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Ronnie Lessa confessa mais um assassinato

O assassino confesso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ex-PM Ronnie Lessa, confessou mais um assassinato no Rio de Janeiro.

Em busca de diminuir sua pena final, paradoxalmente Ronnie Lessa entrega mais crimes, para mostrar que está disposto a colaborar.

Além de ter confessado o duplo assassinato de Marielle e Anderson, ter entregue os mandantes e colaboradores, Lessa está admitindo outros crimes, sempre como assassino profissional.

A vítima da vez foi executada em 14 de junho de 2014, há 10 anos exatos daqui a quatro dias. 

Em seu acordo de delação premiada, ele disse ter assassinado o ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, apontado como rival do ex-vereador Girão pelo controle da comunidade da Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Na delação, Lessa afirmou que preparou fuzil e um automóvel, modelo Fiat Dobló, para usar no assassinato de Zóio. Uma sentença unificada contemplará este e outros crimes atribuídos a Ronnie Lessa. O executor de Marielle Franco deverá cumprir pelo menos 18 anos de prisão em regime fechado, numa pena que deverá variar entre 20 e 30 anos. [Tempo Real]

Embora a polícia aponte o ex-vereador Girão como mandante do assassinato,  Ronnie Lessa disse que a motivação do crime foi pessoal. Disse também que não foi responsável pela morte da mulher de Zóio, Juliana, crime que a polícia atribui a Fábio da Silveira Santana, o Fábio Caveira.

Segundo Lessa, friamente: “Só o André era para ter sido morto”.

Assim como aconteceu no caso de Marielle, quando o motorista Anderson Gomes acabou assassinado também, mesmo fim que quase teve a jornalista e assessora de Marielle, Fernanda Chaves, que escapou apenas com ferimentos leves.

É como dizem as bulas, "efeito colateral indesejável" da fábrica de assassinos da polícia e da milícia do Rio, hoje praticamente a mesma coisa.


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Nunes Marques tem seu destino ligado ao mais perigoso bicheiro do RIo

O destino parece unir, como algemas unem a mão direita à esquerda, o destino do ministro do STF Kássio Nunes Marques ao do bicheiro Rogério de Andrade, sobrinho do capo Castor de Andrade, já falecido.

Rogério de Andrade é tido como o mais perigoso, poderoso e violento bicheiro do Rio de Janeiro. São inúmeras as acusações contra ele, inclusive de assassinatos. Mas sempre se livrou corrompendo a polícia e se cercando de ex-policiais violentos e perigosos, como o ex-capitão do BOPE Adriano da Nóbrega, chefe do chamado Escritório do Crime, assassinado na Bahia em provável queima de arquivo, e do ex-sargento Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ronnie Lessa era sócio de Rogério de Andrade em parte de seu império de máquinas caça-níqueis.

Os tentáculos do bicheiro na polícia, no entanto, são ainda mais profundos: um levantamento feito pelo GLOBO com base em processos judiciais, sindicâncias e boletins internos das polícias revela que, desde 1998, 101 agentes oriundos de forças de segurança foram acusados de trabalhar para Andrade. Ao todo, 79 policiais militares, 14 policiais civis, seis bombeiros, um policial federal e um policial penal já foram associados à tropa do bicheiro nas últimas três décadas — efetivo equivalente ao que um batalhão de médio porte da capital do Rio, como o 6º BPM (Tijuca), emprega diariamente no patrulhamento das ruas de sua região. [Globo]

 

Uni Duni Tê 4

 

Por quatro vezes o destino de Rogério de Andrade esteve nas mãos do ministro Nunes Marques. Na mais recente, tomada na terça-feira, 16, o ministro liberou Rogério do uso de tornozeleira eletrônica e também da obrigação de não sair de casa após as 18h.  Agora ele está livre para sair a qualquer hora e sem monitoramento.

A primeira decisão de Nunes Marques que beneficiou Rogério de Andrade foi em setembro de 2021. O ministro do STF suspendeu um mandado de prisão contra o bicheiro pela suspeita de ser o mandante da execução do também contraventor Fernando Iggnácio, numa emboscada, em novembro de 2020. A investigação foi da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) da Polícia Civil. Embora, à época, o chefe da segurança de Rogério, o sargento reformado da PM Márcio Araújo de Souza, tenha ficado na cadeia pelo mesmo crime. Três meses depois, Nunes Marques decidiu pelo trancamento da ação penal contra Rogério de Andrade, favorecendo-o pela segunda vez.

A terceira decisão que o beneficiou ocorreu em agosto de 2022. O ministro do STF suspendeu novo mandado de prisão contra Rogério de Andrade, por organização criminosa e corrupção ativa. Nunes Marques também revogou as prisões do filho do contraventor, Gustavo de Andrade, e do chefe da segurança, Márcio Araújo, em junho e outubro de 2023, respectivamente.[Globo]

O jornalista Rafael Soares, autor do livro "Milicianos", com extensa pesquisa sobre o tema, publicou em seu perfil no X uma série de xuítes:

Um detalhe sobre a infiltração do bicheiro Rogério Andrade no Estado e o risco do fim de seu monitoramento pela Justiça. 

Em 2021, ele teve a prisão decretada pelo homicídio de seu rival Fernando Iggnácio. Quando soube do mandado resolveu fugir — com a ajuda de um séquito de PMs.

Na teoria, a obrigação dos mais de 20 PMs que faziam parte de sua escolta pessoal era denunciar o paradeiro de Rogério ou até dar voz de prisão a ele. Não foi o que aconteceu.

Mensagens obtidas pelo MPRJ mostram que os agentes passaram os quatro meses seguintes trabalhando para proteger o bicheiro da Justiça enquanto ele se escondia num sítio em Araras, na Região Serrana do Rio.

Enquanto o mandado de prisão esteve em vigor, Rogério jamais foi encontrado.

  

 

Comício de Bolsonaro e a decisão do ministro

 

Internautas também fizeram uma ligação entre a liberação do uso de tornozeleiras por Rogério de Andrade e o comício bolsonarista de lançamento da pré-campanha de Ramagem à prefeitura do Rio.

A grande festa foi na quadra da Mocidade Independente, que tem a família de Castor de Andrade como patronos e Rogério de Andrade como presidente de honra.

Como Nunes Marques foi indicação de Bolsonaro ao STF, ficou a dúvida:


 

 

Bicheiros não mandam flores

 

Como será que o assassino de Marielle e Anderson, Ronnie Lessa, enquanto aguarda a sentença final de seu caso, recebeu na cadeia a notícia de liberação total de Rogério de Andrade por Nunes Marques?

Ronnie Lessa começou um processo de delação premiada, onde entregou os que seriam os mandantes do crime de Marielle e Anderson, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. 

Só que os acordos de delação premiada vão mais fundo e devem querer saber também das relações de Ronnie com Rogério de Andrade. Ou conta tudo ou tem o acordo anulado e perde as possíveis vantagens que viriam dele.

"O que será que Rogério de Andrade pensa disso?", deve estar se perguntando Ronnie Lessa, agora com o antigo sócio livre, leve e solto. Certamente, preocupado.

Quem assistiu à série "Vale o Escrito — A Guerra do Jogo do Bicho" sabe que as desavenças ou delações entre eles não costumam ser resolvidas com flores — a não ser aquelas que enfeitam os velórios. 


 



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Nebulosas ligações entre assassino de Marielle e Bolsonaro

São pelo menos duas as nebulosas ligações entre Ronnie Lessa, o assassino agora confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes, e Jair Bolsonaro.

Uma é com relação à autorização da entrada do motorista do carro do assassinato, Élcio Queiroz, ao condomínio Vivendas da Barra, onde moram Lessa e Bolsonaro.

Segundo as informações iniciais, Élcio foi autorizado a entrar no condomínio por Jair Bolsonaro. Foi o que informou por escrito nas anotações da portaria o porteiro, que trabalhava há bastante tempo no condomínio. A autorização teria sido dada por Bolsonaro via telefone.

A desculpa de Bolsonaro é de que estava em Brasília, por isso não poderia ter dado a autorização. No entanto, no condomínio há a possibilidade do porteiro se comunicar com o telefone do morador, o que neutraliza a resposta de Bolsonaro.

Foi investigado o celular ou qualquer outro aparelho de posse do à época deputado federal Jair Bolsonaro para averiguar se ele recebeu ou não a ligação do condomínio?

A investigação do caso ficou nublada a partir do momento em que Bolsonaro, como presidente, ordenou ao ex-juiz Sergio Moro, à época seu ministro da Justiça, que investigasse o caso.

O porteiro, que, repito, trabalhava no prédio há bastante tempo, de repente, após visita da PF, voltou atrás e desdisse o que havia afirmado. Nunca foi divulgado o depoimento oficial. Apenas houve a informação de que ele disse que havia se enganado. Nunca mais se tocou no assunto.

A outra ligação nebulosa se refere a várias ligações telefônicas entre o aparelho da casa de Ronnie Lessa e o de Bolsonaro no condomínio.

Por que aquelas ligações, se Bolsonaro afirmou várias vezes que nem conhecia Lessa?

A resposta veio do delegado que "investigava" o caso, Giniton Lages: as ligações não eram entre Lessa e Bolsonaro, mas entre a filha de Lessa, Mohana, e o filho Jair Renan de Bolsonaro, que teriam sido namorados.

Sabe-se agora que o delegado Giniton, que até escreveu livro sobre o assunto, estava envolvido no acobertamento do caso; portanto, sua declaração é no mínimo suspeita.

Curiosamente, nunca se ouviu declaração de Mohana sobre o tal namoro. Mais: durante muito tempo Mohana viveu nos Estados Unidos. Bateram as datas de ligações com o paradeiro dela? Mais: onde se viu dois jovens namorados em pleno século 21 se comunicarem por telefones fixos e não por celulares?

E se as ligações não fossem entre Mohana e Jair Renan, nem entre Lessa e Jair Bolsonaro, mas entre Lessa e Carluxo, o filho de Bolsonaro que disse que estava na Câmara do Rio na hora da entrada de Élcio Queiroz no condomínio, mas depois se desdisse, quando teria atendido para receber uma pizza?

Longe de estar encerrado, o caso dos assassinatos de Marielle e Anderson ainda tem muitas pontas soltas à espera de investigação e esclarecimento.


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Caso Marielle: Freixo comenta prisão dos mandantes e fala sobre futuro do Rio

Marielle Franco trabalhou na campanha e depois foi assessora parlamentar de Marcelo Freixo por dez anos, até ser eleita vereadora. A relação dos dois era tão próxima que houve quem levantasse a hipótese de que ela teria sido assassinada como uma forma de punir Freixo.

Hoje, presos os mandantes do assassinato, Marcelo Freixo, atualmente presidente da Embratur, fez várias postagens no X, antigo Twitter, comentando o assunto que ele conhece tão bem, não apenas pelo relacionamento estreito com Marielle mas por ter sido o presidente da CPI das Milícias, de 2008, que já denunciava a família Brazão como uma das mais poderosas milícias do Rio.

Por uma coincidência, no dia da prisão dos mandantes, 24 de março, Renato, irmão de Freixo, foi assassinado pela milícia, em 2006.

Freixo fala de sua expectativa de que o Rio de Janeiro aproveite este momento para dar uma virada geral na nefasta ligação entre crime, polícia e política.

* * * * *

A família Brazão é um projeto político no Rio de Janeiro. Tem vereador, deputado estadual, deputado federal, membro do Tribunal de Contas. E indica cargos nos governos. A operação da Polícia Federal hoje vai nos ajudar a entender a relação de crime e política desse projeto, é uma investigação fundamental para entendermos o tamanho do buraco que está o Rio.

Por que escolheram a Marielle? Sem dúvida porque é uma mulher negra, eles tinham certeza de impunidade. No dia seguinte, no velório, já tinha uma multidão. A resposta que a sociedade deu teve a ver com a grandeza do que Marielle representava, coisa que eles nunca foram capazes de enxergar.

O delegado Giniton Lages, ex-titular da Delegacia de Homicídios, afastado das funções pelo STF por envolvimento na obstrução das investigações do assassinato de Marielle, escreveu um livro sobre ela. O nível de barbárie e deboche é inacreditável.

Foram 5 delegados que comandaram as investigações do inquérito do assassinato da Marielle e do Anderson, e sempre que se aproximavam dos autores eram afastados. Por isso demoramos seis anos para descobrir quem matou e quem mandou matar. Agora a Polícia Federal prendeu os autores do crime, mas também quem, de dentro da polícia, atuou por tanto tempo para proteger esse grupo criminoso. Essa é uma oportunidade para o Rio de Janeiro virar essa página em que crime, polícia e política não se separam.

Foi para Rivaldo Barbosa que liguei quando soube do assassinato da Marielle e do Anderson e me dirigia ao local do crime. Ele era chefe da Polícia Civil e recebeu as famílias no dia seguinte junto comigo. Agora Rivaldo está preso por ter atuado para proteger os mandantes do crime, impedindo que as investigações avançassem. Isso diz muito sobre o Rio de Janeiro.

Hoje é 24 de março, dia em que meu irmão Renato, que foi retirado de nós pela milícia, faria aniversário de 52 anos. No caso dele, ficamos 14 anos sem saber quem matou e quem mandou matar. Quando o caso foi resolvido, os crimes já estavam prescritos e os assassinato estão livres até hoje. Hoje, que estaríamos em festa com Renato por seu aniversário, eu amanheço com os mandantes da morte da Marielle presos.

Em 2008, quando fiz a CPI das Milícias, nós escrevemos no relatório que crime, polícia e política não se separam no Rio. 16 anos depois, com o caso da Marielle resolvido, reafirmo a mesma frase. Um membro do Tribunal de Contas, um vereador (agora deputado) e um chefe da polícia presos envolvidos no assassinato da Marielle.

* * * * *

Um adendo aos comentários de Freixo. Em 2008, quando da criação da CPI da Milícias, apenas dois deputados votaram contra: Flávio Bolsonaro e Chiquinho Brazão, hoje preso como um dos mandantes do assassinato de Marielle e Anderson.      



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Marielle: Sobrevivente do atentado ouve de ministro: 'Questão de dias'

Há mais de seis anos que ouvimos e lemos diariamente "Quem matou Marielle e Anderson" e depois "Quem mandou matar Marielle e Anderson" que até esquecemos que havia uma outra pessoa no carro no dia do assassinato, e ela sobreviveu.

Assessora do PSOL, à época de Marielle, a jornalista Fernanda Chaves estava no carro na noite daquele 14 de março de 2018, quando o ex-PM Ronnie Lessa, num carro dirigido por outro ex-PM, Elcio Queiroz, assassinou Marielle e Anderson e feriu Fernanda com estilhaços de vidro.

Fernanda passou anos fora do país após o crime.

Na última quarta, dia 20, ela esteve com deputados federais do PSOL numa audiência com o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski para falarem sobre o caso.

“Comecei dizendo que a homologação foi a notícia mais importante desde a prisão dos dois executores. Sobretudo para quem acompanha este processo como vítima de tentativa de homicídio e sobrevivente”, afirma.

Contou do período de insegurança que viveu, antes de ver presos o assassino e seu motorista, e  a insegurança que ainda vive por não saber quem são os mandantes. Ainda mais agora, quando o caso subiu para o STF, o que indica que Ronnie Lessa denunciou alguém do Congresso como sendo um dos mandantes. 

“Saber que um dos investigados tem foro no STF me causa ainda mais ansiedade, já que trabalho há anos no meio político. Isso significa que circulo entre figuras que podem estar comprometidas no crime.”

Fernanda ainda criticou o governador do Rio Cláudio Castro, que chamou de "fofoca jurídica" o recente pronunciamento do ministro Lewandowski  anunciando o recebimento da delação premiada de Ronnie Lessa.

O ministro disse que leu a declaração do governador, a classificou como "besteira" e tranquilizou deputados e a jornalista quando anunciou que os mandantes do atentado serão anunciados “em questão de dias”.

Ao que tudo indica, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. 


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Bolsonaro e homicídios em alta no país. Simples coincidência?


Há poucos dias, a notícia foi a subida da aprovação de Bolsonaro na pesquisa Datafolha, graças ao auxílio emergencial e a sua eficiente comunicação, que consegue fazer com que ele fature o que é bom (mesmo que não tenha sido feito por ele, como o próprio auxílio, que ele não queria e depois quis com o valor de R$ 200 e não de R$ 600) e jogue nas costas do Congresso, do STF, dos comunistas, do PT, de qualquer um, o que "deu ruim".

Agora, vem a notícia de que, mesmo sob a pandemia, com a diminuição de pessoas nas ruas, aumentou em 6% o número de homicídios no país.
O Brasil teve uma alta de 6% nos assassinatos no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.
Em seis meses, foram registradas 22.680 mortes violentas, contra 21.357 no mesmo período do ano passado. Ou seja, 1.323 mortes a mais.
O aumento de mortes acontece mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, que fez com que estados adotassem diversas medidas de isolamento social. Ou seja, houve alta na violência mesmo com menos pessoas nas ruas.[G1]
Embora uma coisa não seja função da outra, ambas estão relacionadas a Bolsonaro. Não é coincidência que sua aprovação tenha subido e, com ela, o número de assassinatos.

Bolsonaro defende a morte como outros defendem a vida. Já disse que a ditadura matou pouco. Defendeu a morte de Dilma. De FHC. Que a ditadura deveria ter matado uns 30 mil.

Em relação aos mortos da pandemia, repete que todos vamos morrer, já disse que não era coveiro e chegou a perguntar: e daí?

Bolsonaro sempre defendeu policiais, mais apropriadamente a violência policial, e milicianos.

É defensor do uso de arma de fogo pela população, liberou a venda de uma grande quantidade de munição, facilitou sua aquisição, e dificultou o rastreamento tanto de armas como de munição.

Portanto, a subida dos números de Bolsonaro e dos de assassinatos é questão de coincidência tanto quanto são coincidências:
  • o acusado de assassinar Marielle e Anderson ser vizinho de Bolsonaro
  • o principal assassino do chamado Escritório do Crime ter sido funcionário de Flávio Bolsonaro e homenageado por ele e ter sido, coincidentemente, assassinado num cerco de polícia visto como queima de arquivo
  • vários milicianos serem defendidos publicamente por Bolsonaro e homenageados com medalhas por seu filho Flávio
  • o tio de sua atual mulher, Michelle, ser miliciano e a avó dela acusada de ser traficante
  • também é simples coincidência o motorista do carro do assassinato de Marielle ter ido ao condomínio onde mora Bolsonaro para se encontrar com o acusado de matador e na portaria ter informado que iria à casa de Bolsonaro
  • também coincidentemente, o porteiro, que trabalhava há anos no condomínio, afirmou por duas vezes em depoimentos em dias diferentes que fora Bolsonaro quem autorizara a entrada do motorista no condomínio
  • também coincidentemente, após ter a PF de Moro em seus pés, o porteiro voltou atrás e disse que se enganou
  • também coincidentemente o desaparecido Queiroz estava acoitado no sítio do advogado de Flávio e do próprio Jair, o excêntrico Wassef, que se encontra no momento coincidentemente desaparecido
  • e foi com Bolsonaro, coincidentemente, que um sargento da Aeronáutica se atreveu a utilizar avião da comitiva presidencial para traficar 39 kg de cocaína
É coincidência demais, não?



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Afinal, quem era Marielle? O que pensava, o que queria? Ouça a própria Marielle, em seu último encontro, no dia de seu assassinato

Twitte de Marielle Franco no dia de seu assassinato

Marielle em seu último evento, o Encontro Jovens Negras Movendo as Estruturas


Nestes dois anos, desde seu cruel assassinato na noite de 14 de março de 2018, muito se falou e escreveu sobre Marielle Franco.

Mas muita gente que não é do Rio até hoje não deve saber exatamente quem foi Marielle, o que ela pensava, como agia, a força de sua presença.

Nesse encontro com mulheres negras, o último antes de seu assassinato poucos minutos depois, é possível um retrato dessa mulher negra, por suas próprias palavras, o que ela pensava, como agia, o que articulava, como pretendia influenciar e mudar a política e a sociedade.

Marielle fala um pouco de sua formação, e muito de seus desejos, de sua luta, e ouve bastante também, nos desenhando um quadro que ficou inacabado com sua morte.

E provavelmente essa foi a causa de seu assassinato: parar sua potência, a força de seu desejo de uma sociedade mais plural e diversa.

Confira neste vídeo, que está até hoje publicado em seu Facebook, e que reproduzo a seguir. Nele você vai conhecer Marielle Franco.

E ver que, pelo que tem acontecido nestes dois anos, os que tentaram matar a semente assassinando Marielle conseguiram efeito contrário. Marielle se multiplicou e se espalhou pelo Rio, pelo Brasil, pelo mundo em milhões de Marielles.



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Bolsonaro é mingau que tem que ser comido pelas beiradas: Filhos, Michele, Queiroz, Adriano, Marielle


Não há possibilidade de impeachment sem o apoio das ruas


Embora motivos não faltem para o impeachment de Bolsonaro, que já pedalou à vontade, desrespeitou orçamento e feriu a dignidade do cargo inúmeras vezes, não há horizonte para seu impeachment, enquanto o povo não sair às ruas para isso.

O Congresso só se move, quando cobrado pelo povo com a faca nos dentes. Mesmo assim, nem sempre, como no caso das Diretas Já.

A sorte de Bolsonaro é que a credibilidade das instituições está lá embaixo, um dos piores Congressos da história, com evangélicos picaretas, milicianos, PMs do baixo clero e defensores de pena de morte em sua maioria. Desse caldo veio Bolsonaro, e muitos se elegeram graças a ele.

E a desgraça de Bolsonaro, que começa a ser cobrado até pela mídia corporativa, com ameaça de impeachment, é a oportunidade que o Congresso tem de pressioná-lo para aprovar suas emendas.

Quanto mais fraco Bolsonaro, maior o poder do Congresso. Daí o convite da ultradireita ao protesto do dia 15 contra os presidentes da Câmara e do Senado, contra o Congresso e em favor de uma intervenção militar, endossado criminosamente por Bolsonaro, via WhatsApp.

Portanto, não adianta contar com impeachment, pelo menos por agora. O caso é derrotar Bolsonaro pelas beiradas, como se come mingau quente.


Botar pressão no filho Flávio e suas rachadinhas com salários de seus gabinetes, ligação com milicianos e exposição de cadáver do suposto Adriano.

Eduardo pelos ataques à Constituição, por ameaça velada de bomba no Congresso.

Carlos Bolsonaro pelo mistério do morador da casa 58 e do terceiro homem do carro dos assassinos de Marielle e Anderson.

Da primeira-dama Michele, que teria de explicar os depósitos em sua conta corrente feitos por Queiroz.

Pela prisão de Queiroz e investigação aprofundada de suas relações com milícias, rachadinhas e até o assassinato de Marielle. Oferecimento de uma delação premiada a ele, em troca de diminuição de suas penas e de sua família, mulher e filhas, também envolvidas no esquema.

A morte de Adriano, o PM herói dos Bolsonaro, assassinado com todas as características de queima de arquivo na Bahia. Por que queimaram o arquivo? Chamar sua viúva para depor. O que Adriano sabia de tão grave que não podíamos saber?

O assassinato de Marielle Franco e a proximidade dos envolvidos no crime com a família Bolsonaro, no famoso caso da casa 58.

É pelas beiradas que Bolsonaro deve ser atacado, porque ele não tem estofo psicológico para aguentar pressão.

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Indignação de Bolsonaro no vídeo é falsa como ele, que já sabia do caso do porteiro há 3 semanas

Bolsonaro


Indignação de Bolsonaro no vídeo em que contestava a matéria do porteiro no Jornal Nacional era falsa 


"Patifaria", "querem me derrubar", "prender um de meus filhos". Bolsonaro bufava, tirava e botava os óculos, simulando uma indignação que foi forjada em discussão com seus principais assessores. Porque ele sabia da história há tempos.

Tudo isso é vacina para, mais adiante, se surgirem provas contra o Flávio, por exemplo, envolvido no caso das rachadinhas com Fabrício Queiroz, Bolsonaro poder dizer que é fake new querendo derrubá-lo.

E com a barriga da Globo, Bolsonaro conseguiu vender seu peixe.

Bolsonaro sabia desde há três semanas, em 9 de outubro, da história do porteiro no caso Marielle, que lhe fora passada pelo governador do Rio Wilson "Mira na Cabecinha" Witzel, que é declarado candidato a presidente em 2022, e a quem Bolsonaro aproveitou para também atacar na live.
Faltavam poucos minutos para 21h do dia 9 de outubro, uma quarta-feira, quando o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, entrou na sala em que o ministro Augusto Nardes, do TCU (Tribunal de Contas da União), comemorava antecipadamente seu aniversário de 67 anos.
 Segundo Bolsonaro, naquela noite ele teria ouvido de Witzel que seu nome fora mencionado nas investigações que apuram o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).
"No dia 9 de outubro, às 21 horas, eu estava no Clube Naval do Rio de Janeiro quando o governador Witzel chegou para mim e disse: o processo está no Supremo", contou. "Que processo? O que eu tenho a ver? E o Witzel disse que o porteiro citou meu nome. Ele sabia do processo que estava em segredo de Justiça", disse. [Folha]

Se Bolsonaro se dedicasse à vacina da população contra doenças com a mesma devoção que dedica à vacina política, o Brasil não estaria se aproximando das trevas na saúde, com a volta do sarampo, as epidemias de dengue, zika e chikungunya, e até a ameaça da volta da pólio.


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Bolsonaro gritou, ameaçou, mas não respondeu quem era o 'seu Jair' que autorizou entrada do motorista do assassino de Marielle

Bolsonaro

Motorista do assassinato de Marielle recebeu ok do "seu Jair" para se encontrar com o assassino



Edição do Jornal Nacional de ontem saiu com uma informação bomba: o motorista envolvido no assassinato de Marielle foi ao condomínio, onde moram Bolsonaro e o homem acusado de ser o assassino da vereadora e do motorista Anderson, pegar o matador para irem cometer o crime.

Segundo a reportagem, o motorista Elcio Queiroz (mais um Queiroz na vida de Bolsonaro) chegou à portaria dizendo que se dirigia à casa de Jair Bolsonaro. O porteiro teria ligado para a casa 58, onde mora Jair, e um homem, que o porteiro reconheceu como "seu Jair", autorizou a entrada de Elcio.

O porteiro teria então acompanhado o carro pelas câmeras do condomínio e visto que ele tomou o rumo da casa do acusado de executor do assassinato, o ex-PM Ronnie Lessa, que mora na casa 66 do mesmo condomínio.

Ligou então novamente para a casa de Bolsonaro e o mesmo "seu Jair" disse que sabia que o homem iria para aquele local.
Em live, se dizendo indignado, Bolsonaro se defende dizendo que estava em Brasília no dia (o que também foi dito na reportagem).

Carlos Bolsonaro, que mora em outra casa no condomínio, também alega que estava na Câmara do Rio, onde é vereador.

Um outro filho de Bolsonaro, Jair Renan, mora em Resende, interior do estado do Rio.

Falta descobrir quem era o homem que estava na casa 58, a de Bolsonaro, que o porteiro identificou como "seu Jair", e deu autorização para o encontro do motorista com o assassino de Marielle. Por que autorizou a entrada se sabia que o homem não se dirigia à casa dele e sim à do assassino?

Bolsonaro disse que chamou o Moro para convocar o motorista. Faria melhor se perguntasse a dona Michele quem era o homem que estava lá naquele dia.

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10 medidas reais de Bolsonaro contra a corrupção incluem demissão do fiscal do Ibama e do superintendente da PF que investigou relação com milícias

Medidas de Bolsonaro contra a corrupção - humor

Demissão de superintendente da PF no Rio é interferência nunca feita antes por um presidente


O anúncio da demissão do superintendente da PF no Rio Ricardo Saadi (é anúncio porque a pressão é tanta que Bolsonaro pode voltar atrás - o que não será a primeira vez) mostra mais uma vez o estilo Bolsonaro de combate à corrupção, para quem ainda não havia entendido.

Uma das primeiras medidas do presidente foi mandar demitir o fiscal do IBAMA que o multou em 2012 por pesca ilegal em área de proteção ambiental onde não apenas a pesca mas a presença de humanos é proibida.

Mandou trocar diretoria e depois de ministério o Coaf, que saiu de Moro para Guedes, porque investigou dados de sua família. Fez o mesmo com a Receita Federal.

Fez acordo com Toffoli (confirmado por este em entrevista à Veja) para barrar investigação contra o filho Flávio no caso Queiroz.

Agora pede a cabeça do superintendente da PF no Rio pelo mesmo motivo, além da investigação sobre as mortes de Marielle e Anderson por milicianos.
A investigação sobre a natureza dos supostos elos entre milícias do Rio de Janeiro e a família do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o chamado caso Queiroz, teve papel de destaque no surpreendente anúncio de demissão do superintendente da Polícia Federal no estado, delegado Ricardo Saadi.
Bolsonaro vinha se queixando a interlocutores havia meses de que não confiava na atuação de Saadi, que não tinha ingerência direta sobre nenhuma investigação envolvendo o clã Bolsonaro, mas que agia em sintonia com quem lida com o assunto.
A Folha ouviu de um governista que o presidente considera o tratamento dado às investigações envolvendo seu filho Flávio, senador pelo PSL-RJ, direcionado para atingir sua imagem. Daí a buscar responsáveis, foi um pulo: nunca antes um diretor regional da PF havia sido afastado por uma declaração presidencial.[Folha]





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