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Inferno de Dilma pode incendiar Lula também, caso Arthur Lira e Centrão se reelejam e formem maioria

Quem não se lembra das famosas pautas-bomba que o ex-deputado Eduardo Cunha soltava contra o governo Dilma, quando era presidente da Câmara? Pois a situação pode ser pior ainda para o presidente Lula, caso o atual presidente da Câmara Arthur Lira se reeleja e, junto com ele, forme nova maioria no Centrão.

Isso porque o governo Bolsonaro trouxe um novo modo de governar o país: entregou o governo ao Centrão, que faz e aprova ou derruba o que quer, independente dos desejos do Jair —que não é besta de contrariá-los e se expor a um processo de impeachment pela infinidade de crimes cometidos.

Artigo do jornalista Thomas Traumann na Veja mostra o tamanho do pepino que poderá vir a  ser servido ao presidente Lula, caso nós, eleitores, não expulsemos esses vendilhões do templo de nossa democracia. Leia trecho a seguir:

(...) O saldo final reforça o poder do mais poderoso político brasileiro, o presidente da Câmara, Arthur Lira. Foi ele e seu Doppelgänger Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, que deram a espinha dorsal à política do governo Bolsonaro, organizada a partir dos interesses de PL, PP e Republicanos.

Com as agora famosas emendas do Orçamento Secreto, o presidente da Câmara passou aos deputados da sua base o controle de mais de R$ 30 bilhões em verbas públicas, valor superior ao que o próprio governo federal tem no Orçamento para gastar livremente.

Com o novo mecanismo no orçamento, um prefeito ao chegar em Brasília em busca de recursos para sua cidade não pede mais ao taxista para pegar o Eixão e chegar à Esplanada dos Ministérios, mas sim a L-4, o caminho mais rápido para o Congresso. É nos gabinetes dos deputados que os prefeitos garantem as verbas para a reforma de uma estrada ou a construção de uma nova escola. O orçamento secreto deu aos deputados um poder inédito sobre os prefeitos, que será retribuído na campanha de outubro.

Lira também fez aprovar o reajuste do fundo público eleitoral de R$ 2,1 bilhões para R$ 4,9 bilhões, dando aos partidos uma autonomia sobre os financiadores privados que nunca tiveram. Como as doações de empresas estão proibidas e a de particulares tem limitações pela Receita Federal, os candidatos estão nas mãos dos seus partidos, que controlam qual candidato vai receber quanto. Isso naturalmente favorece quem já tem mandato e, na prática, vai funcionar como se o Brasil tivesse listas partidárias.

Ao permitir aos deputados tanto poder político, Arthur Lira garantiu para si a fidelidade da maioria da Câmara. Parte expressiva dos deputados que em março embarcaram nos três partidos bolsonaristas estava cumprindo ordens de Lira. O presidente da Câmara ficará feliz caso Bolsonaro se reeleja, mas o seu projeto real é a sua própria reeleição em fevereiro de 2023. Para isso, a derrota de Lula da Silva – que já anunciou que pretende acabar com o orçamento secreto – é fundamental. Por isso, a aposta em Bolsonaro.

Um cenário de Lula no Palácio do Planalto e Arthur Lira na presidência da Câmara será de turbulência com potencial de repetir os embates de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, entre 2015 e 16.

Pesquisa da empresa ActionRelGov para Frente Parlamentar do Empreendedorismo, publicada pelo jornal digital Poder360, mostrou que o Poder Executivo vem perdendo influência sobre o trabalho do Legislativo desde o governo Rousseff, mas essa tendência se ampliou com Bolsonaro.

Nos três anos do governo Bolsonaro, pela primeira vez o Legislativo passou a aprovar mais medidas próprias do que oriundas do Palácio do Planalto. Em 2021, com Lira na presidência, dos 127 projetos aprovados no Legislativo, só 42 tiveram origem no governo federal, o menor índice da história. Em contrapartida, a Câmara aprovou 42 projetos e o Senado 40. No ano passado, das 66 medidas provisórias enviadas por Bolsonaro, 29 sequer foram votadas e perderam a eficácia.

Fica claríssimo que tão importante quanto a eleição de Lula é a eleição de um Cogresso afinado com as ideias e propostas de Lula e da coligação que o apoia.

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Bolsonaro se ajoelha e entrega governo ao Centrão para não sofrer impeachment


Da jornalista Helena Chagas, nos Divergentes.
Quando o rabo abana o cachorro
 
Não é preciso mais do que uma conta tosca de padaria para desmontar a narrativa do governo de que o teto de gastos foi furado para beneficiar os pobres com um aumento maior do sucedâneo do Bolsa Família, o Auxílio Brasil. Não é verdade. Os pouco mais de R$ 30 bilhões da ampliação do auxílio poderiam, por exemplo, sair dos recursos destinados às emendas parlamentares – só este ano, foram R$ 37 bilhões, sendo R$ 16 bi sob o duvidoso mecanismo das emendas de relator.

Mas Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, que agora parece ter se juntado de corpo e alma à equipe  eleitoral do chefe, precisam dessa versão para não expor o que já está óbvio: sua escravidão total ao Centrão, inclusive e sobretudo na condução da política econômica. Alem de manter intactos seus recursos para emendas, os parlamentares governistas ainda terão muito mais, pois o espaço aberto no Orçamento com as gambiarras feitas vai ultrapassar os R$ 80 bilhões, turbinando emendas e obras em redutos eleitorais.

Será uma festa para a turma do Centrão. Daqui para frente, tudo será permitido para ganhar votos no ano que vem, mas não só isso.

Acima de tudo, o Planalto tenta esconder o fato de que, no estica-e-puxa que arrebentou o teto, que prevê um semi-calote nos precatórios e que quer fazer o país engolir uma reforma do Imposto de Renda considerada ruim por dez entre dez tributaristas, está a redução do presidente da República e de seu ex-czar da Economia à sua mínima expressão. Bolsonaro e Guedes são hoje pigmeus na terra de gigantes do Centrão.

O processo que vinha se desenvolvendo desde o acordo com esse grupo parlamentar que livrou Bolsonaro do impeachment, chefiado por Arthur Lira e Ciro Nogueira, acaba de se completar. O Executivo, que muitas vezes, em governos passados, cortou emendas parlamentares para tapar buracos mais importantes do orçamento, e manejou suas verbas para governar – como lhe garante a Constituição – perdeu a prerrogativa fundamental de comandar a execução orçamentária.

É simples assim: governo que não comanda a execução do orçamento – que vem aprovado do Congresso – não governa. É uma inversão no sistema presidencialista, uma mudança institucional provocada pela fraqueza política de um presidente da República que não tem liderança, projeto nem competência para administrar o país. No popular, é mais ou menos como se o cachorro deixasse de abanar o rabo e o rabo passasse a abanar o cachorro.





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Bolsonaro, Mercado e Centrão, o ménage à trois - por Fernando Haddad



Em sua coluna deste sábado na Folha, Haddad mostra que Bolsonaro está tentando um ménage à trois com o Mercado e o Centrão. O povo, os trabalhadores, servidores públicos de baixa e média renda são escalados para pagar a conta.
Ménage à trois

Três meses atrás, escrevi neste espaço: Os dilemas de Bolsonaro nunca foram de natureza ética, tema que ele desconhece. O dilema de Bolsonaro, agora real, é de natureza econômica... A dúvida que lhe aflige é sobre os efeitos da permanência de Guedes e sua cartilha econômica vintage. Bolsonaro terá que decidir quem paga a conta. Entre o povo e a reeleição, de um lado, e o mandato e o mercado, de outro, a sinuca do impeachment.
Nesta semana, Guedes surpreendeu Bolsonaro com o seguinte alerta: Os conselheiros do presidente que o estão aconselhando a pular a cerca, a furar o teto, vão levar o presidente para uma zona de incerteza, uma zona de impeachment. O presidente sabe disso e tem nos apoiado, arrematou. Mandetta e Moro que o digam.
A equiparação entre furar o teto e pular a cerca coloca a prática no rol das possíveis traições ao mercado que dariam base ao afastamento. Participar de ato pelo fechamento do Supremo, prescrever cloroquina, obstruir a Justiça no encalço do primogênito por peculato e lavagem de um bom dinheiro, nada se assemelha ao único e verdadeiro crime de responsabilidade: enganar o mercado.
Bolsonaro, então, ensaiou, na sua última live circense, a possível solução para manter o mandato e se reeleger. O teto é o teto... o piso sobe... e cada vez mais você tem menos recursos... a ideia de furar teto existe, o pessoal debate, qual o problema? Mas alguém vazou... o mercado reage, o dólar sobe, a Bolsa cai... mas esse mercado aí, tem que dar um tempinho... um pouquinho de patriotismo não faz mal a eles.
Em vez de enganar o mercado, por que não convidá-lo, em nome da pátria, para um ménage à trois com o centrão? Obviamente, não é no charme de Bolsonaro que o mercado está interessado, e cabe-nos perguntar sobre os termos da troca política, ou seja, o que se ganha e quem, afinal, perde.
Para conhecer os perdedores, basta recapitular as negociações que estão em curso em torno das reformas, pelas quais: trabalhadores com carteira assinada perdem o que restou dos seus direitos com a carteira verde e amarela; servidores públicos de baixa e média renda são penalizados com a reforma administrativa, enquanto a elite do serviço público é poupada; os serviços públicos, sobretudo saúde, educação superior e segurança continuam sofrendo cortes; as estatais são preparadas para venda.Sem dúvida, diante de um pacote desses, o patriotismo pode falar mais alto.
A elite brasileira sempre foi tida por míope. Se participar desse ménage é porque nem de perto é capaz de enxergar.




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Quando Michelle Bolsonaro vai ser chamada à Justiça para explicar os 27 depósitos de Queiroz e mulher na sua conta?


A notícia saiu sexta-feira em O Globo sobre depósitos de Queiroz na conta da mulher de Bolsonaro. Em seguida, a Folha publicou que também a mulher de Queiroz, Maria, havia feito depósitos na conta de Michelle. No total, 27 cheques na conta da hoje primeira-dama somando R$ 89 mil, em valores da época.
Segundo reportagem da revista Crusoé, a quebra de sigilo mostrou que Queiroz depositou 21 cheques na conta de Michelle entre 2011 e 2016, somando R$ 72 mil. O jornal Folha de S.Paulo e o portal G1, por sua vez, descobriram também que a abertura das informações bancárias de Marcia Aguiar revelou mais seis cheques depositados por ela para a primeira-dama entre janeiro e junho de 2011, no valor total de R$ 17 mil. [BBC]
No entanto, passou todo o final de semana e nem Michelle nem Bolsonaro deram uma palavra sobre o assunto, talvez com o pensamento mágico de que, ao não falar num problema ele desaparece.

Não é bem assim. O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) já fala em juntar assinaturas para uma CPI:
"Vamos desmascarar a farra da família Bolsonaro com dinheiro público" escreveu em seu perfil no Twitter.
Será por isso que Bolsonaro tratou de estreitar ainda mais seus laços com a banda de música do Centrão convidando Temer para representar o Brasil no Líbano, como publiquei aqui hoje?



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Bolsonaro envia Temer para representar Brasil no Líbano e abraça de vez toma lá, dá cá que jurou combater


O que Bolsonaro pensa hoje sobre Temer não é o que ele pensava até outro dia, quando declarou sobre a prisão do ex-presidente, em março de 2019:
“A Justiça nasceu para todos e cada um responde pelos seus atos. O que levou a essa situação, pelo que parece, são os acordos políticos dizendo-se em nome da governabilidade. A governabilidade, você não faz com esse tipo de acordo, no meu entender. Se faz indicando pessoas sérias e competentes para integrar o seu governo”. [Fonte: UOL]
No entanto, Bolsonaro acaba de nomear o mesmo Temer nosso representante junto ao Líbano para prestar ajuda humanitária àquele país atingido por uma grande explosão em sua capital. O mesmo Bolsonaro que já disse que Temer é ladrão, como mostra vídeo ao final da postagem.

O que mudou?

Mudou que Bolsonaro resolveu se cercar no Congresso, em nome da governabilidade (que criticava antes), para escapar dos mais de 50 pedidos de impeachment, que dormem esmagados sob as nádegas abundantes de Rodrigo Botafogo Maia.

Se Temer não tem mais o prestígio de antes, quando foi presidente do PMDB, hoje MDB, por vários anos, ainda mantém sua turma no Congresso e sabe o caminho das pedras tão bem quanto aquele antigo deputado, Eduardo Cunha, que mantinha segredos inconfessáveis da turma do Centrão sob seu controle.

Bolsonaro conta com o Centrão para escapar e usa verbas da Saúde para comprar o apoio de deputados e senadores, como denunciou aqui antigo aliado de primeira hora de Bolsonaro, o senador Major Olimpio.[leia sobre isto aqui: Ex-aliado, senador Major Olímpio mostra planilha como prova de que Bolsonaro usa verba da COVID em troca de apoio político ]

Assista ao trecho do vídeo em que Bolsonaro diz que "Temer já roubou muitas coisas".

Se é assim, por que manda um ladrão para nos representar no Líbano?




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Weintraub: Brigou com a China, professores, xingou ministros do STF, e resistiu. Bateu de frente com o Centrão, caiu

Weintraub

O agora ex-ministro da Educação Abraham Weintraub ofendeu a China, brigou e desrespeitou professores e reitores das Universidades públicas, xingou ministros do Supremo de vagabundos e disse que os mandaria para a cadeia, se tivesse poder para isso.

Nada disso abalou a permanência de Weintraub no cargo.

Mas aí sua arrogância e incompetência lhe subiram à cabeça e Weintraub cometeu o erro fatal de pensar que podia mais do que podia e bateu de frente com o Centrão, no exato instante em que Bolsonaro entrou em modo desespero e está entregando o governo de bandeja ao grupo para não ter sua cabeça decapitada na Câmara num processo de impeachment.

Escrevi sobre isso aqui em "Weintraub vai cair não por ser o imbecil que é, mas por dificultar entrega de fundo bilionário ao Centrão por Bolsonaro". Trecho:
É que Bolsonaro está entregando o governo nas mãos do Centrão para blindar-se no Congresso contra a chuva de pedidos de impeachment que dormem esmagados sob a cadeira do presidente da Câmara Rodrigo "Botafogo" Maia.

E o bilionário (R$ 54 bilhões por ano) Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi prometido por Bolsonaro ao Progressistas (PP).
Weintraub jogou duro e deu mole. O Centrão muda conforme o vento do poder, como mostrou ao virar o jogo e passar a apoiar o impeachment de Dilma, mesmo sem motivo para isso, conforme afirmava o próprio Cunha [veja isso aqui].

Há quem pense que o fator principal foi a agressão ao Supremo. Discordo. Bolsonaro e a maioria dos brasileiros pensa que o Supremo precisa do Congresso para cassá-lo via impeachment. E o TSE não terá coragem de anular sua eleição, por mais que fiquem provadas as inúmeras ilegalidades que existem contra a chapa. Tanto que já compareceu a manifestações com ataques ao STF.

O medo de Bolsonaro é do Centrão. Ele já pertenceu a esse baixo clero, que move a Câmara ao sabor dos ventos das emendas e da corrupção desenfreada. Comprando o Centrão, ele garante sua sobrevida —  pelo menos é o que imagina Bolsonaro.

Por isso Weintraub caiu.






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Weintraub vai cair não por ser o imbecil que é, mas por dificultar entrega de fundo bilionário ao Centrão por Bolsonaro

Weintraub com Bolsonaro

Que o ministro da Educação Weintraub é um imbecil é ponto pacífico. Incompetente ao extremo, arrogante, ignorante, o homem errado no lugar errado. Exatamente por isso foi escolhido ministro e da Educação por Bolsonaro, cujo objetivo confesso é destruir o Brasil.

Weintraub é um dos chamados ministros ideológicos de Bolsonaro, junto com Damares, o chanceler Araújo e agora, parece, o novo ministro da Justiça "terrivelmente evangélico".

Quem assistiu ao circo de horrores que foi aquela reunião de Bolsonaro e seus ministros em abril sabe do carinho especial de Bolsonaro por Weintraub, que o elogiou várias vezes.

Então por que não se fala em outra coisa a não ser na saída iminente de Weintraub da pasta? Bolsonaro, dizem, estaria estudando até um cargo no exterior para o ministro.

Por que da demissão, se não é por falta de afinidade com o führer?

É que Bolsonaro está entregando o governo nas mãos do Centrão para blindar-se no Congresso contra a chuva de pedidos de impeachment que dormem esmagados sob a cadeira do presidente da Câmara Rodrigo "Botafogo" Maia.

E o bilionário (R$ 54 bilhões por ano) Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi prometido por Bolsonaro ao Progressistas (PP).

Só que Weintraub é contra essas negociações e vem barrando o Centrão, que pede sua cabeça a Bolsonaro há mais de um mês.

Daí a queda de Weintraub, que será seguida pela de Damares e todos os demais "ideológicos", que terão suas cabeças entregues ao Centrão e à turma que, na época de Dilma, ficou conhecida como a tropa de Eduardo Cunha.

Bolsonaro se rende ao Centrão para tentar não perder o cargo. Por isso Weintraub vai perder o seu. É a política.







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