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‘Grande imprensa’ quer jogar valerioduto tucano nas costas de Lula

Só hoje, quatro dias depois da IstoÉ ter publicado reportagem denunciando o valerioduto tucano, e dois dias depois deste blog ter colocado um link (que estava no Consultor Jurídico, da Agência Estado! – portanto, eles sabiam) para o relatório da PF com a denúncia, é que os jornalões se moveram e publicaram reportagens sobre o assunto. Miudinhas, envergonhadas, longe da primeira página. Mas publicaram. Agora, reparem nas manchetes:

O Globo: Valerioduto mineiro será denunciado em breve
Estadão: Planalto teme ligação de Mares Guia e Azeredo
Folha: Ministro atuou no mensalão mineiro, diz PF

O Globo foi mais parcimonioso, jogando maliciosamente o foco para o valerioduto – que até o momento sempre esteve associado ao PT.

A Folha diz que ministro [de Lula] atuou no mensalão. Mas está errado. Embora sejam a mesma pessoa, quem atuou no mensalão não foi o ministro de Lula, mas o vice-governador do governo tucano de Minas e tucano do Brasil. Lula era oposição, na época, e disputava a presidência com o candidato à reeleição FHC. Portanto, a campanha de Azeredo não era só para sua reeleição, mas para a de FHC também. Logo, os R$ 100 milhões (à época) também foram utilizados na reeleição de FHC.

Já o Estadão vai além e diz que o Planalto (entenda-se governo Lula) teme ligação de Mares Guia e Azeredo. Erradíssimo. Quem deve é quem teme, e o Planalto atual não tem nada a ver com aquele esquema, que foi usado, em Minas, contra Lula, que era adversário do tucano FHC na disputa pela presidência.

O comportamento da “grande imprensa” na cobertura desse caso, esmiuçado e denunciado pelo relatório da PF, está claro: ou bem se omite ou então tenta empurrar para o governo Lula o maior escândalo de desvio de dinheiro da história do país, mais de R$ 100 milhões de valores da época (1998), o que corrigido dá quase três dos tais “mensalões” do PT.

Dinheiro que veio de empresas privadas, mas, em grande parte, dos cofres mineiros (via governo tucano do estado) e brasileiros (via governo tucano de FHC). Para financiar as campanhas à reeleição dos tucanos Azeredo e FHC. É o que mostra o relatório da PF, que está aqui, na íntegra.

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Estadão, Folha, O Globo: Nada sobre o valerioduto tucano em Minas

foto do dinheiro do dossiê

Não adianta procurar. Nenhum dos principais jornalões publicou uma mísera linha sobre o relatório da Polícia Federal, que vazou no final de semana, e virou capa e reportagem da IstoÉ, denunciando a “complexa organização criminosa” montada em 1998 para desviar dinheiro público e lavar dinheiro de caixa 2.

Segundo o relatório, a animada farra tucana de 1998, que envolveu dinheiro público do governo tucano de Minas e também do governo federal do tucano FHC, atingiu a fantástica soma de R$ 100 milhões. Quase o dobro do que movimentou o chamado mensalão do governo Lula (R$ 55 milhões, segundo o procurador Antonio Fernando de Souza). E 57 vezes mais que o R$ 1,75 milhão do famoso dossiê Vedoin da campanha do ano passado, que virou manchete com direito a foto da grana em todos eles.

Só para estabelecer uma comparação, a foto publicada nesta postagem é a da grana do dossiê, que foi publicada nos principais jornais, antes das eleições. Aquela distribuída à imprensa pelo famoso delegado Bruno. Agora, clique aqui e veja como seria a foto do dinheiro movimentado pelo valerioduto tucano em Minas.

Será que não publicaram porque não caberia na primeira página?

Para baixar o relatório completo da Polícia Federal sobre o valerioduto tucano em Minas clique aqui.

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Leia relatório completo da PF sobre o valerioduto tucano em Minas

A revista IstoÉ desta semana tem uma vasta reportagem sobre o valerioduto, esquema de distribuição ilícita de dinheiro (em grande parte dinheiro público) para alimentar campanhas de tucanos e aliados ao governo de Minas em 1998.

O esquema movimentou R$ 100 milhões, quase R$ 55 milhões apenas via Marcos Valério.

Como demonstra em detalhes o relatório da Polícia Federal, foi montada uma “complexa organização criminosa” (página 2 do relatório) para lavar e distribuir dinheiro, num esquema que mostra que o escândalo do mensalão, como sempre se afirmou aqui, nasceu e se desenvolveu em ninho tucano.

São 172 páginas mostrando detalhes do esquema, que provam a veracidade da “lista do Mourão”, tão combatida no ano passado, quando foi divulgada. Nessa lista, há o nome de vários beneficiados com o esquema - inclusive o do atual governador de Minas, Aécio Neves, e o do ministro do governo Lula Walfrido dos Mares Guia - e números todo o esquema. Acusada de falsa, o relatório da PF afirma, no entanto, que a lista é verdadeira.

Uma curiosidade: quem primeiro divulgou a lista foi o lobista Nilton Monteiro. O mesmo da famosa lista de Furnas. Esta ainda está sendo investigada pela PF. Por isso, quem sabe se, mais dia menos dia, não será declarada tão verdadeira quanto a do Mourão. É esperar para ver.

Para baixar o relatório completo da Polícia Federal sobre o valerioduto tucano em Minas clique aqui.

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