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Moro diz que era o único no governo Bolsonaro a combater corrupção


Em live do jornal Valor Econômico o ex-juiz, ex-ministro de Bolsonaro, ex-super herói fulminado pela Vaza Jato, Sergio Moro,  disse que entrou no governo Bolsonaro para "avançar na luta contra a corrupção", mas que se sentiu isolado no governo:
“Senti que fiquei quase sozinho no combate a corrupção dentro do governo”, afirmou Moro. “O governo não se empenhou tanto na agenda de combate à corrupção.”
Realmente, ao que me lembre, Moro ficou marcado por sua ação no ministério por botar a PF para investigar o porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio, que disse que foi o próprio Bolsonaro quem deu autorização para que o motorista do carro usado no assassinato de Marielle Franco entrasse no condomínio no dia do crime para se encontrar com o acusado do assassinato, vizinho de Bolsonaro, Ronnie Lessa.

O porteiro, após a visita da PF, mudou a versão, que havia confirmado anteriormente duas vezes.

Moro também mandou a PF ir ao presídio de Mossoró perguntar ao acusado de assassinar Marielle se era verdade que a filha dele havia namorado o filho 04 de Jair, em ação que nada interessava ao país, apenas a Bolsonaro.

Moro também botou a PF para investigar e prender os hackers que supostamente entregaram o material ao jornalista Glenn Greenwald, que disparou a Vaza Jato.

Outra ação de Moro enquanto ministro foi no sentido de mudar a Constituição e permitir  prisão em segunda instância. Mas isso não é tarefa para ministro, mas para congressistas eleitos, que são os que podem promulgar leis.

E essa, da prisão em segunda instância, só com uma nova Assembleia Constituinte, pois é cláusula pétrea.

Moro teria que se candidatar a deputado, eleger-se, para tentar algo nesse sentido. Como ministro, chance zero.

Moro também disse que "o governo deveria aprimorar mecanismos de rastreamento de armas e munição, para impedir que esses itens sejam usados por criminosos".

No entanto, enquanto Moro ainda era ministro, Bolsonaro revogou portarias nesse sentido, como mostra esse tweete do presidente do dia 17 de abril:
Determinei a revogação das Portarias COLOG Nº 46, 60 e 61, de março de 2020, que tratam do rastreamento, identificação e marcação de armas, munições e demais produtos controlados por não se adequarem às minhas diretrizes definidas em decretos.
Nem ao menos explicar onde está o Queiroz Moro explicou. 






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Afinal, quem era Marielle? O que pensava, o que queria? Ouça a própria Marielle, em seu último encontro, no dia de seu assassinato

Twitte de Marielle Franco no dia de seu assassinato

Marielle em seu último evento, o Encontro Jovens Negras Movendo as Estruturas


Nestes dois anos, desde seu cruel assassinato na noite de 14 de março de 2018, muito se falou e escreveu sobre Marielle Franco.

Mas muita gente que não é do Rio até hoje não deve saber exatamente quem foi Marielle, o que ela pensava, como agia, a força de sua presença.

Nesse encontro com mulheres negras, o último antes de seu assassinato poucos minutos depois, é possível um retrato dessa mulher negra, por suas próprias palavras, o que ela pensava, como agia, o que articulava, como pretendia influenciar e mudar a política e a sociedade.

Marielle fala um pouco de sua formação, e muito de seus desejos, de sua luta, e ouve bastante também, nos desenhando um quadro que ficou inacabado com sua morte.

E provavelmente essa foi a causa de seu assassinato: parar sua potência, a força de seu desejo de uma sociedade mais plural e diversa.

Confira neste vídeo, que está até hoje publicado em seu Facebook, e que reproduzo a seguir. Nele você vai conhecer Marielle Franco.

E ver que, pelo que tem acontecido nestes dois anos, os que tentaram matar a semente assassinando Marielle conseguiram efeito contrário. Marielle se multiplicou e se espalhou pelo Rio, pelo Brasil, pelo mundo em milhões de Marielles.



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Veja insinua que porteiro teria dito 'seu Jair' pressionado pela milícia

Caminhão de lixo com marca Veja


Na falta de reportagem, Veja expõe fotos e põe vida do porteiro em perigo


Bem ao estilo Veja de jornalismo (que ironizei numa reportagem de fundo aqui em "As Confissões de Civita: Serra sabia de tudo"), a mais vendida do Brasil expõe na capa o rosto do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, que anotou o número 58 da casa do presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro, como o destino indicado pelo motorista envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Não apenas o rosto do porteiro, mas seu nome e a casa onde mora. Dele, conseguiu apenas estas palavras:"Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada”.

Por nada conseguir,  Veja voltou ao seu estilo e partiu para  uma ilação de que o porteiro citou o nome do presidente a mando da milícia de seu bairro, que seria comandada pelo acusado do assassinato, Ronnie Lessa.
Ao saberem que os caminhos de Fulano (o porteiro do "seu Jair") e Lessa se cruzam na Gardênia, moradores do Vivendas da Barra levantaram a possibilidade de o porteiro ter se dobrado à pressão do miliciano ao sustentar que o comparsa dele, Queiroz, ia visitar a casa do presidente. “Todo mundo sabe como funciona o esquema da milícia. Seu Fulano (o porteiro do "seu Jair") pode ter protegido o Ronnie por ameaça, medo”, diz um deles. Lessa e Queiroz estão presos na penitenciária federal de Rondônia.

Para reforçar ainda mais seu jornalismo mãe Dinah, a reportagem entrevista o outro porteiro (são sempre dois a receberem os visitantes) e pinça trecho que reforce a tese da direção da Veja::
Sicrano (o porteiro 2) contou que, ao saber do depoimento do colega, tentou falar com ele por aplicativo de mensagem, para obter “a informação verdadeira”, mas não recebeu resposta. “Todos aqui no condomínio ficaram surpresos por ele ter ligado o presidente a um crime gravíssimo. Pode ser que estejam usando o Fulano (o porteiro do "seu Jair") para denegrir a imagem de Bolsonaro”, arriscou Sicrano, que ostenta orgulhoso uma foto ao lado do capitão em suas redes sociais. No condomínio francamente bolsonarista, o próprio Fulano (o porteiro do "seu Jair") não escondia sua simpatia pelo presidente.
Com a publicação de sua foto e de sua casa, o jornalismo de Veja põe a vida do porteiro em risco, nas mãos de milicianos e bolsonaristas fanáticos.

O que Veja não consegue explicar na reportagem é por que o o porteiro receberia essa missão de Ronnie Lessa, se na hora em que anotou o número 58 da casa do presidente, Marielle ainda nem havia sido assassinada?

Obs: O Blog do Mello optou por não publicar fotos do porteiro, de sua casa, seu nome e o de seu colega de trabalho, por motivos óbvios. 

Obs 2: O porteiro é tão querido entre os moradores, que a reportagem afirma que vários deles estão fazendo uma vaquinha para pagar um advogado.


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Bolsonaro confessa crime para tentar evitar prisão de filho

Bolsonaro

Bolsonaro cria clima para tornar problema nacional uma provável prisão de seu filho


Embora muitos discordem de minha opinião, Bolsonaro pode ser tudo (machista, homofóbico, autoritário, corrupto através da prática da rachadinha), mas não é burro.

Por isso, temos que procurar a lógica que existe por trás de ele confessar o crime de obstrução da justiça à imprensa, como o fez ontem, quando, numa conversa informal com jornalistas, disse que havia se apossado dos arquivos do condomínio Vivendas da Barra, onde ele, seu filho Carlos e o acusado pelo assassinato de Marielle e Anderson moram.

A importância dos arquivos do condomínio é que eles podem esclarecer a participação ou não da família Bolsonaro no processo da morte de Marielle e Anderson.
"Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha", declarou Bolsonaro. [G1]
Quando ele diz "nós pegamos" está claramente se referindo a outra ou a outras pessoas, porque ele estava em Brasília e não poderia ter feito isso.

Quem mostrou os arquivos ao público foi seu filho Carlos Bolsonaro no Twitter, quando usou imagens e sons dos arquivos da portaria do condomínio na tentativa de inocentar o pai.

Logo, o "nós pegamos" significa o Carlos Bolsonaro pegou, foi ele quem cometeu o crime.

Por isso, Bolsonaro ataca o governador do Rio, Wilson Witzel, pois sabe que seu filho, conhecido por Carluxo, pode ir preso pelo crime. A investigação sobre o crime está sob o Ministério Público e a Polícia do Rio de Janeiro de Witzel.

Isso também explicaria a ira forjada (como mostrei aqui) de Bolsonaro contra a reportagem do Jornal Nacional, quando disse no meio do discurso uma frase que nada tinha a ver com o contexto, mas que já revelava sua real preocupação: "Vocês querem ver um de meus filhos presos".


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Bolsonaro pode acabar com especulações sobre o porteiro com uma medida simples

Bolsonaro no celular

O que Bolsonaro pode fazer para por um ponto final no caso do porteiro



Não, não é isso que você, leitor malicioso, leitora apressada estão pensando. Matar o porteiro só faria o caso se voltar de vez contra Bolsonaro. A medida é outra.

Toda a polêmica do que virou o "Caso do Porteiro" gira em torno das duas ligações que o porteiro teria feito para "seu Jair", entre as 17h e 17h15h aproximadamente, no dia do assassinato de Marielle e do motorista Anderson, para liberar a entrada do piloto do assassinato Elcio Queiroz.

Carlos Bolsonaro mostrou que não há registro dessas ligações no arquivo do condomínio. A promotoria do Rio comprou essa versão, baseada em perícia parcial, que não teve acesso ao arquivo NO computador onde foi gerado, mas apenas a uma cópia.

No Nassif, há a informação de que o condomínio não teria interfone (o que foi desmentido pelo Duplo Expresso, que mostrou o interfone de um morador), mas haveria a possibilidade de o porteiro se comunicar com o celular do morador de determinadas residências.

Isso explicaria não haver o registro no computador interno e também a certeza do porteiro de que recebeu o "talquei", por duas vezes, de Jair Bolsonaro.
Toda essa questão pode ser resolvida com uma atitude simples de Bolsonaro: abrir mão do sigilo daquele celular que está registrado na portaria do condomínio (ou estava na época do fato), apenas naquele momento entre as 17h e as 17h15 daquele dia.

Se não houver ligação alguma vinda do condomínio, o porteiro se equivocou e não falou com Bolsonaro. Ponto final. Agora, se houver...

A questão que fica é: Bolsonaro estará disposto a abrir mão de seu sigilo telefônico para esclarecer de vez o problema?


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