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Policiais se confundem e dão voz de prisão a juiz que emitiu mandado e não ao criminoso. Não é o que quer Bolsonaro?
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Campanha de Bolsonaro contratou 64 policiais para segurança, o que é ilegal
Mais ilegalidades na campanha presidencial de Bolsonaro
Não foram apenas as fake news, os disparos de milhões delas e o dinheiro de empresários para impulsionamento de sua campanha as ilegalidades cometidas pela campanha de Bolsonaro.
Reportagem de Felipe Bächtold na Folha mostra que foram contratados 64 policiais do Rio de Janeiro, entre civis e militares, para trabalhar como segurança na campanha, o que é ilegal.
O Diretório Nacional do PSL contratou no ano passado 64 policiais militares e civis do Rio de Janeiro para serviços de segurança privada em atos de campanha do então candidato Jair Bolsonaro. Os policiais atuaram em seus horários de folga, prática vedada a esses servidores pela legislação.Como naquele ditado "cada enxadada uma minhoca", pode-se dizer da campanha de Bolsonaro: a cada investigação uma ilegalidade.
Foram pagas cerca de cem diárias a esses profissionais, em uma despesa total de mais de R$ 50 mil, custeada com recursos do fundo partidário do PSL, repassados pelos cofres públicos, e com receitas de campanha. Os dados constam da prestação de contas do PSL enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral.
Além dos 64 policiais contratados, há também na lista um ex-PM que foi expulso da corporação acusado de receber propina para não combater o tráfico [sic].
A legislação, porém, proíbe a atuação de PMs e policiais civis como segurança privado, sem deixar brecha.
Os estatutos dos policiais civis e militares do Rio de Janeiro exigem dedicação exclusiva, o que veda a atuação como segurança privada em horários de folga. Na Polícia Militar, decreto federal que regulamenta a atividade policial também estabelece a dedicação exclusiva. [Folha]
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Lei de Moro dá licença para matar a policiais e milicianos
"Excludente de ilicitude" de Moro é caminho para legalizar assassinatos por policiais e policiais-milicianos
O ministro Sergio Moro, o ex-justiceiro de Curitiba demolido pela Vaza Jato, pode argumentar que não, que não é bem isso, mas o que seu excludente de ilicitude dá ao policial é uma licença para matar.Ao poder alegar que agiu sob intensa emoção, Moro dá ao policial o poder de definir o que vai fazer (matar), fazê-lo (praticar o ato) e absolver-se (foi intensa emoção).
É priva de que Moro não é flor exótica no sangrento jardim dos Bolsonaro. Pelo contrário, é jardineiro que quer cuidar e proteger a solução violenta.
Como se sabe, é estreita a relação entre policiais e milícias e, em geral, milicianos são policiais da ativa ou ex.
Radicalmente contra a medida, Nelson Jobim, o ex-presidente do Supremo e ex-ministro da Justiça e da Defesa, diz que só a discussão, em si, já “estimula a polícia a fazer, mais e mais abertamente, o que já faz”. Ele explica que seria “legitimar a agressão por parte do poder público e sem o controle da operação, que seria do próprio policial”. Ou seja, corresponderia a outorgar ao policial “um poder discricionário”, porque é ele quem controla a operação, a versão e o desfecho.
Outro ex-ministro do Supremo vai além: se o policial sabe que não corre risco, que ficará impune e acaba atirando sem pensar até em crianças na escola, brincando e passeando com pais e avós, esse policial pode pisar ainda mais fundo nesse acelerador macabro. Se mata tão facilmente uma menina com um tiro nas costas, que dificuldade teria para matar também as testemunhas? Basta alegar que elas o ameaçavam e foi tudo em legítima defesa. Sem testemunhas, qualquer história ganha asas. Ainda mais se o poder público autoriza, permite, até estimula. Barbárie. [Eliane Cantanhede, Estadão]
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Jovem de 15 anos torturado e morto pela polícia em Bauru, SP. Serra estuda
Para quem está caindo de pára-quedas, informo: às três da madrugada de sábado passado, PMs bateram na porta aos gritos, exigindo que a abrissem. Entraram, torturaram barbaramente o jovem Carlos Rodrigues Júnior, com mais de trinta choques pelo corpo - que molharam para aumentar o efeito. Enquanto isso, a família escutava da sala os gritos do adolescente, sem poder fazer nada. Isso durou mais de uma hora. Até que o jovem se calou – provavelmente morto – e foi levado pelos policiais. Um crime monstruoso.
O governador de São Paulo, José Serra, afastou os policiais e agora afirma que está em estudo a elaboração de um projeto de lei para garantir indenização à família do adolescente de 15 anos morto em Bauru, a 343 km de São Paulo, no último sábado (15).
Ou seja, em realidade, o governador tucano tomou apenas uma medida, a do afastamento dos policiais. A outra está em estudos. E amanhã o caso completa uma semana. É muito pouco.
O governador deveria, no mínimo, ter demitido o comandante da PM. Ou passa pela cabeça de alguém que seis policiais invadam uma casa, às três da madrugada, para torturar alguém com tais requintes de crueldade, caso essa não seja uma atitude de rotina, sem conseqüências, e que só deu M agora, porque o jovem morreu?
No entanto, nossa “grande imprensa” toca no assunto com luvas de pelica. Não se vê uma indignação semelhante àquela da jovem presa estuprada na cadeia no interior do Pará. Talvez porque lá, a governadora é petista. Em SP, tucano. Mas a infâmia é a mesma. Mesma também a atitude dos governadores, que não tomaram medidas exemplares para mostrar a seus comandados na área de segurança que não toleram, não admitem tortura de forma alguma.
Semelhante à indignação dos hipócritas, que defendem “medidas duras” contra a “bandidagem”, uma “poliça atuante”, criticam “esses defensores de direitos humanos de bandidos”, e depois fingem horror quando fatos como esses ocorrem.
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Após o PAN, violência volta às primeiras páginas dos jornais

Como mostrei ontem, no primeiro dia útil após o PAN houve tiroteio entre polícia e traficantes. Um morto. Hoje está aí a primeira página de O Globo novamente: Moradores da Favela da Cotia (no segundo dia após o PAN) incendiaram dois ônibus e quatro carros particulares, em protesto contra a morte de um homem, que teria sido assassinado por quatro policiais à paisana, segundo os moradores.
Na primeira página de O Dia, a manchete é “Depois do PAN, Rio volta à crueldade da guerra urbana”.
No Extra: Violência explode na Grajaú-Jacarepaguá”.
Estou intrigado. Você que me lê, não? Onde estavam esses assassinos, esses que são assassinados e também esses que protestam, fecham ruas, incendeiam ônibus (às vezes com passageiros dentro), durante o PAN? Em casa, assistindo as piruetas do Diego Hipólito, as braçadas de Tiago Pereira, vibrando com a seleção masculina de vôlei e a feminina de futebol?
Que eu me lembre, durante o PAN a única vez em que a violência chegou à primeira página de O Globo foi quando policiais extorquiram turistas americanos. O que me leva a pensar que talvez a explicação seja essa: sem os turistas, sem os atletas, sem o “clima” do PAN, os policiais voltaram à rotina. E o crime às primeiras páginas dos jornais.
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Enquanto policial repõe grade de ferro retirada por traficantes, grafite ironiza o presidente, fazendo um jogo com as palavras Alemão e Complexo, ora referindo-se ao vencedor do último BBB, ora a um Alemão muito mais complexo, o Complexo do Alemão, que reúne várias favelas no Rio, onde vem sendo travada uma verdadeira batalha entre policiais e traficantes há duas semanas.
A presença do policial na foto (de Domingos Peixoto, publicada em O Globo de hoje) acrescenta mais um Alemão ao enredo, já que Alemão é também o outro, aquele que não pertence ao grupo, o adversário.
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