo de tempo possível.

Não é hora de tensionamentos. E CPIs ou lockdowns parlamentares - medidas com níveis decrescentes de danos políticos - devem ser evitados. Mas isso não depende apenas desta Casa. Depende também - e sobretudo - daqueles que fora daqui precisam ter a sensibilidade de que o momento é grave, a solidariedade é grande, mas tudo tem limite, tudo! E o limite do parlamento brasileiro, a Casa do Povo, é quando o mínimo de sensatez em relação ao povo não está sendo obedecido.

Sou um otimista. Acredito que a força do diálogo e do convencimento, a força da transformação através da sinceridade de propósitos e da colaboração fiel, mesmo que algumas vezes dissonante, é o caminho para a construção dos avanços.

Espero, do fundo do meu coração, que estas palavras ecoem e que nosso esforço de conciliação prevaleça sobre todos os outros perigos.

Muito obrigado a todos e Deus proteja o Povo Brasileiro.



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