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Quem é Jeanine Añez, o terror de Bolsonaro?

Um fantasma aterroriza Bolsonaro. É uma mulher boliviana que anda como um espectro pelas catacumbas da cabeça do ex-presidente, uma alma penada que o arrasta para dentro de seu pior pesadelo, o aterroriza por saber que devem partilhar um destino comum: a cadeia.

Esse fantasma tem nome e o mesmo cargo atual de Bolsonaro: ex-presidente. O nome dela é Jeanine Añez, a ex-presidente da Bolívia, condenada a dez anos de prisão junto com seu grupo golpista naquele país.

Na recente exibição da gravação da reunião do golpe entre Bolsonaro e seus ministros, em 2022, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres exteriorizou o terror que Jeanine provoca no grupo e a certeza de seu destino comum:

"Mas eu queria começar com uma frase que a gente colocou aqui que eu acho muito verdadeira, e o exemplo da Bolívia é um grande exemplo para todos nós. Senhores, todos vão se f*der! Eu quero deixar bem claro isso. Porque se, eu não estou dizendo que, eu quero que cada um pense no que pode fazer previamente porque todos vão se f*der. Eu não tenho dúvida disso“,  disse Torres.

 

O terror

 

Quando da votação na Câmara em favor do impeachment de Dilma, o então deputado Jair Bolsonaro deu seu voto infame, soprado em seu ouvido pelo filho Eduardo: "pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff".

Deveria ter saído preso dali e perdido seu mandato, por elogiar um torturador reconhecido pela Justiça brasileira como tal. Um ser ignominioso, que levou crianças pequenas para assistirem ao martírio da mãe.
 
Agora, o que Bolsonaro disse de Ustra serve para ele, numa virada da História: "Pela memória de Jeanine Añez, o pavor de Jair Bolsonaro".
 
A ex-presidente interina da Bolívia foi condenada em junho de 2022 a 10 anos de prisão por violação de deveres e resoluções contrárias à Constituição daquele país.
 
Hoje, Jeanine está presa. E presos estão os comandantes militares envolvidos no golpe.
 
Na ocasião, Bolsonaro pareceu intuir que ali talvez estivesse traçado também seu destino:

"A turma dela perdeu (as eleições), voltou a turma do Evo Morales. O que aconteceu um ano atrás? Ela foi presa preventivamente. E agora foi confirmado dez anos de cadeia para ela. Qual a acusação? Atos antidemocráticos. Alguém faz alguma correlação com Alexandre de Moraes e os inquéritos por atos antidemocráticos? Ou seja, é uma ameaça para mim quando deixar o governo?", questionou em junho de 2022, em visita a Orlando. [BBC]

Bolsonaro chegou a oferecer asilo político a ela aqui no Brasil, mas ela recusou achando que iria se safar. Assim como ele tem esperança de que aconteça com ele, por milagre.

Mas o fantasma dela atravessa seus pesadelos, arrasta correntes pelos corredores vazios, e o barulho da porta da cadeia se fechando ecoa e reverbera em sua cabeça aterrorizando suas noites intranquilas.

Añez tomou a cabeça de Bolsonaro de tal jeito que, em pânico, ele passou a falar mais baixo e pausadamente. Reúne-se com admiradores no quintal de sua casa em Angra para orar, com o intuito de causar pena.

Mas quem terá pena de um homem que, em plena pandemia, vociferou que os brasileiros deixassem de prantear seus mortos com a infame frase "Chega de mimimi!"?

Quem vai ter pena de um homem que zombou dos que morreram por falta de oxigênio em Manaus? Dos que ouviram como palavra de consolo do presidente "E daí, eu não sou coveiro?".

Os golpistas do 8 de janeiro estão sendo condenados a mais de 17 anos de cadeia. Esse deve ser o piso de Bolsonaro. A ele devem ser somadas penas de outros incontáveis crimes, como falsificação de cartão de vacina, apropriação de relógios e outras joias. E os denunciados na CPI da Covid.

 

Crimes atribuídos a Bolsonaro pela CPI da Covid

 


1) Epidemia com resultado morte (art. 267 do Código Penal, § 1º)

“Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos”.
Pena: de dez a quinze anos de reclusão, com aplicação em dobro pela causa morte.

2) Infração de medida sanitária preventiva (art. 268 do Código Penal)

“Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”.
Pena: de um mês a um ano de prisão e multa.

3) Charlatanismo (art. 283 do Código Penal)

“Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”.
Pena: três meses a um ano de detenção e multa.

4) Incitação ao crime (art. 286 do Código Penal)

“Incitar, publicamente, a prática de crime”.
Pena: três a seis meses de detenção ou multa.

5) Falsificação de documento particular (art. 298 do Código Penal)

“Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro”.
Pena: de um a cinco anos de detenção e multa.

6) Emprego irregular de verbas públicas (art. 315 do Código Penal)

“Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei”.
Pena – de um a três meses de detenção ou multa.

7) Prevaricação (art. 319 do Código Penal)

“Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.
Pena: três meses a um ano de detenção e multa.

8) Crimes de responsabilidade

Previstos na Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, os crimes de responsabilidade “são passíveis da pena de perda do cargo, com inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública, imposta pelo Senado Federal nos processos contra o Presidente da República ou Ministros de Estado, contra os Ministros do Supremo Tribunal Federal ou contra o Procurador Geral da República.”

O relatório final da CPI acusa Bolsonaro de ter infringido os arts. 7º, item 9 (violação de direito social) e 9º, item 7 (incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo).

9) Crimes contra a humanidade

O Tratado de Roma, do qual o Brasil é signatário desde 2002, estabeleceu a criação de um Tribunal Penal Internacional que pudesse julgar a ocorrência de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão.

A CPI acusa Bolsonaro de ter cometido crimes contra a humanidade nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos, contidos no art. 7º, parágrafo 1, b, h e k, e parágrafo 2, b e g. [CNN]



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Livro do presidente do México revela que golpistas bolivianos tentaram assassinar Evo Morales

Em livro recém lançado, A la mitad del camino, o presidente do México Lopes Obrador denunciou que golpistas bolivianos tentaram de várias formas assassinar o ex-presidente da Bolívia Evo Morales.  O próprio Evo divulgou a denúncia em seu perfil no Twitter.
 
Evo diz que livro informa que golpistas tentaram subornar um de seus seguranças com US$50 mil para que o entregasse a eles. 
 
Sabotaram o plano de voo do avião enviado pelo presidente mexicano para resgatá-lo. Atiraram na aeronave e atacaram a tripulação.
 
Os golpistas também tiveram apoio dos governos de direita do Peru (hoje não mais de direita) e Equador, que fecharam seus céus para o sobrevoo do avião com Evo, obrigando-o a voar por uma distância maior.
 
Agora, com a vitória do MAS de Evo Morales nas eleições bolivianas, com o presidente Arce no comando do país, todos os golpistas estão presos ou a caminho da prisão, inclusive os comandantes das Forças Armadas e a presidente golpista Jeanine Añez.
 
O presidente Arce disse que todos serão exemplarmente punidos, de acordo com a Constituição, sem anistia, porque pensa que a anistia dos golpistas da ditadura dos anos 70 está na raiz do golpe de 2019.
 
O mesmo deveria valer para os que pretendem o golpe dentro do golpe no Brasil.






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Presidente da Bolívia diz que golpe de 2019 aconteceu pela impunidade dos envolvidos na ditadura dos anos 70 naquele país

O presidente da Bolívia Luis Arce reafirmou que não voltará atrás e serão punidos todos os envolvidos no golpe de 2019, como já está ocorrendo, com a prisão dos principais comandantes golpistas civis e militares, inclusive a ex-presidente Jeanine Añez.
 
Além do golpe de Estado em si, o governo golpista perseguiu e assassinou várias pessoas, por isso os envolvidos serão exemplarmente punidos, segundo Arce.
 
Para o atual presidente, não se repetirá a impunidade do golpe de 1971, na ditadura militar de Hugo Banzer, cujos assassinos seguem impunes.
“O povo boliviano não consegue mais suportar nenhuma impunidade ou pactos de silêncio”, advertiu o presidente em cerimônia no Grande Quartel General das Forças Armadas.
“Os últimos acontecimentos lançam luz sobre o que deve ser feito: a forma correta, real e concreta de pacificar que temos é a aplicação da justiça o mais breve possível, a pedido das famílias das pessoas que perderam vidas” no massacres, afirmou.
Arce lembrou o golpe que a ditadura militar de Hugo Banzer instalou há meio século como um exemplo que não deve se repetir na Bolívia.
“Nesse caminho de reconstrução, de pacificação, a justiça deve necessariamente se fazer presente (...). No golpe de estado de 1971, também houve mortes e 50 anos depois ainda há impunidade para os que estiveram naquele golpe; o povo boliviano já não aguenta mais qualquer impunidade ”, afirmou. [Sputniknews]
No Brasil, assistimos fato semelhante, com a impunidade da ditadura de 1964-1985 servindo de combustível para nova tentativa de golpe, comandado por um presidente e um vice que têm como herói um coronel (promovido ilegalmente a marechal nos vencimentos) torturador: Brilhante Ustra.
 
Luis Arce anunciou também a criação de “Casas da Memória” para testemunhar sobre as ditaduras e evitar assim que elas se repitam.
 




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Da Bolívia, um alerta aos milicianos brasileiros


Com o derretimento de Bolsonaro, que acompanha a destruição do Brasil, aparecem bravateiros com ameaças, convocações para golpes e mesmo mortes de "comunistas", como já foi chamado até o pavão real do STF, ministro Barroso. 
 
Mas a direita é cruel, mastiga e cospe fora todos aqueles que utiliza em determinado momento, como bem o sabem Sara Winter, o deputado marombado, agora o lamentável cantor Sergio Reis e generais abandonados pelo caminho por Bolsonaro.
 
Da Bolívia, vem o aviso do que os espera com o fracasso do golpe, num artigo de Moisés Mendes no Jornalistas pela Democracia, que reproduzo a seguir.
 
Na mesma linha, há uma postagem minha aqui: Jeanine Anez, o fantasma que apavora Jair Bolsonaro.

Pretensos milicianos com ambições políticas, que planejam cumprir missões paramilitares no Brasil, com Bolsonaro acima de tudo, devem prestar atenção no que aconteceu na Bolívia.

Não são apenas os líderes civis e militares do golpe de 2019 que estão encarcerados. Há milicianos presos. Todos foram abandonados na cadeia pela direita e pela extrema direita que desfrutavam dos seus serviços.

Os milicianos bolivianos são trastes sem utilidade. Esta aí, sem máscara, à esquerda na foto, é Milena Soto, a Sara Winter deles, líder da temida RJC, a Resistência Juvenil Cochala. É uma dessas figuras que ficaram inúteis.

A RJC foi um braço paramilitar ativo e poderoso da extrema direita. Sara Winter tinha tochas, capuzes e meia dúzia de militantes gritando na frente do Supremo. A RJC de Milena tinha centenas de ‘soldados’ mascarados, que vestiam jaquetas com as cores da Bolívia e espalhavam o terror pelas ruas e diante das casas de inimigos.

Eram jovens que sumiram com suas motos e seus coquetéis molotov depois do golpe de novembro de 2019 (na foto, Milena está na garupa). Participavam de ações violentas e só seguiam em frente com financiamento de empresários e partidos, mesmo que tudo fosse clandestino.

Milena está presa com mais dois líderes da milícia, Yassir Molina e Marco Antonio “Tonchy” Bascopé. É acusada de ter participado do ataque de outubro de 2019 contra a sede do Ministério Público em Sucre, pouco antes do golpe que derrubou Evo Morales.

O grupo tentou incendiar o prédio para forçar a renúncia do então procurador-geral Juan Lanchipa. A milícia teve participação decisiva, ao lado da Polícia Nacional e do Exército, na queda de Morales.

Cochala é como se designa o cidadão de Cochabamba. Apesar do nome Resistência Juvenil, o grupo é liderado por trintões e até por quarentões.

Todos os presos preventivamente foram denunciados pelo Ministério Público por formação de organização criminosa, agressões físicas, uso de explosivos em manifestações e destruição de bens públicos.

Líderes da direita e mesmo da extrema direita, como o governador de Santa Cruz de la Sierra, Luiz Fernando Macho Camacho, não querem conversa com os delinquentes.

Eles são perdedores. Milena chora na cadeia e manda cartas aos jornais em que acusa o governo de perseguição.

Era ligada a Camacho e depois se bandeou para a turma da senadora Jeanine Añez, quando esta se ofereceu para o cargo de ‘presidente provisória’, depois do golpe contra Morales.

Presa em março e também abandonada pelos companheiros de golpe, Jeanine teria hoje apenas uma utilidade para a direita boliviana. Morrer na prisão e ser a mártir dos golpistas.

Há nos jornais conservadores da Bolívia a antecipação de uma tragédia. Jeanine também passa o dia chorando e indo e vindo da cadeia para os hospitais, está mal.

Tem depressão, problemas cardíacos e perda de peso. Carolina Ribera, filha dela, diz que a mãe pode morrer a qualquer momento.

Carolina é acusada do desvio de doações aos pobres, quando ocupou um cargo honorífico (geralmente entregue à primeira-dama) na área social durante o governo provisório da mãe.

A direita boliviana desistiu de salvar Jeanine e alguns devem torcer mesmo pela sua morte. A ex-senadora não tem serventia nem liderança.

Tentou ser candidata a presidente na eleição de outubro do ano passado, vencida pelo Movimento ao Socialismo do agora presidente Luis Arce e de Morales, e desistiu por aparecer mal nas pesquisas.

Cumpriu a tarefa de ser mandalete dos chefes do golpe que durou apenas um ano e hoje é um arquivo com segredos da corrupção e com pelo menos seis crimes nas costas.

A extrema direita precisa se livrar de Jeanine. Seus crimes mais graves são as ordens para que policiais e militares reprimissem com violência nas ruas os manifestantes pró-Morales, depois do golpe.

Mataram 36 pessoas a tiros, a maioria nas chacinas de Senkata e Sacaba. Nesta sexta-feira, a Procuradoria-Geral a denunciou por esses crimes, classificados como genocídio, com pena de até 20 anos de prisão.

Jeanine é a ‘mártir’ que o fascismo tenta produzir, enquanto Camacho continua caçando Evo Morales, para que não seja candidato nas próximas eleições. A extrema direita está mais preocupada em atacar Morales do que em salvar os amigos presos.

Os candidatos a miliciano no Brasil precisam saber o que, quando um golpe fracassa, a direita faz com paramilitares derrotados e presos.






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Jeanine Añez, o fantasma que apavora Jair Bolsonaro

Na votação na Câmara em favor do impeachment de Dilma, o então deputado Jair Bolsonaro deu seu voto infame, soprado em seu ouvido pelo filho Eduardo, "pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff".
 
Deveria ter saído preso dali e perdido seu mandato, por elogiar um torturador reconhecido pela Justiça brasileira como tal. Um ser ignominioso, que levou crianças pequenas para assistirem ao martírio da mãe.
 
Agora, um fantasma apavora Jair Bolsonaro, o da ex-presidente da Bolívia Jeanine Añez. Senadora, ela foi alavancada à presidência daquele país por um golpe de Estado, praticado contra o desejo das urnas e do povo boliviano.
 
Hoje, Jeanine está presa. E presos estão os comandantes militares envolvidos no golpe.
 
É o destino que espera Jair Bolsonaro, filhos e militares e apoiadores de seu governo, que agem contra o país como Ustra agiu com os prisioneiros que lhe caíam às mãos.
 
Por isso, o fantasma de Jeanine Añez apavora Bolsonaro: seu destino deve ser igual ao dela.





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